Eu devo ser muito egoísta para querer o que não posso ter.

Porém, eu devia agradecer, porque eu tinha tudo que alguém podia querer. Ir ao colégio, estudar, tirar notas perfeitas, ajudar minha mãe na biblioteca, ter uma casa enorme e pais que me amam muito e amigos, mas nem tudo é perfeito.

Tudo começou naquele dia de sexta-feira no outono. Eu estava na biblioteca de minha mãe, meu pai é escritor, escreveu vários romances e consegue passar dias sem dormir e meu sonho sempre foi me tornar um grande pianista. Em casa tem uma sala com um piano de cauda, minha mãe o toca muito bem e me ensinou desde que eu tinha três anos. Moro em Londres.

Havia chegado uma nova doação. Eram torres de livros, os funcionários se mexiam para lá e para cá. Fui ajudar arrumando os livros em ordem alfabética enquanto eles colocavam nas prateleiras. Minha mãe falava com a doadora dos livros, era uma nobre, agradecia sempre e falava amigavelmente. Em um dos livros notei algo estranho, não tinha nome. Era muito velho um livro de capa dura, as folhas velhas eram quase ilegíveis. Caíram algumas partituras de piano dele, fiquei muito curioso e guardei o livro em minha bolsa, enquanto arrumava os outros.

- Ellion, já são 6 horas, venha logo para irmos para casa.

Desci rapidamente as escadas, eu queria muito ver aquele livro. Entrei no carro e coloquei os fones. Eu tinha uma mania de gravar o que eu tocava para sempre ser melhor que da última vez. Chegamos em casa, não era tão longe da biblioteca. Vi meu pai fazendo o jantar, quando ele terminava um livro ele ficava tão feliz e energético que fazia várias coisas de uma só vez. Tomei banho e troquei de roupa, comi com minha família e fui até meu quarto. Dei uma olhada nas partituras e vi que o livro não só tinha partituras e sim palavras como um diário. O começo estava escrito:

“Intitulam-me gênio da música. Eu amo tocar piano e fazer composições, mas não quero ser prisioneira de meu próprio amor. Eles me obrigam a tocar, não sinto meu coração quando toco para eles. Quero voltar a ser uma garota como antes. Afinal, música cantada sem sentimentos é apenas uma caixa vazia, assim como eu.”

Como assim? Ninguém pode se chamar de caixa vazia, todos temos sentimentos. Olhei-me no espelho, os cabelos castanhos claros caiam um pouco sobre os olhos e vi minha aparência pálida. Na verdade desde que peguei naquele livro tenho me sentido pálido. Ele está me chamando. Peguei as partituras e estudei-as. Seria mesmo possível eu tocar elas tão bem assim?

Um tempo passou, e eu já havia as estudado. Fui à sala a prova de som que tinha um piano e sentei-me, ajeitei as partituras e comecei a tocar. Parecia que meus dedos se mexiam sozinhos, mesmo sendo a primeira vez tocando uma música tão desconhecida, era algo fora de mim.

Sem perder o som da música, fui transportado para um teatro grande, havia muitas pessoas, mulheres com vestidos armados e um som da mesma música que eu tocava Uma garota a tocava, de longos cabelos loiros que chegavam ao tornozelo, baixa com olhos verdes que não demonstrava nenhuma emoção. Será aquela da caixa vazia? Ela parecia uma boneca, a pele era como porcelana. O vestido vermelho armado com babados brancos. Definitivamente era uma boneca, uma linda e calma boneca.

Ouvi até o final aquela maravilhosa melodia. Era pacífica, não tinha como alguém que se diz uma caixa vazia tocar daquele jeito. A música havia acabado, ela agradeceu e saiu do palco. Eu a vi sendo puxada por um homem, ela não reagia, ele parecia bastante nervoso. Segui-os até um carro antigo olhei a data de fabricação do carro. Algo inacreditável 100 anos atrás. Londres também não era a mesma que eu conhecia. Eu gritei para soltarem ela, mas ninguém me ouviu. Pensando bem, ninguém pareceu me ver até agora, porém o olhar dela pareceu parar em mim por um instante. Na mesma hora voltei para a sala do piano, parecia que tinha perdido minha consciência, mas eu ainda tocava normalmente como antes.

Aquela garota não saia da minha cabeça, optei por dormir, já era tarde e eu combinei de sair com dois amigos no sábado então me deitei para descansar. O rosto dela era algo realmente lindo, no final consegui dormir.

- Onde estou? – abri calmamente os olhos, estava em uma sala escura – Cadê a porta? –tateava as paredes procurando uma porta –

- Você está trancado em um porão – uma voz soou na sala, eu me virei e pude ver os cabelos longos dourados espalhados pelo chão –

- A boneca... Digo, desculpa. – gaguejei, era ela mesmo, como era linda –

- Qual é o seu nome?

-Ellion, prazer, e o seu? — sorri, mas não obtive um sorriso em troca –

- Katherine – ela apenas falou e me olhou –

Eu estava confuso, pois há um minuto eu estava dormindo. “Isso só pode ser um sonho”, pensei. Olhei para a garota e percebi correntes presas a ela. Tentei ajudá-la quebrando as correntes, mas elas não quebravam. Tudo eu fazia para quebrá-las, mas era em vão.

- Só com a chave – ela sussurrou – Eles estão por perto...

Ouvi a porta se abrindo e dois homens entrando. Bateram a porta com força. Ouvi sobre um concerto, e ela se recusava a fazê-lo, parece que ia ser em um lugar mediano e enquanto todos saboreavam a música iam ser roubados. Ninguém me notava, assim como na última vez. Eles bateram forte nela, tentei pará-los, mas tudo era em vão, não podia fazer nada, ninguém me via, ninguém sentia. A única que podia me ver era Katherine. Bateram forte naquela garota que parecia que ia se quebrar. Fiquei muito irritado tentava de todo jeito parar eles. O olhar de Katherine me fitou com um sorriso forçado disse para só eu ouvir.

- Você não deveria estar aqui.

Acordei no mesmo momento, já não sabia diferenciar o que era sonho de realidade, aliás, aquilo com certeza não era apenas um sonho. Olhei no relógio, quatro da manhã. Tentei dormir de novo, mas não conseguia, não sabia se eu dormisse poderia ver tudo àquilo de novo, e não poder fazer nada. Mas por outro lado, queria vê-la mais uma vez, ela era tão frágil, não podia deixá-la sozinha naquela sala escura. Peguei o livro e li mais um pequeno trecho.

“Eles sempre me fazem tocar para conseguir dinheiro, roubam daquelas pessoas que querem ouvir minha música. Eu os odeio mais ainda por acabar com o que pessoas juntaram com tanto suor. Mas sempre que eu recuso, eles batem em mim, e ameaçam matar meu irmão mais novo.”

- Então é por isso... – falei virando a página, encontrei mais partituras – Uma nova melodia?

Notas finais
Olá pessoal, é a primeira vez que posto algo do gênero como tou nervosa. Bom espero que gostem, foi meio que um sonho meu dai adaptei ela *-* Mereço Reviews? beijinhos *-*