Próximo de um pequeno vilarejo ao extremo norte das terras do Rei, havia um penhasco de profundidade incalculável. A razão desta complexidade, dava-se pelo fato de existir uma névoa branca em seu nível inferior. Do outro lado havia uma floresta intocável. Um lugar jamais explorado. Aquele penhasco ficava no limite das terras julgadas do tirano Rei.

Numa manhã como todas as outras, um jovem rapaz, chamado de Edgar, decidiu conhecer o lendário penhasco. Os anciões contavam que cavaleiros enviados pelo Rei até o penhasco, foram engolidos por ele. Mas a lenda que o Rei sustentava, dizia que seus homens foram alvos de uma emboscada e jogados no penhasco pelo inimigo.

Edgar não temia nenhuma das histórias. Ele seguiu pela trilha entre a mata e se aproximou do fabuloso penhasco. As árvores do outro lado eram maiores e mais verdes comparando com as existentes em suas terras. Ele deu alguns pequenos passos à frente e ficou mais perto da beirada. Admirou a névoa branca que se estendia por toda extensão inferior. Ele respirou com força e sentiu uma diferença no ar. Edgar sentiu seus pulmões mais pesados. Ele inclinou-se um pouco mais pra frente e respirou mais forte. Ele estava convencido de que o ar era diferente.

Animado com a descoberta, ele voltou correndo para o vilarejo. Compartilhou a notícia com seus amigos, que ficaram curiosos, doidos para sentir esse ar pesado e diferente.

No dia seguinte, Edgar se reuniu com seus curiosos amigos. Madeline, Stevan e Will estavam muito mais do que animados. Todos correram pela trilha à caminho do penhasco. Ao chegarem nele, pararam surpresos com seu tamanho. Eles não tinham palavras para expressar o que estavam sentindo. Era simplesmente, fabuloso!

Em mais um raiar do sol, eis que o temor toma conta do vilarejo. A notícia de que Madeline havia desaparecido, perturbou a todos. Edgar reuniu os amigos Stevan e Will. Os três suspeitaram na mesma hora que Madeline, poderia ter caído no penhasco.

Os jovens correram escondidos até o local. Porém, ficaram espantados quando encontraram uma ponte de madeira ligando os dois lados. Foi evidente suspeitar que Madeline estaria do outro lado. Mas todos tinham receio de cruzar até o desconhecido. Edgar, sentindo-se culpado, resolveu ir primeiro. A ponte era firme. Muito diferente do que estava acostumado a ver. Ao chegar do outro lado, gritou pelos amigos. Disse que era seguro. Stevan e Will atravessaram juntos, demonstrando medo no olhar. Edgar encontrou um rastro de sangue por uma trilha que seguia mata a dentro. Os três seguiram aquele rastro e depararam-se com um campo de grama verde, e uma velha cabana. A fumaça da chaminé que lá havia, era densa e preta.

Num movimento rápido, a porta de madeira da velha cabana se abriu e Madeline, com seu vestido rasgado e sujo de sangue, correu aos berros na direção dos amigos. Ela gritava desesperadamente para que voltassem correndo. Juntos, seguiram apavorados pela trilha. Um rugido medonho assombrou até a alma deles. O chão tremia com a gigantesca fera sem olhos que corria em perseguição à eles.

Madeline, que corria em último lugar no grupo, gritou para que eles não olhassem para trás. As garras daquele demoníaco humanoide cravou-se em suas costas. O grito da jovem se perdeu na mata quando seu corpo foi arremessado para longe pela criatura.

Will viu a ponte, mas não teve o chance de alcança-la. A criatura o partiu ao meio com suas afiadas e grossas unhas.

Stevan e Edgar chegaram ainda correndo na ponte, que começou a se partir. A criatura os alcançou e acelerou o processo de destruição natural da ponte, que pareceu inicialmente, suportar muitos homens.

Edgar e seu amigo pularam na tentativa de alcançar o chão, mas bateram de cara no penhasco e se agarraram nele. A monstruosa criatura sumiu junto com os destroços da ponte no meio da névoa branca.

Stevan não estava conseguindo se segurar. Seus pés estavam perdendo o apoio. Ele ficou pendurado suportando o peso do corpo somente com seus braços. Gritou por socorro para o amigo Edgar, que não conseguia se mexer.

De longe, foi possível ouvir pessoas chamando por Madeline. Os moradores do vilarejo estavam se aproximando do penhasco. Stevan gritou repetidas vezes por socorro. Os dedos de Edgar, agarrados nos pequenos buracos do muro do penhasco, estavam sangrando. Ele sabia que não iria aguentar por muito tempo.

Algo forte e pesado bateu contra o penhasco. Os jovens sentiram o tremor, que ficava cada vez mais próximo. Stevan olhou para baixo e viu a demoníaca criatura escalar em sua direção.

Mesmo com os dedos também cortados, Stevan conseguiu escalar um pouco mais e segurou no tornozelo direito de Edgar, que perdeu o equilíbrio dos pés e ficou segurando o peso do próprio corpo e de seu amigo, que se pendurou em sua perna, clamando por socorro.

Pensando na própria sobrevivência, Edgar pediu desculpas ao amigo, antes de chutá-lo no rosto e vê-lo cair nas garras da fera, que não aguentou segurá-lo e ambos caíram do penhasco.

Os moradores do vilarejo se aproximaram do limite territorial e conseguiram puxar Edgar de volta à terra. A mãe de Madeline perguntava repetidas vezes o que havia ocorrido com sua filha, mas Edgar não conseguia falar. Ele estava em profundo estado de choque.

Indignada, a mulher empurrou o jovem rapaz, que segurou em seu braço e ambos destinaram-se ao fundo incalculável do penhasco.

Dias depois, a ponte surgiu misteriosamente. E o lado oposto, foi quem atravessou primeiro...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.