Notas iniciais
Fanfic de leitura fácil, sem muita enrolação, só um conto de Vocaloid. Enjoy. x3
Personagens participantes: Yowane Haku, Honne Dell, Meiko, Hatsune Miku, Akita Neru (só os fortes a reconhecerão fácil).

Era uma vez dois reinos numa terra bem, bem distante. Havia o reino de Vocaloid e o reino de Voyakiloid. Ambos ficavam em partes opostas de suas terras, os fazendo parecer reinos inimigos. Sabiam que não era bem assim, e apenas o que era mantido era a leve antipatia entre os súditos por ouvirem rumores sobre histórias de ladrões, traições e mentiras. Mas o que não podia se negar era a popularidade das princesas de cada reino; a primeira princesa, do reino Vocaloid, mais conhecida como Hatsune Miku, era considerada uma deusa perante àqueles que trabalhavam nesse reino. Já do outro lado, a mais nova princesa do reino não tão importante havia sido nomeada a pouco tempo; Yowane Haku. Sua reputação não era tão grandiosa, e isso era o que fazia de sua vida vazia.

A pequena Haku era uma jovem muito gentil e quieta, e durante todos os anos à espera de ser nomeada como princesa, já se ouviam falar os boatos sobre a tal Hatsune, a menina que desde que nasceu já tinha o dom para ser alguém importante. E assim foi. Seguindo os passos de seus ascendentes, ela se tornou uma jovem linda com muitas habilidades e dons, e a mais destacada era sua capacidade de cantar.

Sua voz era algo magnífico, e todos tentavam comparecer à suas apresentações para terem aquele prazer tanto visual quanto audível de sua presença. A nova princesa invejava isso na garota, e o que mais queria era ter uma voz tão linda como a dela, para assim ser uma princesa tão importante. Mas sua voz era algo comum. Não era feio, mas passava longe de ser algo que se destacaria.

Todos os dias, ela se entristecia e se lamentava para seu irmão, Honne Dell, de que nunca teria uma voz tão linda quanto a da princesa de Vocaloid. Depois de tanto tempo a viver com a irmã a sofrer com isso, ele procurou algum jeito de tentar fazer da vida dela uma coisa mais agradável. Com as fontes certas, foi ao comércio entre os reinos para procurar uma garota cigana que lhe ajudaria a achar um jeito de resolver seu problema.

O irmão da triste princesa entrou na tenda que estava sinalizada como um lugar para "resolver seus problemas". Lá acharia uma jovem cigana que leria sua mão, jogaria búzios ou até tarot para arranjar uma solução para a pessoa necessitada. Ao entrar, o jovem se deparou com um lugar quente, meio apertado e o mais importante-- vazio. Perguntou algumas vezes em voz alta "tem alguém aí?" e após se cansar e se sentar de frente à mesa que tinha uma bola de cristal, ouviu o barulho de uma cortina de miçangas e logo uma garota loira lhe apareceu, com um ar indiferente e com um antigo telefone na mão:

─ O que procuras, jovem?

─ Vim arranjar uma solução para minha irmã.

─ E o que ela tem, dor de amor, inveja, torceu o pé?

─ Não, nada disso... ela é a princesa de Voyakiloid. Quer ter a voz de Hatsune. Hatsune Miku. ─ ele disse, tentando ser breve.

A cigana se interessou, e logo se sentou em frente ao garoto de cabelos brancos, lhe analizando enquanto pensava e murmurava sozinha:

─ Voz... eu só leio sua mão... mas talvez tenha alguém para lhe ajudar... mmm... Meiko.

─ Com licença... quem?

A cigana saiu do leve transe que entrara ao começar a pensar e logo se apoiou na mesa, lhe encarando e lhe dizendo brevemente: ─ Para arranjar isso você deve ter com a mulher da fronteira de Vocaloid... mmm... dizem que ela é bruxa. Só lá você vai arranjar um jeito de ter a voz de Hatsune Miku. Boa tarde, senhor. ─ E então se levantou de sua cadeira e se retirou através da mesma cortina de miçangas pela qual entrou. Que garota estranha.

Ao retornar para seu palácio, o garoto ficara encucado com as palavras da cigana. "Bruxa", "Meiko", e então sabia que esse era o único jeito de conseguir o que procurava. Quando chegou, foi aos aposentos de sua irmã e pôs-se a dizer a ela o que ela deveria fazer. ─ Você deve ir até os limites de Vocaloid e conversar com uma mulher chamada Meiko, ela é bru... hmm, ela vai te dar a voz que você sempre quis. ─ E então os olhos da pequena Haku brilharam, lhe dando uma esperança de realizar seu desejo, e logo em seguida pôs-se a dormir para ir até a misteriosa mulher para lhe dar uma nova voz.

No dia seguinte, Haku acordara cedo e saiu sem nem dar explicações a seus criados. Foi direto em direção à fronteira, afim de procurar a tal mulher desconhecida. Após muito caminhar, ela já estava exausta, e quando chegou ao destino, não via nada além de um grande banco de areia, visto que o local era desértico e não havia população.

Debaixo do sol escaldante, a pequena se sentou e passou a mão pela testa, que expelia suor assim como sua mente expelia a esperança. Vendo que não tinha água consigo, ela abaixou a cabeça e começou a chorar, vendo que além de não ter a voz que queria, provavelmente morreria de calor e cansaço. Foi então que ouviu uma voz a se dirigir com ela. ─ Você deve estar desidratada, imagino o que veio procurar aqui, eh? ─ E logo a jovem levantou a cabeça, vendo uma mulher de cabelos curtos e castanhos com uma cartola sobre estes a lhe estender a mão, com uma expressão alegre. ─ Vejo que você não perdeu tempo, venha.

Ao ser ajudada a levantar pela mulher, Haku murmurou com uma voz fraca, parecendo confusa:

─ ... você... Meiko?

─ Se não fosse eu quem seria? Hatsune Miku? ─ e então a mulher sorriu e começou a guiá-la em direção ao grande banco de areia.

Ao chegar perto deste, ela tateou parte da areia por alguns segundos e após fazer uma onomatopéia de exclamação, puxou a areia, vindo com esta uma porta, mostrando então uma pequena casinha debaixo de toda aquela areia. Ao abrir o local, então, puxou a princesa para dentro com ela, e a deixou sentada num banquinho no centro do local pequeno, mas que ao ponto de vista do banco de areia, era um lugar bem espaçoso.

─ Hmm hmm, o que veio procurar aqui, princesa? ─ a mulher de cartola perguntou, parecendo já saber a resposta, quando se sentou em cima de uma mesa, olhando diretamente para a garota.

─ Gostaria... de ter a voz de Hatsune Miku. ─ e logo a menina abaixou a cabeça, parecendo envergonhada de pedir algo tão impossível.

─ Bom, parece que temos algo aqui. ─ a mulher se levantou e começou a andar em círculos em volta da jovem, com um dedo indicador encostado na ponta do queixo. ─ Posso resolver seu problema, mas temos que fazer um trato, princesa. ─ e parou em frente a ela, admirando o olhar perdido da menina. Deu uma leve risada, e logo voltou a completar: ─ você me dá sua voz atual, e fica com a de Hatsune Miku. Mas-- vai ter que fazer algo pra mim. ─ e ao notar a cara de interrogação dela, acrescentou, estalando os dedos e fazendo uma fumaça verde sair depois de ter feito uma faísca: ─ vai ter que fazê-la cantar pra você.

A cara de perplexidade da pequena Haku foi grande. Ela ficou alguns longos segundos pensando sobre isso, enquanto aquela bruxa lhe observava com um constante sorriso, apenas esperando sua resposta. Depois de pensar, lhe perguntou, arranjando coragem:

─ Mas e se eu não conseguir..? ─ provocando uma leve gargalhada da tal Meiko, que lamentou, fazendo uma careta de tristeza:

─ Ah nossa, a pequena princesa não vai conseguir... ─ e logo abriu um sorriso novamente, lhe respondendo afinal: ─ você vai ter uma voz que não vai conseguir nem cantar como canta agora. ─ e piscou, saindo da frente dela e se apoiando na mesa que antes estava sentada. ─ Faça sua decisão, pequena, não tenho o dia todo. ─ e então pegou um pequeno escorpião que andava próximo dela e o suspendeu pelo rabo, o chacoalhando levemente.

Mesmo que Haku estivesse apavorada com a mulher, estava disposta a arriscar, e então respirou fundo, e arranjou mais coragem para lhe responder num tom alto de voz:

─ Sim, vamos fazer esse trato.

Meiko abriu um sorriso sarcástico no canto da boca, murmurando um "ótimo", rapidamente largando o escorpião no chão e fazendo movimentos bruscos com as mãos em direção à menina, que foi suspendida no ar e girada algumas vezes, com uma fumaça verde lhe cercando e entrando pelos seus poros, até que o "ritual" se encerrou e fez a pequena ser levada pela força da gravidade. Antes que encostasse no chão, a mulher lhe segurou nos braços e lhe chacoalhou levemente como se estivesse lhe ninando, antes que colocasse em seu inconsciente seu prazo do trato e que seu jeito mágico lhe fizesse voltar a sua cama.


"Três exatos dias, encerrando às 22h." ─ a princesa se levantou num susto na cama do seu quarto, assustando a criada que lhe colocava toalhas limpas no banheiro da suíte. Parecendo extremamente desesperada, Haku saiu da cama num pulo e tratou de se arrumar para chegar onde precisava ir, sem dar satisfações a ninguém. No reino Vocaloid.

Haku se arrumou o mais discreta possível, com roupas comuns e sem denunciar que era alguém nobre. Quando seus súditos lhe perguntavam o que havia de errado, ela apenas negava com a cabeça, sabendo que não conseguiria pronunciar nenhuma palavra, pois já estava muda. Se sentia determinada, e com esperança achava que iria conseguir a mais linda voz. Só não sabia como.

Arrumou um cavalo de pequeno porte e logo se pôs a se dirigir ao seu destino. O caminho todo percorreu de cabeça baixa, e quando passou pelo comércio, parou e comprou algumas maçãs para si e seu cavalo, para chegarem bem ao outro reino. Ao avistarem a porta principal do castelo, depois de um trajeto bem tranquilo, se depararam com guardas altos e brutos a guardar a entrada, parecendo sonolentos e cansados de tanto trabalhar debaixo do sol. A princesa disfarçada e seu cavalo se aproximaram dos homens e então ela olhou um dos guardas, e este imediatamente arrumou sua postura -por estar levemente desleixado- e lhe perguntou rispidamente:

─ O que veio fazer aqui, garota?

E ela nada respondeu.

O guarda esperou alguns segundos pela sua resposta e se irritou em não receber alguma. Rangeu os dentes e lhe disse mais uma vez, num tom ameaçador:

─ Nós não estamos aqui para brincadeiras. Me diga o que quer.

E ela nada respondeu.

A pequena Haku pareceu se desesperar por não saber como agir nesse momento, e uma lágrima escorreu de seus olhos, que abria a boca para falar mas nada saía. O guarda do lado oposto então, percebeu o esforço da garota em falar e logo interviu o primeiro guarda, que estava prestes a expulsá-la dali.

─ Não faça nada, ela está sem voz.

─ E como você sabe, conhece ela por acaso?!

─ Não está vendo que ela está tentando falar e nada sai..?

E então o guarda reparou melhor na garota e entendeu o que ele quis dizer.

─ Ela deve estar necessitada, vamos deixá-la entrar.

─ Mas... a princesa não vai gostar disso.

─ Tudo bem, depois tenho com ela. Vamos levá-la pra dentro.

E então ambos os homens ajudaram Haku e seu cavalo a entrar por um pequeno espaço aberto do enorme portão. Logo a menina pode ver uma praça bem cuidada, com muitas árvores e um enorme chafariz. Bem diferente da aparência do seu atual reino, que era mais pobre e precário. Os guardas levaram a garota até a entrada do castelo e chamaram uma criada de cabelos castanhos que ali por perto estava. Um deles lhe sussurou algo como "cuide dela, é muda e estava perdida", e então a mulher pediu à princesa que descesse do cavalo para assim levá-la ao seu aposento.

Assim que levou Haku ao seu singelo quarto de criado, ela rapidamente lhe disse num tom gentil de voz, enquanto aos poucos fechava a porta e se retirava do quarto: ─ Minha querida, fique aqui no meu quarto esta noite. E por favor não ande pelo palácio. O que precisar eu te arranjarei. ─ e então ela saiu. Como a viagem fora longa, a garota podia ver que já estava escuro e por isso, não tentaria procurar a princesa pelo momento. Se limitou a se arrumar na cama da mulher que lhe acolheu e tentou lutar contra seus pensamentos e dormir tranquila.

Acordou cedo com barulhos do lado de fora do pequeno quarto e gritos que pareciam ser de uma voz familiar. Assim que esfregou os olhos e se levantou para ouvir pela fresta da porta, pode então concluir que era Hatsune quem gritava tanto próximo de onde estava.

─ O que vocês estão fazendo, já não disse que queria as cortinas verdes?!

─ S-sua alteza... as únicas disponíveis eram as vermelhas--

─ Não quero saber! Quero essas cortinas verdes até amanhã, nem que procurem em outro reino! ─ e logo Haku ouvia passos se distanciando e um burburinho de criados.

Haku não imaginava que a princesa seria desse jeito, ela parecia tão gentil e adorável... em todo o caso, ficou a observar pela fresta da porta o movimento das pessoas, até que todos saíssem e o local ficasse deserto. Assim que podia ver que não havia mais ninguém do outro lado, a jovem abriu lentamente a porta e se pôs para fora do quarto, afim de procurar a princesa para concluir seu trato com a bruxa.

Com suas roupas meio sujas e maltrapilhas para não deixar suspeitas de sua nobreza, ela subiu as escadas e andou sorrateiramente pelos corredores, felizmente não encontrando ninguém indesejável, até que chegou a uma grande porta, diferente das demais, ao final do corredor. Podia-se notar que era algum quarto importante, e estava quase certa de que era o quarto de Miku. Sem muitos rodeios, ela empurrou a porta para assim abri-la, e ao abrir o bastante para poder passar, Haku entrou e se deparou com um quarto com muito verde e extremamente detalhado. No centro havia uma enorme cama e nos cantos, guarda-roupas e cômodas com muitos perfumes, enfeites e bichos de pelúcia, assim como uma garota mimada teria. Pôde perceber que não havia ninguém ao seu alcance de vista, e então deu mais alguns passos até uma penteadeira com um enorme espelho, se sentou no banco em frente a este, e se encarou por uns segundos em seu reflexo, se sentindo meio triste, mas ainda com esperança.

Quando pensou em procurar a princesa, foi surpreendida com um grito, e imediatamente se virou para trás, vendo a garota que procurava com os cabelos soltos e uma escova na mão, com uma expressão de susto e raiva por ter alguém indesejado nos seus aposentos, e logo disse em alto tom de voz: ─ Quem é você e o que está fazendo aqui? Se você não se retirar agora eu vou gritar para meus guardas te expulsarem daqui, mendiga!

E então os olhos da pequena Haku se encheram de lágrimas, e ela tentou falar, em vão.. já que voz nenhuma saía de sua boca. A princesa continuou a olhá-la ameaçadoramente, e então pegou um pedaço de papel e um lápis colorido e lhe entregou, percebendo rapidamente que ela não conseguiria falar: ─ você tem uma chance de me dizer o que quer. ─ e então a menina de cabelos brancos pegou o papel e o lápis, e pensando um pouco antes de escrever, desenhou num esboço um palco de apresentações e a Hatsune no meio, como se estivesse cantando. Haku não tinha uma boa voz, mas sabia desenhar muito bem.

Assim que a princesa olhou seu desenho, o achou extremamente bonito por ser um esboço feito em tão pouco tempo mas mesmo assim muito bem desenhado, e se sentou ao lado da garota, pegando o lápis da mão dela e acrescentando mais alguns detalhes no desenho, que se encaixavam perfeitamente ao cenário. As duas continuaram a desenhar pouco a pouco até que o desenho se tornara tão bonito quanto um quadro monocromático. Haviam luzes no fundo, e uma grande cortina a esconder a parte de trás do palco, além de enfeites nos cantos e uma bela roupa para a princesa de Vocaloid.

A menina admirou o desenho de si mesma e ao terminá-lo, se levantou do banco da penteadeira e então disse rápido num tom forçadamente indiferente a menina: ─ Suas roupas estão horríveis, vou te dar algo mais agradável. ─ E então pôs-se a procurar algo no enorme guarda-roupa próximo de onde estava, pegando um vestido simples, mas extremamente bonito e dando à Haku, que logo lhe olhou assentindo com a cabeça como um agradecimento e foi em direção ao banheiro da suíte para se trocar o mais rápido possível. Assim que terminou, saiu do banheiro com o vestido, que lhe caíra como uma luva. A princesa então aplaudiu e logo puxou Haku para mostrar seus sapatos e suas coleções de roupas e acessórios. Haku logo pôde perceber que a princesa era rude, mas extremamente carente de atenção, e então passou o dia inteiro a se entreter com a garota.

Se divertiram tanto, que ao anoitecer, a princesa pediu à sua criada um colchão novo e algo para elas comerem. Antes de dormir, a pequena sem voz lembrou-se do trato e se sentiu à beira de um ataque de pânico, por lembrar-se que só tinha mais um dia. Contudo, tentou dormir o mais rápido possível.


O sol brilhou pela janela do quarto da princesa e bateu sobre o rosto da princesa não tão princesa agora, que se encontrava dormindo num colchão ao lado da majestosa cama de Hatsune Miku. Acordou lentamente e esfregou os olhos, lembrando-se aos poucos do que havia acontecido no dia passado. Bastante coisa, perto dos seus dias comuns. Havia tido bons tempos com a princesa de Vocaloid que... por sinal, não estava na sua cama. Se levantou rápido e logo foi procurá-la pelos corredores, logo mais achando a criada que havia lhe acolhido em seu quarto na noite retrasada.

─ Ela foi convocada para uma conversa a sós com uma mulher mais cedo... dissera que foi urgente, mas logo logo a princesa volta. ─ e então ela deu um sorriso gentil e foi até um cômodo perto de onde estava para voltar a trabalhar. Haku se tranquilizara um pouco, e então foi acompanhar a mulher até que a princesa voltasse. Comeu algo junto com a criada e depois voltou ao quarto da Hatsune para assim esperá-la. Estava entardecendo e ela estava ficando preocupada... porque em breve o tempo do seu trato iria se esgotar e não teria a tão sonhada voz de Hatsune Miku.

Acabou cochilando junto com o sol e acordou mais tarde com uma batida da porta do quarto onde estava. Quem batera foi a princesa que estava procurando, e ela não estava num humor muito agradável. Quando se levantou e se aproximou da princesa, ela logo estendera a mão para lhe impedir de chegar mais perto e disse, rangendo os dentes: ─ Não chegue perto, menina. Não temos mais o que conversar. ─ e logo se enfiou no banheiro, demorando mais algum tempo para sair.

Haku estava se sentindo nervosa, enquanto olhava para o relógio de parede do quarto e via que haviam poucos minutos sobrando. Assim que a menina saiu do banheiro, Haku lhe chamou a atenção e pegou um papel e um lápis, e escreveu "Qual o problema?" seguindo de um rosnado da menina de cabelos verdes, que se sentou no banco da penteadeira, lhe encarando fixamente. A garota sem voz então, ficou a lhe observar de volta num olhar preocupado e nervoso ao mesmo tempo. Passou-se algum tempo assim, e quando arranjou coragem para dizer do que precisava, pegou então o papel e escreveu para ela novamente um "Você está irritada, se você cantar vai melhorar". Assim que mostrou o papel para a princesa, ela o pegou bruscamente e o rasgou na frente da perplexa Haku, que lhe encarava com os olhos bem abertos. A Hatsune começou a gritar com ela, dizendo coisas do tipo "mentirosa" e "traição", palavras que a pequena Haku não conseguia assimilar com os momentos que elas tinham passado até então.

A menina estava ficando corada de raiva, e quando iria começar a gritar mais, ouviu-se uma batida na porta do quarto. Logo, a princesa foi abrir, e então a mulher misteriosa entrou, com um olhar curioso, toalhas limpas na mão e com uma roupa de criada, assim como a que conhecera há dois dias atrás. Logo, a bruxa pôs-se a olhar para a garota agora confusa e logo lhe perguntou, lhe encarando com os olhos bem abertos: ─ Ora Haku... não conseguiu o que queria? Acho que seu tempo já acabou. ─ e então deixou as toalhas em cima da cama, e com um estalo pegou sua cartola e a colocou na cabeça. ─ Eu disse para não sair do meu quarto... ─ e então sorriu para ela, inclinando ligeiramente a cabeça para o lado.

Haku era invadida com um turbilhão de pensamentos, e então entendeu que a criada que lhe acompanhara era a própria bruxa, que fez com que Miku soubesse de seu trato de arranjar sua voz. Ela colocou as duas mãos na cabeça e caiu de joelhos no chão, chorando silenciosamente, enquanto seus últimos segundos se passavam e faziam com que seu trato falhasse. A princesa lhe olhava com os braços cruzados e com um olhar de desprezo, murmurando para a bruxa algo como "nunca mais entre aqui", enquanto olhava o desespero da pequena Haku se desmanchando em lágrimas. Logo quando o tempo do seu trato passou, ela continuou chorando incansavelmente, mas agora já não estava muda. Tinha uma voz falha, em que não conseguiria falar como antes, e por isso muito menos cantar.

O que a bruxa havia falado era verdade, e todos dos reinos de Vocaloid e Voyakiloid souberam do acontecimento. Souberam que a pequena Haku tentou ter a voz de Hatsune Miku, mas não conseguiu nada além de uma voz rouca e feia, e por isso se tornou a falha princesa, sombra da princesa de Vocaloid.

Notas finais
A Haku foi originalmente criada por ser uma versão "falha" de Hatsune Miku, por causa dos usuários de Vocaloid tentarem fazer música com ela e só conseguirem sons estranhos e músicas que não ficaram boas. Eu usei essa característica da Haku pra explicar o porquê da voz dela ser ruim e não ser igual a da Hatsune Miku. x3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!