Notas iniciais
Olá, amigo leitor, se aproxime, sente e deixe-me contar uma história... (NOTAS FINAIS IMPORTANTES)

*Narrativa em Primeira Pessoa*

Eu estava dentro do barco com Legolas, ele na parte de trás remando e eu na frente. Dessa vez Gimli não quis vir conosco, não o culpo, da ultima vez fizemos bastante bagunça. Da outra vez Erick estava dentro de um dos barcos junto com a Sociedade... Da outra vez Erick estava aqui.

Mas isso foi antes, foi ontem, foi no passado. No presente eu era a única Anja na Terra-Média.

_Está com sede, Bleumer? — Legolas me perguntou. Sua voz estava tão suave... Como se temesse dizer algo e me quebrar em vários pedaços.

_Não.

O silêncio novamente se instalou no nosso barco. Alguns dizem que o silêncio é ruim, que é vazio. Eu não acho isso. Como esse silêncio pode ser vazio se escuto tantos gritos nele? Se eu escuto os gritos da minha própria cabeça ressonando pelo meu corpo. Eu sou uma guerreira, devia ter uma mente tão forte quanto meu corpo, mas há coisas que ninguém consegue treinar para superar. Esse estado de alerta, de não saber o que está acontecendo com o meu mundo vem me consumindo desde a noite anterior. Desde que Erick recebeu um alerta vermelho. Depois daquilo Legolas foi tão gentil comigo, me abraçou, sussurrou palavras de conforto, até deitou ao meu lado e pela noite inteira segurou minha mão gelada. Mas nada daquilo conseguia penetrar minhas fileiras preenchidas de ansiedade por notícias do meu povo. Não saber o que tinha acontecido ou se alguém tinha... Morrido... Era a pior tortura.

_Aqui é Anja do Destino, Peregrina. Alguém na escuta? Por favor, estabeleça contato comigo se estiver aí... — Ergui meu braço com o Bracelete Guia e pela décima vez tentei contato com Pandora. Apertei um botão sensível à manipulação tátil e abri o canal de comunicação... Mas nada acontecia.

_Alguma notícia? — O elfo me perguntou. Nosso barco era o último. Eu sabia que Legolas estava remando devagar de propósito, pois assim ninguém da Sociedade precisaria ver meu rosto aflito. Agradeci mentalmente seu gesto, sabia que ele fazia aquilo por mim.

_Nenhuma...

_Não fique tão angustiada. Todos os Guerreiros devem estar ocupados, por isso ninguém pode falar com você.

_Você deve ter razão... — Respondi o elfo com um fio de voz, enquanto voltava a olhar para meu bracelete.

_Bleumer, olhe para mim. — Legolas pediu, mesmo relutante acatei seu chamado e me virei para ele. — Meu coração pesa por vê-la assim. Seus olhos não estão brilhando e sua voz não tem vida. Parece que você não reage a nada. — Legolas esticou a mão na minha direção e tocou meu rosto. — Sua pele está fria... Como se seu próprio coração estivesse congelado... Deixe-me trazer vida para você, deixe-me aquecê-la... — O elfo parecia suplicar enquanto se aproximava de mim, mas suas palavras pareciam distantes, como se eu estivesse dentro de algo e o som não chegasse perfeitamente até mim. Até que Legolas chegou a centímetros do meu rosto, seus lábios roçaram os meus e então os selaram.

Assim recebi o terceiro beijo da minha vida.

Legolas me beijou com suavidade e amor, tanto amor que de alguma forma eu pude sentir meu corpo se aquecer. Na mesma hora meu rosto ficou corado e senti vergonha. Sabia que ninguém da Sociedade podia ver nosso beijo pela posição estratégica que Legolas nos colocou, mas ainda sim senti constrangimento. E com isso um maremoto de emoções. A língua do elfo pediu passagem e explorou minha boca, mas não fazia isso com volúpia... Fazia com um carinho óbvio em cada gesto. Como se seu objetivo fosse provar que eu estava ali. Viva. Ele encerrou o beijo e se afastou um pouco de mim. Olhei dentro dos olhos azuis de Legolas.

E naquele momento onde tudo parecia ser incerteza pelo futuro do meu mundo, algo fez sentido. O beijo de Legolas foi como uma Luz acessa por um segundo no meio de uma caverna tomada pelo breu, mesmo sendo uma luz fraca, comparada ao escuro que a cercava, ainda era uma Luz. Ainda era uma faísca capaz de guiar uma mente cheia de dúvidas como a minha. Naquele instante eu acordei, voltei à realidade e parei de lamentar por algo que estava além do meu controle.

_Legolas... — Dessa vez eu o chamei, me aproximando mais dele.

_Sim...? — Ele disse com uma voz tranquila, provavelmente achando que eu o beijaria.

Coloquei ambas as mãos no rosto do elfo e aproximei nossas bocas, vi quando Legolas fechou os olhos, como se antecipasse o beijo... Entreabri minha boca e de súbito usei os dentes para morder a carne macia dos lábios do elfo. Mordi com força suficiente para tirar uma gota de sangue. Depois me afastei dele.

_Ai! Você me mordeu! — Legolas tocava no próprio lábio levemente machucado e me olhava de uma forma descrente, como se não esperasse que eu fizesse algo assim. O que ele queria? Que eu o beijasse?

_Mordi porque você mereceu! Não me beije quando bem entender! Não faça mais isso! — Exclamei e voltei-me para frente. Deixando o elfo lidar com sua própria confusão. Na verdade, eu parecia mais irritada do que realmente estava... O beijo de Legolas me despertou... Me encheu de luz.

_Você é louca! — Ouvi o elfo murmurar, como se resmungasse consigo.

_Obrigada por me ajudar. — Sussurrei o mais baixo que pude, torcendo que o vento levasse minhas palavras e Legolas não ouvisse, e ao mesmo tempo rezando ao Viajante que ele ouvisse.

_Sempre estarei aqui. — Legolas respondeu igualmente baixo e depois disso navegamos em silêncio. Dessa vez um silêncio confortável e cheio de significados.

No meio da tarde paramos em uma margem, ali era o máximo que podíamos ir de barco. Eu estava ajudando a descarregar e esconder os barcos, Aragorn e Legolas conversavam um pouco afastados do resto de nós, algo parecia incomodar o elfo. Gimli estava sentado ao lado de Sam, conversando e se gabando de algo. Merry e Pippin estavam andando de um lado para o outro, explorando o lugar. Frodo estava parado, com uma expressão tão melancólica que me partia o coração. Decidi me aproximar do pequeno hobbit, quando dei um passo na sua direção, Boromir apareceu na minha frente.

_Porque não me ajuda a buscar lenha para fazer uma fogueira, Bleumer? — O filho de Gondor me perguntou. Sua voz soava tranquila, na mesma hora abri a boca para concordar com seu pedido... Mas algo me deteve. Algo dentro de mim dizia que eu não podia ir com esse homem... Que não era seguro.

_Tenho algo que gostaria de discutir com Peregrina, então ela não pode ir com você, Boromir. — Legolas se postou ao meu lado e eu dei um pulo de susto. Mal notara sua aproximação. O humano por sua vez apenas assentiu com a cabeça e se afastou de nós.

Olhando em retrospectiva agora vejo que não ir com Boromir foi meu primeiro erro de uma sequência de erros que até hoje eu me culpo.

_O que tem para me dizer? — Depois desse momento estranho, olhei para Legolas.

_Nada, eu menti. Não queria que você fosse com ele. Não quero você sozinha com Boromir. — O elfo me disse tranquilamente. Eu já começava a me irritar e ia abrir a boca para reclamar dizendo que não precisava de proteção quando Legolas continuou. — Antes que diga algo, pois sei que vai fazer, quero dizer que sei muito bem que você não precisa de proteção nenhuma. Mas não posso evitar o desejo de zelar por você.

_Idiota... — Murmurei para o elfo e ele como o idiota que era, sorriu.

_Como você está, Bleumer?

_Sou uma guerreira, então tenho que ser forte. Todos do meu mundo são fortes. Preciso acreditar que eles estão bem. Eu estou bem. Você clareou minha mente. — Respondi ao elfo e seu sorriso mudou para aquele típico sorrisinho convencido que eu odiava.

_Se eles forem tão destemidos e teimosos como você, tenho certeza que todos estão bem. — Legolas segurou uma mecha do meu cabelo branco entre os dedos e ficou brincando com ela. Resolvi ignorar sua provocação e por algum motivo decidi revelar algo que eu tinha descoberto. Algo que me pegou de surpresa.

_Eu percebi uma coisa, elfo... Há Luz do Viajante dentro de você. A mesma Luz que habita em mim, habita em você. Mas é em uma quantidade muito pequena.

_O que? Não compreendo. Como pode perceber isso de repente? — Legolas pareceu entender que aquele assunto era sério e parou de brincar com meu cabelo. Seus olhos azuis me fitavam como se todo o céu estivesse prestes a cair em cima de mim.

_Eu mesma não entendo muito bem. Já tinha sentido a Luz do Viajante em Lady Galadriel... Ela fora a única criatura da Terra-Média que senti isso, mas julgo que foi porque ela é tão poderosa e pura como uma deusa, uma estrela... Mas quando estávamos no barco e você... Me beijou... — Tenho certeza que fiquei vermelha até a raiz dos meus cabelos ao relembrar do nosso beijo. — Senti que havia um pouco de Luz dentro de você... Não sei como, mas agora posso sentir essa energia em você. Talvez seja porque minha Segunda Origem foi libertada e agora sinto o mundo com mais intensidade, então consigo detectar sua Luz mesmo que seja pouca... — Ao terminar de falar percebi que estava presa em um monólogo. Acho que me empolguei e enchi Legolas com minhas suposições bobas.

_Mas se esse for o caso... Porque não sentiu essa Luz quando nos beijamos no baile? — O elfo disse. Ao que parecia ele estava interessado no assunto.

_Não sei... A única coisa que penso é que naquele momento no baile você não me passou sua Luz, pois eu não precisava dela... Mas agora no barco de alguma forma inconsciente você me passou Luz e ela me guiou de volta a realidade. Eu me alimentei da sua Luz. — Confidencie com a voz baixa. Ao falar aquilo eu percebi como era constrangedor e... Estranho.

_Então somos parecidos? — Legolas parecia feliz ao constatar aquilo. Como se estivesse recebido a melhor noticia de todos os tempos. Seus olhos brilharam tanto que mais parecia um céu em um dia ensolarado onde tudo é paz e amor.

_Não. Você é um príncipe élfico da Floresta das Trevas e eu sou uma Anja do Destino de Pandora. Não somos criaturas parecidas, mas de alguma forma partilhamos a Luz do Viajante. — Eu disse de um modo firme. Não queria dar falsas esperanças a Legolas, não queria alimentar seu amor por mim. Somos criaturas diferentes e improváveis para ficarem juntas. Legolas precisa ver isso.

Enquanto o elfo assimilava minhas palavras, a voz de Aragorn foi ouvida por todos.

_Onde está Frodo?

_Frodo? Ele estava aqui agora mesmo... — Sam respondeu já se levantando e olhando em volta.

_Frodo? Frodo?! — Aragorn gritou para a floresta na nossa frente e obtivemos o silêncio como resposta.

Um frio começou a subir por minha espinha, como se algo ruim estivesse para acontecer.

_Boromir também não esta aqui. — Legolas disse ao meu lado. O frio da certeza que algo ruim estava para acontecer tomou conta de mim. Naquela hora eu soube que Frodo estava em perigo e sem pensar duas vezes sai correndo floresta adentro, procurando o pequeno hobbit.

Eu podia ouvir Legolas correndo logo atrás de mim. Todos começaram a correr como se soubessem que algo maligno espreitava entre aquelas árvores velhas.

Então ali eu cometi meu segundo erro, ao perder Frodo e Boromir de vista.

Em algum momento no meio da minha corrida Legolas disse:

_Pare! Peregrina pare! — O elfo segurou minha mão, interrompendo bruscamente minha corrida.

_O que foi?! Frodo está com problemas! — Gritei para o estúpido arqueiro enquanto puxava minha mão de volta.

_Nós estamos com problema! Nos separamos dos outros. — Quando Legolas disse isso eu olhei para trás e vi que estávamos sozinhos... Onde estava todo mundo?! Antes que eu pudesse perguntar, ouvi um barulho de passos pesados na floresta e depois Gimli apareceu no meu campo de visão.

_Achei vocês dois! Aragorn foi para o outro lado procurar e me mandou ir nessa direção! Mas não sei onde estão aqueles pequenos tolos do Merry e Pippin! — Gimli dizia de forma entrecortada e ofegante, proveniente do esforço da corrida.

_Mas que bela porcaria! A última coisa que eu precisava era que todos se separassem! — Esbravejei enquanto chutava uma pedra para longe. Devo dizer que Legolas me olhou um pouco surpreso... Provavelmente por causa do meu palavreado. O que ele queria? Já disse que não sou uma dama.

_O que fazemos agora? — Gimli perguntou.

_Tive uma ideia. Vou voar além das copas das árvores, lá de cima devo ser capaz de avistar alguém. — Antes que qualquer um dos dois pudesse dizer algo, eu já tinha pedido ao Ar que me deixasse tão leve quanto uma folha e que me erguesse. Dei impulso com os pés e fui para cima.

Voei acima das copas das árvores. Voar agora era muito mais fácil, depois da liberação da minha Segunda Origem, agora eu tinha mais estabilidade de voo. O único problema era que mesmo do alto eu não conseguia ver ninguém! Nem humano e nem hobbit! Enquanto procurava vi algo que realmente me preocupou... Vários orcs estavam seguindo para onde Legolas e Gimli estavam e um outro grupo de orcs seguia na outra direção. Imediatamente voei de volta ao solo.

_Prepararem-se! Vamos ser atacados por orcs! — Gritei enquanto aterrissava e já reequipava Sora. Nem elfo ou anão me questionaram, apenas sacaram suas armas e depois de alguns instantes pudemos ouvir o som de uma horda se aproximando.

Parti para cima do primeiro orc nojento e o decapitei antes que ele notasse minha espada, fui para o próximo. Pelo canto do olho via Legolas atirando sem parar suas flechas e vi Gimli arrebentando um orc com seu machado. Minha mente estava focada apenas na luta, cada monstro que eu abatia me deixava mais perto de encontrar os outros integrantes da Sociedade.

Eu girava e saltava de um lado para o outro, meus pés mal tocavam o chão. Por onde eu passava uma mancha de sangue pútrido ficava. Sangue dos meus inimigos. Invoquei a terra e lancei a cabeça de uma estátua antiga que estava meio enterrada no solo. Aquela cabeça devia ter pelo menos oitenta quilos e ela foi certeira na direção de quatro orcs. Eles foram completamente esmagados.

_São muitos! Eles não param de chegar! — Legolas gritou no meio de uma flechada e outra.

_Temos que acabar logo com eles! Os outros podem precisar de ajuda! — Gimli berrou enquanto afundava seu machado na cabeça de um orc que teve o azar de cair aos seus pés. Foi uma cena linda. Mas os dois tinham razão, não importava o número que matávamos, sempre aparecia mais desses monstros. Até que resolvi testar algo. Claro, minha ideia era idiota e potencialmente suicida... Mas todas as minhas ideias não são assim? Além disso, eu confiava no que Erick tinha me ensinado. Então gritei a plenos pulmões.

_Legolas! Gimli! Preciso que ganhem tempo para mim! Só alguns segundos! — Depois da minha fala os dois me olharam como se eu fosse louca, talvez eu fosse mesmo.

_Claro! Seu desejo é uma ordem, minha senhora! — O anão disse e começou a se aproximar de mim. O elfo também. Os dois estavam flanqueando ambos os lados, assim me protegendo por um momento.

Nessa hora abandonei Sora e juntei minhas mãos como se orasse, deixei minha voz correr solta por toda a floresta, alta, forte, sublime.

_Vasculhai os céus e abri-os bem

Pelo brilho de todas as estrelas do céu, faz-te presente em mim

Ó Viajante, escutai-me, eis que sou a regente da Luz das estrelas

Mostrai a mim vossa resplandecente forma, dai a mim vossa Luz como sinal

Libertai vossa Luz do portal da justiça

Ó infinitas estrelas do firmamento libertai vosso ímpeto ao meu chamado e...

Destruam!

Uranometria!

Terminei de recitar meu ataque e gritei a última palavra com toda a minha força, entregando-me para ao desconhecido. Quase um segundo inteiro depois senti como se uma mão arrancasse minha energia vital. Foi brutal, repentino e belo. Era como se eu entregasse minha própria Luz em troca de poder. E assim foi feito.

Ao final de Uranometria uma onda de Luz partindo de mim varreu todos os orcs próximos. Todos os monstros foram pegos de surpresa e nem tiveram tempo de se desesperar, pois eles já estavam mortos. Reduzidos a cinzas que o vento levou. Minha vontade de proteger a Sociedade foi mais forte que a maldade daqueles seres. Meu ataque deu certo, toda a aura de morte e crueldade que os orcs trouxeram foi exorcizada e transformada em amor.

Meu amor pela Sociedade.

Pois o amor sempre será a maior vontade do universo.

Aquele foi meu terceiro erro. Ao usar Uranometria gastei uma reserva de energia... Uma reserva que poderia ter salvado uma vida. Nunca me perdoei por isso.

_Bleumer! Você está bem?!

_O que acabou de acontecer?!

Legolas e Gimli falaram ao mesmo tempo e ambos correram em minha direção. Eu me sentia um pouco fraca, na verdade... Me sentia meio vazia. Acho que aquilo que correspondia ao entregar minha primeira reserva de energia.

_Você está muito pálida! — Legolas me segurou pelos braços e me sustentou. Mas antes que eu pudesse responder que estava bem... Ouvimos o som cristalino da trombeta de Gondor. Aquilo só podia significar uma coisa... Perigo.

_Vamos! Vamos! O som veio do norte! — Falei enquanto me desvencilhava dos braços do elfo e corria na direção do som. Nem olhei para trás, pois sabia que meus companheiros estavam correndo logo atrás.

Corri primeiro de modo um pouco vacilante, logo depois peguei o ritmo e corri o mais rápido que pude. Apenas rezando para dar tempo de chegar até Boromir e salvá-lo. Pois aquele som vinha da trombeta dele.

Quando finalmente avistei Aragorn meu coração parou. O rosto do guardião estava carregado de tristeza. E deitado no chão, com várias flechas, estava Boromir.

_Não!– Corri até o lugar que ambos estavam e me abaixei ao lado do filho de Gondor. Ao olhar seu corpo vi que ele estava mortalmente ferido. — Boromir! Eu vou salva-lo! Eu posso fazer isso! Não se preocupe! Você vai ficar bem... ! — Minha voz saia tremula e meus olhos estavam cheios de lágrimas.

_Não a nada a ser feito, Peregrina... — Aragorn colocou a mão sobre meu ombro, como se me consolasse. Mas eu a afastei com um tapa.

_Eu posso! Erick disse que eu podia usar Uranometria como uma forma de passar Luz para outro ser e talvez salvar sua vida! Eu vou conjurar Uranometria e salvar Boromir! — Respondi de forma ríspida e juntei as mãos novamente, me concentrei e quando ia abrir a boca para invocar o primeiro verso, a voz de Legolas pode ser ouvida.

_Bleumer, você acabou de conjurar esse ataque, se fizer de novo em um período de tempo tão curto irá morrer. — Legolas me disse, nos seus olhos eu só via dor.

_Não me importo! Essa é minha missão! Meu dever é proteger vocês! Eu vou dar minha vida pela de Boromir! Eu vou far... — Minha fala foi interrompida quando o homem deitado a minha frente ergueu a mão e tocou gentilmente meu rosto.

_Por favor, não torne meus pecados maiores... Não conseguiria viver sabendo que você deu sua vida por mim... — A voz de Boromir estava fraca e falha. Percebi como apenas o gesto de erguer seu braço parecia ser um esforço descomunal para ele.

_Deixe-me ajudá-lo! Estou aqui para isso! — Tomei sua mão e apertei. Meu peito doía a cada batida por ver Boromir sofrendo.

_Eu a odiei, Bleumer. Eu desejei sua morte... Desejei matá-la. E teria feito se Legolas ou Erick não estivessem sempre por perto... Tenho tanta vergonha de admitir isso... Mas eu quis machuca-la da pior forma que um homem pode machucar uma mulher... Quis fazer você sofrer... — Boromir engasgou no próprio sangue e tossiu. Nada daquilo fazia sentido para mim.

_Eu não me importo que você me odeie! Pois eu não o odeio! Você é um companheiro importante para mim! Você é Boromir e Boromir é você! Eu quero salva-lo! — Lágrimas grossas rolavam pelo meu rosto sem parar e não ligava para isso. Eu também podia ver que Gimli estava chorando, Legolas apenas olhava aquela cena como se a fosse levar por toda a eternidade e Aragorn ao meu lado enrugava o rosto de pesar.

_Você já me salvou... Suas palavras doces e seu jeito puro de ser me salvaram... Agora eu posso ver. Agora eu posso sentir o mundo ao me redor. Posso vê-la como a bela Anja que é... Diga-me uma última coisa... Bleumer... Acha que eu posso... Ir para o Jardim de Cristal...? — A voz de Boromir estava cada vez mais fraca, respirar para ele parecia ser um tormento, mas seus olhos tinham um brilho especial... Como se agora ele realmente pudesse ver o mundo. Como se estivesse livre do mal.

Busquei a resposta para sua pergunta dentro do meu coração e lhe disse com a voz mais suave que podia e com o rosto banhado em lagrimas.

_Acho que todos podem ir para o Jardim de Cristal, talvez ele tenha outro nome ou outra forma, mas será um lugar de paz e amor. Eu sei que você vai encontrar seu próprio Jardim e viverá feliz nele. Viverá a Era dos Sonhos, a Era da Eternidade, Boromir, filho de Gondor. — Me inclinei e dei um cálido beijo na testa do humano.

_Suas palavras me salvaram... Obrigado, minha Anja do Destino... — Ele sorriu para mim, um sorriso verdadeiro como de uma criança, mas seus olhos pareciam desfocados... Senti que a morte estava ao lado de Boromir. Aquele era seu último momento. — Aragorn... Eu o teria seguido... Meu amigo, meu irmão... Meu rei...– Aquelas foram as ultimas palavras de um dos maiores guerreiros que já conheci. Suas últimas palavras foram dadas a Aragorn e o Guardião aceitou o peso delas.

Meu choro estava preso na garganta, sons entrecortados e sufocados saiam da minha boca. Como se chorar fosse doloroso demais. Até que Aragorn me puxou para um abraço... Naquele momento era tudo o que eu queria. O guardião me abraçou com força, como se quisesse passar sua própria força para mim... Mas eu também queria passar força para ele. Então devolvi o abraço. Meu coração sabia que Aragorn estava sentindo a mesma dor que a minha. E nos braços do futuro rei encontrei carinho e um amor de irmão mais velho.

Logo depois Legolas colocou a mão sobre meu ombro e eu levantei. Nada precisou ser dito. Nós dois sabemos a dor do outro apenas pelo olhar.

_Vamos voltar à margem do rio e nos despedir de Boromir. — Aragorn ordenou, dessa vez mais controlado. Nessa hora pedi que o Ar erguesse com todo o cuidado o corpo de Boromir e o levasse para o rio. Dessa forma fomos eu, Legolas, Aragorn e Gimli andando pela floresta com o corpo de Boromir logo atrás e a memória dele em nossos corações.

Ao chegar à margem vimos Frodo e Sam do outro lado do rio. Na mesma hora eu tentei voar até eles e trazê-los de volta, mas Aragorn me deteve.

_Deixe que vão. O destino de Frodo não está mais em nossas mãos. — O humano disse de forma séria enquanto olhava para o lugar onde os hobbits tinham sumido.

_Então foi tudo em vão. A Sociedade fracassou. — Gimli falou ao meu lado, sua voz estava tão carregada de tristeza.

_Minha missão está falhando... — Eu disse. Aquilo não era possível, como de repente tudo tinha dado errado na minha vida?

_Não se continuarmos unidos. Não abandonaremos Merry e Pippin ao tormento e á morte. Não enquanto nos restarem forças. — Aragorn disse e naquela hora eu o vi como o verdadeiro líder que era. Com apenas essas palavras eu seria capaz de segui-lo sempre. — Mas antes temos fazer um funeral para Boromir.

Um tempo depois tudo já estava pronto. O corpo de Boromir repousava dentro de um barco, junto com ele estava seu escudo, espada e a trombeta de Gondor. Os homens empurraram o barco até o rio e logo depois a embarcação foi carregando pelas águas.

Mandei uma prece silenciosa para a Água... Pedi que ela deixasse Boromir ter o sonho eterno dento de suas águas... E que a própria Água lavasse as dores e culpas da alma de Boromir.

Esse foi meu adeus a ele.

_Vamos seguir em frente. Vamos caçar orcs! — Aragorn bradou e todos nós o acompanhamos.

Meu destino não estava mais preso ao de Frodo e Sam. Rezei que o Viajante cuidasse deles a partir de agora. Pois eu cuidaria dos outros integrantes da Sociedade. Aquela era minha missão. Não, era mais do que isso... Era minha vontade.

Notas finais
Olá, tudo bem? o/ *Bom, esse é o último capítulo equivalente ao filme da Sociedade do Anel. *Mais ou menos 100 pessoas leem essa fic, mas apenas umas 10 comentam algo. No capítulo passado apenas 4 pessoas deixaram seus comentários. Não sei se a história perdeu o interesse para vocês ou algo do tipo, apenas sei que me sinto muito desmotivada com essa falta de comentários dos leitores. Como esse cap é a última parte do primeiro filme e vendo como as pessoas estão aparentemente desinteressadas com a história, realmente não sei se vou postar as outras duas partes da fic (correspondentes as Duas Torres e ao Retorno do Rei). *Imagem encontrada no Google e meramente ilustrativa. Até logo (ou não).