A Origem da Ametista Negra
3 Esperança
O som da porta se fechando indica o final de mais um dia na vida de Gwen Stacy. Ela caminha em direção as escadas e antes de subir olha para um retrato seu e de Peter pendurado na parede, sua mãe não teve coragem de tirar, muito menos após descobrir que o mesmo decidiu trocar sua vida pela de milhares de civis, incluindo a de sua filha, naquele fatídico dia.
As palavras que antes ecoavam dos lábios de Gwen com frequência se tornaram raras. O corpo, que mais parece uma carcaça vazia se movimentava de forma quase que automática para realizar as tarefas do dia-a-dia. Estava claro que naquela ponte morrera não só Peter Parker, mas Gwen Stacy.
Ao chegar em seu quarto as mesmas ações que se tornaram rotina. Logo na entrada ela retira os sapatos e se senta na cama balbuciando um leve choro seguido pelas palavras quase que inaudíveis:
— Foi minha culpa...
Após alguns minutos, enxuga as tímidas lágrimas e liga a televisão para tentar se distrair. Surpreendentemente, mais uma matéria sobre a história do Homem-Aranha está passando. Normalmente, Gwen desligaria o televisor e deitaria-se na cama para descansar mas desta vez decidiu ver a reportagem até o final.
— Sem dúvida foi um herói. Ele trocou sua vida pela de milhares de civis que estavam na Golden Gate sem hesitar.
As filmagens a seguir são de feitos do Aranha. Ela já estava acostumada com a maioria delas, pois sempre ficava preocupada com Peter quando ele dizia que iria sair para "trabalhar", ela sabia que na maioria das vezes, o seu trabalho seria noticiado no jornal da tarde e o assistia para se certificar de que estava tudo bem. Em meio a seus pensamentos, Gwen repara que a jornalista chamada menciona seu nome e decide prestar atenção na mulher:
— A Sr. Stacy se recusa a conversar com os jornalistas.
Tentamos contato com sua mãe e a mesma pedira para que déssemos um tempo para que ela possa esfriar a cabeça, aparentemente todos os jornalistas entenderam o recado e respeitam a garota que está em estado de choque. É com você Brick.
— Obrigado Suzanne. Acabo de ser informado que o Puma foi visto junto ao Dr. Octavius, conhecido por muitos como Dr. Octopus. Com os índices de criminalidade subindo e a dificuldade da polícia em controlar a situação era de se esperar que começassem a surgir alianças neste meio.
A televisão é desligada e a única coisa que preenche a sala é a respiração pesada de Gwen. Seus dedos se entrelaçam apoiado em seus joelhos até que a seringa contendo o sangue que ela pensara que fosse primeiramente do Duende Verde escorrega de trás de seu computador e seus olhos fixam nele por minutos que parecem séculos até que meio hesitante, Gwen se levanta e se dirige à sua bancada. Cada passo é uma frase, uma memória que aflora misturando todos os sentimentos da garota de forma com que nem palavras pudessem descrever tal emoção. Ao olhar para o sangue ela estende a mão e recita a seguinte frase:
— Por você, Homem-Aranha.
Nas semanas seguintes Gwen se prepara psicologicamente para fazer algo que poderia custar sua carreira caso desse errado. Ao chegar no laboratório, ela se dirige para seu centro de pesquisa, aonde previamente fora raptada. O local está concertado, nada de buracos nas paredes, vidros quebrados, etc... Facilmente confundível com um local novo em folha.
Como de costume, a garota foi a primeira a chegar. Colocou seu jaleco, prendeu o cabelo e pegou a amostra de sangue que viria a analisar. Enquanto trabalhava foi surpreendida novamente por Norman Osborn que diz:
— É muito bom tê-la conosco novamente, Sra. Stacy. Lamento por sua perda.
A resposta de Gwen é um olhar tímido e confuso.
— Vou deixar você trabalhando, contratei dois ajudantes para você. Eles possuem recomendações ótimas de um amigo meu, Curtis. — Disse Norman enquanto se dirigia a saída — Eles devem chegar em breve.
Gwen decidiu se focar somente na amostra. Era uma forma de se distrair e mergulhar num universo que existe somente o desconhecido. Passaram-se algumas horas trabalhando até que alguém a tira de seu “mundo”. Ao virar-se, a garota se depara com um menino de aproximadamente dezessete anos e uma menina aparentemente da mesma idade:
— Oi...? — Disse o garoto meio confuso. — Você é a Sra. Stacy?
— Me chame de Gwen. — Respondeu na esperança de encerrar o assunto e voltar ao que a interessava.
— Então tá... Eu sou Bruce e esta é Hilary. Somos os seus novos ajudantes.
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