A Pequena Nancy
3 Capítulo 2
Diario Da Pequena Nancy Fieldman
Eu não sei, acho que depressão seria a melhor palavra no momento. Eu... Me sinto vazia. Como se meu coração tivesse secado. É horrivel isso. Não tenho mais motivos para fugir. Nem para ficar aqui. Decidi me olhar pela primeira vez hoje, ignorei o maximo que pude meus olhos azuis claros, quase translucidos. Meus cabelos negros davam contraste com minha pele palida. Eu não era tão feia assim. Era bem bonita, para uma criança e dez anos. Outra coisa:
Amanhã, tentarei uma fuga. Espero que de certo. Adeus.
Sabendo de suas intenções o dono da mansão trancou Nancy em um porão de onde ela não podia sair, e a violentava todas as noites naquele lugar.
Diario Da Pequena Nancy Fieldman
Eu estou com medo. E com frio. Eu apenas andava pelo porão deserto e escuro, sem rumo. A noite esfriava e a cada segundo que eu passasse naquele frio, estaria correndo mais perigo de acabar como minha mãe. Eu náo me lembro muito bem de como vim parar aqui. Eu só sabia que eu estava sozinha, ou pelo menos era o que eu esperava. Eu estava no porão da mansão. Muitas horas jà se passaram desde que eu cheguei aqui. Minhas esperanças de encontrar o pequeno quarto frio de sempre, onde pudesse descasar jà haviam se esgotado quase totalmente.
Quando começou a chuviscar, percebi a janela aberta, tentei pular, eu nao tinha outra opçao, mesmo quando a chuva se intensificou. Impossivel, eu era baixa demais. Eu tremia de frio, estava descalça e com um vestidinho branco junto ao corpo por causa da chuva — sim, era minha camisola -. Hà quase dois dias eu náo comia nada. Água? Apenas a que o patrão encontrava e resgatava das chuvas.
Meu corpo estava realmente fraco e a tontura, aos poucos, tomava conta de mim. Pelo menos minha boneca de herança estava lá, ela seria minha unica compania. Talvez por um bom tempo. Meu espelho também estava, era meu objeto predileto.
Voltei a realidade.
Entrei em pânico total. Tentei me mexer, mas não adiantava, gritei alto, chamando alguém que pudesse me ajudar. Mas ninguém podia. Parei. Deitei-me. E comecei a rezar, xingar, implorar, gritar, chorar e fazer promessas que nunca poderia cumprir. Alguém parou ao meu encontro e disse:
– Nancy? Calma, o veneno só mata quando se engole. – Aos tombos e tropeços, tentei focar meu olhar no sujeito, achando que era minha mãe, não era meu parente.
– Sim, meu nome é Nancy. – E desmaiei.
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