A Outra Alice
1 Escola
Notas iniciais
Acordei com minha mãe passando as mãos sob meu cabelo, desde a minha volta ela age assim, entendo o que ela sente, infelizmente não sei como “me expressar”. Minha irmã disse que a última vez que me viu chorando foi quando minha lagarta azul criou o casulo dela e lá ficou por um tempo, na verdade ela ainda esta lá. Eu acho.
Hoje irei para a escola pela primeira vez desde que saí do 'hospital para tristes' como minha mãe chama, ou inferno, como eu chamo. Chegando lá ninguém me olhou com uma expressão estranha. Ninguém gritou 'Olha a louca!'. Ninguém fez nada, e isso era... Diferente. Pela primeira vez ninguém passou por mim cochichando coisas más sobre mim.
Meses se passaram, minha rotina era sempre a mesma. Acordar, tomar café, trocar de roupa, pegar o ônibus para a escola, voltar para a casa de carona com minha irmã, jantar, tomar banho e depois dormir. Essa rotina não era perfeita, mas eu gostava.
Certo dia, perdi o ônibus, como ninguém poderia me levar fui a pé. Passei por pessoas estranhas fazendo coisas estranhas, um homem vendendo chapéus estranhos na frente de uma cafeteria, na qual não havia café e sim chá! Uma moça de vestido vermelho rodado reclamando para uma florista que recebeu rosas brancas quando havia pedido rosas vermelhas, um homem com maquiagem de gato fazendo mágica, uma jovem moça com vestido branco que ‘vendia’ flores por sorrisos e um senhor de cabelo branco correndo e gritando que estava atrasado!
Contar isso para minha mãe foi um erro. Ela lembrou que o motivo de minha ida pro ‘hospital para tristes’ era um sonho estranho. Esse sonho havia acontecido novamente hoje, porém dessa vez era com pessoas reais, na vida real. Na hora ela me deu um biscoito, dormi. Quando acordei já estava dentro do carro. Quando me viu acordar me fez tomar uma pequena garrafa de água, dormi novamente. Quando abri os olhos a única coisa que vi foi uma borboleta azul indo em direção de uma placa, nela dizia: Sanatório País Das Maravilhas a 2KM.
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