A Ordem de Drugstrein (Versão antiga)

11 Capítulo 11 - Uma Nova Missão


Arco II — Primeiras Missões

Capítulo 11 – Uma nova missão

A ampla sala de pedra agora estava fracamente iluminada. A maioria das luminárias havia sido destruída e a maior parte de iluminação era realizada pela chama negra emanada do feitiço de Kinrell, que ameaçava a vida de Kamui.

- Você não esta com medo? – Douglas Kinrell mantinha um sorriso sádico no rosto. – Quero ver você implorando pela vida, aterrorizado.

- Você não vai ver isso. Não temo a morte.

- Não teme? Vamos ver se você vai manter a mesma postura quando minha mão tiver atravessado o seu peito.

Neste momento, pouco antes do momento final, Kinrell é arremessado para longe por um imponente golem de pedra. Um Matheus cheio de escoriações pelo corpo se aproximava de Kamui.

- Droga, estou acabado. – Ele comenta ao chegar perto de Kamui. – Como quebro esse feitiço? – Olha para as correntes de magia prendendo Kamui.

- Esquece isso, destrói a parede.

Matheus lança um Clay contra a parede e acaba por destruí-la. Kamui se liberta. Sua vontade era de se aproximar de Sarah e verificar como a garota estava. Mas não o fez. Tinha algo a fazer antes disso.

- Kinrell, vamos ver se me enfrenta agora, de homem para homem.

- Enfrentar? Morra! Explosion!

A enorme explosão de fogo é parada por uma enorme barreira de pedra na frente de Kamui. A barreira é destruída, mas, para surpresa de Kinrell, Kamui não estava lá. Ao seu lado Matheus lança um Dracco Fira. O dragão sai um pouco deformado, mas ainda assim com uma potencia suficiente para forçar Kinrell a usar um Proteggio. Kamui surge, aparentemente do nada, e derruba o adversário com um poderoso golpe Explosion.

- Irônico não é? Iria me explodir e acabou explodindo.

Foi o que Kinrell pode ouvir vindo da boca de Kamui pouco antes de perder a consciência.

O Retorno para Drugstrein não seria dos mais confortáveis. O balão era pequeno e agora contavam com três prisioneiros. Sarah conseguiu curar todos os ferimentos de Matheus, que eram leves. Porém, os seus e de Kamui, que foram causados por magia negra, foram apenas amenizados. Segundo ela, levaria uma semana para se recuperarem completamente. Isso só foi possível porque Kamui conseguiu parar os efeitos do feitiço a tempo.

Uma semana se passou e graças a maga branca oficial de Drugstrein, Nurse Nolow, a equipe estava completamente recuperada e se encontrava no pub de Drugstrein na noite antes de receberem uma próxima missão.

Kamui é o primeiro a entrar no ambiente. Ele era seguido de perto por Sarah e Matheus. Por ele ter estado ali muitas vezes em companhia de Spaak, já conhecia a maior parte das garçonetes e se sentia muito à vontade.

Ele avista a equipe de Taís em uma das mesas e, apesar da relutância de Sarah, resolve ir até lá.

- Por que você quer ir se sentar com eles? Vamos ficar só nós três.

- Temos estado juntos desde que completamos aquela missão de grau C. Vamos conviver com outros magos um pouco. – Kamui dizia enquanto se esgueirava entre duas cadeiras onde dois magos muito corpulentos se sentavam. – Além do mais quero saber como foi a primeira missão deles.

- Sarah, larga mão de ser chata. – Matheus dizia pra garota. – Se você não se identifica com a Taís então converse com a Eliane.

Eles se aproximam da mesa e Kamui se dirige a Taís.

- Boa noite, será que podemos nos sentar com vocês?

- Lógico. Sintam se à vontade. – Bruno responde, antes que Taís pudesse abrir a boca.

Os três se acomodaram e pediram suas bebidas, além uma porção qualquer, afinal de contas, o que queriam era apenas conversar e se distrair.

- Como foi a primeira missão de vocês? – Kamui se dirigia principalmente a Taís.

- Na verdade, ontem completamos a segunda. Mas as duas foram de grau D. Soube que vocês completaram uma de grau C.

- Sim é verdade. – Matheus comenta cheio de si. – Por isso só vamos poder pegar outra missão amanhã. Somos obrigados a ter uma semana de repouso. O que acho desnecessário.

- Diz isso porque não foi atingido por um Dark Fira.

- Dói muito, Sarah? – Eliane pergunta, preocupada com a amiga.

- Você nem imagina como. Estive bem perto da morte. – A garota responde recebendo o copo de suco que havia pedido.

- Como você fez para impedir isso, Kamui? – Bruno pergunta.

- Segredo, não posso revelar.

- Você chega a ser tão misterioso quanto a Taís. – Bruno comenta, causando um sorriso constrangido na garota.

- Enfrentando um mago negro. Vocês foram incríveis. – Taís comenta. – O que aconteceu com eles? Os magos desertores.

- Douglas Kinrell foi preso em Kallamite, os outros dois foram julgados e absolvidos, retornando ao quadro de magos de Drugstrein, eles estavam apenas sobre o efeito do feitiço de Kinrell.

A conversa durou por algum tempo mais. Desta vez não houve discussão entre Sarah e Taís, porém as duas não se falaram. A equipe de Kamui se retirou primeiro, no dia seguinte receberiam a próxima missão e deveriam estar descansados.

Kamui sobe as escadas com ar apreensivo. Tinha ansiedade em meio as suas emoções. Ansiedade motivada pela nova missão que ele havia acabado de receber. Passa por um corredor longo e cheio de ornamentos e chega até a pequena sala de reunião, onde encontra seus dois amigos e companheiros de equipe.

- Ele chegou. Vamos ver nossa próxima missão.

- Outra de grau C.

- Outra? – Sarah começa a se preocupar. – Também foi pedida por Radamanthys?

- Não. Essa foi encomendada pela associação de moradores de Alberth.

- Alberth não é o vilarejo onde você vivia antes de vir a Drugstrein? – Sarah pergunta, enquanto se aproxima da mesa para olhar o mapa.

- Exatamente. E, adivinhem só, vou ter a chance de vingar a morte de minha mãe.

- Como assim? – Matheus pergunta.

- Minha mãe adotiva foi morta por um lobisomem nas proximidades de Alberth, porém, esse lobisomem nunca foi encontrado. Aparentemente agora ele fez mais duas vitimas, por isso os moradores do vilarejo resolveram contratar a Ordem de Drugstrein para caçá-lo.

- Lobisomens são perigosos, são uma das raças que não tem território próprio, vagam pelo mundo a procura de novas vitimas. Dizem que alguns vivem em clãs, mas, a grande maioria, não tem um destino certo. – Sarah comenta enquanto verifica a ficha da missão.

- Lobisomens são lobos humanóides não é? – Matheus pergunta. – Não achei que fossem tão perigosos a ponto de serem uma missão de grau C.

- Pois eles são.Costumam caçar geralmente à noite, mas às vezes aparecem de dia. São temidos por magos pela sua grande resistência a magia e velocidade de ataque.

- Então devemos tomar cuidado novamente.

- Sim, mas não será nada comparada com a missão que já enfrentamos. Ela era, na realidade, uma de grau B, embora tenha sido colocada como uma de grau C. – Kamui guarda as anotações e se dirige à porta. – Vamos indo, porque gostaria de terminar a missão ainda hoje e não usaremos o balão dessa vez.

Era fato que o humilde vilarejo de Alberth estava muito agitado. Porém eles começaram, de certa forma, a se acalmar quando viram os três Magos de Drugstrein entrarem pela estrada de terra batida que dava para o vilarejo.

Muitas pessoas cumprimentavam Kamui, o que fez com que eles levassem cerca de vinte minutos para chegarem até a grande loja de esportes. Varias pessoas, principalmente as mais idosas, queriam saber detalhes de como a Ordem funcionava. Kamui escapava disso simplesmente dizendo que era sigilo e não poderia falar.

Ao entrar na loja um garoto alto, magrelo e de cabelos pretos veio atendê-los. O garoto quase enfarta com a surpresa de ver quem estava na loja.

- Ka... Kamui? É você mesmo?

- Como pode ver Joe, sou eu mesmo, em carne, osso é magia. – Kamui sorria ao apertar a mão do outro rapaz. Apesar das desavenças que sempre tinham, ele sempre o considerou como um amigo. – O seu pai está aqui?

- Esta, eu vou chamá-lo.

Logo um sujeito de meia idade com cabelos pretos, que começavam a ficar grisalhos, aparece.

- Kamui, meu rapaz, que surpresa ter você como o líder de uma equipe nessa missão. Quando contatei Drugstrein em nome da comissão de moradores, nunca imaginei que você seria o indicado para vir aqui.

- Pois é, na realidade, fui eu quem escolheu a missão. Quando vi ela na lista de pendências, não poderia deixar de vir até aqui para aliviar o vilarejo onde eu fui criado. Além do mais, terei a chance de fazer justiça pela morte de minha mãe.

- Lamentável aquele dia, mas você acha que é o mesmo lobisomem?

- Tenho quase certeza que sim. Só poderei confirmar quando vê-lo.

- Bem, de qualquer maneira fico feliz que tenha crescido tanto em sua carreira em tão pouco tempo. Gostaria de jantar em nossa casa hoje? Vocês três serão nossos convidados de honra.

- Acho que não podemos negar essa hospitalidade não é? – Matheus fala pensando na comida.

- Acho que pode ser. Seria muito bom poder rever um pouco das pessoas com quem eu convivi em minha infância. Mas primeiro temos um trabalho a fazer. Gostaria de ter detalhes sobre os padrões de ataque do lobisomem.

- Ele já atacou duas mulheres na saída norte do vilarejo, próximo as cavernas. Aparentemente ele dorme nestas cavernas. Alguns dias atrás, um grupo de dez homens foi atrás dele para tentar achá-lo nas cavernas. Aparentemente encontraram, pois nenhum deles voltou.

- Ao chegar nesse ponto vocês decidiram chamar a Ordem, não é? – Sarah comenta, desaprovando a atitude dos moradores da vila.

- Eu avisei para que não fossem, mas todos queriam economizar dinheiro, a Ordem cobra caro. Quando descobrimos que era uma missão de grau C, que vocês chamam, achamos não teríamos dinheiro para pagar.

- Nessas circunstancias acho que as coisas vão complicar. – Sarah começa a falar quando estavam sozinhos. – Se algum daqueles homens sobreviveu talvez tenhamos problemas.

- Porque você diz isso? – Matheus pergunta. – Seria bom se alguma vitima estivesse viva.

- Lobisomens contem um vírus que ele pode transmitir voluntariamente por seus dentes. Esse vírus é altamente letal, um humano comum não sobreviveria. Talvez um mago poderia sobreviver, embora seja difícil. O maior problema está se a pessoa não morrer, pois daí o vírus a transformara em um lobisomem também. Ela esquecerá todos seus sentimentos humanos e será capaz de se transformar em um lobo humanóide quando quiser, sedento por sangue.

- Sendo assim, devemos considerar que exista mais de um lobisomem. O plano será o seguinte: esperaremos até o anoitecer, que é quando ele prefere atacar. Em seguida, Sarah ira se aproximar da região das cavernas, nós estaremos escondidos te dando cobertura. – Kamui fala enquanto olha para a garota. – Você concorda com o plano, Sarah?

- Está bem, quem vai se arriscar mais serei eu dessa vez, mas, se vocês dois estiverem dando cobertura, não há o que temer.

Sarah observava a lua enquanto esperava sentada na grama. Após uma longa espera, um sujeito alto e de cabelos compridos e desgrenhados aparece. Ele estava com o torço nu e mostrava uma grande cicatriz no ombro esquerdo.

- O que uma garota bonita como você faz aqui neste local a esta hora da noite? Sabia que existe um lobisomem a solta?

- Eu ouvi boatos. – Sarah fala com desdém.

- Venha comigo, vou te levar para um local seguro.

- Não sei se será seguro ir com você.

- Acho que você tem razão.

A face do sujeito começa a se alongar, formando um focinho, pelos começam a crescer por todo o seu corpo. Os pés, que já estavam descalços, se tornam longos e com grandes garras. A criatura tinha praticamente o dobro de tamanho de uma pessoa normal. Ele avança sobre Sarah.

- Blizzard! – Sob uma rajada de gelo ele salta para trás. – Realmente lobisomens têm uma boa resistência à magia, se fosse um humano, já estaria congelado.

- Isso é realmente frio, sua maguinha, mas não o suficiente. Não tem chance contra mim sozinha. – O tom de voz do lobisomem era praticamente um rosnado.

- Mas ela não esta sozinha. – Matheus aparece ao lado de Sarah após Kamui revelar a magia ilusória que o cobria.

- Além do mais você esta cercado.

Kamui estava atrás dele. O lobisomem se virá para Kamui e, analisando que seria maior chance escapar de apenas um mago, avança com as garras em riste.

N.A. - Sim, eu parei novamente em um momento crítico e de confronto, sou muito mau e vocês terão de ler o próximo capítulo para descobrir o que acontecerá.

N.A.² - Reviews, please.