Notas iniciais
Olá pessoitas, como vão? Curtindo o feriado? Bem acho que deu para ver o que eu fiquei fazendo, está ai um grande capítulo, espero que goste e comentem, acho que tem muita coisa a se dizer desse capitulo haha

A rua estava escura, não havia carros nela, somente o carro onde eles estavam, o mesmo fazia um barulho por cima da incrível ventania que se instalara do lado de fora. Jack levantou o vidro do sedan e olhou para Denny que se mantinha firme no volante, mesmo já estando lá por mais de cinco horas. Não fazia muito tempo desde que saíram de Line’s House, Jack ainda sentia a brisa refrescante que vinha do lago e o cheiro forte de pinheiro. Fechou os olhos ardendo de sono quando Denny resolveu falar alguma coisa:

– Acho que devo contar uma história a você antes que chegue a Espanha... – Jack não tentou responder, passou a mão pelo cabelo e decidiu esperar pelo que viria – Minha mãe – disse ela sem olhar para o menino – era uma Caçadora incrível, ela... – Denny estava com dificuldades para formar as frases, Jack supôs que era algo difícil de lembrar – Sempre foi uma pessoa que lutava pelas coisas, sem nem mesmo estar na briga – Denny deu um riso nervoso – Um dia, um grupo de Caçadores a qual ela participava foi fazer uma patrulha e alguns lobisomens os atacaram, bem, eles estavam em maior número e os Caçadores não esperavam tal acontecimento. Mataram todos, ela viu seus amigos morrerem um a um e não pôde fazer nada, mas os lobisomens não a mataram, usaram-na como isca para os Caçadores e o Governador deles chamado Gerard.

“Porém os lobisomens não foram tão espertos, eles continuaram em um deposito abandonado onde eles moravam, os Caçadores atacaram o local e houve uma grande explosão. Muitos deles morreram, os poucos que sobreviveram fugiram para longe, inclusive o Alfa, mas a explosão também pôs em risco a m... a vida da minha mãe. Ela ficou presa em uma pequena sala sem saída por causa dos entulhos e junto com ela... Estava um lobisomem, Scott o nome dele.”

“Os dois ficaram com medo, medo de morrerem e medo do que um poderia fazer com o outro, ficaram os dois em um canto da sala até a minha perceber que sua perna estava machucada. Scott levantou e cuidou dela, mesmo que ela estivesse morrendo de medo dele, mas não pôde fazer nada. Ficaram presos por dias e bem, acabaram ficando amigos, só que era simplesmente proibido qualquer contato com os seres demoníacos, entretanto minha mãe continuou se encontrando com ele. Scott dizia a ela o que faziam com seres iguais a ele, uma barbaridade, Scott contava que alguns deles tinham famílias e viviam sem causar problemas, porém os Caçadores os matavam do mesmo modo, e assim os monstros também matavam os Caçadores por nada e por vingança.”

“Conforme o amor deles ia crescendo o perigo crescia junto, várias acusações contra ela apareceram no Conselho, aquilo não poderia ficar daquele jeito, então começou a Guerra. Ela tinha três lados – mas a minha gostava de falar que ela só tinha dois – de um lado estavam os Libertos, que lutavam por igualdade e o desfecho do Genocídio dos dois lados, o outro eram os Extremistas Caçadores, que continuavam falando que eles eram seres demoníacos e que deveriam ser exterminados. O último era os Impuros, eram monstros que não queriam qualquer pacto com os Caçadores, achavam que as duas raças nunca se dariam bem. Veja, dois lados, o que queria que o sistema mudasse e os que iam contra.”

“Houve mais de um milhão de mortes de todos os lados e infelizmente... os humanos, minha mãe viu seus mais preciosos amigos serem tirados dela a força e não poder fazer nada. Scott lutou ao lado dela, esse foi seu maior erro. Enquanto estavam dormindo, os Extremistas coloraram Wolfsbane no corpo dele e o levaram para o quarto dela, fizeram-na assistir a morte da pessoa que mais amava. Depois disso, ela achou que não aguentaria mais, mas não poderia ir embora, a Guerra era sua, ela teria que acabar.”

“Juntou os amigos que lhe restavam e fez um Contrato, o mesmo dizia que os seres Impuros e os demônios que possuíam vontade própria não poderiam ser mortos por Caçadores e nem matá-los. E, se caso isso viesse acontecer, teriam que constatar o Conselho e o mesmo seria condenado a morte ou preso. Como seu exército estava ganhando a Guerra, Souverain teve que aceitar e consolidar o Contrato e com isso todos os Caçadores ficaram submetidos a ele. Minha mãe foi elevada ao cargo de Governadora da Sede na Espanha, mas teve que fugir, arranjaram a morte dela.”

“O Contrato está em vigor até ‘hoje’, mas já não é levado a risca, a história de minha mãe virou lenda e conto para as crianças Caçadores. Ela está morta desde então.”

– Qual era o nome dela? – perguntou Jack com a voz seca.

– Jennyfer Salvatore.

***

O avião estava quase chegando ao seu destino depois de seis horas de voo, Denny e Jack não se falaram desde que Denny terminou a história sobre a sua mãe, ele agradeceu pelo silencio da menina, não sabia o que falar. Ele ainda não entendia o mundo dos Caçadores, o seu mundo, não sabia que tal coisa tivesse acontecido, nem sonhava com tal acontecimento. Os livros de história não falavam sobre essa Guerra, mesmo que tivesse trago mais de um milhão de mortes para ambos os lados, era algo apavorante, saber que tudo que tinha aprendido até agora não passava de mentiras desprezíveis.

Denny se remexeu ao seu lado, ela estava dormindo desde que decolaram, não pararam em nenhum hotel antes de pegarem o voo. A menina preferiu ir logo para a Espanha e, segundo ela, acabar com tudo de uma vez. Jack tentou dormir, mas não conseguiu, ficou pensando na família e o que estariam fazendo naquele instante, pensou se estariam preocupados com ele, se estariam procurando-o. Suas irmãs tinham agido de um jeito estranho desde que aquele touro gigante invadira a sua casa e matara Lawrence, elas agiam como se soubessem de algo, mesmo que fosse impossível saberem. Ele tentou falar para Denny sobre o que estava acontecendo,mas a menina disse sem expressão:

– Alguns humanos têm essa habilidade. – e depois não explicou mais nada.

Jack irritou-se com aquela pequena resposta, eram suas menininhas, ele tinha que protegê-las e para isso tinha que saber o que estava acontecendo com elas, esperava perguntar ao Austin quando chegassem à Espanha. Espanha, Jack não sabia o que esperar no país ibérico, Denny falava que tudo se resolveria quando lá chegassem, mas ao ouvir a história da mãe da menina, ficou com medo e receio das pessoas que estivessem na Sede. Seu dom era segredo ou todos já sabiam o que ele poderia fazer?

Está acordado?”, perguntou Denny em sua mente, a voz macia dela atravessou seus pensamentos e ele se virou para encará-la.

Estamos chegando”, declarou ainda em pensamento, a menina ainda usava a roupa que estava usando quando saíram de Line’s House, seu cabelos estavam em um emaranhado coque e seus olhos tinham olheiras por causa do sono pendente. Ele lembrou-se da cena que tiveram que passar ao entrar no aeroporto, havia várias pessoas na fila para passar pelo detector de metais e Denny estava com uma mala cheia de armas mortais alem de estar armada de cima a baixo. O detector logo apitou em alerta máximo e os guardas foram para cima da menina com cacetes, Jack alertou-se, mas Denny continuou com sua postura confiante, os guardas vieram e ela compeliu todos eles com tanta facilidade que Jack se espantou. A menina ainda fez todos eles a escoltarem e levarem suas malas para o avião na classe executiva.

Vai dar tudo certo.”, falou ela.

– Não acredito nessa frase. – ela o olhou investigativa e depois deu uma olhadela para a janela.

– Nem eu. Achei que você cairia nessa. – Jack levantou sua cadeira e pediu à aeromoça que lhe trouxesse água.

– Me explica algo... Você disse que o Contrato é para infectados e demônios que agem por conta própria, eu não...

– Lobisomens e Vampiros, alem de outros tipos de monstros, nasceram como humanos normais e foram “infectados” e há demônios que conseguem pensar e não agem por puro instinto de destruição. – Denny bocejou — Chamamos de Quihabitant, os que vivem.

– Isso é latim?

– É a nossa língua oficial, os Caçadores sempre andaram juntos com a Igreja, como o idioma oficial da igreja é o latim, todos os nossos livros estão escritos nesse língua. Não se preocupe, vão ensiná-lo quando chegar na Sede.

– Se a igreja sempre esteve junto com os Caçadores... Por que nada disso nunca foi reportado? – Jack estava tentando entender como nenhum humano nunca desconfiou que os Caçadores existissem, parecia uma coisa impossível.

– Mas foi, no século XVI houve um revolta humana porque eles se sentiram ameaçados, a igreja achou melhor acabar com revolta e destruiu vários de nossos livros e livros sagrados deles que continham a nossa história, daí a Idade das Trevas.

– Meus professores estão completamente errados.

– A humanidade está. Se bem que eu acho melhor que eles nunca saibam de nós, seria uma Guerra sem proporção e a Terra não aguentaria, nós os protegemos sem eles saberem e todos estão bem assim.

– A igreja de hoje... Sabe?

– Os cargos mais altos sabem, mas eles juraram segredo ao Souverain.

– Quem é Suvirrá? – riu Denny.

Souverain, em nossa língua “Soberano”, ele é o rei do nosso mundo, o Conselho é submisso a ele, os Governadores também, todos devem respeito e servidão ao Soberano e, se tentarem ir contra, são condenados a forca. – Denny respirou fundo – Nunca tente fazer isso.

Senhoras e senhores, por favor, coloquem seu acento na posição vertical para que possamos prosseguir com a aterrissagem.

*

Espanha, Nuestra Asuncíon

Denny Salvatore

*

O Fiat não estava fazendo um bom trabalho, Denny não queria reclamar no carro roubado, mas o automóvel a deixava na mão a cada subida mais íngreme. Era estranho estar de volta a sua cidade de nascença, nunca pensou que poderia voltar a vê-la, tinha tantas lembranças felizes e doloridas naquele lugar e pareciam todas vivas. Virou a curva na Rua Olivera e viu a antiga biblioteca de Santa Cecília, passara horas naquele lugar história em seus primeiros anos de como Caçadora. Entretanto, o que mais gostava em Nuestra Asuncíon era o fato de que a cidade estancara no século XIX, todos os prédios e pessoas, retratavam a sociedade da época. Claro que havia eletricidade e encanamento, mas todos ainda se vestiam com sais baião e suspensórios, a cidade vivia cheira de turistas por causa de sua cultura antiga.

Denny olhou no relógio, já passava das três e Austin não gostava de esperar, mas ainda demorariam a chegar, a garota não soube dizer se isso era bom ou ruim. Estar de volta a casa era algo fantástico, porém era ainda mais perigoso, havia tantos inimigos naquela cidade, todos pensando que ela estaria morta. Também o fato que aquela seria sua despedida de Jack, o menino estava sendo uma boa companhia desde então, sentiria falta de seus comentários desnecessários e de sua cabeleira loira. Contudo, a menina sabia que era melhor coisa para ele, Jack ficaria seguro na Sede, com ela, ele correriam risco de morte a cada segundo. Essa era a sua vida, não a do garoto.

Denny olhou para garoto sentado no banco carona, ele olhava atentamente as casas antigas da cidade, Jack não falara muito desde que pararam para tomar banho e se trocarem. Nuestra Asuncíon sempre fazia um clima agradável, Jack usava uma calça jeans e uma blusa preta com gola em V, seu cabelo estava molhado e caia sobre os olhos sonolentos. Ele olhou para ela e deu um sorriso fraco, ela sabia que estava sendo difícil para ele lidar tudo que estava acontecendo, mas Jack era um garoto forte, mais forte do que ela jamais fora.

– Den... Scott é o seu pai? – Denny teve que ir, pensar em tal ideia seria uma atrocidade.

– Não Jacky, ele não é o meu pai... Hãm... Eu já era Caçadora naquela época, mas minha mãe me enfeitiçou para ir embora– engasgou-se com suas palavras – Ela me escondeu com uma família pobre um pouco longe daqui.

– Essa família que... hãm... morreu? – perguntou o menino acanhado, Denny não queria falar de tal assunto, mas decidiu que era melhor responder.

– Sim.

– O que as minhas irmãs são? – perguntou tão de repente que Denny quase bateu no ônibus a sua frente.

– Especiais, Jack.

– Olha eu quero saber mais, ela agiram de um jeito estranho, falando que os amigos delas disseram que nos veríamos novamente e... Elas sabiam sobre você, ela não foram compelidas a esquecer nada. – Jack virou para encarar Denny e falou com uma voz mais séria – Denny, ela são minhas irmãzinhas, eu tenho que protegê-las de algum jeito...

– Não a nada que eu possa dizer, garoto, alguns humanos nascem com alguns Enigmas, no máximo um para cada humano, por isso os paranormais que as pessoas dizem existir, só que eles não sabem lidar com tal dom, não a maioria. Holly e Helen... – Denny respirou fundo – Já viu sexto sentido? – Jack assentiu – Bem, suas irmãs falam com gente morta.

O que? – perguntou Jack encabulado.

– Médium, mediador... Como você quiser chamar, acho que elas vão se dar bem com isso, sabe, elas têm uma a outra e quando crescerem serão de grande ajuda. – Denny fez uma careta ao avistar a antiga praça com um anjo que jorrava água, o objeto ainda deixava o liquido cair, mas sua estrutura estava velha de desgastada – E elas ainda são mais especiais porque veem sobrenaturais mortos.

– Melhorou a situação, Denny. – Jack passou a mão pelo cabelo e suspirou.

– Jacky, acho que... – a frase ficou no ar, Denny viu a Sede novamente, brilhando a alguns quilômetros de distancia, suas torres eram tão altas que dava para ver perfeitamente, elas ainda brilhavam, como se o tempo não tivesse a desgastado.

– O que foi?

– Minha casa. – Denny sorriu, uma alegria invadiu seu corpo e ela sentiu vontade de acelerar o carro até a igreja antiga e ver sua casa de perto, o cheiro de móveis antigos e o piso mármore, mas ela sabia que nunca mais poderia ir até lá. – Chegamos.

Denny estacionou o carro perto de um loja de materiais de construção e saiu do carro batendo a porta com força, a alegria dissipara e se transformara em raiva, raiva porque nada estava certo. Denny avistou a cabeleira avermelhada de longe e seguiu até Austin, seu amigo estava sentado em uma cafeteria perto de uma pequena praça onde palhaços se apresentavam para crianças, Denny odiava palhaços. Austin usava uma calça jeans escuras e uma blusa social preta, estava lendo um jornal e tomava uma pequena xícara de café.

– Aquele é o Austin? – perguntou Jack ao seu lado.

– Primeiro e único. – eles se aproximaram do ruivo, mas o mesmo não tirou os olhos do jornal, Denny percebeu que ele fizera um novo corte no cabelo desde a última vez que se viram. – Caçadores não leem jornais, meu querido amigo.

Austin levantou o olhar alerta e sorriu estonteante ao ver Denny, ela abraçou a amiga demoradamente e os convidou para sentar, os três se sentaram em uma pequena mesa de madeira do lado de fora do estabelecimento.

– É tão bom vê-la, Denny querida, vejo que não mudaste muita coisa.

– Você também não, meu querido amigo, o tempo foi bom com você.

– O que vão pedir? – perguntou um garçom com sotaque espanhol e pele morena.

– Três cafés.

– Jack não gosta de café. – o menino que até então tinha ficado de cabeça baixa se endireitou ao ouvir Denny pronunciar seu nome, ele tentou dizer que não importava, mas Austin insistiu.

– Não, sem problemas, você vai amar nosso chocolate quente, o melhor da Espanha! Não sei por que não foi a minha primeira opção. Três, por favor. – o garçom se retirou e Austin se voltou para Jack – Então você é o nosso Jack, acho que primeiramente devo-lhe desculpas.

– Na verdade – disse Jack um pouco rouco – tenho que agradecer ao senhor.

– Austin, por favor! Então Denny... Diga-me o que você reportou nesses dezessete anos.

Denny contou o que achou importante Austin saber, tirando algumas partes com o beijo, lhe contou tudo o que Jack havia feito e as última evoluções de seu aluno, Austin escutou tudo com uma atenção inabalável e quando Denny terminou ele olhou para Jack e perguntou:

– Isso foi tudo? – Denny teve a impressão que os dois sabiam de algo que ela não sabia, sentiu uma pequena raiva por Jack não contar a ela qualquer coisa que estivesse acontecendo.

– Sim.

– Se isso é tudo. – disse depositando seu copo vazio na mesa – Está na hora do pagamento.

Jack olhou para Denny com um olhar acusador e esperou alguma reação da menina, Denny se sentiu mal por não ter falado que tudo o que ela tinha feito por ele na verdade era por algo que ela desejava.

– Quando? – perguntou com voz séria sem olhar para Jack.

– Terá que esperar o Eclipse, minha querida, o feitiço precisa dessa força em especial. – Austin sorriu com tristeza – É tudo o que eu posso fazer.

– E você espera que eu fique um mês aqui?! Eu não posso Austin, você sabe que eu não posso ficar em Nuestra Asuncíon!

– Denny, eu não posso obrigá-la a ficar, vá e volte quando estiver na hora. – Denny olhou para Jack de soslaio, não teria escolha, teria que deixar o menino.

– Tudo bem. – declarou olhando para seu achocolatado deixado pela metade.

– Ótimo. – Austin se levantou e fuzilou Jack – Vou esperá-lo na praça, podem demorar o tempo que precisarem – Depois se voltou para Denny – Até logo, minha querida amiga, vou esperar ansiosamente nosso encontro.

– Até. – falou Denny tão baixo que ela mesma não conseguiu se ouvir.

Ela viu Austin se misturar no meio de pais e crianças que estava na praça, Jack a olhou com raiva e depois se levantou, deixando-a sozinha na mesa. Denny ficou seriamente irritada e correu atrás dele, quase atropelou uma criança, mas não desistiu, continuou seguindo a cabeleira loira. Quando o alcançou, puxou o braço forte do menino e o fez encará-la, ele estava visivelmente magoado com aquele toque de raiva.

– Por que nunca me disse? – perguntou ele por cima do som ensurdecedor das crianças.

– Não achei que era necessário. – o vento estava ficando forte, Denny tirou uma mecha do seu olho e encarou seus sapatos – Você só era o meu trabalho, Jack.

– Não sei por que estou surpreso! – o menino continuou a andar e Denny o puxou de novo, ficando agora a um centímetro dele, ela não soltou o seu braço para que ela não saísse mais.

– Dá para não ser um idiota agora? Essa é a última vez que vamos nos ver.

– O que você pediu? – questionou Jack olhando alem dela.

– Minha humanidade. – declarou depois de um silêncio.

– Por quê? – Jack olhou para ela pela primeira vez.

– Você nunca entenderia... A questão é que se Austin não me oferecesse esse trabalho eu nunca teria conhecido você, Jacky, e eu só aceitei por causa do pagamento, não queria que se chateasse como está agora. – gritou Denny – Porque você tem a incrível facilidade para ser um idiota!

– Eu? Você mentiu para mim esse tempo todo! – gritou ele também – Você nunca me diz nada sobre você, fica agindo como se fosse durona, mas eu sei que você não é!

– Eu só faço isso para me proteger, será que é tão difícil assim para você perceber? – gritou com os olhos se enchendo de algo que fazia tempo que não experimentava.

– Você não precisa se proteger de mim, Den. – falou ele com uma voz mais suave.

– Você é a pessoa de quem eu mais preciso me proteger. – disse Denny olhando para cima, Jack estava com o rosto a um centímetro do dela, sua respiração era quente e inconstante.

Jack levou sua mão até o rosto de Denny e o segurou com o polegar erguendo o mais, depois contornou a boca de Denny e colocou uma mecha de seu cabelo que tinha se desprendido atrás da orelha. Denny estremeceu, ele não tinha que estar tão perto daquele jeito e nem tocando-a daquele jeito, Denny fechou os olhos e Jack encostou sua testa na dela. A menina tentou conter a respiração, mas seu coração acelerado não deixava.

– Não vá. – pediu ele.

– É a melhor decisão a se tomar.

Não vá. – insistiu.

– Jack... Você tem que me deixar ir. – tinha pressa em sua voz.

– Mas se algo acontecer com você eu não vou saber, não estou pronto para te deixar ir.

– Temos a nossa ligação, vou sempre cuidar de você.

Jack passou os braços pela cintura de Denny apertando-a em um abraço protetor, mesmo que não fosse fã de abraços, retribuiu a ação passando as mãos pelo pescoço de Jack e sentindo o calor dele contra o seu corpo. Depois de incontáveis minutos daquele jeito, Denny se afastou e segurou o rosto forte de Jack, o abaixou até a sua altura e lhe deu um beijo na testa.

– Adeus. – sussurrou.

– Isso não é um adeus. – declarou ele.

Então ela se afastou e começou a andar de volta para o quarto, se policiando para não olhar para trás.

Quando Denny chegou ao carro, viu que uma forma forte e grande a esperava encostada no capô do Fiat.

– Que momento tocante. – disse em sua voz forte – Sei de alguém que morreria de ciúmes com essa cena.

– Olá, Eli.

*

Jack

*

Jack observou Denny sumir pela multidão, ficou olhando por um bom tempo, esperando que ela aparecesse novamente, mas percebeu que não poderia ficar esperando Denny, tinha coisas mais importantes do que esperar por alguém que claramente não se importava. Austin estava conversando com uma criança de cabelos cacheados, o ruivo levantou o olhar e se despediu da criança, Jack foi até ele como um homem vai para o carrasco.

– Um dia você aprende a esquecê-la. – declarou o Caçador pondo a mão nos ombros de Jack e indo para o carro.

– Você e ela... – espantou-se Jack

– Sim, já fui apaixonado por ela. – Austin deu um sorriso – Sabe como é, ela te salva de si mesmo e se mostra ser a pessoa mais incrível que já conheceu, e quando você se toca, já está apaixonado por ela e Denny não está nem se tocando no que está acontecendo.

– E isso passa? Quer dizer, essa paixonite por ela, você superou?

– Não... – Austin riu e deu um tapinha no ombro de Jack – É claro, querido Jack, o tempo é um perfeito aliado. Claro que ela ainda é a pessoa mais incrível que eu conheci, mas agora eu sou casado e amo a minha esposa. – eles chegaram ao carro e Austin, entraram no veiculo e o ruivo começou a dirigir pela cidade.

– Qual é o nome da sua esposa?

– Victória, vai conhecê-la quando chegarmos à Sede, não deixe a primeira impressão dela se fixar. – Jack percebeu que, diferentemente de Denny, Austin adorava rir e sorrir.

– É estranho... Você é tão novo e já está casado, eu sei que já tem, pelo menos, mais de cem anos, mas mesmo assim...

– Duzentos, meu amigo, e sim, você vai se acostumar com isso, no começo tudo é estranho, saber que tudo o que viveu fora sempre uma farsa.

– Então tudo melhora com o tempo?

– Pela minha experiência... Só fica mais fácil de suportar.

O carro seguiu pela desregrada rua de Nuestra Asuncíon, Austin informou a Jack que um quarto já fora preparado para ele e que roupas adequadas também já tinham sidas reservadas, e aconselhou Jack a não usar mais sua jaqueta de couro, ele não receberia bons olhares. Jack teve duas mudanças drásticas em sua vida em menos de dois meses, não sabia como ainda não tinha enlouquecido, e ele sabia que muito mais viria pela frente.

– Você terá os melhores professores da França para ensiná-lo, vai adorar as aulas e sei que vai se sair muito bem. – disse Austin em seu tom animado.

– Como tem tanta certeza?

– Jack, eu sabia quem você era antes de nascer, acho que posso saber disso. – Austin fez uma curva fechada e parou subitamente em frente a uma colossal igreja – Além disso, você é meu plano, tem que se sair bem.

Austin saiu do carro e Jack foi atrás, abismado pela beleza intrigante da Igreja. Ela era maior que todos os prédios que estavam a sua volta, tinha torres que pareciam alcançar o céu, um sino que parecia tão velho quanto próprio mundo. Ela ficava em uma rua estreita e rodeadas por casas de madeira, o antigo prédio era ornamentado pela arte gótica, com gárgulas assustadoras e cores neutras colorindo a igreja. Austin começou a andar tranquilamente para o portão de ferro, Jack correu para alcançá-lo.

– O que estamos fazendo em uma igreja?

– O que você achou que fosse a Sede?

– Não sei... Hãm... Uma casa no Beco Diagonal? – Austin ignorou o comentário de Jack e caminhou lentamente para a porta de madeira – Vocês têm uma igreja inteira para usarem?

– Ora, não! Tem missa aqui todos os domingos, mas a usamos sim, o subterrâneo e os quartos de Igreja para os cargos mais elevados e suas famílias. Os fies só tem permissão para entrarem no local onde a missa é feita, o resto é nossa propriedade e do Souverain, é claro.

– Isso é muito legal. – Austin bateu na porta e esperou pacientemente, Jack achou que ninguém os escutaria, mas segundos depois um homem baixinho e careca abriu a porta com um sorriso.

– Padre Digory, conheça nosso mais novo integrante: Jackson Campbell. – Padre Digory usava uma batina branca com detalhes dourados e um solidéu preto, ele tinha feições engraçadas, bochechas grandes e olhos pequenos, mas parecia um bom homem.

– Boa tarde, Padre.

Por Díos, que menino mais abusado! – Jack ficou sem saber o que fazer – Ele nem pediu a benção, Viera.

– Ele é novo Padre, vai se ajeitar, mas acho que o senhor poderia ser mais receptivo...

– Creio que o senhor não possa me dizer o que fazer, mas que seja. Venha, meu filho, vou mostrar nossa humilde Sede. – o pequeno homem começou a entrar e Austin foi atrás, convidando Jack a entrar.

O interior da Igreja era ainda mais incrível do que o externo, ornamentado com grandes pilastras e um piso de mármore tão liso que era possível ver o reflexo, nas paredes havia quadros de outros padres que deveriam ter passado por lá. Jack ouviu barulho de passos e viu uma pequena mulher descer as escadarias com sutileza, ela vestia um longo vestido branco com detalhes pretos, usava um espartilho e transmitia um ar de superioridade.

– Por que demorou, meu amor? – perguntou a mulher olhando para Austin.

– Denny se atrasou... – Austin falou o nome da menina tão rápido que Jack pensou ter imaginado o nome dela, a mulher – que provavelmente era esposa de Austin, Victória – foi até ele e lhe deu um leve beijo na bochecha marcando-o com batom vermelho.

– Ela está bem? Por que não veio com vocês?

– Ela não quis vir, minha querida, achou melhor. – a esposa de Austin olhou pela primeira vez para o menino e deu-lhe o pequeno sorriso.

– Você é o famoso Jackson? – disse com uma voz suave.

– Tão famoso quanto Harry Potter. – Victória sorriu.

– Vejo que gosta de livros, já leu o...

– Desculpe, querida, mas acho que Jack quer conhecer a basílica, vocês podem conversar mais tarde. – a mulher do ruivo pareceu chateada.

– Tudo bem, soube que Charlotte chegará hoje, vou mandar Mary preparar o quarto dela. – Victória deu um beijo no marido e saiu por uma das portas de madeira.

– Padre Digory vai mostrar-lhe o seu quarto, você pode dormir e tomar um banho, mando alguém te chamar quando for a hora do jantar. Depois vamos conhecer o subterrâneo.

***

Quando Jack acordou já era noite, estranhou por não ter acordado em sua quarto em Line’s House, depois lembrou-se que aquela fase de sua vida passara. O colocaram em um grande quarto, com uma lareira, um banheiro e um cama de casal com dossel , os lençóis eram brancos e impecáveis e também a cama mais macia em que já tivesse deitado. Levantou-se e jogou as cobertas de lado, foi até o pequeno armário de madeira que fiava ao lado da grande janela de vidro e pegou a primeira roupa que viu. Acabou escolhendo uma calça social preta com uma blusa social de mesma cor, foi até o espelho que ficava do lado do armário e – com a pouca luz que tinha devido a única luminosidade do local será lareira – tentou ajeitar os cabelos.

Assim que terminou de calçar os tênis, pediu que ninguém percebe tal agravo no traje em que escolhera, alguém bateu em sua porta, mas algo aconteceu. Escutou a voz de Denny gritando dentro de sua cabeça, desesperada, Jack tentou chamá-la mentalmente, mas a voz tinha sumido tão rápido quanto aparecera. Tinha algo de errado acontecendo com ela, ele tinha que ir atrás da menina, mas não sabia por onde começar a procurar. Abriu a porta esperando encontrar Austin e pedir ao jovem Caçador que o ajudasse com Denny, mas o que encontrou foi o Padre Digory parecendo impaciente por ter que esperar.

– O jantar está servido, meu filho.

– O senhor... – o Padre lhe lançou um olhar acusativo e Jack de empertigou — Sua benção, Padre – o velho homem sorriu – Onde está Austin?

– Na sala de jantar... A algo de errado meu jovem?

Jack suspirou

– Tem algo muito errado.

*

Denny

*

Eli sorriu para Denny com seu sorriso sedutor, o velho amigo de Denny usava uma calça jeans escura e uma blusa xadrez, seu cabelo negro e espetado e seus olhos tão azuis quanto o mar do Caribe. Se não fosse por palidez incomum, ele se passaria por um humano normal facilmente. Eli começou a andar na direção da menina e ela foi com a mão vagarosamente na estaca que estava presa em sua cintura.

– Não precisa me atacar, querida, só quero conversar... Meus dentes ficaram na minha boca, eu juro, juraria por Deus se valesse para alguma coisa para mim. – Eli levantou as mãos para mostrar juramento e depois voltou a encostar-se ao carro despreocupado. – Sabe... Faz tanto tempo desde que eu a vi pela ultima vez, foi quando... 1873. Você continua linda, meu bem.

– Como soube que estava de volta? – Denny continuava com a mão na estaca, não poderia acreditar em Eli tão facilmente.

– As noticias voam no mundo dos monstros! – Eli jogou as mãos para o alto – Tive que ver com meus próprios olhos, Denny Salvatore, a menina que jurou nunca mais voltar a Espanha, trazendo uma criança a qual nem se importa.

– Você não sabe nada sobre Jack, Eli, sempre esteve um passo atrás de nós. – debochou Denny.

– Acho que dessa vez você está errada, chica, sei que ele é muito importante para o seu amiguinho Austin então acho que Jacky merece minha atenção. Preciso ter uma conversinha com ele, de irmão pra irmão, porém creio que ele nunca virá até mim de bom grado, não é? – Eli mantinha seu tom calmo e desentendido.

– O que você pretende, Eli? Desembucha.

– Ora, não é obvio? Você será a minha isca para chegar até seu precioso Jackisinho... – Eli fez um beiço e olhou fingindo tristeza para Denny – Eu achei você fazia escolhas melhores, chica... Sabe – Eli começou a andar em direção a Denny, a menina se manteve atenta e firme, quanto mais perto, mais fácil de enfiar a estaca no coração. O vampiro ficou acima dela, levantou uma das mãos e tocou o rosto de Denny, a garota sentiu seu toque e frio e sem vida, estremeceu. – quando éramos você eu... Eu fui sua melhor escolha, meu bem.

– Foi somente uma noite, Eli, quando você vai me esquecer?

– Ah, não quero esquecê-la, chica. – o vampiro abaixou o rosto até o ouvido de Denny e sussurrou – Você é apaixonante, meu bem. Agora... hum – riu com seu humor sádico – Sei que você está com uma estaca e também sei que vai enfiá-la em meu coração a qualquer hora, só queria lembrá-la que se me matar terá que ir até o Conselho, e, mesmo se não for, saberão que está viva e bem na Espanha. – Denny congelou, no que estava pensando? Não poderia matar Eli sem se entregar – Então abaixe o braço e venha comigo de bom grado e nada acontecerá aos dois lados, minha linda.

– Não acredito em você.

– Então acredite no Contrato, a última coisa que quero ver é a cara feia de Gerard. – Eli deu um beijo na orelha de Denny e depois no pescoço, a menina tirou a mão da estaca e se afastou do bebedor de sangue. – Boa menina.

***

Fazia algumas horas que Eli se fora e deixara Denny em uma pequena sala mofada e mal iluminada, tinha uma pequena cama de ferro que rangia a cada movimento e uma mesa de madeira quebrada. Eli aconselhou Denny a não sair do quarto se não quisesse ter o pescoço arrancado por vinte vampiros, a garota deixou bem claro que daria conta, mas como não poderia matá-los – já que não estavam fazendo nada de errado – , decidiu ficar no quarto.

– Está na hora, querida. – Eli entrou triunfante no quarto, com o canto da boca sujo com um pouco de sangue, Denny esperou que fosse sangue de animal ou uma bolsa de sangue do hospital, não seria nada bom se fosse sangue humano.

– Aonde vamos? – Denny se levantou com as pernas estalando e foi até Eli, que segurava uma pequena chave.

– Vamos chamar seu amigo, minha bela. – o vampiro começou a andar e Denny foi atrás se policiando para não se afastar do homem.

Eles se encontraram em um grande corredor mal iluminado com paredes brancas sujas e rachado, o piso que outrora fora branco, agora estava todo manchado de algo que a menina não conhecia. Eli começou andar em direção a porta quebrada no fim do corredor, ele não fazia barulho ao andar pelo corredor, ao contrario de Denny, seus passos ecoavam pelo corredor vazio.

– Um hospital abandonado? – perguntou Denny com sua voz tremendo um pouco.

– Você não imagina quantas bolsas de sangue se encontram em um hospital abandonado. – disse o vampiro sorrindo.

Eles alcançaram a porta que dava para um vasto pântano, do lado de fora havia mais dois vampiros esperando por eles, um segurava uma cadeira e outro segurava uma corda. O que segurava a cadeira era loiro e alto e usava um casaco bege e calças jeans velhas, o que segurava a corda era moreno de cabelos cacheados que usava uma jaqueta de couro e calças jeans escuras.

Chica, esses são Vítor – disse apontando para o moreno – E Luís – disse apontando para o loiro.

– O que você está tramando? – Denny estremeceu, estava usando uma blusa de alça e uma calça jeans, a noite fazia frio e ela estava com três vampiros, se culpou por não estar usando uma jaqueta.

– Jack precisa achar que você está em perigo. – Eli segurou gentilmente o braço de Denny e a guiou para o centro do pântano, mandou Luís colocar a cadeira no centro e posicionou Denny na mesma, a garota trincou os dentes de raiva, odiava quando alguém a obrigava a fazer algo que ela não queria – Amarre-a bem. – Vítor apertou a corda em seus pulsos e em seu calcanhar, Eli agachou na frente da menina e disse em sua voz sedutora – Agora chame-o.

Foi fácil para Denny alcançar a mente de Jack, ela era aberta e deixou Denny entrar facilmente. Quando a menina estava prestes a falar a Jack para não ir onde ela estava, Eli colocou um sapo em sua perna e ela gritou com medo.

– Idiota! – culpo-o com raiva, Jack tinha escutado o seu grito e agora viria salvá-la, medo idiota de sapos, pensou ela – Tira esse bicho daqui!

– Como quiser, minha bela. – Eli tirou o animal e jogou no pântano – Você nunca o traria aqui. – o vampiro levantou e olhou para os capangas — Agora vamos esperar.

*

Jack

*

O Padre Digory levou Jack até a sala de jantar, a sala tinha o mesmo piso de mármore e janelas grande de vidro, porém esta tinha um grande lustre antigo que iluminava toda a sala, possuía uma grande lareira e uma mesa de madeira tão grande quanto a de Line’s House. Entretanto a mesa não estava cheia e nem feliz como a de Line’s House, havia somente três pessoas, Austin, Victória e um homem que Jack não conhecia, mas sentiu medo só de encará-lo.

O homem aparentava ter uns quarenta anos, tinha olhos azuis e cabelos grisalhos, usava um terno cinza e tinha o cabelo puxado para trás. O homem sorriu para Jack e falou com sua voz forte:

– Você deve ser o famoso Jackson.

– Jack... – disse Austin intervindo – Esse é o nosso aspirante a Governador, Gerard.

– Ah não, meu jovem, eu sou o Governador desta Sede, segundo maior poder no mundo dos Caçadores, abaixo somente do nosso grande e onipotente Souverain. – disse Gerard com sua postura egocêntrica e poderosa, o homem alcançou sua taça de vinho e degustou com sutileza.

– Prazer, senhor – disse Jack com urgência, o Padre Digory já tinha alcançado a mesa e estava comendo o frango assado que estava sendo servido — Austin, será que posso falar com você sobre a Den...

– Denotação do seu quarto? É claro Jack, vamos lá. – interrompeu o homem, o ruivo beijou a testa da esposa e puxou Jack para fora da sala até um corredor gigante com quadros encarando-os. – Pelo amor do Santo Deus, Jack, nunca mencione o nome da Denny com Gerard perto – Austin estava pálido e visivelmente preocupado com algo que Jack não sabia – Nem sei o que aconteceria se ele soubesse que ela estava viva todo esse tempo.

– Eu não... – Jack se sentiu envergonhado por quase ter entregado Denny, mas se pelo menos alguém tivesse avisado a ele! – Não sabia.

– Eu sei. Agora... O que há?

– Denny está em perigo. – ante que Austin pudesse falar, Jack continuou – Por causa da sua ligação eu pude sentir, temos que ir salvá-la.

– Denny sabe cuidar de si mesma, Jack, e, afinal, não sabemos onde ela está e não podemos fazer nada – a cor no rosto de Austin já tinha voltado e o ruivo já respirava com mais tranqüilidade – E também pode ser a sua mente pregando peças em você.

– Não, eu a ouvi gritar, Austin, ela estava com medo, temos que ir atrás dela.

– Está tarde, Jack, vamos jantar e amanha resolvemos isso. – Austin começou a voltar para a sala de jantar, mas o loiro o segurou pelo braço.

– Ela pode não ter até amanhã. – trincou os dentes.

– Ela sabe cuidar de si mesma, Jackson.

– Então eu vou sem você. – Jack começou a correr pelo corredor quando Austin o gritou.

– Leve isto então. – ele jogou uma chave, Jack agarrou o objeto e começou a correr, sabendo do caminho pois tinha encostado em Austin e roubado um pouco de sua memória, era algo errado, mas Jack não se importava.

*

Denny

*

Não venha, Jacky”, mas a mente de Jack estava longe, Denny não conseguia alcançá-la do mesmo modo. “Jackson, mandei não vir!”, mas não tinha jeito, ele iria atrás dela, como ela iria atrás dele se o ouvisse gritar.

– Ele não virá. – declarou Denny.

– Mas é claro que virá. – Eli estava paciente, mas seus capangas não estavam tão calmos, reclamar de fome pelo menos três vezes em cinco minutos, até que Eli os mandou ir comer.

– Onde estão seus capangas? – na mesma hora os dois vampiros chegaram ao pântano, mas estavam acompanhados, por uma humana – O que é isso? – gritou Denny. – Vocês não podem fazer isso, é contra o Contrato!

– Ninguém liga mais para o Contrato, querida, você saberia disso senão fosse embora. – Eli foi até a menina humana que não deveria ter mais de quinze anos, a garota estava apavorada, seus olhos negros estavam com medo, medo da morte. – Sangue humano é muito melhor quando tomado direto da veia. – Ele acariciou o pescoço da menina que conteve um grito, a garota tremia, era evidente o medo em seu coração Denny tinha que fazer algo, não poderia deixá-los ir contra o Contrato.

– Vou delatar você! – gritou.

– Você não vai sair viva daqui, mon amour. – disse em sua cópia barata de francês.

Essa foi a gota d’água para Denny, a menina jogou-se de costas e atingiu a a cadeira no chão, a mesma se espatifou em pequenos pedaços, Denny se livrou das cordas e ficou em pé, alcançou a estaca e foi para cima de Luis. Os vampiros eram rápidos pelo sangue, mas burros por natureza, ele foi em direção menina, Denny esperou que ele chegasse bem perto e enfiou a estaca em seu coração. A Caçadora não esperou para ver o que aconteceria, Vítor começou a correr em direção a ela, ela correu até árvore e esperou que ele viesse até ela, Vítor foi mais espeto, jogou a estaca para longe de Denny e se jogou em cima dela. Os dois rolaram no chão até que Denny encontrou um graveto em com dificuldade encontrou o coração do vampiro, jogou o corpo inerte para o lado e levantou da lama, Eli tinha fugido, deixado a menina com o pescoço dilacerado no chão.

Denny foi até a menina e fechou seus olhos, ela não foi tão rápida para salvar a vida da garota, e se culparia para sempre, perdera mais um vida, tinha que ir atrás de Eli e impedir que matasse mais humanos. Porém Jack apareceu no pântano, a luz da lua deixava seus olhos escuros, ele estava arfando e usando uma roupa muito arrumada para ele, o garoto encarou Denny perto do corpo, a Caçadora levantou e ambos ficaram se encarando. Denny estava suja de lama e sangue e segurava uma estava quebrada, seu olhar deveria estar assassino, Jack a encarou inexpressivo e não deu nenhum passo. Denny ouviu um galho se quebrando e virou para trás, Eli estava em pé perto de seus amigos mortos, ele encarou Denny com um olhar psicopata e disse em alto e bom som:

– Eu vou matar você, Jennyfer Salvatore, nem que eu precise voltar do inferno. – e se foi.

Notas finais
E ai? Gostaram? Não gostaram? Espero comentários de todos esses leitores que não se proclamam haha ~Ana