A Origem da Ordem
4 Ratko
Ratko Proelium já havia feito trinta e três anos. Tinha cabelos lisos e escuros que sempre estavam bem penteados para trás, também nunca deixava a barba por fazer. Mantinha uma boa aparência todo o tempo. Estava sempre sério, dificilmente sorria.
Ratko conhecera Alexandru já havia seis anos. Quando o conheceu o único que o acompanhava era Milivoj. Alex nem sonhava com a criação dos Sete Irmãos. Na verdade nunca sonhou, foi algo que surgiu meio que de forma espontânea, ou terá sido o destino. Os conheceu em Mendacium de Ergálios, onde ficava seu castelo.
A história de como Ratko descobriu as suas habilidades era misteriosa, assim como a história de seu passado. Ele já tinha conhecimento do Olho de Lua antes de conhecer Alex. Só se sabe que ele perdeu a esposa, que morrera de causas desconhecidas, e também os pais que a muito já haviam partido desse mundo.
Era um nobre e muito influente. Foi ele quem levou ao rei a trágica história de Alexandru, para ajuda-lo a obter justiça. Depois disso, Alex e Milivoj o convidaram a se unir a eles e partirem em busca de mais conhecimento sobre o Olho de Lua. Após aceitar aquela proposta, Ratko deixou um castelão no seu lugar em Mendacium.
Depois de toda aquelas lembranças, agora, se via na frente de uma taberna. Tinha dois homens jogados ao lado da entrada, fediam e estavam adormecidos. A taberna não tinha beleza alguma, mas mesmo assim atraia um bom número de homens. Ele passou pela pequena e velha porta de madeira para entrar.
Dentro estava um pouco cheio e barulhento. Avistou Lyuben bebendo nos fundos do estabelecimento. Estava sentado em um banco, apoiava a caneca de cerveja sobre o balcão entre cada golada. Ratko se aproximou e se sentou ao seu lado.
— Não foi difícil achar você. – Disse.
— Vai querer alguma coisa? – O taberneiro perguntou a Ratko. Era um velho qualquer, com uma grande barriga.
— Não. – Respondeu.
— Então saia e deixe outro se sentar!
— Você não sabe quem somos não é? – Perguntou Lyuben ao taberneiro, depois abriu um longo sorriso.
— E nem me interessa. Ou o seu amigo se levanta ou o tirarão a força.
Lyuben se virou ainda sorrindo para Ratko, que estava com uma expressão de tédio. Depois se levantou rapidamente, desembainhou sua espada e colocou a ponta encostada no pescoço do taberneiro. Pressionou, fazendo escorrer um filete de sangue, aquilo acabou atraindo a atenção de todos para eles.
— Eles são dois daqueles novos mercenários do rei! Aqueles que se chamam de Sete Irmãos! – Gritou um dos homens.
— É ver... verdade? – O taberneiro tinha medo na voz.
— Eu poderia matá-lo como um porco agora. – Disse Lyu sorrindo.
— Chega. Vamos embora. – Falou Ratko já se levantando.
Lyuben olhou para ele por um instante depois o seguiu, ficou com uma expressão de que se sentia contrariado. Na saída alguns homens bloqueavam a porta com qualquer coisa em mãos improvisando armas.
— Onde pensam que vão? – Disse um homem alto, com uma garrafa quebrada nas mãos. – Vamos ver se são tão fantásticos como dizem por aí.
— Que maravilha muitos porcos para o abate. – Disse Lyu.
— Não. – falou Ratko colocando a mão esquerda sobre o peito dele. – Não temos tempo para isso. – Abaixou o braço e fez uma pequena pausa. – Isso vai ser tão inconveniente. – Fechou os olhos por um segundo.
— Mate todos! – Gritou Lyuben.
Quando Ratko voltou a abrir os olhos tudo aconteceu tão rápido que pareceu ter sido ao mesmo tempo. A porta da entrada explodiu para o lado de fora e também grande parte da parede. Todos os homens que estavam no caminho foram jogados para fora da taberna.
Depois que a poeira abaixou Ratko e Lyuben saíram calmamente da taberna para a rua, passando pelos escombros e pelos homens, alguns tinham membros quebrados e outros estavam inconscientes. Pararam por um momento para analisar o estrago. Ouviam-se gemidos dos que foram atingidos pela onda de poder de Ratko.
Ambos começaram a caminhar.
— Pensei que estivesse com uma rameira. – Ratko parecia querer puxar assunto.
— Não, elas são sujas.
— Não tente me fazer de tolo. Este não é o motivo de você não estar com uma. O real motivo é que tem sentimentos por Annie.
— Cale-se! – Rugiu Lyuben.
— Cresceram juntos, mas nunca se viram como irmãos, não... Sua ligação com ela é outra. Creio que Alexandru não aprovará.
— Ele não tem o direito! – Lyu cerrou os punhos por causa da raiva que sentia.
— Talvez não. Mas isso não irá impedi-lo de ficar entre vocês. Mas você pode tê-la independente do que ele ache.
— Como, como posso tê-la?
— Basta você fazer tudo que eu disser a partir de agora. Basta você ser leal a mim.
— O que? Como assim? Não entendo... No que isso irá me ajudar? – A confusão era mais que perceptível em Lyuben.
— Apenas confie em mim.
— Hum... Sim. – Hesitou por um instante. Mas falou a palavra que eu queria ouvir. Pensou Ratko.
— Ótimo. Venha, vamos para o casarão. Lembre-se, faça o que eu disser a partir de agora e você terá Annie o mais rápido possível.
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