A Peregrina
32 A Cada Passo
Notas iniciais
*Narrativa em Primeira Pessoa*
No instante que vi Molly, um grito quis se formar na minha garganta. O rosto da minha amiga apresentava uma cicatriz feia e grosseira, da testa, passando pelo olho, até a boca, onde repuxava seus lábios em um ângulo estranho. Seu olho direito estava inchado e roxo, como se tivesse recebido um poderoso golpe ali. Sua bochecha direita parecia ter sido queimada por algo. Até onde eu podia ver o seu corpo magro estava coberto de curativos.
_Molly?! O que aconteceu com você?! — Perguntei aflita.
_Olá, Peregrina... Príncipe e todos os outros companheiros de Peregrina. — Molly cumprimentou educadamente a todos. Depois virou seus olhos castanhos para mim, pelo menos o que restava deles. — Estou bem, isso não é nada. Não deixe que minha atual aparência a assuste. Logo essas cicatrizes e machucados vão sumir, os curandeiros estão fazendo um ótimo trabalho. Já estou bem melhor e voltarei ao meu estado natural em breve.
_Não brinque comigo! O que aconteceu para você se ferir dessa forma?! São ferimentos graves! — Gritei e Legolas, que estava ao meu lado, tocou suavemente meu ombro, como se me acalmasse. Mas de nada adiantou, pois eu vi a dor e sofrimentos estampados nos olhos de Molly.
_Você já deve saber que Pandora foi atacada, mas especificamente O Centro... Os Demônios nos atacaram, Peregrina. Eram sete deles e quase não conseguimos destruí-los. — A Alquimista me disse e logo depois seu olho, que não estava completamente fechado, verteu lágrimas.
_Não pode ser... Conte-me o que houve! — Implorei para a imagem holográfica de Molly. Meu coração já batia disparado e minha respiração era falha.
_Calma, Peregrina. — Aragorn pediu, mas eu mal o olhei.
_Ainda não sabemos como os Demônios conseguiram entrar no Centro, mas eles invadiram nosso lugar começando pelo setor N7, que é onde fica o berçário e onde as cuidadoras humanas descansam. Foi tudo rápido demais, de repente os alertas começaram a soar sem parar por todos os lados e tudo virou um pesadelo! — Molly deixou o rosto cair entre as mãos e chorou abertamente. Meu coração se apertou com aquela cena. Como eu queria estar lá ao lado dela e lhe dar um abraço.
_O que houve depois, Molly? — Minha voz tremia e eu odiei isso. Odiei a franqueza presente nela.
_Depois dos alarmes, vários Anjos foram trazidos de volta para lutar... Eu e os outros Alquimistas abrimos tantos portais que quase gastamos nossa energia vital toda. Anjos caíam do céu como estrelas vingadoras para nos ajudar! — Molly continuou entre soluços — Todos assumiram formação de combate, cada um no seu esquadrão e os Comandantes e sua Guarda de Elite também lutaram.
_Calma, jovem, respire fundo e continue. — Gandalf usou um tom gentil para falar com Molly e ela virou seus olhos para ele, agradecendo de uma forma silenciosa.
_Os Anjos abririam caminho entre os Demônios até o berçário e nós, Alquimistas, tentamos abrir portais para salvar nossas crianças... Mas Erick já estava lá! Ele já estava lutando sozinho, Peregrina! — Molly finalmente olhou para mim. Sua voz alternava entre descrença e admiração. Já eu, só temia mais o que iria ouvir. Não aguentaria se algo acontecesse com Erick.
Não posso perdê–lo de novo.
_Erick?! O que ele fez?! Ele está bem?! — Medo. Era a única emoção que sentia. Minhas mãos tremiam e se eu não estivesse sentada, teria caído, mas então Legolas estava lá... Ao meu lado. Ele segurou minha mão tremula e me passou conforto.
_Peregrina... Nunca vi ninguém lutar como ele lutou. Ele derrotou um demônio sozinho! Nós precisávamos de vários Anjos para fazer o que Erick fez só. Eu não tenho como descrever o horror presente no setor do berçário... Os Anjos com ajuda de Erick conseguiram matar outro demônio, mas não sei como esse monstro explodiu e engoliu todo o setor em fogo e morte... Tudo ficou vermelho e quente! Parecia o inferno onde nós éramos os convidados de honra... ! — A alquimista voltou a chorar, lágrimas grandes e grossas caiam pelo seu rosto arruinado, que antes era belo.
_E as crianças?! E Erick? O que houve... ? — Meu peito subia e descia de modo descompassado e busquei conforto na mão de Legolas, que apertava a minha. Olhei para ele e vi minha preocupação refletida nos olhos do elfo... Ele estava preocupado pelo meu povo também. Molly começou a falar e voltei minha atenção para ela.
_Quando tudo explodiu... Erick permaneceu de pé e nos salvou. Ele usou sua telecinese para fazer um campo de força à nossa volta e nos proteger... Eu estaria morta se não fosse por ele, apenas recebi esses machucados... Mas quando a poeira abaixou, Erick estava inconsciente no chão.
_Não! Ele está bem, não é?! Ele está vivo, certo?! — Agora quem chorava era eu. Não me importei se a Sociedade estava assistindo tudo aquilo. Apenas não conseguia parar de chorar. Só de pensar que Erick... Possa ter... Morrido... Já era insuportável.
_Agora ele está estável. Erick sobreviveu. Ele ainda está na ala da enfermaria recebendo cuidados, mas está fora de perigo. Durante todos esses dias ele só pediu para falar com você, para avisar que estava tudo bem, mas só agora conseguimos restabelecer comunicação. — Molly contou e pelo menos dessa vez um pequeno sorriso se fez presente nos seus lábios retalhados.
_Graças ao Viajante... — Um alívio tão profundo me invadiu com aquela notícia que me deixei desabar sobre o peito de Legolas e ele me abraçou, seus braços rodeavam meu corpo ainda trêmulo e não me abandonaram.
_Está tudo bem agora, você pode relaxar. Todos estão bem, Bleumer... — O elfo falava baixinho enquanto passava as mãos de forma ritmada pelos meus braços. E eu quase consegui sorrir, afinal tinha sido algo horrível, mas todos tinham saído vivos da situação. Olhei em volta e vi que Gimli e Aragorn suspiraram em uníssono com alívio. Não tinha notado isso até agora, mas parece que a Sociedade se importava com Pandora. Ao olhar para Gandalf, vi que o mago fitava a figura de Molly, mas sua expressão não era de alívio, pelo contrário, era como se soubesse que as notícias não tinham acabado.
_Julgo que essa jovem ainda tem mais o que contar e temo que não serão boas notícias. — O mago disse e eu olhei para Molly... Quase rezando para que Gandalf estivesse errado, como de costume ele não estava.
_O que eu contei foram as boas notícias, agora preciso contar as más. — Minha amiga estava pálida e seu lábio inferior tremia. Na mesma hora Legolas me abraçou mais forte, como se tivesse medo que eu fosse me desmanchar. — Naquela noite... Perdemos cento e setenta e oito Guerreiros do Viajante, tanto Anjos quanto Alquimistas. Todos morreram nas mãos dos Demônios ou tentando proteger alguém. Muitas pessoas que conhecemos se foram naquela maldita noite, Peregrina...
Arfei pelo choque. Aquilo não era possível! Minha visão ficou turva e eu achei que meu coração ia saltar pela boca. Mais lágrimas caíram dos meus olhos e agora eu chorava junto com Molly, mas ao mesmo tempo separadas por anos-luz.
_Príncipe, peço que cuide da minha amiga, da minha irmã, pois as notícias não acabaram... — Molly suplicou olhando diretamente para Legolas e o elfo assentiu. Eu tremi mais ainda. O que poderia ser pior? O que poderia ser pior que a morte de cento e setenta e oito pessoas?
_Estou ao lado dela. — Legolas reafirmou para todos ali e eu admirei a calma na sua voz, embora eu pudesse sentir seu coração batendo mais rápido.
_Erick tentou salvar as crianças e conseguiu fazer isso em parte... Mas quando ele chegou ao setor, vários bebês já tinham sido mortos. Erick e o resto tentaram salvar os outros, mas muitos filhos de Pandora morreram naquele setor ou morreram depois devido aos ferimentos ou a extrema maldade que foram expostos. Apenas quarenta e quatro crianças estão com vida agora. Todas as outras morreram. Além de termos perdido quase todos os humanos do Centro. — Molly me disse e eu a olhei sem entender nada. Era como se sua voz estivesse distante demais para eu conseguir decifrar. Vi que todos a minha volta estavam tristes. Gandalf estava com os olhos fechados com força, como se sentisse dor, Aragorn tinha a mão sobre a cabeça, parecia não acreditar em algo e Gimli olhava para o chão com um olhar tão triste que parecia que algo terrível tinha acontecido. Já Legolas mantinha os braços a minha volta, mas seu toque não chegava até mim.
_Acho que ela está em choque!
_Peregrina?
_Bleumer?!
Vozes soavam ao meu redor, mas eu não sabia identificar de quem era e nem sabia do que eles falavam.
_Príncipe, por favor, cuide dela. Essa notícia não é fácil para ninguém de Pandora. Eu preciso cortar a comunicação, temos muitas coisas para reconstruir aqui e muitos feridos para cuidar. Tentarei entrar em contato o mais breve possível. Adeus a todos. — Alguém tinha dito isso, mas não sei motivo ou quem era.
Logo depois várias pessoas estavam a minha volta, mas seus rostos não passavam de sombras. Suas vozes e toques não eram nada para mim. Eu sentia como se meu corpo estivesse completamente dormente. Palavras eram ditas e perdidas no mesmo instante. Olhei para baixo e vi que minhas mãos tremiam muito... Por quê? Porque meu corpo estava assim? Então senti que alguém erguia meu queixo e olhava nos meus olhos... Mas de quem eram aqueles olhos que me fitavam com tanta dor? Eu não conseguia ver a cor. Nada à minha volta tinha cor.
Levantei de onde estava e mais vozes soaram alarmadas. Mãos tentavam me puxar para sentar de novo, mas eu estapeei todas.
Uma pontada de medo começava a nascer em mim...
_Vou caminhar um pouco sozinha. — Eu disse... Mas aquela era minha voz? Minha voz sempre foi tão fraca e sem vida?
_Não vai. Não vou deixar você sair andando nesse estado. — Um homem alto e loiro me disse enquanto puxava meu braço. Quem era ele?
_Não me toque! — Puxei meu braço de volta e o medo dentro de mim cresceu mais um pouco.
_Sou eu, Legolas! Não me reconhece? — O loiro me disse e eu me afastei mais dele, ao seu lado um outro homem, também alto, mas moreno, tentava falar comigo, mas eu não conseguia ouvir sua voz.
_Se afastem de mim! — Gritei enquanto dava mais passos para trás.
_Ela está em choque pela notícia, não consegue nos reconhecer. — Um velho sentado em um canto disse.
_Calma, deixe-me cuidar de você. Fique aqui... — O loiro pediu e segurou novamente meus braços. O medo que crescia dentro de mim aflorou completamente. Eu me debati e gritei contra aquele homem que me segurava, mas ele não me soltou. Então em usei minha força e o golpeei, lançando-o para longe de mim.
Não vi o que aconteceu com ele, apenas corri para longe daquele lugar. Eu corria como se minha vida dependesse disso.
Cada passo eu tentava inutilmente deixar para trás as lembranças do que tinha sido dito ali.
A cada passo eu tentava abandonar a notícia terrível que recebi.
A cada passo eu tentava abandonar a morte das crianças.
A cada passo eu tentava abandonar a morte dos humanos de Pandora.
A cada passo eu tentava abandonar a preocupação por Erick.
A cada passo eu tentava abandonar a minha própria dor.
Tudo em vão.
Pois eu tropecei em alguma raiz e cai no chão. Quando eu cai, caiu tudo comigo. Tudo o que eu tentei não pensar voltou para mim de forma violenta. Então eu chorei no chão de uma terra qualquer de um mundo que não era meu pela morte e destruição do meu próprio mundo.

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Em algum momento ouvi passos rápidos perto de mim e levantei a cabeça, surgindo do meio da vegetação estava Legolas. Quando ele me viu jogada no chão, suja e mergulhada em lágrimas, seus olhos se arregalaram e na mesma hora ele se abaixou e me puxou para seu colo.
_Bleumer... Minha Bleumer... — O elfo sussurrava sem parar, meu nome parecia uma espécie de oração para ele.
_Legolas... Meu povo... Meu povo está morrendo! Estamos sendo extintos! Agora só ha menos de dois mil Guerreiros do Viajante! — Minha voz saiu entrecortada enquanto eu agarrava a frente da roupa do elfo de modo desesperado.
_Shiiiiu... Calma, eu estou aqui com você. Tenho certeza de que seu povo é tão forte quanto você... Eles vão dar um jeito de sobreviver. — Legolas me confortava com palavras e me mantinha junto a si.
_Porque isso está acontecendo agora?! Eu não quero isso! Eu não entendo! — Esbravejei e dei pequenos tapas no peito de Legolas, mas ele apenas me abraçava mais e mais.
_Talvez nunca saibamos... Mas todos que vivem em tempos sombrios se questionam isso. O melhor a se fazer agora é agradecer ao seu deus por você estar viva e pela vida dos que sobrevieram, além de homenagear os que partiram, Bleumer.
_Eu não consigo agradecer... ! Meu desejo era de estar lá em Pandora, de ter lutado com os meus e ter morrido pelos meus amigos! — Confidenciei em voz baixa com medo da reação de Legolas, sabia que ele não gostava dessa história de morte. Se o elfo brigasse comigo agora, acho que me desmancharia em pedaços. Mas ao invés disso ele me arrumou no seu colo, me trazendo para mais perto e envolveu meu corpo completamente. Não existia uma única parte de mim que não pudesse sentir Legolas.
_Bleumer, você não morre pelos seus amigos, você vive por eles! Você está aqui viva! Você pode sentir meu corpo junto ao seu, pois está viva! Não macule a memórias dos que foram com esses pensamentos... Tenho certeza que todos estão em um lugar tão bom quanto o Jardim de Cristal. Eles não estão sofrendo mais, não existe mais missões perigosas, agora sempre será primavera para eles. Mas você está aqui então você precisa continuar vivendo sua vida ao máximo! Mesmo que seus caminhos não sejam mais os mesmos, eles sempre serão seus companheiros. Eles sempre serão Guerreiros do Viajante. — Legolas disse e me apertou mais. Eu podia sentir seu coração batendo, sua respiração de encontro ao meu cabelo e podia sentir o calor do seu corpo... O calor que era passado ao meu próprio corpo e me lembrava que eu estava viva.
As palavras de Legolas entraram em mim de forma que jamais saberei descrever. Nunca algo fez tanto sentido na minha vida. O elfo tinha toda a razão no que dizia. Então nessa hora me permiti chorar de verdade em seu peito. O último choro por isso. Agarrei-me a sua roupa e chorei com todo meu ser, chorei até sentir que não existia nenhuma lágrima dentro de mim. E Legolas pacientemente esperou, enquanto isso sussurrava palavras em élfico para mim.
Quando em fim levantei os meus olhos e olhei de verdade para o homem a minha frente vi que Legolas tinha um corte na testa, onde tinha escorrido um pouco de sangue.
_Legolas! Está machucado! — Ergui a mão tentando o tocar no lugar ferido, mas ele gentilmente afastou minha mão.
_Não foi nada. Não se preocupe com isso.
_O que houve com sua testa? — Perguntei. Não iria desistir fácil de saber como ele se machucou.
_Nada demais... Apenas quando você tentou se libertar das minhas mãos, bom, você acabou me jogando para trás e eu bati a testa em alguma pedra, mas isso não é nada sério. — O elfo parecia muito relutante em contar o que tinha acontecido e quando finalmente o fez, eu me senti péssima na hora.
_Me perdoe, Legolas... Eu não quis machuca-lo! Pode me acertar na testa também para compensar. — Peguei uma pedra próxima e ofereci para o elfo que a pegou. Depois eu o esperei me acertar com a pedra, mas ao invés disso, Legolas apenas me olhou.
_Não a nada a ser perdoado porque você não faz nada demais e não seja absurda, jamais baterei em você, Bleumer. — Ele disse de forma decidida e jogou a pedra longe. Mas eu ainda me sentia mal pelo seu machucado.
Então estiquei meu corpo, passei as mãos pelos seus longos cabelos loiros e puxei gentilmente sua cabeça para baixo, depois levei meus lábios até o lugar ferido e dei um beijo. Depois usei os lábios para dar vários beijos pela sua testa e limpar o pequeno filete de sangue que tinha escorrido. Legolas permaneceu imóvel durante todo o tempo até eu o soltar e voltar a sentar no seu colo, como antes.
_Seus lábios estão manchados com meu sangue... — Legolas murmurou e depois esticou a mão na minha direção, logo seus dedos longos e finos estavam roçando meus lábios e os limpando.
_Obrigada.
_Obrigado.
Falamos em uníssono e depois sorrimos um para o outro. Um agradecia o gesto de carinho do outro. Éramos dois idiotas.
_Vamos. — Legolas disse e de repente levantou-se do chão comigo em seus braços e começou a andar.
_O que?! Coloque-me no chão! Para onde vamos?! — Tentei me debater, mas o elfo me segurava firmemente.
_Fique parada, Bleumer. Estamos indo fazer algo que já é um hábito nosso. Procurar uma fonte de água. Você disse que a Água te faz bem, então vou achar um lago ou rio por aqui.
_Mas e os outros? Eu não preciso disso, posso voltar para perto dos demais. Me põem no chão! — Tentei discutir, mas foi inútil.
_Aragorn e os outros estão a duas horas de distância de nós. Quando você saiu de lá, correu por quase duas horas até parar aqui, não notou isso? De qualquer forma eu os avisei que iria atrás de você e que ficaria ao seu lado. Gandalf também concordou com isso, então não se preocupe. — O elfo respondeu calmamente enquanto ainda me carregava para sei lá onde. Às vezes ele parava e prestava atenção em volta, como se estivesse ouvindo algo.
E eu me assustei com isso. Como não tinha notado que corri por duas horas? Acho que minhas pernas apenas me levaram para o mais longe possível antes de eu cair.
_Ainda sim, eu posso andar, então me ponha no chão. E eu não preciso de Água nenhuma, já estou bem. — Ainda existia orgulho e teimosia dentro de mim. Não iria deixar ele fazer tudo o que quer de uma forma tão fácil.
_Não vou solta-la. Não consigo... Quero ficar mais tempo perto de você, então me permita isso, Bleumer... E você precisa de Água sim. Você está pálida, com folhas presas no cabelo, sua roupa ainda tem sangue seco de Boromir e agora está suja de terra.
_Então você só esta dizendo de uma forma educada que eu estou fedendo e preciso de um banho? — Tentei o provocar, meu coração ainda estava machucado por tudo o que tinha acontecido, mas era melhor eu arrumar uma forma de seguir em frente. Legolas apenas olhou para mim, com seu sorrisinho convencido e disse.
_Não. Seu perfume continua o mesmo para mim, ou seja, viciante. Estou dizendo que não consigo ficar longe de você. — Depois de ouvir aquilo, senti meu rosto corar... Maldito elfo! Seu sorriso aumentou com minha reação e eu fiquei com mais vergonha ainda, então tratei de provoca-lo.
_Pois fique sabendo que seu cheiro é horrível! E que eu não gosto dele, elfo! — Aquilo era uma mentira. Uma grande mentira. Porque eu amava o cheiro de grama recém-cortada e de terra molhada que Legolas possuía.
Em troca o elfo apenas riu, como se soubesse que eu mentia. Idiota.
Andamos por mais um tempo até que paramos em uma espécie de lago, ele era bem pequeno e parecia ser raso, como se fosse um espelho de água. Naquela noite a lua era minguante e por isso não iluminava muito o lugar, além de várias árvores tamparem a luz, com isso criando um efeito de feixes de luz da lua que se intercalavam pelo lago. Era lindo aquele lugar.
_Chegamos... — Legolas avisou e depois me depositou suavemente no chão.
_Incrível como você sempre consegue achar um lugar assim... — Murmurei admirada enquanto dava um passo para frente.
_Só tento ouvir onde tem água por perto e todas as vezes tivemos sorte, apenas isso. — O elfo disse e andou até a margem do lago, depois se virou e me olhou, com um sorriso nos lábios. — Venha, vamos tomar um banho juntos, Bleumer.
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