A Outra Face do Lobo

1 Capítulo I- Mordida


Notas iniciais
Eaê galera. Espero que gostem. @rael_btlh Segue? Sdv

-Então Sam, você acha que ela vai aceitar ir ao báile com você?- Perguntava o Simon entre as mordidas em sua fatia de pizza.

-Sei lá cara. Cala a boca ai e come sua pizza que esse assunto já deu o que tinha de dar.- Respondi sem tirar os olhos do cardápio.

-Tudo bem, senhor estressadinho. Moça,- Disse ele a garçonete- Traz mais um refri, por favor. Com bastante gelo.- Após dizer isso ele dá uma piscadinha para ela.

-Cara, você tem mesmo que cantar toda garota que vê?

-É o meu jeitinho.- Disse ele com um sorrisinho malicioso na cara.

-Muito jeitoso você. Sinceramente, como nós podemos ser irmãos?

-Já disse, você foi achado no lixo. Olha meu refri ai.

É, esse idiota é meu irmão gêmeo, Simon. E eu? Eu me chamo Samuel, Samuel Windfield. Tenho 16 anos e moro em Nova Iorque com meus pais e meu irmão.

-Então, é melhor a gente ir indo. A mamãe vai ficar uma fera se a gente chegar tarde. Fora que tem aula amanhã.

Simon deu um gemido e se levantou, aparentemente usando toda a força de seu corpo.

-Aula... arg.

-Acredite, eu estou tão feliz quanto você. E você vai pagar o lanche também.

Ele me jogou uma nota de vinte e caminhou em direção a porta. Alguns minutos depois eu me encontrei com ele no carro.

-Repetindo a pergunta: Você acha que a Jessie vai querer ir no baile com você?

-Cara,para de insistência nesse assunto, que droga!

-Calma Sam. Dessa vez eu não quero te irritar. É só que você conhece ela, então...

-Que seja.- Falei isso e saí do carro.

-Calma Sam. Não vai sozinho, é perigoso.

-Te vejo em casa.- Fui caminhando em meio a rua.

Caminhei por cerca de dez minutos até ouvir um ruído vindo de uma casa. Parecia o som de um animal. Depois um grito humano. Não pude aguentar. Quando dei por mim já havia entrado na casa e estava procurando a pessoa que havia gritado. A porte se fechou com um ruído atrás de mim, e eu vi algo semelhante a um vulto negro.

-Legal. Eu devia ter ido com o Simon. Agora como diabos eu saio daqui e...- Meu pensamento foi interrompido quando alguma coisa me derrubou. Antes que eu pudesse me levantar, senti dentes- dentes não, presas- se cravarem em meu braço. Tentei gritar mas a voz não saía. Tudo ficou escuro.

Quando voltei a mim, estava deitado em uma cama macía e grande. Ao lado do meu rosto havia uma mesa de cabeceira de madeira polida, bastante rústica, com um copo contendo um líquido vermelho e uma bandeja, com algo que parecia aspirinas. Tentei me levantar mas não conseguia e soltei um gemido.

-É melhor você não fazer muita força.- Disse uma voz masculina vindo a escuridão. Um homem se aproximou de mim. Era um sujeito alto, musculoso usando roupas pretas e coturnos.

-Q... quem é você?- Gaguejei.- Onde que eu to?

-Meu nome é...- O homem recuou, como se questionasse consigo mesmo se devia se apresentar. Pude prestar mais atenção em suas feições, aparentava ser um cara novo, na casa dos seus 26 anos.- Jason. Jason Wolfmoon. E você é Samuel, certo?

-Certo, mas como você sabe meu nome?

-Você fala mais dormindo do que muitas pessoas que eu conheço falam acordadas.

Soltei uma risadinha e consegui me por sentado. Olhei para o braço onde eu havia sentido a mordida e quase soltei um grito. Onde deveria estar uma atadura ou um ferimento gravíssimo estava simplesmente algo que aparentava ter sido uma cicatriz a algum tempo.

-Ahn... Jason, né?- Apontei para meu braço.- Eu tenho quase certeza que eu recebi algo que e acho que era uma mordida. E se eu levei uma mordida, aqui não deveria estar um ferimento gravíssimo que a essa altura já estaria infeccionado e... ei! Há quanto tempo que eu to aqui?

-Dês de ontem. Já está de dia..

-Ai meu Deus. Minha mãe vai me matar. Eu tenho que ir.

-É melhor mesmo,- Disse o homem.- A essa altura já devem ter dado queixa na polícia.

Eu consegui me levantar e me pus a andar em direção a porta.

-Tome cuidado a noite.

-Claro,- Soltei um risinho.- Lobisomens podem me atacar.

Sem dizer nada, Jason abriu a porta e caminhou até uma escadaria não muito confiável, por onde começou a descer até parar em frente a uma enorme porta de madeira que possuía umas marcas estranhas. Garras? Pensei. Não.

-Bem, valeu ai pela ajuda, Jason.

-Certo.- Respondeu ele secamente. Esperou eu sair e fechou a porta. A luz do dia doía em meus olhos. Demorei alguns segundos para por as coisas em ordem na cabeça. Eu tinha que ir para casa. Meus pais estavam preocupados. É. Caminhei até a esquina e peguei um táxi. Cheguei em casa e fiz o possível para entrar de fininho. É, não deu certo.

-Sam!- Gritou minha mãe me esmagando com um abraço de urso.- Onde você estava!? Porque você não voltou com seu irmão!?

-Calma, Julliet. Deixa o garoto respirar.- Interrompeu meu pai, que parecia extremamente calmo para a situação.- Você está bem, filho?

-To pai, só to um pouco cansado. Cadê o Simon?

-Tá na escola.- Respondeu meu pai.

-Certo, pela hora, se eu me apressar eu só perco a primeira aula.

-Não! Você tem que ir no médico para ver se está tudo bem.- Indagou minha mãe

-Mãe, sério, eu to bem. Deixa eu ir lá.

-Vai lá.- Falou meu pai e se despediu com um tapa nas costas. Tomei um banho rápido, me vesti e desci as escadas.

-Pai, me empresta sua moto?

-A chave tá no canto de sempre.- Respondeu ele.- Vai com cuidado e mais tarde a gente precisa conversar.

-Certo.- Peguei as chaves e fui embora. No caminho eu não pude deixar de pensar no que o Jason havia me dito.

-Cuidado ao andar a noite.- Repetia comigo mesmo.- O que será que ele quis dizer? É melhor eu esquecer isso... pelo menos essa manhã.- Cheguei na escola e estacionei a moto. Pendurei o capacete no guidão e adentrei no prédio. Já conhecendo o protocolo, fui direto a sala do diretor. Bati na porta esperando resposta. Quem abriu foi a vice diretora Srta Born. Nunca soube o primeiro nome daquela mulher. E nem queria.

-Licença, dona vice. Vim notificar meu atraso.

-Ahn, claro. Você é o...

-Samuel, Samuel Windfield.- A senhora na minha frente começou a me encarar.

-Sr. Windfield. Seu irmão esteve aqui hoje. Ele veio notificar sua falta, dizendo que você estava...

-Desaparecido?- A interrompi.- É, pode-se dizer que sim. Em fim, já devo ter perdido mais da metade da primeira aula.

-Certo, aqui está.- Peguei o papel e fui para aula. Do vidro da porta eu já visualizei meu lugar, vazio como eu já esperava, algumas cadeiras atrás da do meu irmão. Bati na porta e entrei de cabeça baixa. Pude sentir todos os olhares em cima de mim. E algo mais que isso. Comecei a sentir um cheiro doce, chocolate! Mas, de onde vinha esse cheiro? Sei lá. Joguei minha mochila no chão e me sentei.

-Sam.- Chamou meu professor.- Estávamos preocupados, seu irmão nos contou oque houve.- Simon virou a cabeça para olhar para mim, e eu o encarei de volta.

-Ahn... eu já to bem, Sr. Davis. Foi só um susto mesmo.

-Certo, qualquer coisa, avise.

-Sim senhor.- O Resto da aula foi uma tortura. Eu não parava de ouvir coisas. Mas tudo oque eu ouvia parecia tão real. Algo como... som de telefones, vozes.

-Se concentra, Sam.- Sussurrava sem parar mas não conseguia. A hora do recreio seria um alívio, se não fosse pelo som ensurdecedor do sinal. Fui parado na saída da sala com a mão do meu irmão se colocando no meu peito.

-Cara, o que é isso?

-''O que é isso" digo eu. Eu sei que não foi só um''susto''. Vai, conta logo.

-Não foi nada, sério.

-Eu te conheço Sam.

-Claro, você é meu irmão. Me deixa passar.- Passei por baixo do braço dele e segui pelo corredor.- Vai ficar com teus amiguinhos, vai. Odia terminou relativamente bem. Depois da aula meu irmão estava novamente me esperando na portado colégio.

-Ah não. Sério, me deixa em paz.- Resmunguei.- Eu já pedi para trocar as aulas por...

-Calma ai, mainho. Só vim perguntar se você não quer carona.

-Não, eu to com a moto do papai. Te vejo em casa.- Desviei dele e fui até a moto. Resolvi cortar para evitar encontro com o Simon. Chegando em casa, a porta tava aberta e os carros não estavam lá. Entrei e me deparei com tudo bagunçado e quebrado.

-Ai caramba. Mãe! Pai!

-Tá gritanto por... O que que houve aqui, Sam?- Falou Simon ao se deparar com a bagunça.

-Eu não sei.- Após dizer isso, eu disparei escada a cima, fiquei impressionado com a velocidade que estava correndo. "Deve ser adrenalina", pensei. Meu irmão vinha logo atrás de mim. Eu fui para um lado do corredor e ele para o outro.

-Eles não tão aqui!- Gritei depois de sair do último quarto.

-Nem aqui.- Gritou ele em resposta.

-E agora?- Perguntei quando nos reencontramos no pé da escada.

-Agora a gente tem que achar eles, né? Vai na delegacia que eu vou dar uma volta pelo bairro de carro ver se acho eles. Oque achar alguma coisa dá notícia.

-Certo.- Não sabia porque, mas meus instintos mandavam eu ir para a casa que eu havia passado a noite.- Tudo bem,- fala comigo mesmo.- Confie em si mesmo.

Cerca de dez minutos depois eu parei em frente ao local. Pude reparar bem sua aparência: era uma construção bastante rústica e grande, de dois andares.

-Jason!- Fui gritando logo que desci da moto.- Jason! Você tá ai!?- Ninguém respondeu, portanto eu resolvi entrar na casa. O local estava silencioso. Silencioso até eu ouvir um som.

-Quem... quem tá ai?- Perguntei.

O som era algo parecido com uma respiração. E depois veio o rugido. Não, um uivo. Um corpo veio descendo escada a baixo. Eu quase tive um ataque quando vi o rosto.

-Mãe!- Gritei e acolhi o corpo em meus braços. Ela estava com um corte na testa e algunshematomas nos braços. Depois apareceu uma forma escura na escada. A única coisa que eu via com clareza eram os olhos: vermelhos como sangue fresco. A fera se preparou para pular, mas antes que ela investisse, eu havia saído do meio, levando junto o corpo de minha mãe. Meus instintos assumiram o controle. Do nada eu me sentia forte. Me levantei e me interpus entre a coisa e minha mãe. Seu corpo era enorme, recoberto de pelos marrons escuro e garrasnegras como petróleo. Ela se jogou em minha direção, mas foi interceptada por... por mim. Sabe-se lá como, eu havia arremessado um corpo três vezes maior do que o meu há uns dois metros de distância.

-Sam!- Gritou meu irmão da porta.- O que... oque é isso!? Sai daí, ele vai te matar.- Corri até ele, carregando o corpo da minha mãe nas costas.- Vamo embora e cham...

Antes que eu pudesse terminar de falar, um vulto negro passou por cima de nós e ficou na frente da porta. ''É o nosso fim'', pensei. Eu estava me preparando para morrer quando uma voz familiar masculina ecoou da escuridão, depois se transformando em algo que parecia um uivo. Um homem saiu das sombras.

-Jason?- Chamei. Mas não era ele. Era alguém mais familiar.

-Sam, Simon, tirem a mãe de vocês daqui.

-Certo.- Dissemos os dois em coro e recuamos até ficar atraz de nosso pai. O monstro de pelos marrons foi em cima dele.

-PAI!- Gritou o Simon. Mas onde antes estava nosso pai, agora estava outro monstro, idêntico ao primeiro, exceto por sua pelagem ser negra como petróleo. Ficamos boquiabertos encarando nosso pai, ou seja lá oque for aquilo. Parecia um lobo, eu não havia parado para pensar, mas o outro monstro também se assemelhava ao animal. Os dois lobos se agarraram no ar, até caírem e ficarem rolando no chão. Foram diminuindo de tamanho até serem, novamente, homens, um era meu pai. O outro era...

-Jason!?- Chamei espantado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.