A Ordem de Drugstrein
39 Batalha em Tubbler - Parte 1
Notas iniciais
Capítulo 038
Batalha em Tubbler (Parte 1)
O crepúsculo sempre chegava um pouco mais cedo naquela região. Os altos picos das montanhas tampavam a luz do sol antes que o restante do planeta Wesmeroth. Não eram nem dezoito horas e a escuridão tomava conta de todo o ambiente. Porém, existia alguém que não se importava nem um pouco com isso.
Com mais de dois metros e meio de altura, ele era muito corpulento e estava usando uma pesada armadura feita de aço, que cobria praticamente seu corpo todo. As mãos possuíam apenas quatro dedos e estavam cobertas por grossas luvas de couro. Uma enorme capa azul escuro se estendia de seus ombros até o chão. Nela havia um singular símbolo: um triângulo de borda dupla com dois riscos em cada um dos lados e um caractere desconhecido ao centro. O mais intrigante certamente era a aparência de seu rosto.
Este era coberto em uma pelugem marrom e salientava um enorme focinho de touro, que continha dentes extremamente afiados. Seu olho era em um tom amarelo vivo e emanava uma ira desenfreada. Era seu olho porque havia apenas um e, no lugar do outro, aparecia apenas uma feia cicatriz que ia da testa até o início do focinho. Em sua cabeça, dois enormes chifres transpareciam.
Corria em grande velocidade através do planalto próximo as montanhas Mirron. Para tal usava pés que mais pareciam patas de um touro e estavam quase totalmente encobertas pela armadura. Parou e verificou ao redor como se estivesse farejando algo. Um sorriso apareceu em seu focinho e ele soltou uma espécie de grunhido de excitação.
De repente, do meio da poucas árvores que havia no canto, um lobo gigante surgiu correndo em sua direção. Ele tinha a pelagem cinza e era pouca coisa menor que o taurino. Começou a circular sua possível presa, porém não avançava. Cansado da brincadeira, o taurino avançou para o lupino com uma agilidade assustadora para seu tamanho. Agarrou-o pelo pescoço.
— O que foi seu lobo de merda? Chame seus amiguinhos – disse em um tom de voz bufante.
O lupino tentou rosnar, mas apenas ganiu. O taurino afrouxou um pouco sua mão e então ele pode uivar. Mais dois lobos gigantes apareceram, um em meio as árvores próximas das que o primeiro deles havia surgido, outro veio correndo do alto de uma parte mais elevada do terreno, que ficava a esquerda do taurino. Este, uma vez que não precisava mais do lupino, apertou seu pescoço com toda a sua força, o que o fez quebrar como se fosse um graveto. Jogou o corpo sem vida no chão.
Os outros dois novos integrantes da luta rosnavam às costas do enorme ser, preparavam-se para atacar quando este soltou duas curtas palavras.
— Raz Rashon.
O taurino espalmou as duas mãos que jaziam caídas paralelamente ao seu corpo musculoso. Labaredas de chamas surgiram destas e se dirigiram aos lobos que queimaram em poucos segundos, sem terem chance alguma para reagir.
— Esses lupinos fétidos – proferiu em meio a um bufão. – Acabaram tirando meu ritmo. Não importa, chegarei antes do amanhecer.
* * *
Três deles avançavam pela direita, mais quatro pela esquerda. Eles portavam enormes maças de aço em suas mãos e os corpos estavam todos cobertos por pesadas armaduras. Todos os magos saíram de sua carruagem de imediato, o condutor se escondeu atrás da mesma com medo.
Spaak olhou ao seu redor para verificar a situação dos demais magos. Karion e sua equipe já estavam tomando a frente do combate. O outro mestre, que estava com ele e sua equipe, corria de encontro a carruagem destruída para prestar auxílio.
Sarah e Nathie ficaram perdidas em meio à confusão e um tanto quanto sem reação. Um dos taurinos saltou a uma altura impressionante e avançou para o ataque em direção às duas garotas. Kayan não esperou para reagir e usou um clayn contra o inimigo. A terra se ergueu e acabou arremessando-o de volta ao chão, sem ferimentos aparentes.
Aghata olhou adiante nas montanhas e viu o que tinha causado a explosão: cinco taurinos shamans estavam seguros no alto da montanha e conjuravam um novo feitiço. A visão da mestra não era suficiente para ver o que eles faziam, então resolveu mostrar para Spaak.
— Merda! Aghata, eles vão atacar de novo!
— O quê?!
— Vão lançar mais um meteoro pra cima da gente!
As garotas retomaram a concentração do combate e Anita se uniu a Kayan numa luta contra os guerreiros. O mago manejava algumas rajadas de fogo com perfeição, o que os mantinha longe. Enquanto isso, Anita preparava-se para atacar.
A maga lançou um feitiço de gelo na tentativa de congelar o taurino mais próximo. No entanto, este se defendeu com a maça de aço que acabou ficando parcialmente congelada.
Logo após isso, uma espécie de assovio muito alto começou a se propagar no ambiente. Era muito irritante para os humanos, porém parecia não incomodar os taurinos, que começaram a se afastar da luta no exato momento.
— Eles estão recuando? – perguntou Nathie.
— Vamos atrás deles! – Anita fez menção de correr.
— Esperem, tem coisa errada aqui! – Kayan gritou para que as garotas ouvissem.
Como se fosse algo sincronizado, mal ele gritou e uma enorme bola de fogo surgiu no céu e vinha em direção aos magos.
— Droga! Vamos correr! – gritou ao avistar o ataque.
— Não dá tempo, Kayan! – Spaak se aproximou em meio aos gritos e ao assovio irritante que aos poucos perdia a intensidade. – Aurus pinn, agora!
O rapaz não hesitou e obedeceu ao mestre de imediato, sendo acompanhado por Agatha. Anita se uniu aos três para intensificar a barreira e, antes que as outras duas fizessem o mesmo, Spaak deu uma ordem diferente.
— Protejam a retaguarda das chamas!
Elas também obedeceram de imediato e a barreira se tornou uma espécie de cúpula. O meteoro a atingiu em cheio e tudo o que podiam ver eram chamas por todo lado. O impacto foi enorme, e os seis magos foram pressionados contra o solo com força. A parte da barreira suportada por Sarah e Nathie acabou cedendo e as duas arremessadas para trás. As chamas invadiram a cúpula e os magos quase foram queimados vivos. Essa tragédia apenas foi evitada porque Anita agiu com velocidade e conjurou um feitiço de gelo.
Apesar do pouco tempo para se concentrar, a garota de cabelos dourados conseguiu lançar o feitiço com perfeição, fazendo com que a temperatura do ambiente caísse e o gelo contra-atacasse as chamas. Porém, esse movimento acabou por enfraquecer o outro lado da barreira, que quase cedeu. Se as chamas não tivessem se extinguido naquele exato momento, a batalha teria seu fim antes mesmo de começar.
Anita sentou-se ao chão um tanto quanto cansada. Sarah e Nathie, que já estavam no chão, permaneceram sentadas.
— Kayan, você assume aqui. Derrote os sete taurinos que já estão retornando, depois ajude a equipe do Karion, que está enfrentando nove deles – Spaak começou a distribuir as ordens. – Aghata, você vem comigo. Nós vamos pegar aqueles shamans antes que eles tenham tempo de atacar de novo com um Taz Rashon.
— Certo – respondeu a mestra ao seguir Spaak, que já estava em disparada em direção as montanhas.
— Garotas, lamento, mas o tempo de descanso terminou. Eles estão voltando. Sarah, perto de mim o tempo todo. Anita e Nathie, afastem-se e deixem eles virem pra cima de mim.
— O quê?! – protestou Anita. – Ficou louco! Quer se matar?
— Escutem o que eu digo! – gritou ele em meio aos protestos. – Quando eles me atacarem, estarão concentrados em mim, então vocês terão uma abertura para atacar.
— Certo – Nathie concordou relutante.
— Espero que saiba o que está fazendo, Kayan – disse Anita ao se afastar, esperando que o mago estivesse certo em sua decisão.
— Agora é sua parte, Sarah.
— É só mandar – a garota concordou de imediato.
— Vou lançar um durhan tangrea, quando fizer isso, quero que crie uma ilusão de ser apenas um tangrea normal.
— Entendido.
Sarah respondeu pouco antes de reparar que fagulhas de energia negra não paravam de saltitar das mãos de Kayan.
Os sete taurinos aproximavam-se correndo a uma velocidade incrivelmente alta. Só não haviam chegado ainda por terem se afastado demais quando os shamans lançaram o meteoro contra os magos. Kayan permanecia imóvel e de olhos fechados, Sarah fazia a mesma coisa. Anita e Nathie, cada uma em seu lado do campo de batalha, observavam apreensivas.
O mago gritou em meio aos brados de batalha proferidos pelos taurinos, fato que abafou o som de seu feitiço completamente. Nesse exato momento ele abriu os olhos e visualizou cada um de seus inimigos. Ergueu os braços com velocidade e um raio luminoso – que seria negro não fosse a ilusão de Sarah – cortou o solo levantando uma quantidade absurda de poeira. A seguir, esse raio uno se dividiu em um leque deles. O taurino que corria na frente foi atingido em cheio. Os dois de seu lado saltaram para os lados. O da direita teve apenas o braço atingido, o outro não conseguiu escapar do feitiço, sendo também arremessado para trás. Os demais taurinos tiveram tempo suficiente pra se defenderem com as maças ou então se esquivarem, recebendo, assim, danos mínimos.
O durhan tangrea tem a característica de apenas causar danos internos ao oponente. Porém, neste caso, graças a quantidade de energia empregada, as armaduras dos taurinos atingidos também acabaram rasgando e o chão acabou se tingindo de vermelho com o sangue que jorrava do peito aberto dos dois que perderam suas vidas, além do que teve seu braço esquerdo inutilizado.
Com o esforço e energia gasta, Kayan começou a se sentir zonzo e percebeu que a visão começava a ficar turva. Cambaleou um pouco e apenas não caiu por ter recebido apoio de Sarah, que passou o braço direito em volta de sua cintura, recebendo-o com a lateral do seu corpo.
— Kayan! – exclamou preocupada.
— Na... não se distraia... aí vêm eles de novo.
A garota passou a prestar atenção no taurino que vinha a sua frente em um salto. A maça de aço já estava a meio caminho do casal ali parado quando Sarah reagiu conjurando um escudo de energia. A maça bateu com força na barreira fazendo-a vergar. Porém, ela aguentou o impacto e o devolveu, fazendo com que o taurino fosse lançado para trás.
Os outros taurinos também avançam para atacar, mas foram bloqueados por um enorme golem de pedra. A maça de um deles o acertou em cheio e uma boa quantidade de rocha voou pelo ar. Em contra partida, o golem segurou a arma do inimigo e o arremessou contra algumas rochas das proximidades. Os demais foram obrigados a recuar por causa de uma tempestade de gelo desferida por Anita.
— Vamos acabar com eles, Nathie.
— É isso ai Anita, nós duas damos conta.
— Mas não serão apenas as duas, e sim nós quatro.
Kayan estava visivelmente cansado, mas já havia se recuperado do mal estar. Ele e Sarah aproximaram-se das outras duas magas e se preparavam para o combate.
* * *
Karion estava praticamente dormindo com o tédio instaurado na carruagem em que ele seguia. Seus dois irmãos, Arion e Anion, distraiam-se com um jogo de cartas. Já a outra equipe conversava animadamente, tendo seu mestre contando piadas.
Todo o clima de descontração foi quebrado com um enorme clarão e uma explosão vinda logo a frente da carruagem. O condutor desta parou o veículo imediatamente e os magos apressaram-se em sair. Verificam que a carruagem a sua frente jazia em chamas e a de trás também estava parada, porém ainda não havia sinal dos magos.
Karion olhou para as montanhas e viu os cinco taurinos lá. Ele não reconheceu que criaturas eram, mas sabia que eram inimigos e que de lá viera o ataque. A seguir, viu mais dois deles descendo as montanhas. Apontou-os com a cabeça, para que os irmãos entendessem. Os gêmeos concentraram-se e atacaram em conjunto. Cada qual lançou um poderoso feitiço elétrico, porém ambos os taurinos conseguiram se defender utilizando suas maças de tamanho colossal.
— Tsc. Essa não vai ser tão fácil – afirmou Karion ao ver mais três deles descendo e mais quatro logo atrás destes.
— Ainda mais que estaremos apenas só nós três nessa – Arion comentou ao reparar que a outra equipe ia em direção a outra carruagem.
— Que merda! Nos abandonaram aqui! – protestou Anion enquanto lançava rajadas de vento para testar as defesas dos taurinos que os atacavam.
— Não. É aquele moleque magrelo que está correndo para lá. Os demais apenas estão o seguindo porque tem mais quatro destes lá – disse Karion ao apontar para um dos inimigos.
— E nós o que faremos? – Arion perguntou para o irmão mais velho e mestre enquanto tentava atacar, com um feitiço elétrico, os taurinos que vinham em sua direção.
— Lutaremos.
Karion movimentou ambos os braços para frente e os raios elétricos que saíram de suas mãos se convergiram num potente raio único. Este avançou com velocidade contra um dos taurinos, que utilizou sua maça para se defender. O impacto foi muito forte e o inimigo acabou sendo arremessado para trás, batendo contra algumas rochas. A forte armadura o protegeu do impacto e ele se levantou logo em seguida.
— Umph. Essas grossas luvas de couro, além do cabo de suas armas isolam boa parte da eletricidade. Se eles se defenderem com as maças praticamente não sofrerão danos.
— Que apito é esse? – perguntou Arion.
— Não estou... argh!
Anion ia respondendo quando seus ouvidos foram invadidos pelo ruído incomodo. Após isso, reparou que os taurinos estavam recuando em boa velocidade.
— Mas o quê...
Não completou a frase novamente, pois viu uma enorme esfera flamejante cortando o céu em direção aos outros magos. Karion observou aquilo impassível. Seus irmãos sentiram um pouco de pena pelos seis magos que seriam certamente destruídos com a explosão.
No entanto, o mestre se surpreendeu com o fato de que eles ainda permaneciam de pé após a bola de fogo sumir na terra. Sua atenção logo se voltou para outro ponto: os taurinos estavam voltando para o combate e agora ele não poderia mais observar o que acontecia a quase quinhentos metros dali. Teria de lutar por sua vida e pela de seus irmãos.
* * *
Spaak e Aghata corriam à grande velocidade pela região montanhosa que estava começando a ficar íngreme. A rala vegetação lentamente dava lugar a pedras e mais pedras, porém ampliando suas capacidades físicas com a aura não era difícil transpor aquele terreno acidentado.
— Spaak, estou preocupada com os garotos. Será que foi boa decisão deixá-los sozinhos contra todos aqueles taurinos?
— Também estou preocupado, Aghata, mas não podemos fazer nada. Se não determos os shamans, outro Taz Rashon poderia nos destruir completamente. E não podemos deixar os garotos enfrentarem eles, sabemos que são muito piores que os taurinos guerreiros.
— Eu sei, mas...
— Não se preocupe, Kayan ira liderá-los e eles ficarão bem.
— Você confia mesmo em Kayan, não é?
— Sim – respondeu sorrindo para a outra mestra. – Estou mais preocupado com a equipe de Karion. Eles estão em menor número e enfrentando mais inimigos.
— Droga! Por que isso agora? Devíamos ficar todos juntos.
Aghata parou de falar e correr assim que Spaak o fez primeiro. O motivo era que três taurinos se aproximavam.
Um deles – o maior e com um dos chifres quebrados – saltou contra Spaak, fazendo com que sua enorme maça de meio metro de diâmetro fosse de encontro a sua cabeça. O mestre não se moveu, apenas levantou a mão esquerda em direção a arma do inimigo e, com um aurus paginne, fez com que ela fosse repelida.
Ele estendeu a mão direita contra o peito do taurino que ainda estava em pleno ar. Assim que conjurou o feitiço da esfera do fogo, uma explosão de chamas concentrada fez com que o tórax dele afundasse contra as costas, por onde suas entranhas e sangue foram lançados para fora do corpo. A criatura caiu ao chão, sem vida, em um segundo.
— Minha vez.
Aghata espalmou a mão direita com o braço estendido em direção ao segundo taurino. Uma imponente descarga elétrica saltou contra ele, que se defendeu com a enorme esfera de aço da maça que empunhava. Acabou sendo arrastado pelo solo com o impacto e não demorou muito para que a camada de isolação da arma e das luvas fossem ultrapassadas e o taurino carbonizado com a potente rajada elétrica.
Ao se virar pelo lado, a mestra se deparou com Spaak esquivando-se dos ataques do último taurino. O mestre evitou um ataque vertical saindo para o lado e um horizontal abaixando-se. Iria atacar, porém, antes disso, o taurino começou a ter o corpo todo congelado. Aghata se revelou lançando um ryado contra o corpo da criatura.
— Então têm mais deles vindo – ela comentou.
— Mais um motivo para nos apressarmos. Vamos logo!
O casal de mestres voltou a correr pela região inóspita. Mesmo sabendo que, para que alcançassem seu objetivo, teriam de enfrentar uma luta muito pior do que aquela.
* * *
Os cinco taurinos restantes atacaram em conjunto e praticamente ao mesmo tempo. Porém, bateram de frente com uma barreira formada por Anita, fato que os deixou um tanto quanto desnorteados e facilitou um ataque por parte dos magos.
Kayan comandou rajadas de fogo contra os cinco, enquanto Sarah lançava feitiços de gelo e Nathie comandava cinco golens contra eles.
— Parece que você melhorou muito depois do exame para mestre, Anita, parabéns.
— Obrigada, mas me dê congratulações assim que exterminarmos esses bárbaros.
Kayan sorriu com o comentário da garota e permaneceu na retaguarda enquanto ela se lançava ao combate ao lado de Sarah. Ambas gritavam enquanto conjuravam rajadas de gelo que se precipitavam contra os taurinos. Eles, por sua vez, se defendiam com perfeição usando as enormes maças de aço. Kayan continuou lançando o feitiço crisis um pouco na retaguarda e estava preparado para se por na frente de um eventual ataque que uma das garotas viesse a receber.
Os golens manipulados por Nathie chegaram ao seu objetivo e começaram a tentar atingir os taurinos. Um deles levou um soco pelas costas enquanto se defendia dos feitiços e acabou caindo ao chão. Quando iria receber um novo ataque o golem foi destruído por um de seus companheiros.
— Hei! Não vale! – gritou a garota ao ver a cena.
Ela decidiu mudar de estratégia e colocou os quatro golens restantes contra apenas um inimigo, cercando-o. Apesar disso, agora os demais magos não poderiam mais atacá-lo sem destruir os golens, então deixaram aquele por conta de Nathie.
As defesas dos taurinos começaram a falhar no momento em que uma das maças rachou e acabou se quebrando graças ao choque térmico causado pelos ataques de gelo e fogo constantes.
— Isso! – comemorou Anita. – Vamos acabar com eles.
— Não comemore ainda, e não baixe a guarda, Anita.
Sarah disse para a garota, que liberou uma careta de desagrado com o comentário.
O taurino que perdeu a maça correu para trás do campo de batalha. As duas garotas acharam que ele partira em retirada, mas Kayan percebeu a verdade e conjurou um feitiço da esfera da eletricidade. Algumas nuvens carregadas surgiram no ar e uma forte descarga elétrica atingiu o taurino que já se abaixava para pegar uma maça de um de seus companheiros mortos.
— Não os deixem escapar, no mínimo faça com que estejam caídos e inconscientes – disse Kayan com voz autoritária.
— Certo – as duas responderam.
Nathie manejava os golens contra o taurino que ela havia isolado há pouco. Ele conseguira se defender muito bem até o momento, mas a maga conseguiu ver uma abertura e atacou. Um soco foi desferido contra o inimigo bem no alto da cabeça e foi possível ver um de seus chifres voando pelo ar. Ele ficou furioso, provavelmente não se incomodava por cicatriz alguma, mas não admitiria que seu chifre fosse quebrado daquela maneira. Avançou contra os golens. Um deles recebeu um golpe direto da maça em cima da cabeça e se esfarelou. Nathie manejou os outros para um novo ataque, mas o taurino foi rápido e ágil em se esquivar de um, defender-se do segundo e, por último, fincar a pesada arma contra o corpo do terceiro.
Os dois últimos golens foram remanejados para mais um ataque, porém, foram driblados pelo inimigo, que se lançou contra a maga ali parada. Kayan pensou em ir até ela para ajudá-la, mas mudou de ideia ao ver um sorriso sádico transparecer no rosto da garota, provavelmente ela tinha tudo sobre controle. E realmente tinha.
Ela abaixou-se em um movimento rápido e tocou o solo. O taurino continuou sua trajetória contra ela em um salto alto e comprido. Porém, seu corpo parou assim que se chocou contra uma enorme estalagmite que saiu do solo com incrível velocidade. A armadura foi esmagada e depois cortada. Pedaços de aço voavam para todos os lados, assim que o corpo da criatura foi perfurado pela ponta afiada de rocha. O sangue de um vermelho muito vivo começou a escorrer até o solo.
Nathie, então, se juntou aos outros três magos para combater os demais taurinos que tinham sido reduzidos ao número de três. A batalha estava caminhando em direção a vitória dos magos e esta não tardaria a chegar, ao menos era o que eles pensavam.
Kayan continuava atacando com fogo, e os inimigos não mais se defendiam. Apesar disso acarretar-lhes algumas queimaduras, preferiam se esquivar a correr o risco de terem as maças quebradas. O mago, então, resolveu cessar os ataques constantes que estavam consumindo sua energia. Ele já estava cansado por ter usado muita dela de uma vez no primeiro feitiço, e teria de poupar forças para ajudar a equipe de Karion. Mesmo não gostando do rapaz, ele ainda era um mago de Drugstrein e Kayan não poderia abandoná-lo.
Os três taurinos aproveitaram a parada nos ataques incessantes do mago para contra-atacarem com velocidade. Sincronizaram se em um único alvo: Nathie. Desta vez a garota não esperava a investida dos três e ficou atônita, apenas tentaria se defender. Para sua sorte, Kayan e Sarah intervieram com um ótimo tempo, se colocando na frente dos ataques e erguendo uma barreira em conjunto.
Os três foram bloqueados com êxito e bufaram algo que deveria ser ofensas ou xingamentos em seu próprio idioma. Seus protestos se ampliaram quando foram alvejados por uma tempestade de gelo.
A queda na temperatura incomodou todos, principalmente os taurinos. E o gelo foi lançado por Anita contra os três. Um deles caiu com o corpo parcialmente congelado e os demais saíram correndo para os lados. Sarah agiu rápido e atacou o que estava mais próximo conjurando uma lâmina de fogo que se precipitou junto ao movimento em meia lua do braço da garota. O feitiço não tinha tanta velocidade e nem era muito grande, mas serviu ao propósito e atingiu o inimigo em cheio. Este caiu com um enorme corte cauterizado em suas costas.
Nesse meio tempo, Nathie conjurou um clayn que fez com que o chão começasse a rachar em direção ao taurino que cada vez mais se afastava em retirada. Assim que chegou abaixo de seus pés, uma enorme cratera se abriu, engolindo-o para debaixo da terra.
— Acabou – comemorou Sarah, com alívio.
— Ainda não. Temos que ajudar as demais equipes – repreendeu-a Kayan.
Após isso, eles assustaram-se ao ouvir novamente o conhecido assovio agudo. Kayan, temendo o que veria, olhou diretamente para as montanhas e, para seu horror, os cinco shamans estavam para lançar novamente o meteoro.
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