A Ordem de Drugstrein (Versão antiga)

49 Capítulo 49 - Batalha em Naubusec [1]


Notas iniciais
Agradecimentos especiais para a Beta Reader Lubea, que revisou este capítulo.

Arco VII — Povos Bárbaros



Capítulo 49 – Batalha em Naubusec [1]



O ar tremia enquanto as esferas de fogo avançavam em sua queda vertiginosa contra os anões e magos. Havia pelo menos três delas para cada um dos cinco grupos. Os magos de cada batalhão agiram de maneira instintiva e rápida, formando barreiras em conjunto para suportar a pressão do ataque iminente.


Foi um impacto terrível contra os escudos de energia. O solo tremeu e até quem não estava abaixo das chamas intensas pôde sentir os danos causados por elas. Duas das barreiras cederam e dezenas de anões foram subjugados pelo terrível poder de destruição dos taurens shaman.


A maior parte dos ofensores, porém, saiu intacta da primeira investida da defesa. Passado o contra-ataque inicial, todos voltaram a correr em sua investida contra a muralha. Escudos e barreiras se ergueram enquanto os goblins disparavam flechas com seus arcos.


Diversos anões tiveram seus escudos e armaduras perfurados pelos projéteis e caíram ao chão, inertes. Várias manchas carmesim começaram a tingir o solo gelado e infértil da região.


Mesmo com todas as baixas as tropas aliadas não fraquejaram ou sequer diminuíram sua marcha. Os magos humanos rechaçaram seus agressores com feitiços variados, entre eles Thundera e Dracco Fira.


Assim que os invasores chegaram a uma distância viável, os artesões dos anões começaram a unir esforços numa tentativa de quebrar as muralhas de pedra com seus feitiços do elemento terra. Em contrapartida da investida, os gnolls iniciaram seu próprio trabalho com magia, bloqueando a passagem dos feitiços adversários com barreiras em conjunto.


As primeiras três horas de conflito se passaram desta maneira. Os anões tentavam romper as muralhas externas da fortaleza, porém, quando raro conseguiam, os gnolls as concertavam com seus feitiços de terra. O trabalho dos orcs era tosco e mal feito, mas repelia a invasão da infantaria.


Mesmo quando as criaturas cinzentas apareciam sobre as muralhas batendo seus cajados no chão e invocando o feitiço, era impossível rechaçá-los, pois muitos outros mantinham as defasas altas.


Os numerosos goblins inundavam as torres e muros exteriores, disparando suas flechas. Nesse combate a distância, muitos deles caíam, assim como derrubavam diversos anões. Os taurens shaman disparavam seus meteoros a cada, aproximadamente, quinze minutos durante as duas primeiras horas. Após isso, deduziu-se que pararam para poupar energias no caso dos aliados adentrarem Naubasec.


– Até quando nós vamos com isso, Aghata? Não estamos conseguindo derrubar as defesas deles! – Anita gritou para a mestra em meio à confusão da batalha.


– Até que Jonathan decida que é impossível romper as defesas deles – respondeu.


– Não se preocupem, agora não falta muito para o combate corpo a corpo ter início! – Jonathan gritou para que todos os aliados próximos pudessem ouvir.


Como que atendendo as objeções da garota, a muralha começou a ceder. Já que diversos locais haviam sido danificados, a força das estruturas enfraqueceu-se gradativamente. Em certo momento, uma rachadura se abriu e, antes que esta fosse concertada, uma outra parte do muro foi destruído por um grupo de artesões determinado.


A partir deste ocorrido, as defesas externas começaram a ruir. Diversos pontos começaram a ser arrasados enquanto goblins e até gnolls eram lançados ao chão e soterrados pelo entulho de rocha.


Os aliados avançaram mais uma vez. Invadiram Naubusec e uma sangrenta batalha teve início dentro do campo aberto que separava a arrasada muralha exterior da intacta interior. Nesta nova etapa do combate, os inimigos eram formados pelos goblins que largaram seus arcos e pegaram em lanças, machados e espadas. Os trolls, ogros e gigantes investiam com sua vigorosa força contra os invasores, enquanto os gnolls mantinham-se na retaguarda, protegendo-os com suas barreiras e feitiços.


– Atenção! Quero todo mago humano combatendo os gnolls! – Jonathan reforçou o plano de combate traçado na noite anterior.


As quatro equipes presentes tomaram suas posições. A liderada por Aghata foi a primeira a tomar a iniciativa do ataque. Enquanto centenas de anões se engajavam em combate ao redor das três garotas, elas investiam contra um grupo de mais de vinte gnolls que se uniam lançando feitiços de fogo contra os pequenos.


– Nah Clay Guardian!


Natália gritou enquanto mantinha ambos os braços paralelos ao corpo e as palmas das mãos abertas. A sua frente, um imponente golem de pedra em tonalidades de marrom se levantou. A seguir, ela fez com que ele investisse contra as criaturas de pele cinzenta.


Uma barreira impediu o avanço do monólito. Após isso, os gnolls bateram seus cajados contra o solo e uma explosão de fogo atingiu as rochas que formavam o corpo do guardião. Ele foi lançado para trás muito danificado.


Enquanto Natália concentrava-se em restaurá-lo, Anita lançou um poderoso Blizzard na tentativa de romper a barreira dos orcs. Novamente esta foi uma tentativa inútil.


A última a investir contra o grupo de inimigos foi Aghata. A mestra lançou contra eles um imponente Dracco Thundera. O dragão elétrico chocou-se contra a barreira e forçou a passagem sob o comando de sua conjuradora. O esforço ainda não foi o suficiente, mas, assim que o golem de Natália juntou-se ao ataque, a barreira cedeu.


Foi a vez de Anita atacar os gnolls. Ela lançou um Blizzard Storm diretamente contra o grupo todo. Eles fugiram do epicentro do ataque, assustados. Os mais próximos foram congelados imediatamente enquanto os outros conseguiram escapar.


Eles rechaçaram a loira com feitiços de fogo. Ela, porém, levantou uma barreira poderosa e repeliu todos os ataques. Nesse meio tempo, o golem de Natália e os feitiços elétricos de Aghata exterminaram os últimos indivíduos do grupo adversário.


– Pronto, um grupo de magos a menos entre os inimigos. – Natália comentou em tom vitorioso.


– Mas ainda está longe de acabar, vamos para o próximo! – Aghata alertou as duas garotas.


– Nem precisava falar. Já tem um ali! Clay!


Anita gritou enquanto lançava um poderoso feitiço para rachar o solo numa tentativa de fazer com que o grupo de gnolls cedesse. Em seguida, as outras duas juntaram-se a ela no ataque.


Os magos de Kaz Barrak faziam a mesma coisa que os de Drugstrein: perseguiam os magos dos orcs para que eles não causassem problemas. Do lado adversário, quem executaria essa empreitada era Kiliker Broch, o comandante dos ogros.


A equipe que seria alvo desta vez era formada pelo mestre Gabriel, um homem na casa de seus trinta anos. Ele era muito alto e possuía a musculatura desenvolvida. Seus cabelos eram loiros e espessos e usava uma barba curta bem rente ao rosto.


Seus dois subordinados eram os magos Arthur e Adrielli. O rapaz era o mais jovem com seus dezesseis anos. Ele tinha os cabelos muito escuros e curtos. Suas sobrancelhas eram grossas e os olhos muito expressivos. A moça mantinha toda a beleza de seus vinte e um anos. Ela era baixa e possuía curvas insinuantes em seu corpo. Os cabelos ruivos eram mantidos presos por uma fita, na qual um laço foi feito para enfeitá-lo.


A equipe havia terminado de derrubar o último dos gnolls que enfrentava quando viu o ogro de tamanho descomunal se aproximando. Seu alvo seria Arthur.


– Arthur, cuidado! – Gabriel gritou na tentativa de alertar seu discípulo.


Com o alerta do mestre, o rapaz se virou para encarar o que lhe ameaçava. Assustou-se com a ferocidade e tamanho da criatura que investia contra ele.


– Clay!


Ele gritou o nome do feitiço para criar uma barreira de terra e pedras na tentativa de bloquear o caminho de Kiliker. O ogro, porém, esmurrou a barreira, fazendo com que pedaços de rocha fossem arremessados pelo ar. Arthur ficou atônito quando viu que seu possível algoz continuava seu caminho de destruição.


– Explosion!


Gabriel utilizou o poderoso feitiço na intenção de derrubar o inimigo antes que este alcançasse o rapaz. Muita fumaça e poeira se elevaram no ar quando as chamas explodiram em frente ao ogro. Alguns goblins que corriam em direção aos anões também acabaram recebendo o dano do ataque.


No entanto, Kiliker saiu de meio a nuvem de fumaça ileso e continuou avançando contra o garoto praticamente indefeso.


– Barrier!


Adrielli entrou na frente de Arthur e parou o punho do adversário em seu escudo de energia no exato momento em que este desferiu o golpe. A pressão era tremenda e mesmo com toda a sua força era difícil segurar aquele ogro de tamanho gigantesco. A criatura de pele esverdeada sorria em desafio à garota, que mantinha uma expressão muito séria, quase de sofrimento.


– Não fique aí parado! Sai daqui rápido! – Gritou para o rapaz.


Arthur saltou para o lado e, logo após, Adrielli se jogou para o outro, rolando no chão e ficando em pé novamente. O alvo permanecia sendo o mais jovem dos três e Kiliker investiu contra ele novamente.


– Slash Fira!


Gabriel interveio novamente. A lâmina de fogo avançou veloz contra o poderoso inimigo, que simplesmente desferiu contra ela um tapa com as costas da mão direita. O feitiço se desfez, deixando os três magos impressionados.


– Nah Clay Guardian!


Pela primeira vez Arthur teve tempo para atacar ao invés de apenas se esquivar. O golem de pedra gigantesco avançou contra o ogro e desferiu-lhe um soco. O orc sorriu e parou a mão que lhe agredia com a sua própria com extrema facilidade. Em seguida, golpeou o seu agressor, desfazendo-o em pedaços.


– Dracco Fira!


Dezenas de dragões de fogo avançaram quando o mestre pronunciou o feitiço. Pela primeira vez, Kiliker sentiu-se acuado e saltou para trás diversas vezes, na intenção de escapar da agressão. Os poucos dragões, que ele não conseguiu evitar, destruiu com seus punhos.


– Thundera!


Foi a vez de Adrielli atacar. Ela disparou seu feitiço enquanto caminhava em direção ao inimigo. O ogro, por sua vez, “segurou” o raio elétrico com a mão esquerda e, logo em seguida, avançou golpeando com a direita.


Arthur interferiu na intenção de salvar a companheira de equipe. Utilizou, para tal, um Proteggio. O escudo de energia, porém, não teve a força necessária e acabou cedendo. O rapaz recebeu o golpe diretamente no tórax. Suas costelas se quebraram no exato momento do impacto, o que provocou um estalo seco e aflito. Ele foi lançado contra a garota, que o segurou enquanto seus pés eram arrastados pelo chão. Adrielli percebeu que o amigo estava inconsciente e um filete de sangue escorria pelo canto de sua boca.


– Ultimate Explosion!


Reunindo a maior energia que conseguiu, Gabriel disparou um poderoso feitiço contra o inimigo. O ogro, por sua vez, saltou para trás e se protegeu com os braços. O mestre já havia percebido que aquele não era um adversário comum. Sendo assim, tinha a absoluta certeza de que o combate continuaria.


– Leve o Arthur e cuide dele. Eu assumo a partir daqui – o mestre pediu enquanto passava ao lado do casal.


– Mas... Gabriel, ele é poderoso – a garota protestou.


– Por isso quero que fiquem fora dessa luta.


Relutante, a moça atendeu ao pedido do mestre e carregou o corpo de Arthur – com muito cuidado para não machucá-lo ainda mais – para longe do local e começou a aplicar um Heal em seu amigo e companheiro de equipe. Certamente tal ato levaria vários minutos para uma maga que não tinha magia branca como seu elemento, mas os anões cuidariam de sua defesa enquanto ela estivesse ocupada.


Uma pequena gota de suor escorria da testa para o queixo do mestre Gabriel. Não era o calor da batalha que provocava tal coisa e sim a tensão que percorria todo o seu corpo. Ele sabia muito bem que, com aquele inimigo, qualquer erro poderia significar o mesmo que a morte.


Kiliker se recuperou novamente do último golpe recebido. Daquela vez ele havia recebido algum dano e queimaduras podiam ser vistas em seus braços, além de partes de sua armadura que estava levemente escurecida por causa do calor.


Apesar disso, o imponente ogro não hesitou em avançar contra a pessoa que o havia ferido, muito pelo contrário, investiu com muito mais fúria e intenção assassina. O mestre obteve êxito em se esquivar do primeiro e segundo golpe e resolveu se afastar antes de ter que enfrentar uma terceira tentativa. No entanto, tudo o que teve tempo de fazer foi lançar um fraco Fira contra seu oponente, que o defendeu com a mão direita.


Estupefato pelo fato do oponente conseguir defender qualquer feitiço com tamanha facilidade, tudo o que o mestre conseguiu fazer para se defender de mais um ataque foi um escudo de energia. A proteção vergou e quase cedeu, porém, ele teve tempo de saltar para trás antes de ser atingido.


– Ultimate Explosion!


Gabriel reuniu o máximo de energia que conseguiu e lançou mais uma ofensiva. Kiliker, por sua vez, já havia conquistado um grande espaço em direção ao seu adversário e estava a menos que três metros do mesmo. Golpeou o feitiço com o punho direito com toda a força que possuía. Uma espécie de brilho intenso se formou e as chamas se vergaram pouco antes de explodirem, causando um impacto violento.


O meio gigante sofreu um coice com o poder da explosão e só não caiu porque travou ambos os pés no chão com violência. A marca de seus dedos ficou impressa no solo.


Gabriel, que era mais leve, não teve tanta sorte. Mesmo usando sua aura como proteção, ele foi jogado para trás com grande força e não conseguiu evitar sofrer as queimaduras relativamente altas. Caiu sobre um grupo de três anões que corriam em direção a um novo grupo de inimigos e por pouco não se feriu em um dos machados.


Quando se levantou – com a ajuda dos pequenos – ainda estava atordoado. Sua capa estava rasgada e chamuscada. Uma das mangas havia se desprendido e a parte de trás da veste pendia apenas do lado esquerdo, se arrastando ao chão. A camiseta e calça também tinham danos consideráveis.


Kiliker Broch caminhava em sua direção calmamente. Sua armadura estava ainda mais chamuscada e um pequeno corte horizontal jazia do lado esquerdo de seu rosto. Seu par de luvas – aparentemente de aço – ainda soltava uma espécie de fumaça, parecia que fumegava.


Vendo aquela nova ameaça, os anões avançaram contra o ogro, ignorando os pedido do mago humano para que não o fizessem. O primeiro e mais alto deles investiu com um salto enquanto erguia seu machado de duas mãos o máximo que podia. Sua velocidade não foi suficiente e, antes que desferisse o golpe, recebeu um contra-ataque por parte do punho adversário. Sangue jorrou de suas orelhas, nariz e boca enquanto todos os ossos de seu troco eram esmagados – assim como a armadura – devido à terrível pressão do golpe.


Seus dois companheiros urraram de raiva e frustração ao ver o companheiro morto. Avançaram em conjunto contra o adversário, brandindo suas armas. Ambos os machados foram amparados pelas resistentes luvas do ogro, que contra-atacou em seguida. O anão de barba e cabelos ruivos defendeu-se com seu machado, mas sua arma trincou assim que entrou em contato com o punho adversário, que não se feriu graças às luvas.


Kiliker, então, utilizou a outra mão para segurar o ombro do pequeno ser. Em seguida, ergueu-o acima de sua cabeça e, segurando seu tronco com a mão direita, quebrou seu corpo ao meio, deixando-o cair ao chão, estraçalhado.


O último do trio investiu contra o poderoso inimigo, que quase foi atingido. O ogro esquivou-se no último instante e, logo após, chutou o anão, derrubando-o. Usou seu pé de tamanho descomunal para esmagar a cabeça de seu oponente.


– Maldito!


Gabriel gritou com toda a força de seus pulmões. Apesar de atordoado, impressionado com a facilidade com que o ser monstruoso esmagou facilmente seus três oponentes e quase exaurido, o mestre ainda avançou mais uma vez, na tentativa de um novo ataque:


– Slash Fira!


Ele se esforçou ao máximo para conseguir formar a maior lâmina de fogo que podia. Utilizou ambos os braços para desferir o feitiço e a lâmina flamejante se formou, contendo quase quatro metros de envergadura e dois de largura. Kiliker, no entanto, esquivou-se de mais esta investida, sofrendo apenas uma pequena queimadura na lateral de seu corpo.


O ogro praguejou enquanto corria contra o humano. Seu punho, no entanto, atingiu apenas o solo quando, agilmente, seu alvo se esquivou com grande velocidade. Gabriel saltou para o lado, na intenção de tomar distância e quase foi atingido pelo segundo ataque. Com medo de sofrer o mesmo tipo de retaliação se utilizasse novamente um Explosion, o mestre atacou utilizando outro elemento:


– Dracco Thundera!


Um imponente dragão elétrico surgiu dos dois braços estendidos do mago de Kaz Barrak. Após isso, ele se dirigiu, serpenteando no ar, contra o imponente ogro, que simplesmente parou o feitiço com as duas mãos estendidas. O impacto forçou-o para trás, mas ele resistiu e conseguiu superar mais este desafio.


Gabriel não ousaria utilizar um Ultimate Explosion tão perto do inimigo, então, ainda em seu elemento, utilizou o primeiro feitiço em que conseguiu pensar.


– Dracco Fira!


Dezenas de dragões flamejantes cortaram o ar em direção ao ogro. Com isso, o mestre estava crente que o adversário recuaria. No entanto, mesmo sofrendo algumas queimaduras, o ogro avançou entre meio o ataque desferido por seu inimigo. Em um ato veloz, conseguiu agarrar a cabeça de seu alvo. A enorme mão do ser envolveu completamente a parte do corpo de seu inimigo. Mesmo com sua aura ao máximo, foi impossível para Gabriel evitar que seu crânio fosse esmagado.


O sangue jorrou entre os dedos grossos e enluvados de Kiliker. A seguir, meio gigante simplesmente deixou que o corpo humano desprovido de vida caísse ao chão, a cabeça completamente dilacerada.


– Gabriel!


Ao ver que o mestre caíra no combate, Adrielli gritou em meio ao desespero de perder o companheiro de equipe e amigo. Seus olhos insistiam em se encher de lágrimas, mesmo que ela fizesse todo o esforço para não chorar.


Assim que se certificou de que Arthur estava sendo levado por um dos anões para um local seguro, a moça dirigiu-se contra o inimigo na intenção de se vingar pela morte, mesmo que isto custasse sua própria vida.


Antes, porém, que ela desse mais um passo em direção ao inimigo, um poderoso Dracco Thundera o atingiu. O ogro foi arrastado pelo chão e, apenas com um grande esforço, conseguiu repelir o ataque.


– Garota, não sei quem é ele, mas não é adversário para você – Aghata disse ao se por entre os dois. – Tentei chegar a tempo de salvar seu mestre, mas dois trolls me impediram. Saia daqui enquanto é tempo!


Relutante, Adrielli atendeu ao pedido e se uniu aos outros magos que lutavam a algumas dezenas de metros dali, Anita e Natália. O local permaneceria relativamente isolado para o grande combate que se seguiria.


– Mais uma mestra? Parece que isso vai ser interessante.


O ogro sorriu de maneira arrogante enquanto se preparava para um novo combate. Aghata, porém, não esperou que ele estabelecesse a iniciativa e lançou um Thundera contra ele. Como era esperado, o meio gigante defendeu-se facilmente com a palma de sua mão esquerda.


– Já tinha percebido há algum tempo que havia um ogro de força muito maior que os demais de sua raça. Mas nunca esperava que você fosse capaz de derrubar um mestre.


Kiliker limitou-se a curvar os lábios grossos e esverdeados em um sorriso arrogante. Após isso, disparou em uma investida contra a baixinha a sua frente.


– Vectorial Jin!


Dezenas de lâminas de vento foram lançadas contra o agressor, que não hesitou por sequer um segundo. O ogro continuou avançando enquanto protegia a face com os braços. Diversos cortes se formaram em seu corpo musculoso, mas ele parecia ignorar a dor e os leves sangramentos que isto provocava.


O punho avantajado atingiu apenas o ar e, após este, o solo. Três outras vezes ele tentou golpear a moça, mas ela conseguiu se esquivar o mesmo número de vezes. Kiliker urrou algum tipo de blasfêmia em órquico e fez uma nova tentativa. O novo ataque obrigou a mestra a utilizar um Proteggio em sua própria defesa.


Ela foi lançada para trás, mas o escudo de energia resistiu ao forte impacto. A intenção da mestra, então, foi afastar o inimigo de si mesma. Para tal, utilizou um Aurus Pulse.


No entanto, o ogro contra-atacou com um soco enquanto Aghata lançava o feitiço com a mão direita estendida. Ela pôde ver um tênue brilho vindo da luva direita adversária enquanto ele a repelia com a exata força de seu próprio ataque.


O pequeno corpo foi lançado para o alto e girou no ar pouco antes de atingir o solo, mantendo, assim, o equilíbrio. Ela ficou ereta novamente e encarou o inimigo com curiosidade. Não sabia ao certo como ele fazia aquelas coisas, mas achava surpreendente.


– Gostaria muito de descobrir seu segredo.


– Mesmo que fizesse isso, não iria viver para contar!


Em meio a um urro e a palavras ásperas, Kiliker avançou novamente contra a maga humana. Percebia que cada vez mais o ambiente ao seu redor se preenchia com anões ao invés de ogros ou gigantes. Este era um fato preocupante e ele queria eliminar mais aquela poderosa inimiga antes de recuar para dentro das muralhas internas.


Aghata se preparou para se defender. Suas mãos brilhavam enquanto curtas rajadas de vento as circulavam. Ela tinha em mente um feitiço poderoso, mas foi interrompida pouco antes de lançá-lo. Um troll de tamanho descomunal caiu muito perto de seu corpo e ela foi obrigada a saltar para o lado para não ser atingida pelo corpo da criatura quando está deu um último giro.


A concentração se foi com isso e ela acabou ficando vulnerável. O ogro aproveitou muito bem a oportunidade e avançou de maneira rápida e violenta. Os punhos da criatura roçaram na capa negra com detalhes prateados da mestra quando está se esquivou para o lado e para cima do orc que acabara de cair.


Após um salto, Kiliker atacou novamente e, desta vez, seu punho abriu um buraco no corpo do companheiro de raça caído. Aghata havia saltado novamente para o chão e se preparava para contra-atacar quando algo completamente novo chamou a atenção dos dois.
Um turbilhão de chamas negras avançou, de maneira imponente, ao lado da mestra e atingiu em cheio as palmas das mãos do meio gigante, que haviam sido abertas justamente para amparar o feitiço mortal.


– Sei que talvez você não precise de ajuda, mas quanto antes derrubarmos ele, melhor.


Gorgar disse de maneira fria e calma enquanto se aproximava da outra humana. Ela não pôde evitar em sorrir para ele em agradecimento ao auxílio prestado.


– Dois contra um? Humanos são mesmo covardes, não são?


Exasperou-se o ogro ao ver a aproximação de mais um adversário de aparência extremamente perigosa. O conjunto de vestuário negro e pesado formado por cota de malha na parte de cima do corpo, grevas e manoplas, além da capa de mestre davam um ar imponente ao recém chegado.


– Acho que já chega por enquanto. Nos veremos de novo!


Logo após proferir estas palavras, Kiliker assoviou, emitindo um som alto e muito agudo. Segundos mais tarde, três trolls apareceram para seu auxílio.


– Até mais.


Ele saltou em direção a divisória em ruínas atrás de si e se impulsionou na mesma, executando uma segunda manobra por cima de todos os presentes. A seguir, correu em disparada em direção a muralha interna, onde diversos gnolls já se escondiam.


– Está fugindo! Maldito!


O mago negro protestou, mas sabia que seria impossível segui-lo antes de enfrentar os três novos oponentes que surgiram na frente dos dois.


– Aim Jux!


Um turbilhão de vento surgiu entre o casal e os inimigos, assim que a mestra gritou o feitiço mais poderoso que ela poderia utilizar na ocasião. Os corpos dos três trolls começaram a ser sugados em direção ao vácuo que se formou no centro do feitiço. Porém, eles ainda resistiam, mesmo com os ferimentos que recebiam devido à poderosa força de sucção.


– Dark Fira!


As chamas negras se espalharam e atingiram os orcs com grande força. Os danos foram imediatos e, graças a esses novos ferimentos, acabaram cedendo e tendo os corpos completamente dilacerados pelo feitiço da baixinha de cabelos castanhos.


Uma vez que o inimigo havia escapado, o casal resolveu voltar para junto de suas equipes e, consequentemente, aos magos de sua Ordem. Assim que chegaram a seu objetivo, Aghata dirigiu-se a Jonathan.


– Eles estão recuando?


– Sim, diretamente para dentro de sua segunda camada de defesa.


– E o que faremos? Vamos avançar? – Ela perguntou, ao perceber que não receberia nenhum outro detalhe a menos que fizesse isso.


– É lógico que vamos! Não podemos recuar agora! – Gorgar disse de forma agressiva.


– Muitos dos nossos estão cansados, será que é seguro continuarmos? – Carlos indagou ao se juntar ao restante dos mestres.


– Não temos escolha, já tivemos muitas baixas para abandonarmos o campo de batalha. Esse combate irá virar a noite!


Jonathan respondeu enquanto observava as tropas aliadas se reagrupando e se reorganizando enquanto as forças bárbaras continuavam com a sua retirada. Poucos minutos mais tarde, novos meteoros riscaram de vermelho o céu nublado acima de Naubusec.


A sangrenta batalha continuaria.

Notas finais

N.A. - Certo, me deu um trabalhão para formatar tudo do jeito que eu queria e ainda não tenho certeza de que vai mesmo ficar do jeito certo. Mas tenho certeza de que um dia desenvolverei uma maneira rápida e fácil de usar o novo html e, neste dia, serei o maior formatador de textos do Nyah! (viajando legal).

Nesse capítulo eu acho que fiz a melhor descrição de uma batalha grupal (não pensem besteiras) de todas. Acho que era possível visualizar o que cada lado fazia com clareza. Gostaria das opiniões dos leitores quanto a isso.

Também descrevi o Kiliker detonando tudo ae. Foi legal e, no plot original, ele mataria a equipe inteira, então eu fui bonzinho, né?

Como propaganda da vez, puxarei a sardinha para meu lado e indicarei meu blog, espero que isso não seja contra as regras, se for, avisem que eu tiro.

É um blog voltado justamente para minhas fics, além dos contos, também tem informações interessantes.

Kamui's Mind