A Ordem dos Cavaleiros
7 O Cavaleiro de Sagitário
Notas iniciais
Após essa conversa Fisk avisou todos os soldados que iria junto de sua pupila para liderá-los, disse para prepararem as armas pesadas e os transportadores (andadores para invasão rápida) para agirem pela manha. Ao anoitecer, Tiago subiu em uma arvore grande, próxima ao acampamento, e decidiu meditar durante a noite, antes de dormir, em sua mente ele se via em pé conversando com um dragão vermelho imenso de olhos amarelos que ficava dando voltas ao seu redor:
— Os cavaleiros Dellóscurita não são fáceis de vencer, vai precisar do meu poder, ragazzo – disse Ryo.
— Essa é sua verdadeira forma? Interessante. – Tiago começou a mudar de assunto.
— O que te incomoda? – perguntou Ryo.
— Poucos sabem a identidade verdadeira de Gui-gon, mas pelo que parece nem o Caspian conhece o extreme dele – respondeu Tiago de forma honesta.
— Você confia demais em alguém que só sabe dormir e fazer você escrever relatórios, fora que ele não confia em você, a prova disso é que ele decidiu ir sozinho enfrentar o general Dellóscurita – retrucou Ryo.
— Não há porque duvidar dele – concluiu Tiago.
O garoto voltou a si quando a Amazona de prata subiu a arvore e sem querer o derrubou:
— Você é meio lerdo pra um tenente – disse Isabelle.
— Como você fez isso, Ryo? – perguntou Tiago sem perceber que foi atingido por Isabelle.
— O que disse? – perguntou Isabelle.
— Nada demais – Tiago percebeu o que havia acontecido.
— Não pensei que o homem mais interessante da minha vida ficasse a noite toda em cima de uma arvore – disse Isabelle.
— Já que é o caso, você deveria ter trazido um pouco de suco – disse Tiago, se levantando.
— Você é de Dragonína, certo? – perguntou Isabelle, ignorando o que não queria fazer.
— Você não quer saber de mim, não é? – concluiu Tiago.
— Eu também vim de lá, eu sempre quis sair de lá, o planeta é incrível, mas eu sempre quis ver a galáxia, tipo não tem nada melhor do que viajar até onde ninguém nunca foi, mas quando fui embora eu era órfã, tinha apenas sete anos – explicou Isabelle.
— Não ligo – respondeu Tiago.
— Renon Dragone, você é parente dele? – perguntou Isabelle diretamente.
— Só ouvi falar – Tiago mentiu para saber o motivo de Isabelle procurar seu irmão.
— Você deve ter sido criado por fazendeiros – retrucou Isabelle.
— Não é nada demais, mas você sabe onde ele está? – perguntou Tiago.
— Não faço ideia, mas há boatos de alguém com a armadura de prata de Órion andando pelo sistema de Nocts – respondeu Isabelle.
— Só isso? Bom, boa noite – Tiago se decepcionou um pouco e foi dormir.
— Boa noite – Isabelle foi dormir.
O cavaleiro das trevas e os demais caíram no sono, deixando apenas soldados se preparando para a batalha acordados. A manhã chegou e todos estavam preparados para o final dessa batalha, mas sabiam que não era o final da guerra, Gui-gon partiu para enfrentar o general Augustine antes de todos acordarem, e deixou um recado encontrado pelo general Fisk, uma mensagem que dizia:
“Foi mal por sair antes de acordarem, mas quero resolver isso rápido e como sou o líder da missão tenho que fazer o discurso e tudo mais, mas deixo a liderança e o discurso para o tenente Tiago Dragone, não se preocupe, já escrevi o discurso, está na minha tenda, abaixo do meu travesseiro, até mais”.
Após ler a carta, revoltado, mas leal o general Fisk entregou a carta ao tenente Dragone, que ao terminar de lê-la a rasgou, e foi até a tenda e encontrou uma página dizendo:
“Desculpe, mas me esqueci de fazer o discurso, boa sorte, meu aprendiz”, ao terminar de ler, ele fez uma fogueira com a tenda e queimou a carta. Após isso ele se perguntou como alguém conseguia lembrar-se de escrever uma desculpa para não escrever um discurso, e o general Fisk e sua aluna o encontram:
— Por que queimou a tenda do seu mestre? – perguntou Fisk.
— Alguém deveria fazer isso algum dia – respondeu Tiago.
— O que ele disse? – perguntou Isabelle.
— Ele disse que deveríamos matá-lo quando o encontrarmos – respondeu Tiago.
— Por que eu sinto que você é quem mais quer fazer isso? – perguntou Isabelle.
— Se vocês não seguirem a vontade dele, eu seguirei – respondeu Tiago.
— Ele deixou um bilhete na minha tenda, dizendo que quer viver bastante – disse Fisk.
— Claro que ele previu isso – responde Tiago de forma irônica.
O comandante Connor reuniu os homens, estavam todos esperando o plano de ataque, que já estava preparado por Tiago e Gui-gon:
— Soldados, o general me deixou no comando, então as minhas ordens são leis. — disse Tiago
— Perdoe-me tenente, mas o general Fisk não seria o mais indicado? – perguntou um dos soldados.
— Eu acredito que grande parte do nosso exercito deve pensar algo assim, mas todos vocês já devem ter percebido que eu não ligo pra isso, agora vou dizer só uma vez, os homens lá fora estão perdidos, não sabem nossa localização e eles perderam grande parte dos reféns, mas não todos. Eu investiguei enquanto estava lá e descobri que o resto dos sobreviventes está na mina do lado leste da cidade, homens, crianças e mulheres, trabalhando como escravos, nosso objetivo é devolver a cidade a eles, esse objetivo vale nossas vidas, nos faremos tudo isso pela paz e garanto a vocês que não há causa maior, e eu prometo entregá-los a minha cabeça se eu fraquejar no comando dessa missão – Tiago motivou seus homens para a batalha.
Ao final desse discurso, os soldados, o general Fisk e a sua tenente, Isabelle, se motivaram e gritaram juntos do cavaleiro das trevas “Vivi La repubblica” (Viva a República), e todos ouviram o plano bolado por Tiago. O cavaleiro das trevas pegou uma capa e saiu, pegando um rádio que encontrou na tenda do general Fisk, por acaso, quando recuperava suas energias, deixado por Gui-gon para o general Fisk, após isso foram para suas posições. Enquanto isso Gui-gon se encontrava em frente ao castelo onde Augustine estava, o general inimigo abriu as portas do castelo e recebeu Gui-gon pessoalmente:
— Há quanto tempo, Mentore – disse o general Augustine.
— Nós dois sabemos que eu não ligo mais pra isso – retrucou Gui-gon.
— Você se escondeu bem, apenas o imperador, que é o Mentore, e eu, só nós dois sabemos quem você realmente é – afirmou o general de Ember.
— Ele me conhece? – perguntou Gui-gon.
— Não pessoalmente, mas eu te conheço e fiz questão de contar, mas ele me proibiu de contar para os demais, mas não me disse o motivo – respondeu Gui-gon.
— Quem ele é? – perguntou Gui-gon, enquanto se preparava para colocar sua armadura de ouro.
— Não sei, apenas vou cumprir minhas ordens e ganhar tempo – respondeu o general de Ember.
— Você trouxe seus homens para uma missão suicida, você não disse a eles sobre isso, certo? – Gui-gon se mostrou irritado e perguntou a Augustine
— Alguém teria vindo se soubessem que iam morrer? – Augustine respondeu com outra pergunta de forma irônica.
— Vocês não merecem a paz – concluiu Gui-gon.
— Com certeza, a prova disso é o meu aprendiz, que já deve que ter saído desse planeta voltará mais forte ao saber que seu melhor amigo e mestre, morreu e o imperador vai usar esse ódio.
— Isso é um problema, mas mudando de assunto, você nunca soube qual é o meu elemento, não é? – perguntou Gui-gon.
— O que está insinuando? – retrucou Augustine.
— É o som, e minha principal habilidade é ecolocalização, eu posso emitir ondas sonoras em cada palavra aleatória que eu escolher sair da minha boca. Achei estranho haver uma nave furtiva longe de toda cidade, que seria um dia de viagem, e para destruí-la eu mandei uma mensagem por meio de um radio que eu deixei com meu amigo Fisk, ele mandara sua amazona – explicou Gui-gon, mostrando que sua habilidade especial era similar aos morcegos.
— Então ele também vai morrer, realmente é uma pena – concluiu Augustine.
— Realmente, mas você o encontrará logo, a Ordem prega que após a morte todos os seres vivos devem se unir ao reitsu verdadeiro e viver com os deuses nos Elísios – Gui-gon mostrou sua crença em seu credo.
— Parece lindo, mas os Cavaleiros Dellóscurita pregam que apenas os escolhidos podem ir aos Elísios, os outros seres vivos irão para Altro Mondo viver como escravos, mas só dessa vez eu prefiro acreditar na sua versão – concluiu Augustine.
— Quantos Lordes estão aqui? – perguntou Gui-gon.
— Não sei, sou apenas a distração – respondeu Augustine.
O general Gui-gon vestiu a armadura de ouro de Sagitário, e Augustine vestiu a armadura de nível prata de Sagita, o cavaleiro de prata se distanciou e começou a atirar flechas em seu antigo mestre, mas nenhuma o acertou. Após perceber que nunca o acertaria, começou a utilizar o reitsu e, já que seu elemento era o ar, ele o usou para mudar a trajetória de três flechas para acertá-lo independente da posição de Gui-gon, mas após atira-las e mudar suas trajetórias, Gui-gon desapareceu da frente de seu antigo aprendiz e ficou atrás dele:
— Riposa in pace (Descanse em Paz) – disse Gui-gon em voz baixa enquanto fechava os olhos de Augustine.
— Espero que esteja certo sobre os Elísios – disse Augustine em seus últimos momentos.
O cavaleiro de ouro pegou uma de suas flechas, que eram capazes de perfurar todo tipo de metal conhecido, e enfiou em seu antigo aprendiz, e assim Augustine teve uma morte rápida e praticamente indolor. Gui-gon colocou sua armadura de volta a forma de cristal, destruiu a armadura de Augustine e carregou o corpo consigo em seus braços. Do outro lado, enquanto isso, o aprendiz de Augustine encontrava a nave no meio da floresta, e ao sentir a presença de um cavaleiro, colocou sua armadura de bronze, pegou sua espada, ao perceber das sombras, Tiago, que estava vestindo uma capa com capuz negro e sua armadura:
— Quem é você? – perguntou Shimura, aprendiz de Augustine.
— Eu sou aquele que foi encarregado de acabar com você – respondeu Tiago, retirando seu capuz e mostrando sua armadura de prata ao lado de sua espada.
A troca de golpes começou, Tiago criou uma espada de eletricidade para a batalha de mão armada. O cavaleiro das Trevas encontrou um padrão de ataques do inimigo e após defender dez ataques de espada, previu aonde levaria o próximo ataque, e defendeu com uma faca ao qual criou com eletricidade e acertou um corte profundo em seu inimigo, que recuou e se escondeu atrás de uma arvore no meio da floresta. Após utilizar uma cortina de fumaça, preparou para usar seu elemento de fogo, criando um canhão em sua mão esquerda, mas percebeu que Tiago havia sumido. Assim que o aprendiz de Augustine começou a ouvir vozes, percebeu que esta delirando, mas não conseguiu saber o que estava acontecendo, o cavaleiro das trevas apareceu com sua espada e outra espada que criou com eletricidade:
— Você possui uma mente bem fraca, você é completamente influenciado pelo seu mestre, você nunca pensou em você, nunca teve um objetivo de verdade, e por ter essa mente fraca caiu no meu truque, Attacco Cerebrale. É uma técnica excelente, mas é preciso haver contato para programá-la, eu passei a eletricidade da minha faca naquele embate há pouco tempo com sua espada, você é rápido, mas não tem treino suficiente – explicou Tiago.
— Acredita que me matar te ajudará em algo? Você sabe que tem um lorde aqui? – Shimura tentou confundir Tiago, sem saber o que realmente estava dizendo.
— Um lorde? Por que ele está aqui? Diga agora ou farei você rever seu maior pesadelo dezenove vezes – ameaçou Tiago.
— É tarde pra isso, vou morrer logo – concluiu Shimura.
— Entendo – respondeu Tiago.
— Você me disse que eu não tenho um objetivo, me diga o seu! – Shimura fez o seu ultimo pedido.
— Já que você vai morrer. Meu objetivo é acabar com essa guerra, após isso irei atrás da imortalidade – respondeu Tiago.
— Você quer ser imortal? Por que quer tamanho fardo? – Shimura se mostrava interessado.
— A Ordem prega a paz, mas nós estamos em guerra, mesmo com boas intenções, mesmo com um líder exemplar, homens continuam buscando guerra, sempre haverá mais guerras e para impedir que elas aconteçam vou lutar até encontrar uma solução – explicou Tiago.
— Entendo – disse Shimura.
— Riposa in pace – disse Tiago em voz baixa.
— Vivi Dellóscurita (Viva aos Dellóscurita) – Shimura disse suas ultimas palavras.
O cavaleiro das trevas criou uma espada de eletricidade e cortou Shimura profundamente, assim o aprendiz de Augustine foi morto no próprio sangue quase que instantaneamente. Após isso o cavaleiro sentiu a presença de um inimigo, ele percebeu pelo barulho das risadas que pareciam se aproximar a cada momento, escutando passos em todas as direções. Após sete minutos pensando sobre a situação, em resposta, criou uma pequena faca de eletricidade, esfaqueou seu braço esquerdo e assim saiu do controle do inimigo, que começou a rir sem parar e apareceu vestindo uma capa, com cartas, com cara de palhaço com cabelo branco:
— Quem é você? – perguntou Tiago.
— Sou Charlie Hunter, o Mágico – respondeu o palhaço.
— Você é um lorde? – questionou Tiago.
— Eu não diria isso, só posso dizer que me interesso pelos Cavaleiros Dellóscurita, mas estou do lado deles se é o que pergunta. – respondeu Charlie Hunter.
— Por que está aqui? – perguntou Tiago.
— Pra falar a verdade é bem difícil escolher entre duas ordens sagradas que ficam conversando sobre o futuro sem se importar com o presente, mas que tédio, você não acha? – Charlie Hunter mostrou os seus motivos.
— Temos o mesmo elemento, você não pode me surpreender – concluiu Tiago.
— Você realmente deveria fazer piadas melhores do que “você não pode me surpreender” – debochou Charlie Hunter.
O cavaleiro das trevas pegou sua espada e tentou cortar o inimigo, mas o palhaço simplesmente desviou e acertou um chute em Tiago, que acabou sendo jogado até uma arvore há 50 km de distância, e o cavaleiro sentiu que quebrou duas costelas. Começou a sangrar, mas levantou e tentou novamente cortar seu inimigo, mas foi mais uma vez posto pra longe. O cavaleiro jogou sua espada em direção a seu inimigo que desviou, e a espada ficou presa em uma arvore atrás de Hunter, após isso Tiago pegou duas facas de verdade e, pulando nas arvores, atirou na direção do inimigo, que simplesmente desviou. Depois, ele criou uma espada de eletricidade e tentou atacar seu inimigo novamente, mas ele não estava respirando direito, perdeu o lado esquerdo de sua armadura inteira e seguiu andando, Hunter o segurou pelo pescoço e o jogou no chão.
— Você é interessante – disse Charlie Hunter.
Fale com o autor