A Peculiar First Date
1 Piercings e Confusões - Capítulo Único
Notas iniciais
“No carro eu não posso esperar
Para te pegar para nosso primeiro encontro
Tudo bem se eu segurar sua mão?
É errado eu achar que é ridículo dançar?
Você gosta do meu cabelo estúpido?
Você adivinharia que eu não sabia o que vestir? (…)”
Cantava o famoso idol russo naturalizado japonês Yuri Plisetsky, com toda a força dos seus pulmões, First Date, megassucesso da banda de pop punk blink-182, dentro do seu carro. Ele tinha um encontro com o amigo tatuador Kenjirou Minami, no casarão dele para mostrar o resultado final da belíssima tatuagem 3D, dois arranhões de tigre nos ombros, feita pelo outro. Na verdade, tudo era uma desculpa para conseguir ficar de novo com Minami, pois no dia em que o cantor fez as tatuagens, uns meses atrás, eles se beijaram e desde então, Yuri queria repetir o beijo.
Meia hora passou-se no trânsito e o cantor finalmente chegou no casarão do “amigo colorido”. Tocou a campainha, foi imediatamente atendido pelo tatuador. Ao abrir a porta, Yuri teve uma grata surpresa. Por ser verão no Japão, Kenjirou estava somente de bermuda.
“Ele é vestido em obras de arte, não precisava nem dessa bermuda.” — pensou o cantor, enquanto admirava Minami. Yuri mal poderia imaginar que o tatuador também reparava nele, exatamente reparava com desejo as roupas “simples” dele: uma regata com um tigre estampado, bermuda preta curta, um tênis com estampa de tigre e boné combinado com o tênis. Além de reparar que o cantor não estava com a maquiagem pesada para esconder suas tatuagens e com todos os seus vinte e dois piercings à mostra, ou como o próprio Yuri costumava falar, não estava “disfarçado de Yurio”, seu nome artístico; afinal não era segredo para ninguém que a agência do idol não deixava ele expor suas modificações corporais.
“Acho que eu nunca vou entender essa obsessão dele por tigres, mas… ela é fofa e tenho que admitir, ele está, corrigindo, o Yuri é muito sexy.” — pensou Kenjirou, mordendo levemente o lábio inferior para logo em seguida piscar o olho para o outro, como um bom leonino que era (mesmo que o próprio Minami não acreditasse em signos).
O cantor mostrou que entendeu o recado imediatamente, ao mandar um beijo discreto para ele. Resolveu provocá-lo, ao insinuar-se com um tom de voz sensual:
— Oi, Kenji… e então? Não vai me convidar para entrar?
Minami retribuiu o cumprimento do amigo com um beijo no canto da boca e deu licença para Yuri, já calçado com as pantufas para uso interno do casarão, entrar.
Portas fechadas, eles começaram uma conversa sobre assuntos triviais sobre a semana um do outro, besteiras e posteriormente sobre a música que tocava no mini system do tatuador, Brain Stew, sucesso antigo da banda de pop punk Green Day.
Depois de um tempo, eles foram para a cozinha, pegaram várias cervejas, desligaram o mini system da sala e foram para o quarto.
No local, sentados em cima da cama, mini system ligado, eles tomavam suas cervejas, papeavam sobre vários assuntos, porém quando começou a tocar Longview, outro sucesso antigo do Green Day, passaram a cantar alegremente a canção, cuja letra falava sobre... masturbação para passar o tédio. Como ambos eram fluentes em inglês, foi natural para eles utilizarem os versos da música para explicitarem que queriam dar uns beijos. Não demorou muito para eles se aproximarem cada vez mais até os lábios se encostarem e eles começarem a explorar o máximo de sabores da boca um do outro.
Como reflexo, o explorar dos beijos passaram para o explorar através de mãos, lábios, línguas para o resto dos seus corpos. Roupas que começaram a ser incômodas: uma camiseta jogada no chão, uma bermuda caída, outra bermuda caída. Carinhos cada vez mais íntimos, um roçar de pênis eretos ali, um insinuar de uma masturbação a dois acolá e beijos cada vez mais quentes, porém durante um desses beijos o piercing da parte direita da língua bifurcada de Minami enroscou no piercing de argola de Yuri, localizado no canto esquerdo da boca. O cantor começou a entrar em desespero, entretanto o tatuador tratou logo de acalmá-lo e pediu para ele ficar quieto, pois o movimentar da boca durante a fala poderia repuxar as joias e causar um grande estrago nos dois.
Logo em seguida, Minami fez gestos para Yuri se levantar cuidadosamente, segurou a mão do cantor e eles foram até o banheiro para desenroscarem o piercing. Lá dentro, através de gestos, o tatuador ajudado pelo cantor fez a assepsia das mãos, colocou as luvas cirúrgicas e cuidadosamente Kenjirou afrouxou o próprio piercing até conseguir desprendê-lo totalmente, depois retirou com jeito a joia da própria língua para, por fim, conseguir desenganchá-la do piercing de Yuri.
Primeiro, veio o alívio por finalmente estarem livres.
— Ainda bem que a gente está só de cueca, já pensou o quanto nossas camisetas estariam babadas depois dessa? — brincou o cantor e divertiu-se com a reação de “nojinho” do amigo, além do comentário sarcástico dele:
— Você e seu senso de humor estranho.
— Estranho, não, pior do que o seu. — rebateu Yuri na brincadeira, fazendo ambos darem pequenas risadas. Em seguida, Plisetsky e Minami colocaram os piercings em uma caixa especial para descarte de lixo infeccioso, afinal vai saber quantas bactérias o enrosque deu nas joias. Segurança em primeiro lugar sempre.
Em seguida, eles foram até os fundos do casarão, onde ficava o estúdio reserva do tatuador, utilizado geralmente como “espaço VIP”, para Minami fazer todos os procedimentos para colocar um novo piercing na própria língua e depois na boca de Yuri. Por motivos óbvios, o cantor optou por uma joia no formato de bola. Piercings devidamente colocados, materiais para colocar as joias com higiene descartados de forma devida também, eles andaram de volta para o banheiro, fizeram a higiene bucal (Kenjirou tinha escova, pasta de dentes e enxaguante bucal novos reserva) e voltaram para o quarto.
Deitados na cama, eles retornaram aos beijos e as carícias trocadas passaram a ser cada vez mais íntimas, pois ambos estavam finalmente nus. Os primeiros gemidos, palavras sujas, prazerosas descobertas de velhas novas sensações, quando:
— Yuri, pega para mim, por favor, as camisinhas e o lubrificante que estão na gaveta. — Pedido atendido, Kenjirou continuou — Agora abre bem essas pernas, pois é hoje que a gente fica no cio, gatinho arisco. — indicativo de que teriam uma tarde bem quente.
Um primeiro encontro único, assim como eles próprios.
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