A Ordem de Drugstrein
86 Retorno à Drugstrein - Parte 1
Notas iniciais
Capítulo 085
Retorno à Drugstrein (Parte 1)
O draconiano observava-os de perto. O rapaz mais alto e mais forte levava certa vantagem, mas a agilidade da moça compensava isso com golpes rápidos e precisos.
Cada vez que as lâminas se tocavam, ouvia-se o som do metal se chocando contra metal e vez ou outras as faíscas saltando no ar. Sem qualquer aura para auxiliá-los, era incrível como podiam manter aquele ritmo por mais de uma hora.
Quando finalmente resolveram parar com o treinamento com as espadas, Kayan caminhou até o cantil que havia deixado ali do lado e tomou dele três grandes e apressadas goladas que fizeram com que um filete de água escorresse para seu queixo. Caminhou até a árvore onde Thays havia se recostado ao se sentar e fez o mesmo que a moça enquanto lhe oferecia o cantil.
— Eu entendo que esse treinamento pode ajudar Kayan com seu giudecca – disse Albenezir ao se aproximar. – Mas que vantagem você vê nisso, Thays?
— Treinamento? Nós estávamos apenas nos divertindo – respondeu ela, ofegante.
A reação do draconiano foi apenas rir antes de sua próxima pergunta.
— Estavam se divertindo... e costumam fazer isso com frequência em Drugstrein?
— Na verdade não. Sequer temos espadas em Drugstrein, mas como vocês tinham várias delas resolvemos usá-las um pouco – esclareceu-lhe Kayan.
— Para falar a verdade, nunca achei que alguém chegaria a usar essas espadas que ganhamos de presente dos anões há muito tempo. As mantivemos conservadas assim mesmo, mas nunca achei que realmente seriam usadas. Talvez nós draconianos pudéssemos usá-las um pouco para nos divertirmos também.
Albenezir, então, deu a volta na árvore e recostou-se no lado oposto ao do casal, onde podia observar as colinas a frente enquanto conversassem.
— Espero que essas três luas que tenham passado aqui tenham sido úteis para vocês – disse ele.
— Vocês são uma boa companhia – disse-lhe Thays. – Gostamos muito de conversar com todos os dragões e nunca esperaríamos que os pastores taurinos poderiam ser tão pacíficos e nos recebessem tão bem em seus vilarejos. Além disso, tenho aprendido sobre magia com você.
— E quanto a você, Kayan, tem aprendido muito com Ballaya?
— Sim, ela me ajudou muito com um feitiço que estou desenvolvendo. Mas disse que não tem mais nada a me ensinar e que só me resta praticar.
— Ainda fico impressionado o quanto vocês, humanos, conseguem evoluir rápido na magia. E é essa qualidade aliada aos limites absurdos que alguns indivíduos conseguem atingir que mantêm vocês na frente dos elfos.
— Isso porque vocês, draconianos, não estão mais no continente – disse-lhe Thays. – Pelo que percebi, todos vocês são mais poderosos que a maioria de nossos mestres.
— Nós somos uma raça que definha lentamente – respondeu-lhe, com certa tristeza na voz. – Não envelhecemos, mas nosso dragão mais jovem tem mais de quinhentos anos. Como já expliquei-lhes anteriormente, em algum momento nós começamos a perder nossa capacidade de nos reproduzir. Não é diferente com os elfos. Em cada década há menos deles nascendo e acho que eventualmente acabarão se tornando inférteis como nós.
O silêncio pairou no ar durante algum tempo. Apesar do que havia dito, Albenezir não parecia triste ao saber que cedo ou tarde sua raça deixaria de existir, exceto, é claro, se nunca deixassem Mandrakory, ou talvez nem isso os salvasse.
O clima desagradável que se formou foi quebrado por Zil li Mordenion, que aproximava-se do trio caminhando lentamente. Cumprimentou-os e Albenezir foi o primeiro a se levantar para recebê-lo.
— Algum problema, Zil? – indagou o draconiano. – Você nunca chega tão ao centro de nossa redoma.
— Trago uma carta para os humanos – respondeu ele. – Chegou em Myrigard há quase uma lua.
O casal entreolhou-se intrigado. Certamente alguém de Drugstrein havia escrito para eles e entregue a carta na principal cidade dos elfos acreditando que eles ainda estivessem no território daquela raça.
— Obrigado Zil – agradeceu-lhe Kayan enquanto quebrava o selo de cera e desenrolava o pequeno rolinho de papel.
Thays e ele leram o conteúdo escrito por Spaak com rapidez e suas expressões tornaram-se preocupadas enquanto o faziam.
— Albenezir, agradecemos muito sua hospitalidade, mas temos que voltar para Drugstrein imediatamente – afirmou Kayan.
— Será que você pode nos aguardar por alguns minutos, Zil. Reuniremos nossas coisas e pegaremos o navio élfico para o porto de Elfelian.
— É algo assim tão urgente? – indagou-lhes Albenezir.
— Spaak não foi muito detalhista em sua carta, mas Drugstrein precisa de nossa força o mais breve possível – respondeu-lhe o mago negro.
— Nesse caso eu os levarei até o inicio do território humano ao norte – ofereceu-se Albenezir.
— Os dragões conseguem atravessar o oceano voando? – espantou-se Kayan.
— Menos de dez de nós possui a força necessária para isso, mas eu posso levá-los até lá em dois dias. Para isso vocês deverão utilizar suas auras para resistir ao vento gelado, mas será uma tarefa fácil para vocês dois.
— Não temos como agradecer tudo o que fez por nós, Albenezir. Isso será de grande ajuda.
Após Thays agradecer ao draconiano, os jovens despediram-se dos dragões com os quais haviam feito mais amizade e de Zil antes de partirem para um vôo com apenas três paradas. Nesse meio tempo puderam reaproveitar o abrigo temporário que haviam construído nas terras gélidas Mirron.
* * *
O sol despontava no horizonte ao final da terceira noite de vôo de Albenezir Ruoz Tallon. O casal de magos estava levemente cansado após utilizar sua aura por tanto tempo para se protegerem do frio, mas nada que alguns minutos de repouso não pudesse resolver.
O draconiano pousou suavemente assim que entrou no território humano e os dois saltaram para o solo tão logo ele o fez. Sentir a brisa da primavera foi um alivio para o casal após tanto ver neve e o vento gelado das montanhas.
— Devemos agradecê-lo novamente, Albenezir – disse-lhe Kayan.
— Quer vir conosco até Drugstrein? Tenho certeza de que passaria despercebido se usar sua forma draconiana.
— Agradeço a oferta, mas devo voltar para cuidar do meu povo enquanto vocês cuidam do seu – respondeu ele em uma voz trovejante. – Venham para Mandrakory novamente quando resolverem seus assuntos. E tragam alguns de seus amigos para conhecer os dragões.
Aquelas foram as palavras de despedidas do regente dos draconianos, que levantou vôo assim que as terminou. Kayan e Thays observaram a incrível criatura desaparecer no horizonte montanhoso.
— Muito bem. Acho que devemos arranjar alguns cavalos agora – afirmou Thays.
— Acho que não. Mesmo com bons cavalos levaríamos ao menos dez dias para chegar a Drugstrein. Acho que eles estão nos esperando há muito tempo já.
— Sugere que façamos o percurso correndo?
O sorriso no rosto do Atreius foi tudo o que obteve como resposta.
— Acho que podemos fazer uns duzentos e cinquenta quilômetros em uma hora em nossa velocidade máxima.
— Não aguentaríamos dez minutos em nossa velocidade máxima, Kayan.
— Tem razão, mas acho que podemos manter um décimo dessa velocidade por algumas horas seguidas. Se descansarmos um pouco em alguns intervalos e dormirmos bem à noite, podemos chegar lá em uns quatro dias.
— Será bem exaustivo, mas acho que conseguiremos – disse Thays enquanto se alongava antes do grande esforço físico que teriam pela frente.
* * *
Ainda um pouco antes do previsto, Kayan e Thays chegaram à região de Drugstrein no meio da tarde do terceiro dia. Estavam bastante cansados depois de todo aquele esforço, então decidiram que era melhor parar em Bereth antes de seguir para o castelo da ordem.
Utilizaram a casa que Kayan ainda tinha na pequena cidade para se banharem e seguiram para a feira da cidade para se alimentarem muito bem antes de seguir até seu objetivo. Após aquilo, estavam suficientemente revigorados para chegarem em Drugstrein da maneira que queriam.
O crepúsculo tingia o céu de alaranjado quando finalmente puderam ver seu verdadeiro lar após mais de um ano de ausência. Caminharam lentamente através do grande portão levadiço da muralha exterior, que sempre ficava aberto para que os magos retornassem de suas viagens ou missões.
Como de costume, além dos servos do castelo, havia muitos magos naquele grande pátio de entrada de Drugstrein, a maioria praticando formas mais sutis e menos destrutivas de magia. Dois dos que faziam aquilo eram bem conhecidos do casal que recém retornara para casa.
— Thays! – gritou a moça de cabelos escuros e cacheados enquanto corria em direção a amiga.
Nathie abraçou fortemente a Cyren e levantou-a do chão. O Atreius, nesse meio tempo, caminhou até o rapaz que treinava com ela.
— Olá Kayan, Thays – cumprimentou-os, timidamente, Karzus.
Kayan aproximou-se dele e abraçou-o. Aquele gesto resultou em grande felicidade para o rapaz, que tinha grande admiração pelo mestre que o cumprimentava.
— Faz mais de um ano que vocês sumiram – afirmou a Durgan. É impressão minha ou seus seios estão maiores, Thays? O Kayan tem soprado eles, é?
— Eles estão do mesmo tamanho que sempre foram – respondeu ela, timidamente, enquanto cruzava os braços sobre o peito, escondendo as partes de seu corpo que estavam em pauta.
— E o Kayan esta mais alto e mais fortinho também – disse Nathie enquanto apalpava os músculos dos braços do Atreius.
— Hei! Quer tirar as mãos do meu namorado? Você já tem seu mago negro.
— Ora, Thays, não precisa ficar com ciúmes.
— Não tem como não ficar com ciúmes quando eu sei que você já beijou o Kayan no passado.
— Isso não quer dizer nada. Eu também já te beijei e o Kayan não fica com ciúmes quando eu te abraço.
Aquelas palavras fizeram com que o rosto de Thays se ruborizasse e ela se encolhesse com certa vergonha.
— Como é que é? – indagou Kayan, surpreso.
— Esquece isso, Kayan, foi há muito tempo, antes de voltarmos a ficar juntos – justificou-se Thays. – E foi só uma espécie de... teste.
— Vocês duas – o Atreius transferia o olhar de uma para outra. – Agora eu estou imaginando coisas que não deveria – disse ele com um sorriso bobo no rosto.
— Então pare de imaginar – disse ela, irritada, enquanto caminhava em direção ao namorado.
Aquilo fez com que Nathie e até mesmo Karzus, que limitava-se a apenas observar o trio, começasse a rir sem parar. Por fim, até mesmo Kayan e Thays começaram a rir.
— Estou muito feliz que vocês dois voltaram – disse Karzus, por fim.
— Nós também estamos felizes em voltar – respondeu-lhe Thays.
— Mas parece que vocês dois não se tornaram mestres no ano passado – observou Kayan.
— Pois é. Fiquei nervoso no exame de duelo e falhei – disse Karzus.
— E eu não consegui completar o exame final a tempo – respondeu-lhe Nathie.
— Mas vocês tentarão novamente este ano, certo? – indagou Thays. – Alguém tem treinado vocês dois?
— Sim, a Aghata é a líder de nossa equipe – respondeu-lhe Karzus.
— Nós praticamos bastante juntos e ela sempre nos dá boas dicas – complementou a moça. – Alias, acho que vocês deveriam ir logo ver o Spaak. Ele está nos aposentos da Aghata e tem novidades boas além das ruins que vocês já devem saber.
— Iremos até lá imediatamente. Mais tarde vamos para a taverna para conversarmos mais – sugeriu Kayan.
* * *
Apesar de terem dito à Nathie que iriam até Spaak imediatamente, Thays preferiu ir até a torre dos servos para visitar sua mãe. Kayan acompanhou-a.
— Como assim, namorado?! – indagou a Cyren para sua mãe, que havia saído do pequeno quarto e conversava com a filha nos corredores.
— Já faz muitos anos que seu pai faleceu, minha filha, e eu encontrei alguém que me faz feliz. Não esperava uma reação como essa.
— Esta tudo bem mãe. Você ficou sozinha por muito tempo, também merece ser feliz. É só que você pegou meio de surpresa. Poderia ter me contado em uma carta.
— E como é que eu iria te mandar uma carta se vocês não paravam em lugar algum? – repreendeu-a Samantha.
— Nós até paramos por nove luas, mas foi ao norte dos portões do exílio – respondeu-lhe Kayan, mas arrependeu-se disso logo em seguida.
— O quê?! Você levou minha única filha para um lugar perigoso desses?
— Não é assim tão perigoso, mãe, sabemos nos cuidar.
Samantha, então, suspirou, derrotada.
— Você saiu igualzinho ao seu pai mesmo, não é, Atreius? Mas deixem isso para lá, venham conhecer o Jon.
Samantha abriu a porta do quarto para que eles entrassem. Eram aposentos ainda mais simples que o dos magos e continha apenas uma pequena mesa, uma cama e um sofá, sobre o qual um homem magro e alto se sentava. O casal de mestres reconheceram seu rosto rapidamente, uma vez que ele era um dos que cuidava dos cavalos do castelo e isso lhes trazia um certo contato quando eles solicitavam cavalos aos estábulos.
— Jon, não é? – perguntou Thays, enquanto analisava o homem de cima a baixo. – Espero que esteja realmente levando esse relacionamento a sério e não faça minha mãe sofrer.
— Pensei que eu era a mãe aqui e não você – repreendeu-a Samantha.
— Não se preocupe com isso, mestre Thays Cyren, amo sua mãe de verdade e levei mais de um ano para conquistar seu coração. Não pretendo desperdiçar essa oportunidade.
— Esta certo, esta certo, mas não precisa de tantas formalidades quando estivermos aqui. Pode me chamar apenas de Thays, já que parece que vai ser meu novo pai – e sorriu de maneira simpática ao cumprimentar Jon.
— Obrigado, Thays – respondeu o homem, aliviado.
— Agora vocês dois podem ir me contando direitinho essa história de ir ao norte dos portões do exílio.
Thays teve mais de uma hora para matar a saudades de sua mãe, mas eles precisavam obter mais detalhes sobre a carta que Spaak lhe mandou, então ela e Kayan tiveram que deixar os aposentos de Samantha e a Cyren teria que esperar mais um pouco antes de ter mais tempo para passar com sua mãe.
* * *
O casal desejava falar com o Firyn, mas, visto que os aposentos de Aghata ficavam bem mais abaixo que os dele, foi para lá que resolveram ir antes de subir todos os degraus apenas para dar de cara com uma porta fechada de um quarto vazio.
Segundos após baterem à porta, o mestre de cabelos longos e vermelhos fogo atendeu-os. Foi uma grande alegria para ele rever os amigos. Abraçou Kayan com força e, em seguida, Thays.
Quando ele deu passagem para os dois entrarem nos espaçosos aposentos da Willis, depararam-se com a moça trajando um leve vestido de algodão enquanto se sentava no grande sofá que havia em seu quarto. Ela acariciava sua barriga, que estava completamente redonda, com delicadeza.
— Me-meus parabéns aos dois – balbuciou Thays, após se recuperar do choque.
— Obrigada. Ele ou ela vai nascer daqui a duas luas – respondeu Aghata.
— Vai ser um belo bebê de cabelos vermelhos e vai ser um mago tão poderoso quanto o papai aqui – disse-lhes Spaak, orgulhoso.
— Então vocês se casaram e nem nos esperaram para a festa – comentou Kayan, brincalhão. – Parabéns para vocês dois. Agora teremos mais um bebê para brincar além do pequeno Kattus.
— Na verdade não nos casamos ainda. O Spaak está me enrolando – disse-lhes Aghata, em meio a risadas.
Na verdade era bem comum que alguns dos magos nunca chegassem a se casar embora vivessem juntos toda a vida. Para eles o casamento era apenas uma comemoração pela união do casal, uma vez que eles não tinham qualquer crença religiosa.
— Isso não é verdade – disse o mestre enquanto fechava a porta e sentava-se ao lado da namorada. – Além disso, a Aghata me enganou parando de tomar a poção da lua sem me avisar.
— Eu só queria fazer uma surpresa, já que sabia o quando você queria ser pai.
— E que surpresa boa – concordou ele enquanto fazia um carinho na barriga de Aghata.
— No entanto, parece que não são só boas noticias que você tem para nós – disse Kayan enquanto pegava duas cadeiras e as posicionava para que ele e Thays se sentassem de frente para o outro casal. – Em sua carta você mencionou que Drugstrein estava em guerra contra a Ordem de Zeneth.
O clima na sala tornou-se um tanto quanto mais tenso quando Kayan mencionou o assunto. Spaak, então, passou a explicar a situação.
— Exatamente. Não é uma guerra total, mas nossas equipes estão sendo atacadas e emboscadas ao irem ou retornarem de suas missões a tal ponto de começarmos a enviar equipes muito mais poderosas do que as missões realmente requerem. É claro que não temos ficado parados nesse meio tempo, mas nos recusamos a ações sujas como as que nosso inimigo tem feito.
— E como tudo isso começou?
Quem respondeu a questão de Thays foi Aghata e não Spaak.
— Começou há pouco mais de duas luas. O granmestre Grendolow voltava junto com sua irmã, a mestre de elite Galia e o mestre de elite Caleb de uma missão diplomática no território dos elfos. Eles foram emboscados e mortos por pelo menos uma dezena de mestres de Zeneth. Levamos quase uma lua para investigarmos e descobrirmos o que aconteceu e nesse meio tempo mais dezessete de nossos magos e dois de nossos mestres foram mortos da mesma maneira.
— O mestre Caleb... Ellien deve estar arrasada... – comentou Thays, com certo pesar na voz.
— Ficou mesmo – disse Aghata. – Mas sua mãe e o namorado dela estão ajudando-a a superar essa perda terrível. Além disso, ela tem sido bem requisitada nas missões, já que é uma maga branca.
— Isso me deixou ainda mais preocupada – comentou Thays.
— Não fique, a equipe dela esta sendo liderada por um mago muito talentoso chamado Viktor Smalter que é orientado a protegê-la acima de tudo.
— O Viktor está em Drugstrein? – indagou a Cyren, surpresa.
— Você o conhece? Ah, é verdade! Vocês estudaram na mesma turma de aprendizes – comentou ela, relembrando o passado.
— Joseph Smalter desfez sua guilda para trazer seus quase cinquenta magos em apoio à Drugstrein. Ele é um dos nossos mestres de elite agora.
— Ele é um mestre muito bom. Será bom para nós tê-lo junto aos nossos – comentou Kayan. – Eu tenho que perguntar – disse, receoso. – Quem mais nós perdemos?
Spaak listou os nomes dos quais ele recordava e foi certo alivio saber que nenhum deles era um amigo próximo. Apesar disso, Kayan e Thays conheciam alguns deles, o que não deixava aquelas mortes serem irrelevantes para eles, além, é claro, do fato de serem todos magos de Drugstrein.
— E o que tem sido feito em contra ataque? – indagou o mago negro.
— Não houve contra ataque, mas começamos a enviar duas ou três equipes juntas para missões que apenas requeriam uma. Desta maneira pudemos revidar as emboscadas e sair vitoriosos em alguns conflitos. Poucos deles foram mortos e vários capturados. Alguns dos nossos também estão sob a custódia de Zeneth.
— Além disso, estamos garantindo que nenhuma outra ordem seja envolvida para que essa situação não afete a segurança do território humano – Aghata complementou as informações dadas por Spaak.
— Então é por isso que nos chamou de volta – concluiu Thays. – realmente seremos importantes nessa guerra, principalmente após treinarmos com os draconianos.
— Um novo granmestre já foi escolhido? – perguntou Kayan. – E quais os outros dois novos mestres de elite além de Joseph?
— Arthuro Magnum é nosso novo granmestre. Jonathan Winggly assumiu seu lugar. Sakuro, Arthuro e eu temos segurado a escolha do décimo segundo mestre de elite alegando que poderia ser a Aghata após nosso filho ter nascido. A verdade é que tinha esperanças de que você voltasse logo.
— Eu? – indagou Kayan, surpreso.
— Sim. Precisamos de mestres de elite com uma grande capacidade de combate e, se você continuou evoluindo na velocidade com a qual evoluía, acredito que seja perfeito para o cargo.
Ao invés de responder a Spaak, Kayan olhou para Thays em busca de uma opinião, que a moça lhe deu prontamente.
— Pessoalmente eu não gostaria que você fosse um mestre de elite neste momento porque serão os principais alvos dos magos de Zeneth. Por outro lado, se há alguém que pode lidar com isso é você, Kayan.
— Tudo certo, então. Convocarei uma reunião com os quatro granmestes e todos os mestres presentes na ordem. Acho que daqui a umas duas horas virei te buscar.
* * *
O salão principal de reuniões da ordem estava preenchido pelo mais alto escalão de Drugstrein, que começava a se tornar impacientes após terem seus momentos de descanso interrompidos por Spaak.
— Realmente espero que o Firyn tenha um bom motivo para nos chamar aqui – disse um homem de meia idade com um farto bigode castanho e cabeça totalmente desprovida de cabelos.
— Eu o conheço bem, Glarion, e tenho certeza de que não é um motivo fútil – defendeu-o o granmestre Aikos Fixue.
Os oito mestres de elite e quatro granmestres tiveram que aguardar apenas mais alguns minutos até que a grande porta dupla se abrisse e Spaak passasse por ela. Aghata seguiu-o logo antes de que Thays passasse pela porta.
— Prima! – exclamou Sakuro.
— Primo!
Sem pensar duas vezes, a Cyren correu até o granmestre para abraçá-lo. Ele, por sua vez, ergueu-a no ar. Após isso ela foi até Katherine, que carregava o pequeno Kattus nos braços.
Kayan caminhou lentamente enquanto entrava na sala. Abraçou Sakuro e, em seguida, Arthuro, mas limitou-se a apertar a mão de Radamanthys.
— E como vai o pequeno Kattus? Acredito que já esteja gatinhando – disse ele enquanto observava o menino pegar seu dedo indicador.
— Esta mesmo. Se deixarmos ele sai de nossos aposentos e sai explorando toda a torre dos granmestres – respondeu-lhe Katherine enquanto o casal recém chegado brincava com o menino de cabelos azulados.
— Estou certa de que muitos estão felizes com esse retorno, mas não era necessário reunir todos aqui apenas para isso – protestou uma mulher de cabelos ruivos e ondulados.
— Está certa, Ayla Gunver, mas não é para isso que os chamei aqui – respondeu-lhe Spaak. – Vocês estão aqui para nomearem nosso décimo segundo mestre de elite.
Exclamações foram ouvidas quando o mestre do fogo apontou para Kayan, que encarou os presentes com seriedade.
— Pensei que esta posição seria para minha filha quando o meu neto tivesse nascido – contrapôs Afonso Willis.
— Não, meu pai, acredito que Kayan seja mais indicado para o cargo no momento.
— Isso não está certo. Kayan deve ter apenas dezoito anos. Porque aceitaríamos um mestre com tão pouca experiência entre nós? – protestou Ayla.
— Idade não é um impedimento visto que meu irmão tornou-se mestre de elite com apenas um ano a mais e granmestre aos vinte e um anos – argumentou Radamanthys. – Entretanto, o que precisamos no momento é de alguém com poder para combater nosso inimigo. Tem certeza que Kayan possui tal força para indicá-lo, Spaak Firyn?
— Devo concordar com Radamanthys, Atreius – disse Aikos.
— Imaginei que diriam isso – disse Kayan com um sorriso no rosto. – Por isso vim disposto a provar minha força.
Apontou para Ayla antes de dizer a próxima frase.
— Você, mestre de elite Ayla, lutará contra mim – continuou antes que ela pudesse protestar. – Entretanto, você será apenas a suporte, então quero saber quem de vocês é o mais forte.
Os mestres de elite se entreolharam após a indagação de Kayan. O Atreius continuou antes que qualquer resposta fosse dada.
— Sei que os indicados para granmestre além de Arthuro Magnum foram os mestres de elite Glarion Asford e Katherine Sttiken. Não gostaria de lutar contra Katherine devido a nossa proximidade, então acredito que a dupla ideal será Glarion Asford e Ayla Gunver.
— Está mesmo disposto a utilizar a esfera da destruição contra magos de Drugstrein para provar sua força? – questionou-o Glarion.
— Eu jamais seria capaz de utilizar minha esfera contra algum aliado – disse ele. – Irei derrotar vocês dois apenas com as esferas comuns.
Um pequeno alvoroço se instaurou no salão. Até mesmo Spaak e Aghata foram surpreendidos pelas afirmações de Kayan, que limitou-se a olhar para Thays. Um sorriso curvou os lábios tanto da Cyren quanto do Atreius.
— Espero que saiba o que está fazendo, rapaz, pois irei utilizar minha esfera em seu potencial máximo. Prepare-se para ser esmagado.
— Certo, certo, então vamos lá para os arredores do castelo para resolvermos isso logo.
Os presentes, então, seguiram para a porta. Alguns surpresos, outros irritados e alguns ansiosos. Kayan foi o último a sair e, em seu rosto, ainda restava um meio sorriso.
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