A Pena da Cura
39 Capítulo 39 - Charada e corredor.
Notas iniciais
A biblioteca era, literalmente, o interior de uma montanha. A fachada era simples com uma plaquinha de madeira e algumas flores, além da porta dupla de madeira escura. Lucy sequer reparou nisso, apenas entrou e se jogou na primeira cadeira que viu.
Apostar corrida com um lobo tinha sido a pior ideia que tinha tido naquele dia. Enquanto ela se esforçada para pelo menos manter o ritmo, Lio corria como se fosse a coisa mais relaxante do mundo. Durante todo o percurso ele permaneceu do seu lado, as vezes dando umas desaceleradas para a alcançar, só correu para valer quando viu as portas da biblioteca.
Por dentro ela era uma biblioteca normal, cheia de estantes, uma escada caracol e algumas móveis, facilitando a busca por qualquer livro. Enquanto Lucy descansava, Lio começou a olhar o lugar, procurando o lugar dos livros de outras línguas.
Rapidamente encontrou o que procurava, pois tudo estava separado com plaquinhas. O único problema era que tinha muitos livros, deveriam ver um por um até já encontrar o certo para traduzir a charada.
— Meu Deus, vamos demorar muito para achar o certo — Lucy parou ao seu lado.
— Então só nos resta começar as buscas.
—- // --
~ Um mês depois ~
— Caramba, nenhum desses livros ajudam. Tudo isso por causa de uma tesoura, teria sido melhor esconder ela inteira — a loira reclamava.
— Eu sabia que tinha muito para ver, mas não sabia que eram tantos...
Quando acharam que tinham pego todos os livros, descobriram que a estante tinha um fundo falso com mais livros atrás. Como não conheciam a língua da charada, o jeito foi sair comparando os símbolos, mas isso demorou mais do que esperavam.
No primeiro dia de pesquisa, eles descobriram uma porta camuflada que levava para um lugar de descanso e uma pequena cozinha, era assim que estavam se virando nesse último mês.
— Eu estava pensando... — Lio fez uma expressão pensadora. — Como estamos no Mundo dos Anjos, não seria mais “normal” a charada estar em uma língua antiga dos anjos?
— ... Isso quer dizer que...
— Estamos procurando feito bestas, sendo que poderíamos ter terminado bem antes.
— Agora temos que procurar o livro...
— Na verdade não. Ele está bem ai na sua frente — apontou pra um livro branco.
Lucy pegou o livro e abriu. Assim que começou a comparar, percebeu que Lio tinha razão. Rapidamente conseguiu traduzir cada símbolos e formar a charada.
Por que a galinha atravessou a rua?
— Alguém me diz que isso é uma pegadinha só para nos distrair — Lucy olhava para o papel como se quisesse queimar ele.
— Hum... Não parece ser tão difícil, deve ser porque ela quis.
— Nunca ouviu essa charada? É uma das mais comuns...
— Sendo sincero... Não — sorriu. — Na floresta onde eu vivia, os animais não eram muito de contar charadas. Eles preferiam piadas sem sentido algum, mas qual a resposta dessa ai?
— Ela atravessou a rua porque queria chegar do outro lado — a maleta se abriu, revelando metade de uma tesoura completamente prata.
— Só isso?
— Sim.
— Que sem graça, eu esperava uma resposta mais elaborada, mas que é a cara do líder nós não podemos negar — riu.
— Com certeza. Agora vamos voltar para o castelo, talvez alguém já tenha voltado.
— Eles teriam ligado, não?
— A lácrima não funciona, descobri isso ontem quando tentei ligar...
— Hum... Estava tentando ligar para o namorado? — perguntou maliciosamente.
— O quê? Claro que não, nem namorado eu tenho — virou o rosto envergonhada.
— Tem certeza? — insistiu, começando a guardar os livros.
— Absoluta.
— E o Laxus?
— Sinceramente, eu não sei — suspirou derrotada. — Não sei se é algo sério, um rolo ou apenas diversão. Prefiro não criar expectativas, assim se não for nada, o baque é menor...
— Hum... Não entendo muito disso, mas acho que vale a pena arriscar. Gostei daquele cara.
— Sério?
— Sim, mas a escolha é sua — guardou o último livro e saiu da biblioteca.
Lucy ficou parada pensando no que Lio disse, mas achou que aquele não era o momento, então decidiu o seguir de volta para o castelo. O caminho foi tranquilo, apenas seguiram a trilha.
O lobo ia na frente liderando, enquanto a loira ia mais atrás, perdida em pensamentos. Estava tão distraída que não percebeu que alguns anjos praticavam tiro ao alvo, e uma das flechas estava vindo em sua direção.
— LUCY — Lio pulou em cima da loira, a derrubando.
— O que... — olhou para o lado, arregalando os olhos.
— Droga... Não se mexe, o chão está rachado.
Mal deu tempo da ficha cair, o chão cedeu e eles caíram.
—- // --
~ Um mês atrás ~
Happy e Nights seguiam o caminho indicado em um dos mapas até o meio de uma floresta, onde teria um alçapão escondido entre as folhas. Não demoraram muito para encontrar e o abriram.
Desceram uma pequena escada de madeira e começaram a andar em um corredor. O corredor era bem iluminado, com papel de parede azul, chão de madeira escura e quadros fofinhos. O mais interessante era sua altura e comprimento, uma criança teria que passar agachada e um adulto nem caberia. Tinham feito uma boa escolha.
— Esse corredor parece infinito, isso me dá calafrios — Happy olhava para os lados assustado.
— Eu acho que estamos seguros, animais grandes e pessoas não conseguiriam entrar aqui. No máximo deve ter uma cobra, e se tiver eu cuido dela — disse com olhos brilhando.
— Credo — fez cara de nojo.
— Então, como andam os dois pombinhos?
— Melhor do que eu esperava, mas ainda acho que não é o suficiente... Estou pensando em trancar eles em uma salinha qualquer.
— E se a gente meio que assustasse um deles?
— Assustar?
— Claro, podemos contar uma mentira falando que o outro sumiu, ou ainda algo mais... Mórbido.
— Você tem pensamentos muito pesados para uma coruja fofinha...
— Minha aparência é minha maior arma — se vangloriou.
— Ainda bem que não sou seu inimigo... Ei, é impressão minha ou o corredor está ficando maior?
Happy tinha toda a razão, o corredor estava se abrindo aos poucos, até ficar do tamanho de um corredor “normal”. Mesmo assim ele manteve o mesmo padrão, só que em escala maior.
— Bem... Acho que achar uma cobra aqui é o de menos...
— Droga... Eu queria almoçar...
— Cruzes, me poupe dos detalhes...
— Você come peixe, é quase a mesma coisa.
— Continua sendo estran... — foi interrompido por um tremor. — SOCORRO — se escondeu atrás da coruja.
— É só um painel — voou até lá. — Pede quatro senhas...
— Senhas? Que tal 1234?
— Cada senha aparece em uma semana diferente, começando amanhã... É o que está escrito aqui na tela...
— E o que vamos fazer até amanhã?
— Tem uma porta ali com tudo o que precisamos — apontou com a asa.
— Como sabe disso?
— Só estou lendo o que está escrito aqui — deu ombros, desceu do painel e começou a andar. — Vai ficar ai ou vai explorar comigo?
— Não acho que eu tenha muita alternativa — seguiu a coruja.
Fale com o autor