A Outra Face
1 Capítulo único
Notas iniciais
Primeira DenNor, talvez esteja um pouco OCC então me desculpem.
Boa leitura.
Ah,eu já ia esquecendo de avisar! Eu ia fazer vários capítulos, mas eles iam ficar muito pequenos por isso transformei em Oneshot, por isso a narração fica alternando e por isso que está dividido em 'atos'. ^^'
Primeiro ato: narrado pelo Noruega
Olhei para aqueles belos orbes violetas, seguindo depois para a testa coberta por finos fios de cabelo de um tom que beirava um loiro bem claro, tornando-o quase albino. “Ele realmente não é tão diferente de mim...”, eu pensava.
Emil comia biscoitos junto a Mr. Puffin, enquanto eu bebia uma xícara de café quente. A casa estava quieta, dominada por um silêncio incomum. “Há algo errado...”, eu pensava, olhando a entrada da cozinha, mas logo voltando a encarar meu irmão.
– O que foi? – disse Emil, com o olhar impaciente.
– Nada...
– Então porque você está me encarando, Lukas?
– Por nada. – respondi, monotonamente. – E me chame de nii-chan.
– Isso nunca vai acontecer... – disse, enquanto punha mais um biscoito na boca.
– Se vocês dois fossem mais inexpressivos, eu diria que não tinham sentimentos. – Emil e eu viramos os rostos à porta da cozinha ao ouvirmos aquela voz que nos era tão familiar. Só então é que finalmente percebemos a presença do dinamarquês na cozinha. Provavelmente ele acabara de acordar, pois os cabelos loiros estavam ainda molhados.
– Bom dia, Mathias.
– É. Bom dia, idiota. – eu disse, voltando a bebericar mais um pouco do café e posicionando a xícara sobre a mesa. – Acabei. Já que você demorou tanto para aparecer, se divirta arrumando a louça toda sozinho.
– Nossa, Lukas, como você é... – disse ele, com a voz manhosa.
– Eu não me incomodaria em te ajudar, Mathias.
– Ah! Obrigado, Emil! – ele deu uma breve pausa, ao que se pôs a me encarar. – Ainda bem que pelo menos tem você aqui! – riu ele esnobemente enquanto punha o braço em volta do ombro de meu irmão, como se tivesse vencido a maior disputa de sua vida.
Larguei minhas coisas na mesa e subi apressadamente para o meu quarto, sem nem ao menos olhar para os dois que eu deixara na cozinha.
Depois de atravessar o longo corredor e adentrar o pequeno cômodo onde eu dormia, bati a porta e pulei na cama, soltando um longo e abafado suspiro. Puxei o travesseiro e apertei-o com força. Qual era o problema dele?
– Mathias, seu idiota...
Escondi o rosto na almofada, para logo depois jogá-la com raiva contra a porta. O que estou fazendo? Por que aqueles sentimentos não iam embora?
Fiquei lá, deitado e esquecido, apenas ouvindo as vozes vindas do andar de baixo.
X-X
Segundo ato: narrado pelo Islândia
Eu estava a arrumar a louça junto de Mathias, apenas porque eu precisava desesperadamente falar com ele. Buscava palavras para iniciar o assunto, sem sucesso. Suspirei.
– O que foi, Emil?
– Ah... Nada. – eu disse, ao notar seus olhos pousados sobre mim.
– Tem certeza? – ele disse, enquanto puxava uma cadeira e sentava sobre ela, assumindo um semblante mais sério e raro de ser visto. – Pode falar comigo se estiver com problemas. – ele sorriu confiantemente.
Puxei uma cadeira e me sentei diante dele. Sabe-se lá quando eu poderia ter outra chance como aquela...
– Mathias, eu queria te perguntar algo. – falei rapidamente, indo direto ao assunto.
– Fale! – ele disse, com aquele sorriso confiante ainda no rosto.
– Bem... – dei uma breve pausa, afinal, aquelas palavras não eram assim tão fáceis de se dizer. – O que você acha do meu irmão?
Ele abriu um grande e torto sorriso, deitando o tronco sobre a mesa. “O que você quer dizer com isso, Emil?”, disse, rindo.
– É que ele tem agido estranho, entende...
Ele levantou a cara e começou a me encarar. Senti meu rosto esquentar, me fazendo desviar a face já escarlate. Mathias sorriu novamente, mas desta vez de uma forma mais reconfortante.
– Você realmente se importa com ele, não é?
Senti meu rosto esquentar ainda mais.
–... Isso não é problema seu. É normal que nos importemos com os que moram conosco, certo?
O silêncio se manteve entre mim e o dinamarquês por uns poucos segundos. O que será que se passava em sua mente?
– Mas, então... – eu disse, interrompendo a quietude formada entre nós. – Você sabe por que ele está agindo tão estranho? Quero dizer... Vocês são bem próximos...
Ele pareceu surpreender-se com minhas palavras, pois ergueu a sobrancelha o mais alto que podia e passou a apresentar uma expressão risonha e constrangida.
– Eu não sei. Desculpe, Emil. – disse, levantando-se.
Levantei-me também. Ainda meio envergonhado, peguei Mr. Puffin nos braços, já que ele adormecera sobre a mesa nesse meio tempo, e andei calmamente em direção à sala.
– Obrigado por tudo, Mathias, e agora, se me der licença, vou à casa de Tino cuidar do pequeno Peter. – disse, enquanto pegava meu casaco e fazia uma pequena reverência.
Retirei-me para as frias ruas da cidade, acompanhado de perto pelo dinamarquês. Apesar de estranhar o fato de ele seguir-me, não contestei. Continuei a andar em frente, apenas observando-o de esguelha.
– Não se preocupe com o seu irmão, ok? – ele disse de repente. Sua voz era um tanto calma e séria, o que me deixou levemente surpreso.
Com um sorriso tímido, concordei. Sai andando rua afora e, quando olhei para trás novamente, o dinamarquês já havia sumido. Continuei rumando pelas ruas brancas e frias, dominadas pelo típico inverno nórdico, sem voltar a desviar o olhar do caminho à frente.
X-X
Terceiro ato: narrado pelo Dinamarca.
Depois de acompanhar Emil por certa distância, voltei para casa. O frio estava forte e fiquei feliz quando pude fechar a porta, deixando o inverno do lado de fora. Olhei para a escada que levava ao andar de cima. Algo me incomodava profundamente.
– Tá muito quieto... – eu disse, começando a subir os degraus, apressado.
Eu não via Lukas há quase uma hora. “Deve estar no quarto”, pensei. Acelerei pelo corredor e abri a porta do quarto do norueguês, deparando-me com ele sentado no canto de cama, encolhido. Quando finalmente se deu conta de minha presença, levantou-se de um salto.
– O que está fazendo no meu quarto, idiota? – ele falou com a típica cara de desinteresse.
– Eu estava te procurando.
– O que você quer?
– Ah... O seu irmão foi à casa de Tino para...
– Cuidar de Peter. Eu sei. – interrompeu-me.
Qual era o problema dele? Talvez Emil tivesse razão e algo realmente estivesse errado com Lukas. Eu o conhecia há muito tempo,já que éramos amigos de infância, e eu podia perceber facilmente que ele estava ainda mais distante e frio do que normalmente era. Permaneci em silêncio, sem saber ao certo o que eu deveria falar.
– Se não tem mais nada a falar, saia. – disse, apontando-me a saída.
Aquela era a gota d’água. Empurrei-o contra a parede, segurando-o pela gola da camisa branca listrada. Quem ele pensa que é? Ele se assustou e empalideceu.
– Para de preocupar os outros, idiota! – gritei, sendo levado por uma ira inexplicável, ainda segurando-o firme.
Ele olhava-me incrédulo. Talvez estivesse assustado, mas também não posso dizer ao certo, pois ele logo tombou a cabeça levemente para frente. Comecei a senti-lo tremer em minhas mãos.
– Me deixe em paz, Mathias! – ele falou alto, empurrando-me com força.
Assim que se viu livre de mim, suas pernas falharam e ele caiu com tudo no chão. Estava trêmulo e escondia o rosto entre os dedos. Senti-me culpado, confuso e surpreso: era um verdadeiro tornado de emoções. Continuei a observá-lo, imóvel. Eu simplesmente não sabia o que devia fazer ou dizer, já que aquele tipo de situação nunca ocorrera antes. Poder realmente vê-lo expressando tantas emoções, de uma maneira tão transparente, era algo que eu nunca esperara.
– Ai, Lukas... Levanta, vai... Eu não vou mais brigar com você. Ok?
O menor continuava sentado no chão, imóvel. Suspirei e sentei diante dele. O que eu devia dizer? O que eu devia falar? Porém, tudo que fiz foi continuar a olhar diretamente para ele. “O que está havendo com você, Lukas?”.
Ficamos lá, sentados no chão do quarto do norueguês, sozinhos e calados, sem que qualquer palavra ou olhar fosse trocado entre nós.
X-X
Quarto ato: narrado pelo Noruega
Depois de quinze minutos, finalmente fui capaz de me acalmar. Eu me descontrolei, e, para piorar, Mathias tinha visto tudo. Sentia-me envergonhado. Retirei as mãos do rosto, deparando-me com o loiro a me obsevar atentamente. Senti minha face esquentar um pouco.
– Pare de me olhar, idiota... – falei, voltando ao meu tom de voz normal.
– Ah! Voltou a ser o Lukas! Que bom! – disse, rindo, enquanto um sorriso estúpido se formava em seus lábios.
Devo deixar claro que o comentário feito pelo dinamarquês só serviu para me constranger ainda mais. Abaixei o rosto, constrangido e com raiva, tanto dele quanto de mim mesmo. Abri a boca com a intenção de falar, mas ele foi mais rápido.
– Desculpa.
Levantei o rosto e olhei para Mathias, surpreso. O mesmo encontrava-se com uma expressão ressentida no rosto.
– O quê? – eu disse, deixando transparecer um pouco da minha surpresa.
– Desculpe por ter gritado com você... Eu não devia ter feito aquilo. – disse, encolhendo os ombros.
Senti meu coração apertar-se. Emoções que eu sempre mantive trancadas dentro de mim começaram a invadir-me o peito, fazendo-me corar outra vez, mas mais intensamente, agora.
Eu sempre gostei do dinamarquês e esses sentimentos nunca me foram desconhecidos. No dia em que o vi pela primeira vez, eu percebi instantaneamente que ele me traria problemas. E eu estava certo — daria para escrever um livro inteiro só contando tudo pelo que ele já me fez passar. Mas, mesmo assim, eu não pude evitar me aproximar e, consequentemente, me apaixonar por esse idiota. E as coisas só têm se tornado ainda mais complicadas nos últimos tempos — mais especificamente, desde que comecei a conviver diariamente com meu irmão.
– Mathias – minha voz deve ter saído estranha, pois ele me olhou curioso e surpreso. – Quem você prefere: o Emil ou eu?
Meu rosto esquentou, fazendo-me abaixar a cara para esconder a vermelhidão que me tingia a face. Porém, logo voltei a levantá-la ao sentir uma mão acariciar-me carinhosamente os cabelos loiros, deparando-me com o sorridente dinamarquês, enquanto um riso incrivelmente alto e histérico ecoava pelo ar.
– Emil é especial para mim... – senti um súbito puxão, e, quando percebi, estava entre os braços do maior. – Mas você sempre será o meu melhor amigo, Lukas.
Melhor amigo? Tive vontade de espancá-lo. E espancá-lo com todas as minhas forças! Uma enorme dor me invadiu o peito e eu sentia-me despedaçado por dentro. Já ia empurrá-lo para longe com força, quando senti uma mão levantando-me de repente o rosto.
– Brincadeirinha! – ele disse, um pouco antes de juntar nossos lábios.
O beijo foi quente, úmido e rápido, pois logo ele voltou a se afastar.
– Lukas?
Lágrimas escorriam pelo meu rosto vermelho. Apenas me mantive na mesma posição, imóvel, olhando o loiro que agora coçava a cabeça.
– Você está bem? – ele me perguntou, mas permaneci quieto, mordendo o lábio inferior.
– Acho que me precipitei, não foi? Bem... – ele coçava a cabeça e olhava para o lado, e sua voz possuía um quê de arrependimento. – Esquece o que houve, ok? Foi o impulso, sabe?
Ele suspirou e começou a dobrar os joelhos a fim de se levantar, mas puxei-o pelo braço para interrompê-lo, fazendo-o cair sobre mim.
– Lukas? – a voz do dinamarquês mostrava surpresa.
– Eu te amo, Mathias, seu idiota! – eu o agarrei pela gravata, puxando-o com força, e o beijei.
Ele demorou um pouco para compreender tudo o que ocorria, mas, quando finalmente absorveu todas as informações que eu lançara sobre ele tão bruscamente, devolveu-me o beijo e não demorou a me invadir a boca. Nossas línguas se roçavam com força e eu sentia leves mordidas de vez em quando. Separamos-nos novamente, mas dessa vez para recuperar o fôlego. Só então é que percebi que estava sentado entre as pernas do loiro e que estava rodeado pelos seus braços em um forte e aconchegante abraço.
– Pensei que você tinha se esquecido de mim... – eu dei uma breve pausa. – Depois que Emil veio para cá você começou a dar muita atenção a ele. – eu disse, envolvendo a cintura do maior com meus pequenos braços.
– E por quem você acha que fiz tudo isso? Lukas, eu sei o quanto o Emil significa para você.
Acabei fazendo uma coisa que não fazia há muito tempo na frente dos outros: sorri.
– Sabe... Adoro esse seu sorriso.
– Fique quieto e me beije logo, seu idiota. – eu disse, sentindo-me corar novamente.
Notas finais
Sim, estou preocupada porque adoro este casal e foi isso que me levou a arriscar a escrever uma fic deles. Dei meu melhor, mas sei lá...
Espero receber a opinião de vocês.
BJJS! ^^
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