Sangue. Era tudo que Arya via. Gritos de dor, de socorro ela ouvia. E ele estava lá, em seus braços, machucado e quase morto. Arya não conseguia usar sua magia para curá-lo. Ela havia esquecido de todas as palavras da Língua Antiga, então tudo o que podia fazer era chorar.
Ele sorriu, pela última vez. Aquele sorriso bobo, mas que ela achava lindo. E ele se foi.
ARYA!
— Não! Não!
Calma, Arya, sou eu.
Arya estava sentada em sua cama, ofegante, na hora do susto, quase havia caído.
Fírnen...o que foi?
Você estava tendo pesadelos de novo, gatinha.
Ah, não...já é a quarta vez nessa semana.
Arya entenda que ele está bem, está vivo e feliz.
Mas eu tenho medo de perde-lo outra vez...não quero ficar longe dele por mais tempo...
Você não pode ir atrás dele, suas responsabilidades como rainha não permitem. Apenas reze para que um dia ele volte...e por favor gatinha, não chore mais.
Tudo bem...por que você me chama assim?
Assim como?
Gatinha.
É que eu sempre te achei parecida com um gato. Ágil, corajoso, gracioso, bonito, selvagem...a lista de qualidades é interminável.
– disse Fírnen com um brilho apaixonado nos olhos.
Obrigada...Fírnen, você sente falta dela?
De quem?
Você sabe.
Sinto. Todos os dias. Mas mesmo estando longe, eu sei que ela está feliz, e se ela está feliz, eu também estou.
Ás vezes sua maturidade me surpreende.
O sol já nasceu, devemos nos preparar.

Arya levantou-se e foi até o canto do quarto, onde havia deixado um baú. Dentro dele havia um ovo de dragão cor de violeta. Fírnen olhou para dentro do baú e sentiu-se orgulhoso, ele queria que Saphira estivesse ali para ver.
Ela me fez prometer que cuidaria do nosso filhote com a minha vida.
E é isso que nós faremos.
Ao saírem do quarto de Arya, eles foram até a cozinha da mansão Linnëa, recentemente construída.
— Bom dia, Arya! –disse Marinë, uma elfa amiga de Arya, que morava na mansão. Era ela quem preparava pratos deliciosos para os que viviam lá. Arya só confiava nela, era a única em Ellesméra que não se ajoelhava ou a chamava de “rainha” toda vez que a via.
— Bom dia, querida. Já disse que adoro seu cabelo?
— Já você diz isso todo dia, — Marinë tinha cabelos vermelhos como sangue e olhos da mesma cor. Para quem não a conhecia, sua aparência era assustadora.
— Fez minhas malas?
— Claro! Sabe com quem está falando? Euzinha aqui sou mil e uma utilidades.
— É, você é a melhor.
Arya subiu para seu quarto, sorrindo. Conversas com Marinë sempre a deixavam de muito bom humor.
Ela é uma graça. –disse Fírnen. Ele a chamava de “raposinha”. Fírnen adorava criar apelidos para as pessoas comparando-as com animais.
Arya entrou no quarto e apreciou a vista de Ellesméra uma última vez.
Tem alguém na porta, Arya. E está falando sozinho.
Era Alois, um elfo loiro e meio baixinho, cuidava do jardim da mansão e morria de amores por Arya.
— A-Arya...digo...Rainha Arya....eu vim pra me desculpar...digo...me despedir de você...digo...da senhora...não...senhorita...
— Alois, calma. Está tão nervoso, não vou te morder.
Mas bem que ele queria. –comentou Fírnen.
O elfo estendeu uma flor azul para Arya.
— Eu que fiz...treinei o encantamento a semana toda.
— É linda, obrigada. Fez um ótimo trabalho.
— Mas era pra ser cor-de-rosa...
— Não importa, eu gostei mesmo assim.
Arya gostava dele, Alois não era de todo feio, só não fazia o tipo dela.
— Eu tenho que ir agora...vou sentir saudades. –Ela aproximou-se dele e lhe beijou na face rubra de vergonha. Alois ficou mudo, quase chorando.
Esse garoto vive numa ilusão. Ele sabe que você não quer nada com ele e mesmo assim insiste.
Eu gosto dele , acho ele fofo...por que? Está com ciúmes?


Depois de se despedirem, Arya conferiu se o ovo estava seguro nos alforjes. Ela montou em seu dragão e lançou um beijo para Alois, ainda mudo. Arya viu de relance Marinë chorando. Sentiu-se triste, mas ela não partiria parta sempre.

Já fora de Du Weldenvarden, Fírnen começou a questionar o motivo daquela viagem.
Ordens de Nasuada. Ela deu um prazo, e a cada 6 meses, temos que levar um ou dois ovos de dragão que estão demorando para eclodir. E também porque, se não fosse assim, só haveriam Cavaleiros elfos, já que dos poucos ovos que Eragon deixou aqui ficam em Ellesméra.
Então quer dizer que o filhote de Saphira nascerá para um humano?
Só se ele se sentir seguro diante de seu Cavaleiro.

Fírnen não queria que fosse um humano. Mas se não fosse, seria ruim ter de voltar para Ellesméra ainda carregando o ovo sabendo que aquela viagem havia sido em vão.