A Pessoa Errada é a Certa
2 Bônus
Eu nunca pensei que o simples ato de convidar alguém para sair poderia causar tanto estresse em uma pessoa. E essa pessoa, por um acaso do destino, sou eu mesmo. Sim, eu, o idiota que se declarou bêbado para a pessoa errada, passou vergonha e depois percebeu que, na verdade, tinha feito o certo. Até porque, convenhamos, é difícil haver um partido que seja melhor que Jimin.
Mas eu estou me tremendo todo de tanto nervosismo e aflição.
Sério, é só um encontro, certo? Um cafezinho, talvez um cinema, quem sabe um beijo no final... Mas não, claro que não poderia ser simples. Não quando se trata de mim. Nunca é simples quando o assunto sou eu!
— Hyung, pelo amor de Deus, me ajuda! Você acha que eu uso essa camisa branca ou a preta? — grito da sala enquanto Yoongi, como sempre, está mais calmo que um monge tibetano.
Eu não consigo imaginá-lo perdendo as estribeiras, porque Min Yoongi é um poço de paciência. Acho que nem é falta de raiva, ele só tem preguiça demais para se estressar com qualquer coisa que seja. Talvez em outra vida ele tenha sido uma pedra ou algo inanimado e sem vontade de viver. Não seria muito diferente de quem ele é agora.
Uma pedra com sentimentos e muito amor no coração, é isso que ele é. E eu o amo.
— Usa a branca. Preta esquenta muito e você já está suando igual um condenado. — ele responde, e eu ainda o ouço rir baixo.
— Isso não é engraçado! — protesto, me olhando no espelho e desabotoando a camisa toda de novo. — E se ele se arrepender? E se ele perceber que não gosta de mim de verdade?
Vejo uma gota de suor escorrer por meu pescoço e estremeço. E se eu começar a suar ao ponto de molhar a minha mão? E se Jimin decidir entrelaçar seus dedos nos meus e me achar um porco asqueroso? E se... caramba, são muitos "e se..." e talvez tudo seja apenas loucura da minha cabeça.
— Jungkook... você está tendo um ataque de ansiedade porque vai sair com um garoto que já ouviu você se declarar bêbado e ainda assim quis ficar com você. — Yoongi se aproxima e ajeita a gola da minha camisa. — Respira. Ele já te quer. Agora só falta você querer viver isso sem sabotar tudo.
Sim, Min Yoongi, o mestre do tapa com luva de pelica emocional, é ele quem me dá a motivação necessária para espirrar perfume no meu pescoço e, finalmente, sair de dentro de casa, rumo ao primeiro encontro com Park Jimin.
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Quando encontro Jimin na frente do café que combinamos, eu quase tropeço nos meus próprios pés. Ele está lindo. Lindo de um jeito simples, com uma camisa azul clara, tênis branco e aquele sorriso que acende todos os postes da minha rua e mais um pouco.
Eu não consigo entender em que momento deixei de vê-lo como um amigo e percebi que queria construir algo muito além e mais intenso com ele. Mas agradeço incontáveis vezes por isso, assim como sou grato por ter bebido e me declarado errado e por ter percebido que Minwoo, por quem eu nutria sentimentos tão bobos e platônicos, é um grande babaca. Um lixo humano, se assim posso definir.
— Jungkookie... — ele sorri, ajeitando a pequena franja atrás da orelha. — Você está lindo.
— Eu que devia dizer isso. Mas não vou dizer muito, senão você fica convencido. — tento brincar, e graças aos céus ele ri.
E fazê-lo rir está próximo de se tornar meu novo hobby, talvez o que eu carregue maior talento dentre todos.
Entramos no café, que tem a iluminação mais romântica possível para alguém que só quer pedir um chocolate quente sem parecer que vai fazer um pedido de casamento.
Porque é provável que um dia eu vá, de fato, pedi-lo em casamento, mas esse dia ainda não é hoje. Hoje talvez tenhamos nosso primeiro beijo, não dá para pular tantas etapas assim de uma só vez.
Ou dá, não é mesmo? Mas eu não sou tão apressado. Apenas ansioso, claro.
— Então... — ele diz, mexendo distraidamente no canudo do seu café gelado. — Você ainda está nervoso?
— Eu? — quase engasgo com a própria saliva. — Não. Imagina. Por que estaria?
— Porque você está segurando o cardápio de cabeça para baixo faz uns três minutos.
Eu abaixo o cardápio num segundo, com as orelhas pegando fogo, e Jimin apenas dá risada, daquela que é impossível não acompanhar.
— Eu gosto de você desse jeito. Meio desastrado, todo fofo. — ele sussurra, e eu acho que derreto um pouquinho mais por dentro.
Na sequência, nós conversamos sobre tudo: desde quantas vezes cada um já passou vergonha na frente da turma, até o dia em que Jimin caiu do palco no ensino médio e ficou preso com a barra da calça na quina. Eu chorei de rir, literalmente. E depois ele chorou de rir quando eu contei do dia em que tentei impressionar um antigo crush jogando futebol e chutei a trave ao invés da bola.
Mas o melhor momento é quando saímos do café e o vento está mais frio do que o esperado. Isso porque Jimin estremece um pouco, e eu gentilmente tiro o meu casaco para colocar sobre seus ombros pequenos.
— Obrigado, príncipe. — Ele diz baixinho, se aproximando mais de mim com um sorriso tímido.
Eu nunca pensei que um beijo de verdade pudesse ser tão diferente daquele imaginado. Porque aqui, na calçada, com a brisa fria e nossos narizes quase se tocando, ele me beija com delicadeza e carinho. Um beijo que diz claramente: "é aqui que eu quero ficar".
E eu entendo ainda mais nesse momento que, por mais que tudo tenha começado de um jeito completamente errado... nada poderia estar mais certo.
Jimin é minha maior certeza de todas.
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