A Outra Face De Um Badboy...

5 Capítulo 5 - Porque tenho que ser seu brinquedo?


Notas iniciais
Oi gente! Sentiram minha falta? Desculpem a demora mas nesses dias tenho andado um pouco ocupada e não tenho tempo pra escrever.

MAs bom aqui está novo capitulo!

Espero que gostem.

* Leitoras novas se apresentem e as fantasma igualmente. Quero conhecer vocês.

Boa leitura!

POV TIAGO

Sentia os pés dela se enroscarem por debaixo da manta, que ambos partilhávamos. Estavam quentes e na volta, muitas vezes tocavam nos meus. Ela escondia o olhar, e só levantava quando se ouvia o barulho de um trovão. Ela estremecia. Se assustava, e fechava o olho talvez para acalmar.

Não intendia o porquê de tanto pavor a trovoada, mas era a Madalena, a estranha Madalena. Peguei minha mochila que se encostava no velho sofá, e abri o bolso de fora. Peguei o maço de cigarro que lá tinha e levei um na boca.

Senti o olhar penetrante e perseguidor de Madalena acompanhar cada gesto que fiz. Ela devia estar em estado de choque. Acho que ela nunca me tinha visto fumando, nem desconfiava ou imaginava que eu o fazia. Mas pra tudo na vida tem uma primeira vez, né? Então…

Acendi e deixei a fumaça sair. Me senti mal por ela apenas ser uma mera espectadora e lhe estendi o cigarro.

_ Tome!

_ Não. Eu não fumo! Isso é ruim! – ruim? Ela estava julgando o quê afinal?

_ Alguma vez experimentou?

_ Não! Nem quero. – ela falava com tanta convicção que eu ficava que meio em duvida se ela falava por ouvir dizer ou por experiência própria.

_ Se nunca experimentou, como pode falar que é uma coisa ruim? Tome e certifique se é bom ou não.

_ Pra que está tão empenhado em me convencer a fumar? È pra depois ir correndo contar pra seus amiguinhos? – onde ela estava querendo chegar. Eu lhe ofereço tabaco, apenas pra não deixá-la com aquele olhar sempre virado pra mim e Madalena me vem falar em amigos?

_ Hey, eu apenas estou te dando a chance de experimentar. Quem falou em Afonso e Lucas?

_ Tenho certeza que vai contar pra eles o que eu aqui fiz. Sempre conta, e mais uma vez eu viro passatempo preferido deles. Não sei por que levam a vida pegando em meu pé. Não sei que mal fiz pra vocês? – ela falava baixo, bem baixinho. Sua expressão era triste, e ainda se fechou mais quando acabou de falar.

Não sei o que estava dando em mim, mas de um momento pro outro fiquei com pena dela. Sua forma de falar foi como se mostrasse desespero, como se esteve cansada de tudo isso, mas sempre se manteve forte para não desmoronar. ME senti de consciência pesada.

_ Porque fala desse jeito?

_ Porque é a real. Você e sua turminha sempre vivem pegando no meu pé. Desde os treze anos, desde o dia em que entrei pela porta do colégio. Vocês passam o tempo todo zoando comigo e se não é pela roupa, é pela bolsa, se não é pela bolsa é pelo cabelo, se não é pelo cabelo é por outra coisa qualquer.

_ As coisas não são assim. Na maior parte das vezes, apenas fazemos isso pra brincar um pouco!

_ E porque eu tenho que ser seu brinquedo? Por quê? Por quê eu, que nunca fiz mal pra ninguém?

_ Por que sempre foi a sonsa, a sem graça, o pãozinho sem sal! Sei lá! – não sabia bem por quê era ela, desde sempre foi!

_ Gostava de ir pra um lugar qualquer e ser xingado? Gozado? Zoado? Humilhado? Envergonhado? – não respondi ela sabia resposta. – Pois eu também não gosto!

_ Mas a gente não faz isso com intenções ruins!

_ De boas intenções o inferno está cheio! – reciproca, rápida e um pouco rude ela me respondeu.

_ Não conhecia esse seu lado impulsivo, liberalista e debochado! – comentei provocando.

_ Nunca se esqueça que sabe meu nome não minha história.

Frase forte! Mas com que então ela tinha história. Ela tinha uma história! Mas qual seria? E vocês pensam, por que não pergunta, seu gato gostoso? Aí eu respondo: Ela não vai falar pra mim, o que quer que fosse.

O silencio aterrou de novo. E eu dediquei toda a atenção pra meu rico cigarro. Mesmo com a atenção no cigarro minha cabeça fazia mil e um filmes sobre qual seria a sua história.

_ Com que então você tem uma história! – Tentar nunca custa.

_ Sabe que vida não se transparece apenas a bebida, cigarro e putas!

_ Está me julgando por quem? – não gostei dessa sua insinuação, mas manter a calma a cima de tudo é o mais importante!

_ Se liga Tiago! Você não passa de um moleque mimado que não tem noção das consequências! Vive de cunhas, de garotas e amigos.

_ Pelo menos eu os tenho já você vesse! – resposta certa na hora certa! Combinação perfeita!

_ Tá vendo! Talvez seja por isso que eu não tenho amigos. Porque sempre me julgam sem pelo menos me conhecerem.

_ Todos já te conhecemos. Não passa de uma nerd sonsa, virgem, idiota e sem graça, sozinha,e que ninguém dá bola. – Madalena sabia que era verdade o que eu falava, mas sempre susta admitir.

_ Pra ter amigos e companhias como você mais vale andar sozinha, mesmo! – como ela tinha o descaramento de falar desse jeito? Quem ela pensava que era mais uma vez?

Não me quis exaltar e me mantive sereno. Não era uma coisa sem vida como ela, que me tiraria do sério. Nenhuma outra conseguia, muito menos ela. Mais um trovão se fez ouvir e ela saltou de novo. Virou o rosto pro lado e fechou os olhos tentando acalmar do susto.

_ Tá vendo. Você é tão estranha que até tem medo de um trovão. Ninguém tem medo de trovoada! Apenas você, sua imbecil.

Vi um montão de cabelo esvoaçar em minha frente e depois dois olhos vermelhos e bem claros se vidrarem em mim.

_ Qual seu problema? Qual o problema de todos vocês, hein! Porque não me deixam viver minha vida? O que você tem a haver se eu tenho ou não medo de trovoada? Você me julga por isso, mas não sabe minhas razões. Se eu falar pra você que foi graças a uma tempestade idiota e a uma trovoada forte que eu vi, com meus próprios olhos, minha irmã morrer em minha frente. Se eu disser que todos esses anos minha família me culpa por isso! Você vai na mesma me chamar de sonsa? Eu sei que sim , e tem toda a razão é isso que eu sou mesmo, porque se eu tivesse mais atenção ela ainda estaria comigo, sendo minha única amiga. Visto que todos vocês apenas servem pra pedir trabalhos de casa feitos e pra me humilhar. E se até agora eu não chorei nenhuma vez na sua frente, mesmo tendo a maior vontade do mundo, mas tentando não dar esse privilégio pra você, agora conseguiu. Parabéns, queria saber minha história nua e crua, então ela é essa. Desculpa se te desiludi, mas eu sou assim e ninguém o mudará. E se quiser contar pra todo o mundo o que eu falai e se quizer que eu volte a ser o centro da maior chacota no colégio, esteja á vontade, já aguentei até agora, acho que ainda aguento mais um tempo.

_ Mas onde você vai? – ela passou a mão pelo olho e abriu a porta.

_ Apanhar ar! – saiu e depois bateu-a não com brutalidade mas calmamente.

Mas onde raio ela aí? Será que não entendia que o céu não tardava e voltava a cair aos pedaços?

Me levantei e fui atrás dela, mas não valeu de nada não a vi em lugar nenhum e não sabia muito menos em que direcção ela tinha ido…


POV MADALENA

Não sabia pra onde ia. O certo é que com tudo nem minha bolsa trouxe. Guardei tanto tempo esse segredo pra mim e não queria contá-lo pra ninguém, mas não aguentei, quando ouvi ele me chamar todos aqueles nomes.

Olhei pra trás e o certo é que não via a cabana em lugar nenhum. Era melhor parar, não podia esquecer que ainda era uma exploradora da floresta em volta. Não sabia muitos atalhos e os que sabia já não conseguia por a vista em cima. O que significava que já devia estar a uma distancia considerável do colégio.

Sentia meus olhos arderem, meu corpo tremer, meu coração apertar e tinha dificuldade em bombardear o sangue. Queria gritar, queria bater em alguma coisa, e a única á mão foi mesmo uma árvore. Mas depois do primeiro soco, desisti logo. Em minha mão se abriram logo fendas e delas acabou por escorrer fiozinhos de sangue. A árvore não servia pra socar, mas serviu de encosto. Deixei meu corpo escorregar por ela e acabei sentada no solo molhado. Já devem imaginar como minha roupa acabou! Cheia de lama e toda suja? Sim foi mesmo isso que aconteceu, ou até pior.

Em pouco tempo a chuva que eu achava que já tinha acabado, voltou e me encharcou de novo. Percebi que ainda tinha o casaco de Tiago vestido, me ficava grande, largo e não assentava em meu corpo.

Não queria voltar pra cabana, pois desconfiava que ele estivesse me esperando por isso me deixei ficar soluçando e mergulhando minhas lágrimas com as gotas da chuva, até achar que estava na altura de voltar.

Sequei minhas lágrimas e me armando em exploradora fui furando mais uma vez a vegetação, achando o caminho de regresso á cabana. Quando lá cheguei, entrei silenciosa. Tiago ressonava no sofá. Tirei seu casaco molhado e frio e me deitei, quer dizer sentei meio torta numa cadeira. Único lugar que tinha para dormir. A chuva não tinha meio de passar, e eu queria regressar o mais rápido possível pro colégio.


POV TIAGO

Acordei exaltado com um barulho qualquer. Olhei em volta será que ela tinha voltado? E era verdade, ela dormia toda torta numa forma muito estranha numa cadeira, em que ela mal cabia e que já devia ter uns anos, tendo em conta o seu estado.

Me levantei e andei até perto. Ela de fato não dava sinais de ter ouvido o barulho que eu ouvi. Pus a mão em seu ombro, estava frio. Peguei minha manta e cobri-a. Fui um idiota. Não devia ter falado daquele jeito com ela. Mas pedir desculpas eu não pediria. Nunca! Onde é que um cara como eu pede desculpa, principalmente para uma nerd sem noção nem direção? Nunca!

Pra falar sério eu confesso que quando me virei pra ela se trocar, não me virei verdadeiramente. Ainda vi alguma coisa. Quem diria que ela tinha assim tantas curvas. Passei a mão por seu rosto de leve, não queria acorda-la. Não sabia bem que horas eram, mas ainda era cedo, pra ela despertar.

Ainda não conseguia acreditar nesse negocio de sua irmã, e de morte. O que é certo é que não entendi nada. Quer dizer, até entendi só não percebi quais as razões da morte e porque Madalena era a culpada.

Sem me controlar, quando dei por mim estava acarinhando seu rosto e sorrindo. Mas que raio. Quem era eu? Quem ela era? E meu dedo? Porque estava se movimento daquele jeito doce?

Ela dormindo realmente era uma graça, era estranho ver aquele rosto angelical e frágil. E a parte que ela me saudou por eu a ter conseguido por a chorar. Madalena então não gostava que a gente se afirmasse…

Saí daquela doçura enjoativa e que não tinha fundamento nenhum e fui até minha mochila, peguei meu celular, tinha umas duzentas chamadas não atendidas de meu pai, sem contar com as mensagens de texto e de voz.

Desliguei-o tão rápido quanto liguei. Não queria que ele me encontrasse tão cedo. Afinal hoje, apesar de ser madrugada já era domingo, ou seja melhor dia da semana para se passar fora. E manhã talvez aparecesse de novo, muito mais preparado pra ouvir um sermão.

Ouvi a cadeira ranger e me virei. Madalena acordou. Me fixei nela e ela em mim por um tempo. Seu olhar triste, entristecia todo o seu rosto. Como eu fui otário. Mas porque raio eu estou pra cá me martirizando? Afinal ela é Madalena! Como eu posso ter pena dela? Não Tiago você não está com pena dela, isso é apenas sua mente falando mais alto. Seu coração não está nem aí pra como ela se sente! Se esqueceu? Não. Eu não esqueci!

….

Ela arrumou suas coisas e vestiu sua roupa.

_ Posso ficar aqui por mais um tempo? – perguntei acanhado e com medo da resposta. Afinal a cabana era dela, isso tínhamos que admitir.

_ Faça o que quiser. Me deixa em paz, é o que eu mais quero. – ela falou baixo, em tom de ignorância e de suplica ao mesmo tempo. Suspirando ao mesmo tempo.

Pegou sua bolsa e se dirigiu até á porta se preparando pra sair, só que uma força maior impediu-a. Tinha uma coisa entalada na garganta e precisava de a deitar cá pra fora, mesmo que ela me envergonhasse.

_ Desculpa! – falei baixo, mas ela ouviu.

_ Não quero nem preciso suas desculpas medíocres e falsas pra nada. Guarde elas pra você!...

Notas finais
O que acharam? Será que toda a história de Madalena está revelada? O que tem mais pra revelar? E Tiago? O que acharam dele?

Quero opiniões e não tolero menos de 24 reviews! ( chantagem, mas o provável é atualizar a fic amanha, por isso se liguem no Nyah e quem sabe não haverão novidades!)

ME falem se gostaram! è importante eu garanto.

Será que chego nos 100 comentários em breve?

Beijo pra todas,

Duda.