A Paz De Praga
1 A Paz de Praga
O chá fino e quente na xícara cara e rica em detalhes acompanhava um pequeno pires com alguns biscoitos importados. Áustria estava sentado em seu sofá, aproveitando o final da tarde para fazer um pequeno lanche antes de ir encontrar-se, à noite, com Ludwig. Haviam combinado de se encontrar para falar sobre algumas pequenas mudanças que ocorreriam de agora em diante. Planos futuros, pilotos. E de pensar que, antigamente, o alemão era apenas uma pequena criança perdida no meio de tanta guerra... Era praticamente impossível imaginar o quão grande Alemanha ficou após ser tomado por Prússia ainda jovem, ainda uma pequena criança.
E essas memórias lhe fizeram voltar a um tempo em que queria esquecer. Um tempo de muitos anos atrás que deveria estar quase invisível em suas memórias. Mas que acarretaram em grandes transformações na vida da maioria dos países germânicos. Desde aquela época sabia que este menino, Ludwig, iria crescer muito.
Nas memórias do austríaco, a chuva caía forte. O barulho dela era quase ensurdecedor. Mas lá estavam os dois, Prússia e Áustria, com as roupas de guerra. Os amigos que deveriam estar lutando um ao lado do outro, neste dia, estavam lutando entre si. Eles não estavam felizes, nem um pouco. Mas aquela batalha seria a última e, com ela, o vencedor sairia com o prêmio maior: A posse de uma pequena criança que insistia em crescer.
Tinham noção de que aquela batalha seria a última. E não seria nenhuma surpresa que, depois daquilo, talvez toda uma amizade de vários anos pudesse vir a baixo. Mas eles pareciam estar de olhos fechados para aquilo. Só tinham visão para a posse do pequeno Alemanha, a visão de um futuro, uma unificação, um fortalecimento. Sim, sempre pensando em se tornarem mais fortes. Era esse o mundo em que viviam estes dois – não mais tão – amigos.
O austríaco soltou um suspiro forte, fechando os olhos por um pequeno instante. Ele estava morrendo de dor de cabeça. Ele e os tantos homens atrás de si, militares, com armas fortes e pesadas. Estavam todos cansados. A batalha já durava quase dois meses e Prússia não abria mão de jeito algum. E, mesmo Roderich já tendo sorte de conseguir posses sobre Itália, ainda sim. Seus olhos já cegos, só enxergavam o poder.
A verdade era que os dois queriam o fortalecimento.
E, do outro lado do campo de batalha, Gilbert estava nas mesmas condições. Seu ego já não importava mais tanto quanto no início da guerra. Agora, só queria o pequeno irmão perto de si e faria de tudo para isso. Nem que tivesse de acabar com a vida do amigo austríaco. Um trabalho difícil, mas que dariam belos resultados. Era o que seu superior dizia. Mas o difícil se tornaria impossível para o albino. Somente pelo simples fato das memórias que tinha guardado dele e Roderich juntos desde pequeno.
Mas algo deveria ser feito. Havia homens feridos dos dois lados. Mas Gilbert estava confiante. Iria vencer. Queria vencer
E a batalha continuou. Armas, até mesmo espadas. Estava impossível para qualquer pessoa ficar ali sem se assustar. Mas eles eram duros e, mesmo que de início os austríacos pensaram que estavam ganhando, inesperadamente um segundo exército prussiano se fez presente, tomando conta da batalha e de toda a situação. O superior do austríaco até tentou chamar mais duas reservas. Mas eles já sabiam. A batalha estava perdida.
Roderich agora estava de joelhos no chão, machucado, mas não morto, diferente de inúmeros de seus homens. Agora nem chuva mais havia para reconforta-lo. E, no silêncio de um fim de batalha, escutou os fortes e decididos passos do prussiano vindo em sua direção. Áustria levantou o rosto, ajeitando os óculos quebrados em sua face e notou a expressão fria vinda do rosto do albino.
– Suma de minhas terras, Roderich. Tire todo e qualquer homem seu que estiver por lá. – falou Gilbert com a voz forte. Não estava querendo parecer superior. Era certo de que não estava feliz por aquilo. Bom, era óbvio que também não queria perder. Mas a sensação de ter de se separar de seu amigo lhe deixava com o coração na mão.
Os dois combatentes se separaram e, três semanas depois da última guerra, foi assinado o Tratado de Praga, oficializando a derrota austríaca e excluindo-o dos assuntos alemães. Entretanto, com o tratado definido, algo parecia estar diferente. Na mesa de reuniões, após a assinatura dos dois superiores, o albino estava tão relaxado que Roderich entendeu que a posse do pequeno Ludwig era muito mais do que uma medida para conseguir mais força. Era o maior dos apelos para ficar perto de seu pequeno irmão, era a bravura do albino em jogo, sendo mostrada tamanha para provar tudo o que faria para ter o loirinho por perto.
E, ao final do encontro, lá estava Ludwig ao lado de Gilbert que lhe segurava a mão. O alemão franzino e quieto, com medo de todas aquelas pessoas altas, olhava para o chão, sem entender nada, apenas que agora ficaria com o irmão mais velho.
Roderich queria se aproximar mais e desejar boa sorte ao pequeno garoto. Mas não havia necessidade. Então, de longe, olhou para Gilbert e, com um sorriso fraco no rosto, encheu o peito para falar.
– Este garoto vai crescer mais do que imagina, Gilbert. Cuide muito bem dele. – E recebeu, de volta, um riso alto do albino. Talvez fora aquele riso que partiu de vez toda a formalidade pós-guerra que estava formada entre os dois. E, ainda com o fino sorriso no rosto, saiu na direção de sua casa, olhando para o céu e vendo o azul gostoso fundir-se com o amarelo do sol que lhe aquecia.
O mesmo sol de muitos anos depois. O sol do presente que, agora, já estava indo dar lugar à noite. Roderich, quando percebeu que já estava anoitecendo, olhou para o próprio colo, vendo que nem havia tocado nos biscoitos tão gostosos que havia importado de Suíça. Não tinha importância. Foi à cozinha guardar tudo e lavar o rosto.
Em menos de dez minutos já estava pronto e, saindo de casa, logo encontrou um grande e alto homem de cabelos loiros que lhe cumprimentou formalmente como sempre fazia. Este fez o mesmo e, com o mesmo sorriso fino de sempre, agora sabia que suas palavras estavam certas.
Ludwig havia crescido tanto que nem Gilbert mais precisava cuidar dele.
Notas finais
Novamente, um feliz Natal, boas festas e tudo mais. uwu
Acho que nunca nos falamos, né? OSIDJAODI, mas não tem problema, mesmo eu não sendo a maiooor escritora do mundo, acho que nunca iria negar escrever algo sobre Hetalia. ;w;
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