A Ordem dos Shinigamis
3 Halloween: Dançando no Escuro
Notas iniciais
Centro de Treinamento da Ordem, 27 de Outubro.
Meses se passaram desde o acontecimento que levou a morte de Joshua. O clima no Instituto havia mudado, todas as avaliações físicas e psicológicas propostas aos recém-chegados estavam mais rígidas que o normal. Alguns acabaram desistindo no processo, outros se queixavam e questionavam o motivo por aquilo estar ocorrendo. O Halloween está se aproximando. Para os humanos, esta data é vista como um evento tradicional e cultural que é mais celebrado em países de lingua inglesa. Para as criaturas sobrenaturais, é o dia em que o mundo sobrenatural entra em colapso com o mundo humano e diversas criaturas demoníacas ficam livres para agirem entre os mesmos. Talvez este seja o motivo para tanta rigidez no processo seletivo? O desespero?
Um grande volume sonoro ecoou por todo o campo de treinamento, vinha do apito de Brandon, que observava todos os aprendizes em meio ao campo – Atenção, Aprendizes! Venho aqui em nome de todos os instrutores para parabenizar todos vocês pelas avaliações. Se todos vocês estão aqui hoje, significa que todos vocês estão aptos a serem os aprendizes que estamos procurando, talvez um membro da Ordem. Mas sem mais delongas, venho anunciar que todos vocês estão liberados para curtirem os eventos no mundo humano. – Pausou um pouco, ficando a espera do burburinho causado pelos aprendizes cessar – Mas não comemorem muito, estes eventos também serão usados como uma forma para avaliação. Vocês sabem que diversas criaturas demoníacas são vistas perambulando entre os humanos, são muitos e ultimamente a Ordem conta com membros insuficientes. Assim, peço a ajuda para todos vocês cooperarem, e nos ajudem com o processo de limpeza. Será liberado o uso de espadas e armas sobrenaturais, MAS APENAS PARA USO CONTRA OS SERES DEMONÍACOS! – Deu ênfase no final, aumentando sua voz. – Estamos entedidos? Estão liberados! – Assentiu para os aprendizes em despedida, dando seus primeiros passos em direção a saída.
– TIO! – Judy apertava os passos para aproximar deste, segurou seu braço e o fitou com uma de suas enormes sobrancelhas arqueada. – Tudo bem, eu sei que você esteve ocupado durante todo esse tempo. Mas acho melhor parar de me evitar, aconteceu algo?
– Eu já disse o que me liberaram a dizer, Judy. Não se preocupe, estou bem. – Respondeu Brandon, sorrindo de canto para Judy que ainda o encarava.
– Sim, mas agora meio que temos um problema. Meus pais sumiram, você virá comigo? Quero passar mais tempo com você. – Olhou insistente para Brendon, ainda sem deixar de segurar seu braço.
– Judy, eu.. Me desculpa, mas não vou poder ir com você desta vez. Fui encaminhado para uma missão, e sabe que não temos muitos membros disponíveis. Mas eu prometo que na proxima oportunidade, nós iremos passar mais tempos juntos. Ok? – Brandon puxou o braço vagarosamente sem deixar o sorriso desmanchar de seu rosto.
– Tudo bem. Mas onde ficarei? A pessoa mais próxima que tive em Georgia foi a Dona Elizabeth e a última vez que a vi, uma criatura arrancou o coração dela.
– Se você não se importar, pode ficar na minha casa. – Respondeu Sebastian que se aproximava de ambos – Ou se quiser pode ficar na casa da Quinn, ela está precisando de uma companhia..
– Viu? Creio que você não terá muitas dificuldades pra achar um abrigo, Judith. Bom, tenho que ir. – Acenou para os dois em despedida, retomando seu caminho até a saída do lugar.
– Tudo bem, até mais. – Retribuiu o aceno para seu tio, voltando olhar para Sebastian – Com Quinn? Desde que aquilo com Joshua, ela só quer saber em foder, beber e dormir! Não creio que ela precise de mim. Bem, vamos? – Indicou com a cabeça em direção a saída para Sebastian, que assentiu concordando e seguiu com esta até o dormitório.
Georgia, 30 de Outubro.
"Por que sexo é um tabú? Por que as pessoas se apavoram ao escutarem essa palavra tão prazerosa? S-E-X-O. Ainda está pra surgir algo mais prazeroso que isso, algo mais prazeroso que sentir o corpo caloroso de uma pessoa sobre você, algo mais prazeroso que admirar toda a desenvoltura que somos capazes de provocar. Ah claro, tem a comida mas.. " – Quinn interrompe sua escrita quando Caleb abre a porta bruscamente
– QUINN! O que ainda está fazendo nessa cama? – Perguntou Caleb que olhava para o corpo despido do rapaz que estava na cama – Sério que vocês dois ainda estão aí? Ele é gostoso, mas você tem uma vida e são cinco horas da tarde.
– Caleb, o que eu disse sobre entrar no meu quarto sem bater mesmo? – Encarou Quinn, com uma expressão furiosa. – É o meu quarto! Meu santuário! Minhas regras! – Guardou o seu diário na pratileira da mesa de canto, levantando da cama em um salto – Mas pode falar, com um homem desse na cama é bem dificil sair.
Os dois caíram na gargalhada ao olharem o homem dormindo nú na cama, que desperta com o barulho.
– Ei, tem algum problema? – Perguntou o rapaz para Quinn enquanto coçava os olhos, arqueando uma das sobrancelhas e cubrindo as suas partes intimas ao ver Caleb ao seu lado – Espera, o que esse cara está fazendo aqui?
– Eu moro aqui, querido. Eu que me pergunto porque ainda não transei com você. – Ajeitou os óculos enquanto encarava a parte não coberta de suas pernas.
– Tudo bem, Drake. Nossa noite foi perfeita, a manhã também mas.. você precisa ir, ok? – Disse Quinn após conseguir conter a risada, entregando as calças do rapaz. – Caleb tem razão, eu preciso viver.
– Só isso? Nem um "Obrigada" ou um "Te ligo mais tarde"? – Perguntou o rapaz enquanto se vestia, expressando indignação em seu rosto e tom de voz.
– Sim, apenas. Talvez algum outro dia quem sabe você possa me encontrar bêbada e solitária por aí. – Respondeu Quinn, jogando a camisa fortemente contra ele – Agora dê o fora daqui antes que meu sub-consciente te ataque e não deixe você sair daqui.
– O que são vocês? Vocês são doentes! – Diz Drake terminando de se vestir, apertando os passos em direção a saída do quarto, e sendo conduzido pelos dois em risadas até a saída da casa.
– Ei, a Quinn não quer você. Mas será bem vindo no meu quarto, ok? – Provocou Caleb quando Drake cruza a porta de entrada, caindo na gargalhada após – Ok, depois dessa nenhum homem do bairro vai querer falar com a gente.
– Só estou retribuindo o tratamento que eles nos dão. Sou a melhor professora de bons modos da região, Caleb. – Lançou um beijo no ar para seu amigo, acompanhado de uma piscadela. – O que faremos hoje? Quer ir para uma balada?
– Uma balada em véspera de Halloween? Os instrutores devem estar mais que decepcionados com a gente.
Estes retornam aos seus respectivos quartos para começarem a se preparar para o que esperavam ser a noite do ano, ou melhor, da semana. No lado de fora da casa, Drake encarava a casa ainda indignado com aquela situação. Não curtia ser rejeitado, talvez aquilo fosse seu pior pesadelo. Este usava trajes de marcas invejáveis, seu carro esportivo avermelhado chamava a atenção até dos mais leigos no assunto.
– Quem ela acha que é? Pode ter um puta corpo gostoso, ou ter aquela pele macia que me deixa louco. Mas ainda não é ninguém pra me dispensar, não é NINGUÉM! – Disse Drake em um tom de voz alto, apanhando uma pequena pedra que estava sobre a grama e lançando em direção a casa. – Ninguém me rejeita, vadia!
Ao ver que não conseguiu atrair a atenção de Quinn, apertou os passos até o seu carro. Do interior do carro, retirou o celular que naquele momento estava lotado de mensagens de seus pais.
– Ótimo, o que estes coroas querem agora? – Discou o número de retorno, penteando o seu cabelo no retrovisor do carro durante a espera. – Alô? Mãe? – O sinal do celular começa a enfraquecer, deixando de receber em instante – Ótimo, está tudo dando certo hoje!
O rapaz insistiu na chamada durante toda a estrada, estranhando que mesmo já distante do bairro de Quinn, ainda sofria com a ausência de sinal. Durante mais uma tentativa, notou um forte brilho avermelhado vindo de seu retrovisor, o que leva o mesmo olhar para o banco traseiro instintivamente – Que merda foi essa? – Voltando seu olhar para o retrovisor, foi surpreendido com a presença de um homem encapuzado.
Centro de Buckhead, 30 de Outubro
A noite de sexta-feira contribuindo com todo o clima de Halloween, deixou todo o centro do distrito de Buckhead com uma grande circulação de turistas. O distrito não era um French Quarter da vida ou todos aqueles bairros com tradições sobrenaturais, mas conseguia atrair curiosos por conta de suas casas de shows e restaurantes. Entre eles temos o The Sanctuary, que naquela noite apresentava um repertório de variados DJ's famosos pela região.
– Íncrivel que mesmo você se arrumando cedo, ainda temos o dom de chegar atrasados. – Quinn revirou os olhos ao fitar a entrada do Sanctuary, chamando a atenção ao ver um jovem que trajava umas vestes parecidas com as de Edric – Espera, aquele é o.. – Deu passos vagarosos até o rapaz, parando em sua frente – Montoya?
A relação de Quinn com o herdeiro dos Montoya estava abalado desde a ultima noite de sexo que tiveram, já que assim como Drake e incontáveis rapazes, Edric foi dispensado por ela.
– Quinn? O que está fazen.. Deixa pra lá, pergunta tola! – Terminou de pagar seu bilhete de entrada, movimentando-se para dar os primeiros passos até a entrada.
– Espera! – Quinn estende a mão até seu peitoral, impedindo a passagem – Me desculpe por te envolver naquela situação, por ter feito você ser mais um. Edric, você é uma das pessoas mais especiais que conheci no instituto, me ajudou bastante em momentos que estive bem pra baixo. Me desculpe por ter feito você se apaixonar por mim, por ter feito você sofrer. – Fez uma pausa, olhando para todos os detalhes do rosto de Edric que naquele momento parecia não saber como agir – Eu não quero perder você, Ed. Vamos voltar a sermos aquela dupla de antes? Tem uma balada inteira esperando por nós.
– Não, eu que fui trouxa a ponto de achar que você pudia sentir algo por mim. Não precisa se desculpar. E sim, temos uma balada inteira esperando por nós. – Respondeu Edric forçando um entusiasmo – Vamos?
– Vamos! – Respondeu Caleb por Quinn já com os dois bilhetes de entrada em mãos, entregando para o segurança.
Ao cruzarem a porta de entrada, uma cortina de fumaça rodea ambos os jovens, sendo aquele um sinal que de acordo aos realizadores da festa, estariam entrando em um outro mundo. Adentro da casa noturna, uma grande concentração de jovens de diversos países, gêneros e etnias podiam ser vistos por alí, dançando ao som de Scary Monsters and Nice Sprites¹ que os contagiavam.
– Ótima recepção! – Diz Caleb já mirando dois jovens aparentemente homossexuais que o encaravam no bar – Vocês querem vodca? Trago já!
Caleb anda com dificuldade rumo ao bar, deixando Quinn e Edric a sós em meio a alguns jovens que os rodeavam e os provocavam com gestos e expressões.
– Estou vendo que Caleb não vai nos encontrar por hoje. – Edric sorriu ao ver Caleb já conversando com os dois rapazes
– Ele merece, é um grande amigo. – Quinn gesticulou com as mãos para que Caleb permanecesse por alí, olhando para Edric ao ouvir a batida que indicava a entrada da música "Cinema"², outro remix de Skrillex – Eu amo essa música! Me acompanha?
Antes de obter qualquer resposta, Quinn envolve-se entre os braços de Edric enquanto o conduzia até o centro da casa noturna. Em poucas horas, Quinn e Edric já podiam se encontrar tomados pela embriaguez e pelas batidas das músicas que fazem parte do repertório do DJ.
– Quinn! – Gritou Edric tentando chamar a atenção de sua amiga, que estava dançando com duas outras garotas – Ei, vocês podem me emprestar ela um pouco?
– O que houve, Ed? Vamos curtir! – Segurou firmemente o braço do rapaz, sacudindo-o
– Fiquei meses sem falar com você, creio que não vou conseguir passar mais algumas horas vendo você sem sentir vontade de beijar sua boca. – Antes dela intervir, Edric a puxa para mais próximo e a preenche com um beijo em sua boca, movimentando-se lentamente seu corpo para que ela a acompanhasse ao som de Runaway³.
Caleb encontrava-se no bar em um estado de embriaguez aparentemente maior que o de Edric e Quinn, tanto que após um tempo os dois rapazes que estavam conversando com ele saíram por conta das piadas nada engraçadas que ele lançava.
– Ei, amigos! Onde estão vocês? – Pergunta Caleb entre risadas enquanto caminha pela multidão, procurando algum sinal de Quinn e Edric. – QUINN? ED? – Bradou o jovem, que após um tempo os encontra aos beijos – Sério isso? – Perguntou a si mesmo, andando com dificuldades entre as pessoas em direção a eles. Próximo aos seus amigos, Caleb depara-se que próximo a eles é possivel notar a presença de um homem encapuzado, que no interior do capuz era revelado apenas duas orbes avermelhadas. – QUINN!
Bradou Caleb mais alto possível para chamar a atenção de sua amiga. No momento em que cessam os beijos, o homem encapuzado retira de seu bolso uma adaga de lâmina avermelhada, movimentando-se rapidamente em ação de ataque contra Quinn.
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