Notas iniciais
Esse one shot é apenas a minha opinião pela "sociedade sem defeitos"
A One Shot será escrita como um diário.

No dia 23/02 do ano de 4150 às 14h50min

Estou no meu refúgio. Escondida no porão de casa, entre as coisas velhas e empoeiradas. O que dizer? Sou uma louca no meio de pessoas perfeitas. Devo ser considerada defeituosa para esta nova sociedade. Sim, pessoas perfeitas.

A partir do ano de 3200, nada mais fora como os humanos imaginavam. O apocalipse que tanto esperavam não aconteceu. Ou talvez este seja o apocalipse.

Explicando melhor: tudo e todos são perfeitos. A sociedade é perfeita, a educação é perfeita, as cidades são perfeitas, não existe preconceito, fome, suicídios, doenças desde o milênio de 3200. Sim, por onde olho e observo pessoas felizes, pessoas festejando, aproveitando a paz e a liberdade. Sinto como se eu fosse um robô. Um robô criado apenas para a perfeição. Isso é frustrante. Ninguém parece perceber o que o governo quer, talvez eles estejam somente nos manipulando... Só sei que... Tudo isso me deixa... Paranoica.

Quando eu escuto a professora de história falando sobre os milênios anteriores, eu imagino o quão feliz era aquela sociedade. Vivendo. Eles viviam! Eles tinham escolhas! Eles não eram perfeitos! Sem nenhuma perfeição! Isso sim deve paz e felicidade.

Não eram androides criados apenas para “ocupar” um espaço no mundo. Eu já tentei falar essas coisas para outras pessoas, mas elas me olharam como se eu fosse louca, eu não sou louca, sou!?

Não... Não... Eu apenas penso diferente, não sou perfeita. Eu, sinceramente, odeio a perfeição. Ontem eles vieram falar com os meus pais. “Eles” eram agentes do governo. Não pude escutar toda a conversa, mas parece que querem me levar para um colégio interno. Um colégio interno. Talvez eu nunca saia de lá, talvez...

Oh... Que mal – educada eu sou. Meu nome é Larissa Medeiros, tenho 16 anos e moro no país que antigamente era chamado de “Brasil”.

Sim, diário, eu me sinto cada vez mais solitária, tenho medo de ir para a escola e ser levada à diretoria de novo só por falar a minha opinião.

Essa poeira toda me deixa alérgica... Sabe que às vezes eu venho aqui só para poder sentir o cheiro do pó e começar a espirrar? Para os outros isso pode ser uma baita de nojeira, mas para mim quer dizer que eu não sou igual os outros. Eu posso adoecer!

No dia 24/02 do ano de 4150 às 08h00min

Eu estava pesquisando umas coisas na internet, sobre suicídios, mortes, automutilação.

E eu achei bem interessante... Mas fui tentar aprofundar o assunto, mas esses sites são proibidos para todos... Pois é... Eles querem ter mesmo uma sociedade robôticamente perfeita.

Não fui para o colégio, estou novamente no porão. Ontem eu experimentei o alívio de me cortar, sabe... É bom. Não tanto quanto deve ser o suicídio, mas é bom.

Escrevi “Perfect” em meu braço e deixei meu sangue pingar.

Novamente vi aqueles agentes do governo, eles estão rondando minha casa, talvez estejam me esperando. Talvez...

Eu só saio daqui para pegar comida, tenho muito medo que meus pais me entreguem para eles. Muito medo.

Acho que todo mundo quer a todo momento me levar. Isso irrita.

No dia 25/02 do ano de 4150 às 17h03min

Ainda me pergunto por que as outras pessoas ainda não acordaram. Sou a única no mundo que pensa nesse tipo de coisa?

Tenho medo dessa perfeição toda. Eu mesma sou quase perfeita...

Quase.

Sou esteticamente linda, com os meus olhos azuis e cabelos loiros, um corpo esbelto e proporcional a minha altura. Porém... Sinto que as outras são mais bonitas que eu. Elas me olham de modo diferente, acho que têm nojo do jeito que eu sou.

Aqueles agentes estão novamente aqui! Eles com certeza me querem, já é o terceiro dia que eu não vou para o colégio. Estou desesperada, não tenho ninguém para me ajudar!

Escutei um barulho na porta que dá para o porão, acho que eles estão vindo para cá.

Estão me procurando pela casa toda... Eu não sei o que fazer, não sei nem como consegui chegar ao meu quarto. Já sei, vou para a piscina... Vou me livrar de toda perfeição.

Garota de 16 anos encontrada morta na piscina de casa, pelo que relatam foi um suicídio. Ela estava em um estado critico de paranoia, se escondia no porão e não saia mais de casa. Algo que não acontecia há mais de 1000 anos.
Encontraram o seu diário e começaram a pesquisar.

Os cientistas, agora, querem saber o que leva uma pessoa a praticar o suicídio.

Este foi o nosso primeiro relato de suicídio depois de quase um milênio será que outros jovens vão seguir isso? Talvez. Por isso o governo está tomando medidas de precaução. Levando quantos jovens possíveis para terapeutas e psiquiatras; lembrem-se suicídio é pecado, qualquer um que se suicide terá como destino o inferno. — fala o repórter.

A mãe da jovem que se suicidara desliga a televisão, triste. Sua filha apenas fora mais uma vitima de uma sociedade que somente quer a perfeição. Mas, agora não tinha mais volta. Seu coração estava fraco demais. E não queria ter o mesmo destino da filha.

Notas finais
Bem! O que acharam da estória?
Aceito reviews. Boa noite (ou bom dia, boa tarde... depende do horário que vocês estão lendo).
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!