A Pescadora

1 A Pescadora


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A Pescadora

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respingos de água salgada

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Na beira do cais uma moça respira maresia

Trançando uma rede feita de corda de coração de dragão e poesia

Com a qual ela pesca amores perdidos nas ondas

Para vender na feira, sob barracas coloridas com teto de lona

Os pés que tocam a água — dançando, vai e vem — são pés de bailarina

A espuma salgada lambe suas canelas finas

Enquanto a brisa marinha enfeita seu cabelo com grãos de areia

Que brilham no sol como escamas de sereia

Os corsários sussurram sobre ela no porto

Dizem que o sangue em suas veias é em parte uísque e fogo

De fato, há fogueiras de junho em seu olhar

Que ardem mesmo sobre as águas do mar

Bem apertada contra a sua coxa descansa uma adaga

Moldada em prata, cuja sina é roubar a vida de tudo que afaga

A moça suspira e seu peito sobe e desce — tal qual a maré

Entre a água e o céu repousa sua fé

Ao redor dela derrama-se rum, uma prostituta se oferece

Em troca de uma moeda de bronze e uma prece

Um rapaz bonito vende mariscos, o vento zumbe através dos mastros

As ondas chacoalham uma centena de barcos

Alguns homens embarcam para lugar nenhum

Outros descarregam meia tonelada de atum

Os dedos da moça dançam pela rede de pesca

Com a mesma destreza com a qual ela se move nos salões de festa

Falanges enfeitadas com anéis de sal-gema

Atando cada nó com um poema

A moça é apenas uma num mundo

Repleto de piratas e outros tipos de vagabundos

Que cantam sobre terra firme e sobre mulheres bem-amadas

Uma gota no oceano, mas, ohh, das gotas mais salgadas

Notas finais
Obrigada por ter lido!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!