A Perda, O Retorno, A Salvação
1 Eragon?
Roran, Katrina, Nasuada, Arya, estavam todos a minha frente, me chamando, dizendo que precisavam de mim, mas eu não podia tocá-los, eu gritava e prometia que voltaria...pedia para que não morressem...foi horrível, Saphira...
Dizia Eragon, chorando.
Pequenino, eles estão bem...estão todos bem, não se preocupe. A maldade daquela terra se foi, não há perigo para os que você...
Para os que eu deixei para trás?
Eu ia dizer para os que você ama...tem alguém vindo, melhor irmos, eles estão esperando.
Então vamos...
Eragon e Saphira saíram da casa onde moravam, numa terra que não tinha nome. Eragon havia pensado em um nome, de acordo com as características daquele lugar. Era um vasto campo verde, com varias plantações espalhadas, algumas de flores, árvores frutíferas, e cogumelos venenosos. Nas montanhas no horizonte, eram construídas casas imensas, para abrigar os novos Cavaleiros e seus dragões. Contudo, era um belo lugar, mas Eragon sentia falta da velha paisagem, as tendas dos Varden, as montanhas da Espinha, para ele, aquilo parecia um sonho, e ele esperava acordar em sua fazenda no vale Palancar, se não estivesse destruída, assim como toda Carvahall.
— Bom dia, Matador de Espectros! Como está se sentindo depois do treino de ontem?
— Estou de péssimo humor hoje, Blödhgarm...mas admito que os alunos se saíram muito bem no treino. Falando nisso, onde eles estão?
— Bom, eu os separei do jeito que me mandou: os Jovens Cavaleiros estão no campo de treinamento do sul, e alguns deles estão no salão dos dragões, e mais tarde...
— O nome já não diz tudo? Salão dos DRAGÕES, o que os Jovens estão fazendo lá?
— Bom...você me deu uma lista de nomes, para que esses fossem para o salão hoje, de acordo com suas avaliações. Você e Saphira disseram que eles precisavam aprender a cuidar de seus dragões adequadamente.
Eragon...não seja tão duro com ele, ele só está cumprindo ordens, ordens suas. Você não se lembra de ter dito isso?
Não, eu nunca pedi isso! Eu disse que queria todos os Jovens Cavaleiros na arena 2 depois que o sol nascesse! Você não lembra?
Eragon...pequenino, é melhor você cancelar os treinos para hoje, você está exausto, de mau humor...sua tristeza está te deixando confuso...Me escute desta vez, é melhor pra você.
Eragon estava realmente se sentindo mal naquele dia, e apesar de não querer, pediu a Blödhgarm que mandasse os Jovens para casa e cancelasse os treinos. Blödhgarm fez uma mesura e foi cumprir as ordens.
Eragon achava que a casa onde morava estava abafada demais naquele dia, então, entrou apenas para pegar umas frutas e saiu para pensar um pouco. Antes, Eragon trancou a porta com um encantamento rápido, que impediria que alguém além de Saphira, que saiu para um vôo entre as colinas, entrasse.
Ele foi andando sem rumo pelos campos de uma flor chamada Delois, por um momento se lembrou de Angela lhe explicando sobre os cogumelos em Farthen Dûr. Eram as flores que ele mais gostava. E por algum motivo, elas o lembravam de Arya.
Graciosas, lindas, e tão marcantes. Fazem o campo ter mais vida...assim como ela...
Cansado de andar, Eragon usou um encantamento bem simples que fez ele flutuar rapidamente até o campo de flores mais próximo. Um campo de violetas...e com um aperto no coração, lembrou-se da cor do vestido de Nasuada, o último que ele havia visto ela usar.
Sorridente, forte, carismática, atenciosa...perfeita rainha...sinto falta daquele abraço apertado, que só ela sabia dar...
Eragon sentiu as lágrimas rolarem pelo rosto, e como em um flashback, lembrou-se de seu primo, Roran, e da vez em que depois de muito tempo, se encontraram na batalha da Campina Ardente. Ele se lembrou até do soco que havia levado. Era como se ainda sentisse a dor. Eragon riu, quando lembrou-se de quando Roran e Katrina se casaram, naquele dia, ele podia sentir a felicidade de Katrina, só pelo sorriso dela. E depois, lembrou-se de Ismira, Lembrou-se de que já tinham se passado 4 anos.
Eu tenho que voltar!
Com essa determinação, Eragon começou a correr de volta pra casa, olhando as flores, e sorrindo, pensando em como as pessoas reagiriam com a sua volta. Com uma olhada rápida, Eragon viu um campo de flores pretas, que nunca havia estado lá. Ele parou tão rápido de correr que quase caiu. Aquilo chamou sua atenção. Pensando em chamar Saphira, se aproximou das flores, mas pelo medo que ele sentia naquela hora, pensou que Saphira já havia percebido e que não precisaria chamá-la.
Era tão estranha, que nem parecia ser uma flor. Tinha pétalas tão escuras, parecia até que se ele tocasse, iria cair naquela escuridão. Tinha vários pontinhos vermelhos pelo cabo, e um miolo cinza. Era uma flor realmente assustadora, e cheirava a carvão, ou carne queimada.
Tomando coragem, ele tocou nas pétalas escuras, eram tão macias, nunca havia sentido algo tão macio e leve na vida. Ele ficou pelo que pareceram ser 10 minutos, acariciando a flor, e se entregando completamente, se jogou em cima delas, aproveitando a sensação de leveza que sentiu.
Naquela hora, Eragon sentiu um choque, como se tivesse levado um susto, e por longos minutos, viu sua vida toda passar pelos olhos. Aquilo era tão desesperador, ele sentiu uma forte dor de cabeça, como se tivessem cravado uma adaga em seu crânio. Ele ainda conseguia sentir os pensamentos aflitos de Saphira, que já havia reparado a confusão de seus pensamentos.
Saphira! Me ajude! Eu...não...posso...controlar! Me....ajude...a...ajuda....
Eragon! Não! Fique calmo! Se controle!...Eragon!...Me....escute!
E pouco a pouco, os pensamentos de Saphira foram sumindo, como fumaça no ar, e por um instante, Eragon se esqueceu de tudo, seu nome, sua vida. Suas memórias foram completamente apagadas. E ele era só um ser vivo, sem lembranças, sem personalidade, como um bebê recém-nascido. Não sentia mais nada, só ouvia ecoar em seus pensamentos: Quem sou eu?
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