A Ordem de Drugstrein (Versão antiga)
1 Capítulo 1 - O Filho Dele
Notas iniciais
Arco I — Treinamento
Capítulo 1 – O filho dele
O vilarejo de Alberth era um lugar muito pacífico. Fundada originalmente por comerciantes andarilhos, ele sempre foi conhecido pela diversidade de artigos oferecidos em suas lojas. As casas tinham um estilo rústico, mas, ao mesmo tempo, muito charmoso.
Naquelas ruas silenciosas, um casal chamava a atenção por onde passava. O homem era Spaak Firered, ele usava roupas azul-escuras e uma capa de tom vermelho, que combinava com seus olhos e longos cabelos de mesma cor. A mulher era Katherine Strike, ela usava vestes e uma capa muito branca, seus olhos azuis faziam par com os cabelos loiros e encaracolados.
Porém, o que realmente chamava a atenção para este casal, era a insígnia fixada próxima ao ombro esquerdo; a insígnia que lhes identificava como Mestres da Ordem de Drugstrein. Ambos caminharam até chegar a uma humilde casa um pouco afastada do centro do pequeno vilarejo.
– Está trancada – Spaak disse enquanto se virava e encarava Katherine.
– Eu resolvo isso.
Em um singelo gesto com a mão direita, Katherine destrancou a porta. Após isso, entrou na pequena casa.
– Isso é invasão de privacidade, Katherine.
– Spaak, deixa de ser tão certinho o tempo todo, quero achar o garoto logo.
– Que bagunça! – Spaak comentou ao entrar.
O mestre pôde ver uma pilha de louça suja na pia, alguns papéis espalhados pelo chão e a despensa com a porta quebrada e praticamente vazia.
– Parece que não tem ninguém aqui – completou após suas observações.
– É o que parece, mas não teremos dificuldade em achá-lo nessa vila minúscula. Só temos que perguntar por aí, qual é o nome dele mesmo? Kamui, não é?
– É, exato, Kamui Atreius.
Spaak confirmou enquanto eles saiam da casa e ele trancava a porta através de magia novamente.
– Se soubéssemos a aparência dele, seria mais fácil – Katherine concluiu.
Alguns minutos depois, o casal estava de frente a uma loja grande, de artigos esportivos, onde tiveram a informação de ser o local de trabalho de Kamui. Eles entraram na loja e olharam em toda a volta. Constataram que era uma das maiores lojas da vila, o que não era lá grande coisa, pois a maioria das lojas eram minúsculas. Spaak avista um garoto magro e de cabelos compridos e escuros, tinha a aparência de uns doze ou treze anos.
– Com licença – Spaak chamou sua atenção. – Você por acaso se chama Kamui Atreius?
– Está procurando o Kamui? Ele trabalha aqui na loja do meu pai, no momento ele esta fazendo uma entrega e não vai demorar à voltar. – O garoto olhou para o casal um tanto quanto intrigado.
– Vamos esperar lá fora – Katherine sugeriu enquanto dava meia volta.
Spaak a seguiu, porém foi interrompido pelo garoto.
– Esperem, vocês são da Ordem, não? Vocês vieram levar o Kamui porque ele esta fazendo magias ilegais?
– Magia? Ele sabe fazer magia? – Katherine se espantou com a informação.
– Existe algum feiticeiro nessa vila? – Spaak retornou o olhar em direção ao garoto.
– Não, nenhum eu acho.
– Como ele poderia aprender magia sozinho? – Katherine sussurrou para Spaak.
– Não sei, mas é possível, eu acho; embora improvável.
A atenção do casal foi novamente desviada para um rapaz de cabelos e olhos de cor negra. Seu cabelo estava um tanto quanto bagunçado e as roupas um pouco sujas. Tinha uma expressão de descontentamento no rosto.
– Joe, você me deu a caixa errada para entregar!
Kamui falou, em um tom de voz meio alto, para o outro garoto enquanto colocava a caixa no chão. Ele nem tinha percebido o casal de Mestres e continuou seus protestos.
– Seu retardado, me fez andar quase dois quilômetros com isso à toa. Eu devia... – Ele não chegou a terminar a frase, pois viu duas pessoas que poderiam ser clientes. – Com licença posso ajudar?
Spaak e Katherine fitam o garoto com espanto ao ver o estado em que ele se encontrava. Parecia que tinha trabalhado muito, apesar de não aparentar cansaço algum. Spaak fez menção de dizer algo, porém foi interrompido.
– Kamui, se você não parar de me xingar, vou mandar meu pai te demitir.
– Cala a boca, Joe! Seu pai bem sabe quem faz as cagadas aqui – Kamui já começava a perder a calma de novo. – Aposto que você fez de propósito não foi? Eu devia...
– Devia o que? Agora você ta ferrado. Os caras da Ordem de Drugstrein vieram te prender para você parar de fazer magia.
– Para de mentir, Joe. Além do mais, nunca fiz nada de errado com a minha magia e... e... – Kamui se virou para os dois novamente e se deparou com os brasões que até agora não tinha notado. – Mas, é verdade, são da Ordem mesmo.
– Sim, nós somos – Spaak sorria para Kamui. – Você é igualzinho o seu pai.
– Me desculpe, acho que está me confundindo, meus pais eram adotivos e meu pai era loiro.
– Spaak se referia ao seu pai biológico – Katherine entrou na conversa.
– Meu pai biológico. Mas, vocês conheceram ele? Quer dizer, eu tinha apenas um ano quando eles morreram.
– Sim, nós já tivemos contato com ele. Embora eu tivesse apenas quatorze anos na época, e Katherine dezessete.
– Hum... Mas, mudando de assunto, vocês são da Ordem mesmo?
Kamui começou a ignorar completamente Joe e só prestava atenção no casal na sua frente.
– Sim, nós somos. Sou Spaak Firered e esta é Katherine Strike. E realmente viemos aqui por sua causa, mas não para te prender.
– Minha causa? Mas por quê?
– Por que seria o desejo de seu pai que você se tornasse um mago da Ordem – Spaak explicou de maneira rápida e objetiva.
– Meu pai, mas quem era meu pai?
– Seu pai era Kamus Atreius, o homem que sacrificou a vida para destruir o Imperador Negro.
A nova informação realmente o deixou perplexo. Sabia que era adotado, mas nunca tinha ouvido falar em seu verdadeiro sobrenome. Nem tampouco poderia imaginar que seu pai foi um mago e herói.
– Vou lhe explicar tudo, você já deve ter ouvido falar nessa história, não é?
– Sim eu já li isso em alguns livros de magia. Mas nunca esperava que... Por que meus pais nunca me falaram nada? Eles não sabiam?
– Eles sabiam, mas foram instruídos a não te contar. Naquela batalha, seu pai lutou sozinho contra o Imperador Negro Zeffirs e utilizou de um feitiço muito avançado e poderoso. Porém, esse feitiço consumiu toda a sua vida e ele morreu logo após a batalha. Sua mãe também era muito poderosa; ela era uma Mestra. Desafiou um dos Lordes das Sombras e o derrotou, mas não sobreviveu aos ferimentos. A partir daí, a Ordem tinha que decidir o que fazer com você. O GranMestre Greendolow decidiu que o melhor a se fazer seria lhe entregar para um casal de pessoas normais até que você fizesse 12 anos e pudesse ingressar na Ordem. Escolhemos esse casal porque eles eram amigos do seu pai.
– Mas por que eu não poderia ficar entre vocês?
– Porque a Drugstrein não é um lugar muito seguro para crianças.
– Entendo.
– Mas porque você esta trabalhando aqui? – Katherine resolveu indagar sobre a atual situação do garoto.
– Bem, há uns quatro anos meu pai contraiu uma doença grave e acabou morrendo e, no ano passado, minha mãe foi morta por um lobisomem.
– Nossa! Desde então você esta trabalhando aqui?
– Sim. Também venho estudando magia por conta própria, para que nunca mais fique indefeso diante de uma situação como a que minha mãe morreu.
Spaak não aguentava mais a ansiedade e resolveu fazer logo a pergunta que lhe trouxe até aquele local.
– Você quer vir para Drugstrein?
– Lógico! – Respondeu de imediato.
– Então vamos logo que tenho ainda mais três missões a cumprir – Katherine estava cada vez mais apressada.
Os três deram uma breve passada na casa de Kamui para ele arrumar suas coisas. Katherine disse que não precisaria de nada do que era antigo, pois receberia roupas novas: uniformes da academia de Drugstrein. No entanto, ele insistiu em levar uma lembrança de seu pai e mãe adotivos. Logo depois disso, eles saíram da vila e continuaram caminhando em direção leste.
– Como nós chegaremos a Drugstrein? Ela fica a mais de 100 quilômetros daqui.
– Aqui, olhe.
Spaak fez um movimento com a mão direita e duas rochas se transformaram em duas motos. No entanto, elas não tinham rodas, e sim um suporte de cada lado para mantê-las em pé.
– Deixamos elas aqui para não chamar a atenção. Todo mago recebe uma ao se graduar Mestre.
– Mas o que é isso? Algum tipo de tecnologia?
– Sim, tecnologia mágica – Katherine explicou. – Elas flutuam a uns 10 centímetros do solo quando acionadas e voam a uma velocidade realmente alta. Se chamam Skyjat.
– Interessante, como funcionam?
– Ela é movida por um núcleo mágico pré-carregado por magia neutra. – Spaak continuou com a explicação enquanto montava a skyjat. – Agora é só acioná-la magicamente.
O Mestre colocou a palma da mão em contato do painel da skyjat enquanto Katherine fazia a mesma coisa.
– Vamos, monte. Cabem um piloto e um passageiro – Spaak convidou Kamui a pegar uma carona em seu transporte.
O rapaz montou a skyjat de Spaak receoso, e se segurou firme. Ela, então, arrancou e rapidamente atingiu uma grande velocidade. Após menos de uma hora de viagem, eles já podiam avistar o Castelo de Drugstrein. Kamui constatou que ele era imenso, pois já podia ser avistado mesmo de longe. Spaak, porém, começou a se desviar do trajeto.
– Aonde você vai Spaak? – Katherine já estava ficando irritada.
– Vou mostrar ao Kamui o local da batalha entre o pai dele e o Imperador Negro.
– Mais você vai perder duas horas entre ida e volta. Se quiser ir, vá sozinho eu tenho coisas mais importantes para fazer.
– Pode deixar.
Spaak começou a se distanciar cada vez mais da direção. Enquanto isso, Katherine seguiu seu caminho rumo ao castelo de Drugstrein.
– Ela é sempre meio mal humorada assim? – Kamui perguntou quando já estavam um pouco longe e nem podiam mais avistar o castelo.
– Não se preocupe, ela é uma boa pessoa, só esta mal humorada porque eu a atrasei. Era para eu ir sozinho me encontrar com você, mas pedi para ela vir comigo para facilitar um contato. Talvez você pudesse não acreditar.
– De fato não acreditaria se não pudesse usar magia, mas, agora as coisas se encaixam. Por isso posso usá-la, meus pais eram magos.
– Sim, e eram magos excelentes. Você também será um mago poderoso se você se dedicar bastante.
Passaram-se quase uma hora e Spaak e Kamui continuaram conversando sobre Drugstrein e tudo o que um mago fazia. Aos poucos, os dois já haviam formado, de certa forma, uma amizade. Logo eles chegaram a uma enorme cratera dentro de um descampado próximo a uma densa floresta.
– Chegamos.
Spaak parou a skyjat e esperou que Kamui descesse para depois desligá-la e também desmontá-la.
– Uau! Meu pai fez esse buraco enorme no chão?
Kamui estava espantado com o que via. Desceu lentamente a encosta do buraco no chão seguido por Spaak. Depois de alguns metros seus cabelos começaram a se arrepiar ainda mais e ele começou a sentir estática no ar.
– O que é isso que estou sentindo?
– É a aura de seu pai. Ele se afastou de Drugstrein e trouxe o Imperador Negro para cá para evitar destruir o castelo. Não sei que feitiço ele usou, mas foi realmente poderoso para manter restígios de aura por mais de dez anos.
– Meu pai... Pena que mal cheguei a conhecê-lo, minha mãe também, gostaria de tê-los ainda vivos.
– E você perdeu seus pais duas vezes, seus pais biológicos e os adotivos também – Spaak fez uma pausa. – Você teve uma infância bem difícil não é, e sua vida também não é nada fácil, é incrível como você ainda é feliz.
– Sempre tive motivos para ser feliz. Quando minha mãe morreu, eu achei que não teria mais motivos para continuar a viver, mas, quando descobri a magia me senti vivo de novo. Acho que hoje é o dia mais feliz da minha vida! Vou estudar em Drugstrein! Mal posso acreditar – a animação era visível em seu tom de voz.
– Vamos então. Já estamos meio atrasados.
– Ok, vamos.
Com isso os dois partiram novamente para o castelo de Drugstrein. Então Kamui olhou para trás para poder observar por mais algum tempo o último lugar em que seu pai esteve em vida. E ficou imaginando como ele seria, como seria se tudo isso não tivesse acontecido e eles ainda estivessem juntos.
N.A — Bem, esse é o início da história, se gostarem deixem um comentário com a opinião de vocês. Se não gostarem, também deixem a opinião, afinal é assim que posso melhorar.
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