A Ordem de Drugstrein (Versão antiga)

53 Capítulo 53 - A Decisão do Conflito


Notas iniciais
Enfim, o fim.

Capítulo 53 – A decisão do conflito

O wyvern de vento e eletricidade permaneceu por alguns segundos circulando o GranMestre. Radamanthys, então, ergueu seu braço direito em direção ao seu oponente. Com esse simples gesto, o Raijik avançou com toda a velocidade contra o tauren, que preparou-se para um contra-ataque:

– Jaz Rashon!

Diversos jatos de fogo foram lançados contra a criatura que avançava freneticamente. Radamanthys, no entanto, não ficou parado e, com um leve movimentar de sua mão estendida, fez com que o wyvern disparasse um número igual de raios elétricos. Fogo e eletricidade se chocaram, causando um enorme número de explosões luminosas. Apesar disso, o avatar que o Atreius criara continuou seu trajeto.

Turenhead não se desesperou. Ao invés disso, tentou seu último recurso fazendo com que um redemoinho de fogo começasse a lhe circular.

– Taz Rashon!

Ele invocou seu mais poderoso feitiço novamente. Porém, desta vez ele não converteu as chamas ao seu redor para cima de si mesmo; ele as levou para a palma de sua mão direita. Mantendo o braço estendido, ele segurou uma enorme quantidade de poder em uma pequena esfera. Após isto, investiu contra o Raijik que o ameaçava.

A colisão foi estrondosa. O wyvern resistiu muito bem contra as chamas que o ameaçavam e Turenhead não conseguiu extinguir o feitiço da maneira que havia planejado. Apesar disso, continuou forçando enquanto as chamas se espalhavam pelas laterais de seu corpo. Ele se queimava e a eletricidade também o feria, no entanto, ele ignorou a dor e continuou com sua investida.

Radamanthys, por sua vez, manteve-se extremamente calmo. Seu braço ainda estava estendido enquanto ele enviava sua aura para seu avatar. Graças ao fato de ter que se preocupar com apenas um inimigo, o GranMestre podia dedicar toda sua concentração naquele ato.

Quando parecia que o impasse duraria para sempre, Radamanthys levantou seu braço esquerdo até que este ficasse paralelo ao direito. Através deste ato, foi possível que ele enviasse ainda mais aura para a sua invocação, acrescentando-lhe um poder ainda maior. Após isso, o Raijik acabou ganhando vantagem sobre Turenhead. As chamas foram envoltas em eletricidade e o corpo do taurino recebeu todo o impacto do feitiço, sendo arremessado contra uma das elevações do terreno. Ali ele se chocou enquanto uma explosão elétrica atingiu seu corpo.

Assim que a poeira baixou, os espectadores puderam verificar qual era a situação: Turenhead jazia ao chão, inconsciente. Aquele foi o fim no confronto entre o humano mais poderoso e o tauren mais forte; no final, o general acabou tombando enquanto o GranMestre permanecia praticamente intacto, apesar da enorme quantidade de energia que a batalha lhe exigiu.

A tensão começou a se abrandar de maneira suave. Spaak já cogitava a ideia de deixarem o local e irem ajudar os demais magos em seu combate, mesmo que isso fosse desnecessário, uma vez que os anões havia entrado no conflito em campo aberto.

No entanto, antes que ele dissesse o que pensava, uma mulher chegou ao local onde eles estavam. Ela era muito alta, cerca de 180 centímetros de altura. Seus cabelos eram ruivos e ondulados e seus olhos de um castanho profundo. Vestia-se com trajes imponentes e, em suas costas, ostentava uma capa branca com detalhes prateados.

– GranMestre Radamanthys Atreius, vejo que não vai precisar de minha ajuda.

– Não, mestra de elite Ayla Gunver, mas acho que alguns destes magos talvez precise.

A ruiva caminhou até a equipe que assistiu todo o confronto e verificou um a um de seus membros apenas com o olhar.

– Vocês me parecem todos bem, mas você esteve ferido há pouco, não, Atreius? Devo presumir que essa garota ao seu lado o curou.

Como ela descobriu essas informações apenas com o olhar o casal não sabia, por isso, entreolharam-se impressionados. Após isso, Ayla dirigiu suas palavras ao mestre da equipe.

– Spaak, se eles estão bem, por que não ajudaram no combate? – Ela perguntou em tom de desafio.

O mestre a encarou com uma expressão de poucos amigos, depois, respondeu a provocação:

– Esse duelo que acabou de acontecer foi uma aula de campo interessante para os dois. Além disso, o combate foi definido no momento em que os reforços chegaram.

– Isso não é...

Antes que ela completasse a frase que iria dizer, Spaak a interrompeu:

– E ainda podemos acrescentar que fizemos nossa parte derrotando um dos reis dos taurens e mantendo o general deles ocupado até que Radamanthys chegasse. O que você fez Ayla? Acho que não foi muita coisa, não é?

O casal que apenas observava o diálogo nada amigável percebeu o momento em que uma pequena veia começou a saltar no pescoço da mestra. Irritada, ela voltou a falar:

– Não queira desacatar uma mestre de elite, lembre-se...

– Lembre-se que, se eu não tivesse deixado meu título por livre e espontânea vontade – ele interrompeu novamente – você ainda seria uma mestra comum hoje em dia. Acho que você tem trabalho a fazer. Por que não tenta reanimar os irmãos Wigg.

Contrariada, Ayla não viu alternativa senão cumprir o que deveria fazer. Apesar de que ainda mantinha em mente descontar a vergonha que passara por causa de Spaak, ela simplesmente caminhou até os irmãos que estavam caídos há quase cem metros do campo de batalha.

Foi, então, que outra surpresa abalou o ambiente onde eles estavam. Spaak percebeu que um grupo de taurens shamans se aproximava de maneira acelerada ao grupo. A maneira como agiam parecia que corriam em retirada. Porém, não foi isso o que realmente fizeram.

Os taurinos pararam há pouco mais que cinquenta metros do grupo e, de maneira rápida e ordenada, começaram a invocar um feitiço. Chamas começaram a surgir ao redor deles e, antes que algum dos magos pudesse reagir, um forte grito de Taz Rashon invadiu o ar.

Uma enorme esfera flamejante se formou no ar e foi lançada contra os três magos, que se preparavam para se defender. Em um número tão reduzido, seria muito difícil conter tal agressão. No entanto, contando com uma velocidade surpreendente, Radamanthys uniu-se ao trio para suportar o ataque inimigo.

As chamas tomaram conta de todo o ambiente em uma enorme explosão. Uma espécie de cúpula envolvia os quatro magos que estavam em seu epicentro. Distante dali, tudo o que Ayla pôde fazer foi observar assustada o que acontecia, torcendo para que o GranMestre fosse capaz de conter toda aquela energia.

Com aquela distração, nenhum dos presentes percebeu quando um pequeno grupo de taurens guerreiros, liderados por um rei, resgatava Turenhead, que permanecia inconsciente. Em uma marcha acelerada, eles correram para as montanhas, escalando-as com um pouco de dificuldade, embora isso não diminuísse tanto sua velocidade.

Os eventos que ocorreram após isso se passaram de maneira muito rápida. Ayla correu em direção ao grupo para enfrentar os taurens, sozinha ela não teria chance contra os sete, mas esperava que os demais magos estivessem em condições de lutar. A mestra surpreendeu-se quando um vulto negro e muito veloz trespassou o corpo de um dos shamans com uma lâmina negra.

Aquele ferimento começou a se alastrar de maneira veloz quando o homem, que vestia-se completamente de negro, retirou seu Giudecca do corpo do inimigo. O rosto, desfigurado por uma cicatriz no lado esquerdo, denotava seriedade para o combate enquanto ele brandia uma lâmina que estava no outro braço contra um segundo inimigo, que conseguiu evitar a morte graças a um escudo de energia. No entanto, o tauren se resguardou por apenas uma fração de segundos, pois um dragão elétrico atingiu seu corpo, carbonizando-o completamente.

Radamanthys havia se recuperado do impacto do feitiço que ajudara a equipe de Spaak a conter. Após isto, ele havia lançado seu próprio contra-ataque, eliminando um dos agressores.

– Blizzard!

Ayla não ficou parada neste meio tempo e também atacou. Para tal, utilizou um poderoso feitiço de gelo. A rajada foi direcionada exatamente contra o tórax de um dos adversários e este foi congelado quase que imediatamente.

Ao perceber a ação rápida que os magos estavam tomando, os shamans tentaram fugir, espalhando-se pela região montanhosa. Arthur, que já estava próximo a eles, investiu contra um dos oponentes, que, percebendo que seria atacado, virou-se gritando o nome de seu feitiço:

– Raz Rashon!

O mestre de elite, porém, não ficou alarmado com o contra-ataque e movimentou um dos Giudecca de forma rápida, fazendo com que ele dividisse as imponentes chamas que surgiram a sua frente. Seu próximo ato foi perfurar o abdômen de seu adversário.

A ação de Spaak foi muito semelhante a do amigo. Intencionando uma luta rápida, ele lançou seu melhor feitiço: Crisis Chain, contra o inimigo que desejava abater. O tauren tentou defender-se com um Proteggio, mas o escudo de energia foi perfurado sem qualquer dificuldade e o shaman caiu por terra.

Um dos taurinos, porém, ao invés de fugir, julgou que o casal de magos mais jovem fosse um alvo extremamente fácil e decidiu que seria muito bom conseguir alguma gloria para si antes de escapar. Por isso, lançou seu Raz Rashon.

As chamas percorreram seu caminho acima do solo inóspito e seguiram diretamente contra os dois, que não hesitaram em contra-atacar e gritaram o feitiço ao mesmo tempo, como se estivessem em sintonia – talvez realmente estivessem.

– Dracco Fira!

Um imponente dragão se formou com a união de forças de dois magos. Rapidamente, ele avançou contra o ataque adversário, colidindo e provocando uma explosão com o choque. No entanto, ao invés dos dois se anularem, como era esperado, o dragão de fogo provou-se mais poderoso e absorveu o feitiço adversário.

Era tarde demais quando o tauren shamam percebeu o erro de julgamento que havia cometido. Tarde o suficiente para ser impossível escapar com vida. Seu corpo foi totalmente consumido pelo dragão que, no último instante, fora manobrado para que o atingisse de cima para baixo.

Os dois último quase conseguiram escapar. Porém, quando estavam quase chegando a cobertura que as montanhas lhes forneceria, Radamenthys utilizou um poderoso Thundera, que se dividiu para atingir ambos os alvos ao mesmo tempo.

Acalmado os ânimos da batalha, os combatentes começaram a se agrupar novamente.

– Arthur Magnum, há quanto tempo! – Spaak adiantou-se para cumprimentar o amigo. – Por acaso trouxeram mais alguém do alto escalão com vocês? – Brincou.

– Não. Vieram nove equipes conosco, todas com mestres poderosos, mas apenas nós dois entre os mestres de elite e o GranMestre Radamanthys.

Enquanto eles falavam, o líder da ordem que estava presente começou a se distânciar do grupo sem proferir qualquer palavra. Ayla, porém, resolveu perguntar-lhe o que pretendia fazer.

– GranMestre... Está tudo bem? Pra onde o senhor está indo?

Ele se virou e encarou o grupo de maneira severa. Após isso, virou-se novamente antes de responder:

– A batalha acabou e, uma vez que os taurens levaram Turenhead daqui, não resta nada mais para que eu faça neste lugar.

Só então que eles reparam que após a confusão o general dos taurens havia desaparecido. No entanto, isto não aplacou a alegria da vitória. Mesmo sabendo que, provavelmente, os bárbaros se reuniriam novamente, aquela guerra havia terminado e tudo ficaria bem por algum tempo.

Os dois dias após a batalha final em Gynoloock se passaram tranquilamente. Os magos humanos permaneceram para ajudar os anões em várias coisas, como, por exemplo, restabelecerem a ordem em sua cidade.

As carruagens já estavam preparadas para partir de volta para Drugstrein quando Kamui resolveu chamar Sarah para uma conversa reservada. Ele a conduziu até o alto de uma das torres da casa dos Turulhin, onde estavam hospedados.

– Nossa! Dá pra ver a cidade inteira daqui de cima! – Sarah exclamou ao aproximar-se da borda da torre.

– As flechas dos anões também ganhavam uma grande força daqui – Kamui comentou ao aproximar-se da namorada.

Ele a observou por um instante. Ela usava o vestido que ele lhe dera na cidade de Garyjan. As cores claras da vestimenta realçavam a cor do cabelo da garota e o tecido, apesar de espesso, denotava as curvas femininas de seu corpo. O rapaz chegou a conclusão de que ela ficava ainda mais linda vestida daquela forma.

Kamui colocou ambas as mãos na cintura da garota e ela se virou, apoiando as suas próprias nos ombros dele. Esperou que ele a beijasse, mas isso não aconteceu. O Atreius mantinha seus olhos vidrados nos dela e parecia que queria dizer algo.

– O que foi, Kamui?

– Sarah, você sabia que os elfos não se casam?

A garota não entendeu o motivo da pergunta, mas respondeu assim mesmo.

– Li alguma coisa a respeito. Parece que eles tem um outro tipo de rito ou coisa parecida. Só sei que eles o consideram uma união mais forte que o casamento humano.

– Bom, eles assumem um compromisso eterno um para com o outro e, simbolizando essa união, trocam um par de anéis feito de mithril, a prata verdadeira.

Ela prestou atenção em tudo o que ele disse e achou muito romântico, mas ainda não entendia onde ele queria chegar.

– Esse metal é encontrado apenas nesta parte de Algos e os anões são especialistas em trabalhar com eles. Até fazem algumas armas de mithril. Eu pedi um favor para o Grinllin; um favor que me custou uma boa quantia de ouro. Sabe como são os anões: amigos são amigos; negócios à parte.

Sarah inclinou a cabeça um pouco para o lado enquanto o encarava. Ela estava intrigada e percebia que ele estava dando voltas com as palavras porque estava encabulado em dizer algo.

– Que favor seria esse? – Perguntou quando percebeu que ele demorava um pouco para falar.

– Bem... o favor... é que...

Ela estreitou os olhos e esperou até que ele resolvesse continuar. Kamui respirou fundo e tomou coragem para dizer o que queria dizer há muito tempo, mas nunca havia surgido a oportunidade ideal.

– Sarah, eu te amo, mas não queria apenas dizer isso, queria uma maneira de te provar...

A garota arregalou os olhos ao ouvir o que ele a havia dito. Sabia que os garotos eram meio fechados com seus sentimentos e gostou muito de ouvir o que ele dissera para ela. Aproximou-se um pouco mais na intenção de beijá-lo, mas foi bloqueada pelas mãos que repousavam em sua cintura.

– Espera... – ele disse ao interrompê-la.

A seguir, o rapaz colocou a mão direita no bolso de seu casaco e, de lá, retirou uma pequena caixa de madeira envernizada. Entregou-a para a moça.

Sarah a abriu devagar e, ao ver um brilhante anel na cor azul preteada, ficou admirada com os detalhes e beleza daquela peça.

– Ka... Kamui, ele é lindo! Eu... eu nem sei o que dizer.

Ela levou a mão direita aos lábios tentando conter a emoção que sentia ao compreender o que ele iria fazer a seguir.

– Sarah...

Ele disse enquanto mantinha seus olhos sobre os delas e aproximava sua mão do anel que estava na caixa. Retirou-o de lá e, mantendo-o em sua mão direita, guardou o objeto de madeira em seu bolso. A seguir, segurou a mão direita da namorada com a sua esquerda. Ela reparou que no dedo do namorado também havia um anel igual ao que ele a dera. Quando ele havia o colocado ela não percebeu.

– Este anel simboliza todo o amor que eu sinto por você e, assim como fazem os elfos, você será para sempre minha e eu serei para sempre seu.

Lentamente ele colocou a peça de mithril no dedo anelar da mão direita da garota. Um pontada de dúvida trespassou por seus pensamentos, pois sempre havia a possibilidade de ser recusado. Porém, a certeza de que seria aceito pela garota que amava varreu todo e qualquer pensamento negativo que ele poderia ter.

Sem saber o que falar, Sarah não respondeu com palavras. Seus olhos já estavam marejados de lágrimas de felicidade e emoção e ela simplesmente deixou que seu corpo deslizasse para junto ao dele. Inclinou a cabeça levemente para cima e o beijou como nunca havia beijado antes. Era um beijo carinhoso e, ao mesmo tempo, luxurioso. Um beijo que conseguia expressar todos os sentimentos que transbordava do casal naquele momento.

E foi de mãos dadas que os dois desceram a longa escadaria da torre e se dirigiram para a carruagem que os levaria de volta para Drugstrein, o castelo que chamavam de lar e onde esperavam rever os amigos e ter bons momentos de paz.

Notas finais
N.A. - Certo, então acabou, embora não tenha realmente acabado. O 7º arco, que representa o primeiro do segundo livro de Crônicas de Alberathon, chegou ao final, embora a história de Kamui esteja longe de chegar ao seu fim. A partir de agora passarei a reescrever a história, para, então, dar continuidade a mesma.

Espero que tenham gostado do final da batalha entre Radamanthys e Turenhead. Foi um final até que rápido, mas eu resolvi deixá-lo para cá apenas pelo suspense.

A cena romântica deve ter se encaixado perfeitamente para o final, ao meu ver. Ela também terá grande importância na continuidade da história.

Se quiserem conferir o prólogo de Crônicas de Alberathon - O herdeiro de Kamus, vejam aqui:
http://fanfiction.nyah.com.br/historia/72156/Cronicas_de_Alberathon_-_O_herdeiro_de_Kamus

Se quiserem ver mapas e outras coisas sobre o mundo de Alberathon, vejam aqui:
http://kamuiblack.blogspot.com/

Enfim, obrigado a todos os que leram até aqui e, principalmente, aos que comentaram.
Espero todos vocês em Crônicas de Alberathon.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!