A Ordem

11 Theodore


Notas iniciais
Olá pessoal! Primeiramente quero dizer que estou decepcionada, só recebi um comentário! E devo ressaltar que o número de visitas na história sobe cada vez mais e cadê meus comentários? Hein? Vocês acham que eu não mereço? :( :( Queria notícias de vocês. E vou agradecer Sayuri pelo seu comentário, continue me deixando feliz haha Bem, espero por vocês dessa vez seus invisíveis porque eu particularmente amei esse cap, então espero que amem também e... Não odeiem Jack e Denny, meus queridos, deem uma chance para esse casal, uma chance! Se não ficar bom eu mudo o rumo da história e deixo sem relações amorosas entre Jack e Denny. Também vou avisar que no próximo terá mais narradores, como Victória e Charlotte, para que vocês possam ver quem elas são e como andam suas vidas e uma pessoinha que vocês já conhecem aparecerá novamente, então façam suas especulações! Boa leitura!

Jack deixou o bilhete cair levemente no chão, aquilo só poderia ser uma brincadeira sem graça. Denny não tinha deixado Lucia morrer e ela fez isso só para abalar o menino. Ele olhou para o pátio abaixo dele e viu que o carro de Denny já saía da Sede. Pouco a pouco a ficha foi caindo e as lágrimas também, ele não chorava pela morte da irmã havia anos, mas saber que havia outra perspectiva era demais.

Ele levantou e seguiu rapidamente para o quarto de Denny, estava trancado, mas ele logo destrancou com um clipe e pegou uma garrafa de Vodka. Voltou para o quarto, sentou no mesmo lugar de antes e começou a beber. Ele era menor, mas não havia leis entre os Caçadores, além disso, Jack não sabia o que o deixava mais surpreso; o fato de Denny gostar de algum modo dele ou o fato dela ter deixado sua irmã morrer.

A noite pesou os olhos do menino e ele foi dormir, sem saber o motivo de não estar com raiva dela. Jack tinha passado tempo o suficiente com imortais para saber que eles não ligavam muito para a própria vida e ficou feliz com o fato de que deu um certo sentido para a vida de Denny. Sua irmã escolheu morrer para salvá-lo, ela tinha feito sua escolha, ele era jovem demais para fazer alguma coisa e Denny estava em desvantagem. Claro, isso não mudava o fato de que ela tinha deixado Lucia morrer e que de novo Denny tinha sido idiota. Mas Jack estava disposto a perdoá-la, talvez porque sentia algo que se equivalia com um pouco de amor.

Um tremido fez com que o menino abrisse os olhos, uma mensagem tinha chegado em seu IPhone, ele ficou surpreso ao ver que era de Denny.

D: Ainda vai olhar na minha cara?

Jack suspirou, Lucia tinha morrido há dez anos, sua morte doía, mas era algo que Jack havia aprendido a suportar.

J: Estou pensando em algo mais doloroso.

D: É brincadeira, não é?

J: Claro Den, cadê o seu sendo de humor?

D: Guardado em uma caixa a sete chaves.

J: Então, pelo amor de Deus, diga-me onde está essa caixa.

D: Ok, então siga minhas instruções.

J: Estou pronto.

D: Onde você está?

J: Na minha cama.

D: Ok. Levante e dê cerca de dez passos, depois é só olhar.

Jack seguiu as instruções rindo por aquilo ser tão idiota, quando parou viu que ele estava em frente a um espelho, olhando para si mesmo. Ele sorriu, Jack era sua caixa, de algum jeito aquela brincadeira tinha feito o menino muito feliz. O Caçador pegou o celular e logo escreveu:

J: Idiota.

D: Estou seriamente magoada.

J: Desculpa, eu não queria...

D: Nossa Jacky, cadê o seu sendo de humor?

J: Em outro país. Saudades do meu humor.

D: Ele está bem guardado. Boa noite, garoto.

J: Boa noite, Den.

Jack dormiu sorrindo.

*

Caliard, Espanha, 1874

Denny

*

Denny nunca imaginou que a dor seria tanta, afinal, cadê a luz? Não havia luz nenhuma e também nada para amenizar a dor, ainda não conseguia imaginar o porquê de chamarem aquilo de dar a luz. Henry não facilitava o trabalho, porque ele não saía de uma vez e deixava sua mãe um pouco feliz.

Mãe.

Ela pensou um pouco naquela palavra antes de soltar mais um grito agonizante, ela seria mãe de seu único filho, ele seria lindo e seria muito amado por ela. Teria todo o seu amor, todo amor que deveria ter sido destinado a Scott, Henry seria feliz com ela, Denny cuidaria de seu pequeno bebê. Seu pequeno e precioso bebê.

Austin apertava a mão dela, ele tinha virado um perfeito amigo, cuidou dela e sempre a protegia ou brigava quando algo ameaçava o seu filho. Talvez Austin amasse tanto aquele bebê quanto ela própria e ela também sabia que ele nutria mais do que uma amizade por ela.

O Caçador limpou o suor da testa de Denny e ela deu mais um grito, as duas parteiras que cuidavam do trabalho gritavam palavras de incentivo. Que criança grande! Pensou Denny, por que não aliviava a dor dela? Seria tão difícil assim nascer de uma vez? Depois de um longo grito, ela sentiu que Henry tinha nascido, mas não havia choro, ela sabia que crianças tinham que chorar.

– Por que ele não chora? – gritou para as parteiras desesperada.

– Calma Denny, seu bebê está bem. – tranquilizou Austin.

– Não até eu vê-lo! – Denny tentou sentar-se, mas uma dor excruciante a fez deitar e gemer. Austin passou um pano molhado em sua cabeça enquanto Denny tentava respirar.

– Ele não chora. – choramingou a Caçadora.

– Ele está totalmente bem. – sorriu Zain, uma das parteiras, uma mulher gorda e totalmente desconfiável – Vou levá-lo para limpar o sangue e Zarina cuidará de você.

– Por favor, deixe-me olhá-lo somente uma vez! – Denny implorou e olhou suplicante para que Austin a ajudasse.

– Deixe que ela veja.

– Trago em um minuto, senhorita.

Zain se foi com o bebê e Denny começou a chorar, queria levantar e correr atrás da mulher gorda que não deixara a mãe ver seu filho. Zarina, uma menina jovem de cabelos negros, começou a cuidar de Denny com cuidado. A Caçadora chorava e mesmo com Austin murmurando palavras tranquilas, ela sabia que algo estava acontecendo ao seu filho, ele não tinha chorado. Crianças choram.

– Senhorita... – ela olhou para Denny com medo e depois voltou seu olhar para Austin – Eu não deveria abrir a boca... Díos mio, o corpo de seu filho corre perigo.

A última coisa que Denny viu antes desmaiar foi Austin correndo.

Tinha perdido o seu filho. Tinha perdido a única coisa que lhe restara e nem mesmo pôde tocá-lo. Ele foi arrancado de seus braços e levado para a morte. Se já não estivesse morto.

*

Dias atuais

Denny

*

O palácio do Souverain era dez vezes maior que qualquer Sede que Denny já houvesse pisado. Era enorme e sempre havia pessoas saindo e entrando, além da guarda real que sempre estava em todo lugar. Denny ajeitou o vestido ao sair da limusine preta que estacionou em frente a grande escadaria, ela estava usando um vestido rosa com várias camadas de saia por baixo e um chapéu discreto branco com detalhes preto. A menina arrumou a pequena luva branca e dispensou um guarda que tentou guiá-la.

A Caçadora subiu as escadas sabendo o que enfrentaria quando encontrasse com seu superior, mas ela sabia que o Souverain gostava dela, do seu jeito impulsivo e rebelde. Entretanto, seu filho era a preocupação da menina, Souverain estava morrendo e logo o filho tomaria o trono, o que claramente não seria algo bom. Theodore Blanchard era a personificação dos filhos de papai, o Caçador nunca caçara na vida e vivia reclamando de como o pai levava os negócios. Mesmo sendo relativamente novo – apenas 89 anos – estava claro a todos o que o menino queria: O trono de seu pai.

Denny o conheceu quando ainda nem era um Caçador, apenas um pequeno menino sentado no trono do pai e mandando em todos os funcionários como se fossem cavalos a serem domesticados. Theodore nunca foi uma boa pessoa, então Denny tinha largos motivos para acreditar que ele estava matando o seu pai. Triste, mas era a realidade.

Quando chegou a porta do quarto de Souverain, Denny nem se importou em bater, sabia que o amigo poderia ver um futuro próximo. A Ordem dos Visionários sempre foi a favorita de Denny, continuamente agradeceu por ser uma deles.

Souverain estava deitado na cama com um sorriso preguiçoso e olheiras terríveis, sua aparência era pálida e sua cabeça caia ligeiramente sem forças. Seu quarto era enorme, com um chão de mármore limpo e nada comparado ao da Sede na Espanha, sua cama era gigante e poderia caber muito mais do que duas pessoas. Porém não havia janelas, apenas uma porta de madeira fechada que provavelmente daria para uma sacada. As paredes eram todas pintadas de creme e havia quadro de todos os Souverain que passaram por lá. Denny reconheceu três.

Ela seguiu tentando fazer o menor barulho possível com seus saltos e sentou intimamente na ponta da cama de seu superior. Souverain sorriu para ela e disse em sua voz adoentada:

– Pensei que morreria sem ver estes olhos, minha cara. – Denny sorriu com o elogio e focou sua atenção nos olhos do Caçador.

Sendo um Visionário, ele tinha olhos quase tão belos quanto os dela, os dele era de um dourado tão brilhante quanto ouro e aparentava mudar de cor conforme ele se movia. Os olhos dessa Ordem eram completamente apaixonantes, Denny gostava de vê-los, eles eram a única parte deles que realmente mostrava o quão velho eles eram. Os olhos eram literalmente a janela da alma deles, brilhado com o fogo de suas vidas e transmitindo o que havia por dentro. Os Visionários podiam sentir uns aos outros, ver o interior pelos olhos e suas inúmeras habilidades, era algo realmente incrível.

– Continua encantador, Souverain.

– Creio que tenha ocorrido algo para que a senhorita voltasse ao seu cargo. – disse em uma voz rouca. Souverain era em si um homem bonito, com seus cabelos brancos, não pela velhice, mas pela doença, suas feições fortes e lábios fartos. Tinha um corpo musculoso, porém agora maltratado pela doença e uma marca de nascença no ombro esquerdo para confirmar sua herança.

– Certamente. – Denny contou a ele o que estava ocorrendo, focando sua história em Gerard e não tocando o nome de Jack, não porque não confiasse nele, mas porque não confiava em seu filho.

– Interessante... – ele suspirou – Gerard sempre foi uma preocupação minha, tentava mantê-lo na linha, mas com a minha doença ficou complicado cuidar de tudo.

– Eu entendo senhor. Minha preocupação na verdade, com todo o respeito, é que seu filho piore as coisas, tenho motivos para acreditar que Theodore esteja arquitetando algo com Gerard.

– Querida Jennyfer, meu filho é um caso que eu queria poder cuidar – uma tosse repentina veio e Denny pensou que perderia o Souverain naquela hora, mas rapidamente ele se recompôs – Ele sempre foi uma criança presunçosa, no começo achei que isso seria bom, os grandes reis precisam ser presunçosos. Logo depois veio sua terrível ambição, não apenas uma ambição sadia, mas algo verdadeiramente assustador. Achei que o principado poderia transformá-lo, dando-lhe alguma responsabilidade para que pudesse ver como um rei agiria, mas não fora uma boa ideia.

“Theodore pode ser meu filho, nunca negarei isto, mas com certeza ele é o meu pecado. Talvez se eu tivesse o criado melhor... Bem, sei que ele está me envenenando, aos poucos e sem levantar suspeitas, porém eu sei do que ele é capaz e também sei que isso tudo é um golpe para pegar o trono. Creio que ele não tenha inteligência o bastante para arquitetar algo dessa magnitude, mas tenho quase certeza que Gerard tenha. Acredito quando diz que os dois podem estar trabalhando juntos e sinto muito, mas estou morrendo, não posso fazer nada.”

– Mas senhor... – começou Denny.

– Desculpe, Jennyfer, não há nada que eu possa fazer.

– Sim, pode. Senhor me diga se tem alguma ideia do que eles pretendem fazer.

– Posso dizer que Gerard odeia seu Contrato e Theo também sempre fora contra, se os dois estão trabalhando juntos acredito que a primeira coisa que eles vão fazer é destruí-lo e fazer um novo.

– Isso é impossível, precisa ser na Lua de Sangue e ele precisa ser... – a voz de Denny sumiu ao perceber o que enfrentaria.

– Um Governador... Exato, creio que meu filho fará isso acontecer. – Souverain tossiu e segurou a mão de Denny. – Existe algo que eu não contei para o meu filho para que não acontecesse uma desgraça global... Você terá que fazer uma nova Constituição.

– Impossível! Isso é impo...

– Não é, pergunte ao Austin, ele tem um plano e eu te direi exatamente o que tem que fazer...

***

Denny estava sentada em um corredor esperando que os médicos saíssem do quarto de seu superior. Ela ainda tentava engolir o que ele lhe disse, não era algo fácil e com certeza colocaria sua vida em perigo. Não só a sua, mas de todas as pessoas que a ajudassem, ela sabia que teria ajuda, nunca fez nada só e isso era algo terrível.

Perdida em seus pensamentos, não viu que uma forma alta e esguia se aproximou dela e sentou no banco de madeira ao seu lado. Denny virou a cabeça com cuidado para encarar o Caçador que sentara ao seu lado, ele era magro e moreno, com seus cabelos puxados para trás com uma quantidade excessiva de gel. Seus olhos eram cor de café e seus lábios finos, ele usava roupas finas de um braço quase impecável, sua postura era arrogante e presunçosa, era exatamente como ela se lembrava.

Estava olhando para um assassino.

Não que Denny nunca tivesse matado, na verdade perdera a conta de quantas vidas tirou m seus quinhentos anos, mas o garoto que sentara furtivamente ao seu lado fez algo bem pior. Matar é algo comum quando se é Caçador, mas nada pede para que a pessoa mate sua família, ainda mais seu próprio pai, a única família que lhe restara.

Sua mãe foi morta por um vampiro quando Theo ainda era um bebê, ele nunca chegou a reconhecê-la, mas sabia o que causara a morte de sua mãe e pôs em sua cabeça que deveria matar o vampiro que o privara de conhecer sua mãe. Ele o matara, mas não fora punido, já que sendo um príncipe tinha suas regalias perante a lei. Denny estava ausente quando isso aconteceu, senão certamente tomaria provisões, afinal o menino cresceu achando que podia tudo e isso o tornara um assassino.

– Continua tão linda, Denny. – falou em sotaque francês, ele era da Ordem dos Magos e eles tendiam a ser bem orgulhosos.

– Concordo plenamente com o senhor. – disse em voz baixa, ela estava preocupada com os médicos que não saiam do quarto do Souverain e não queria falar com uma criança mimada, mas era algo que estava sendo obrigada a fazer.

– Tão sutil quanto linda, devo ressaltar. – Theo riu e se virou para encarar Denny. – Acho que ele não passa dessa noite.

– Como pode dizer isso? Ele é o seu pai. – disse Denny com nojo.

– Sim, e por isso quero que o sofrimento dele acabe. Denny querida, meu pai se encontra nessa situação precária há anos e não quero que isso se prolongue, ele não toma mais as decisões e não me passa o trono. Deve dizer que isso é inconveniente da parte dele.

– Ele fez um ótimo trabalho sendo o Souverain.

– Sim, mas eu farei bem melhor, é só ele morrer e veremos quem será o melhor do milênio.

– Creio que não será você, alteza.

– Me chame de Theo – o Caçador chegou mais perto, encostando seu ombro no de Denny – Sabe que entre nós não existe formalidades.

Denny deu um pulo do banco e esqueceu todos os modos quando quase vomitou.

– Não existe um “nós”. – Denny alisou o vestido e encarou Theo com nojo – Não tenho amizade com assassinos.

Theodore se levantou visivelmente com raiva, ele abriu a boca para falar, mas os médicos abriram a porta do quarto e saíram rapidamente, com rostos tristes.

– Alteza – eles fizeram uma reverencia para Theo e um breve aceno para Denny – Senhorita. Serão os primeiros a saber... Souverain está morto. Fizemos todo o possível, mas sua doença já estava muito elevada.

– Obrigado, senhores, meu pai com certeza agradeceria esforço de vocês. – Theo dispensou os homens e sorriu claramente feliz. – Essa é a hora que você se ajoelha para o seu novo Soberano.

Denny o encarou como se tivesse levado um soco.

– Essa é a hora que você chora a morte do seu pai, cretino! – Denny gritou – Ele cuidou de você mesmo sabendo que merda de filho você era e o amou mesmo assim. Você ainda não é o Souverain e mesmo que fosse eu nunca me ajoelharia diante de você. – Denny cuspiu as últimas palavras e começou a andar para sair de perto do bastardo, ele prendeu o seu braço, Theodore estava vermelho de raiva, raiva inteiramente voltada a Denny.

– Escute aqui, vadia, vai se arrepender dessas palavras. – ele riu seco, mas não soltou o braço de Denny – Sim, eu matei o meu pai e não me importo nem um pouco, o velho mereceu cada segundo de dor que teve. – ele apertou mais e puxou Denny contra si para que pudesse falar em seu ouvido – Saiba que a primeira coisa que farei quando tiver a coroa em minha cabeça é tirar você de seu cargo e trazê-la para cá, você se ajoelhará perante mim e fará tudo o que eu mandar. Como a cachorra obediente que você é.

Essa foi a gota d’água para Denny, ela torceu o braço do príncipe e o colocou nas costas, o empurrou até a parede, puxou mais braço nas costas até que o Caçador gritasse de dor. Os guardas logo viriam. Ela o virou e ele caiu de joelhos, ela socou o rosto dele com um golpe de direita e deu uma joelhada em seu estomago. Quando ele caiu ela botou seu salto em suas costas e apertou, até que o sangue começasse a sair. Quando percebeu que ele estava derrotado, ela suspirou e pegou o chapéu que caíra no chão, arrumou o vestido e falou suas últimas palavras:

– Me insulte novamente e vai ser muito pior. – ela chutou o rosto dele e ouviu o nariz se quebrando – Isso é por seu pai. – então ela saiu correndo antes que os guardas chegassem, seu cargo já estava comprometido de qualquer forma.

*

Jack

*

Jack estava acabando seu treinamento com Thomas, tinha que admitir que o extrator era um excelente lutador e estrategista. Jack aprendera muito mais com ele com que com Denny, mas era obvio que Thomas era mais experiente no quesito Extrator. Eles estavam em sua última luta corpo a corpo, estava empatado e eles deveriam terminar, mesmo que o horário já tivesse acabo. Era bom finalmente lutar com alguém que pudesse prever o que ele faria e então o parasse, com as outras pessoas eram sempre tão fácil, com Thomas ele poderia ser realmente testado.

No final, Thomas acabara ganhando a disputa e Jack caiu no chão derrotado. O moreno ofereceu a mão para que Jack pudesse levantar e ele aceitou de bom grado, ele não era uma pessoa tão ruim. Não que Denny precisasse saber disso, pensou Jack, não depois da noite passada.

Thomas foi até a geladeira e pegou duas garrafas d’água, jogou uma para Jack que aceitou de bom grado. O loiro sentou-se na mesa arfando enquanto limpava o suor da testa.

– Ótimo treinamento. – declarou Jack dando um gole em sua água gelada.

– Devo admitir que esteja ficando melhor Jack, você é um ótimo aluno.

– Denny disse ao contrário. – falou o menino rindo.

– Jenny tem o sério problema de achar que ninguém pode ser melhor que ela. Vai por mim, quando eu a conheci eu tentei ensinar arco e flecha. No final ela aprendeu sozinha.

– Por que a chama de Jenny?

– Quando eu a conheci só os familiares a chamavam assim, o resto falava Jenny. Velhos hábitos nunca mudam, eu acho. – o moreno bebeu a sua água e deitou no chão gelado suspirando.

– Como ela era antes... Bem, de você sabe... Isso tudo acontecer? – Jack bebeu a água para não se entregar.

– Jenny? – Thomas riu – Acredite se quiser, ela era um amor de pessoa e uma perfeita boneca, sem nenhuma cicatriz, interna ou externa, adorada por toda a Vila e a filha mais amada de seus pais. Ela dava aula para as crianças e cuidava dos doentes, uma verdadeira boa samaritana. Ninguém tinha coragem de machucá-la... Menos eu... É claro. – Thomas riu e levantou-se – Prefiro muito mais ela agora e você também, não suportaria toda bondade melosa que ela tinha.

– Bem, agora não sobrou nenhuma. – Jack bufou um pouco irritado e desceu da mesa.

– Ah sobrou e está toda virada para você, meu amigo. – Thomas deu um tapinha no ombro de Jack que levantou a cabeça assustado com a declaração.

– Você está delirando...

– Sou muito bom em ler as pessoas. – ele apontou para ele mesmo se vangloriando e foi até a geladeira pegar mais uma água. – Ela gosta de você, de um jeito esquisito e meio mortal – os dois fizeram uma careta – Mas ela gosta e sei que Jenny faria qualquer coisa por você, garoto. Afinal vocês dormiram na mesma cama e ela não te matou, sinta-se com sorte.

– Como você sabe disso? Eu e Denny não fizemos nada. – precaveu Jack.

– Sei de tudo o que acontece nessa Sede, vocês não me levam a sério mesmo, não é? – falou fingindo desapontamento – E eu sei que vocês não fizeram nada de mais, muito sem graça. Cadê a emoção, meu amigo? Seja mais corajoso, já sabemos que ela não vai te matar. – Thomas riu e bebeu a água.

– Não ia fazer isso... – disse Jack com vergonha – Nós nem mesmo nos beijamos de verdade. – Thomas cuspiu a água com uma gargalhada e bateu no ombro de Jack.

– E você está esperando o que? Posso saber?

– Ela me trata como criança, além disso, eu só era o trabalho dela.

– E desde quando isso impediu que duas pessoas fizessem sexo? – Jack arregalou os olhos surpresos e Thomas riu novamente – Não me diz que nunca pensou nisso? – Jack não respondeu – Meu Deus, acho que ela tem razão ao tratá-lo com criança, meu caro.

– Não digo que nunca pensei, é só que... Eu e ela somos algo mais do que sexo, Thomas. – disse Jack mais para si mesmo do que para Thomas.

– Nem isso vocês são, Jack, desculpa. Porém... Vocês podem passar para mais do que duas pessoas abobadamente apaixonadas se olhando como prêmios se você ir para cima, mostre que não é uma criança! – gritou Thomas – Pense nela gemendo e falando seu nome inúmeras vezes. Jack, Jack, Jack... – Thomas fez uma péssima imitação de Denny e ele socou sua barriga rindo.

– Cala a boca.

– Então faça alguma coisa logo, senão a única pessoa que você vai ouvir gemendo sou eu. – Thomas pegou o casaco no chão e o colocou, bagunçando seu cabelo.

– Pode acreditar, eu não quero ou... – o telefone de Jack começou a tocar e ele pegou correndo, uma sensação terrível quanto aquele toque o fez começar a tremer.

– Quem está atrapalhando nossa conversa estritamente profissional?

– É Denny.

– Então atende, meu chapa. – assim ele saiu da sala, deixando Jack sozinho com celular tocando com a música do Imagine Dragons.

– Oi, Den.

Jack, que bom que atendeu! – ela suspirou do outro lado da linha – Estou tentando desesperadamente falar com Austin, o celular dele dá fora de área.

– Victória quebrou o celular dele, parece que eles saíram para um encontro e ele estava mais vidrado no telefone do que nela.

Bem... Ela está certa. Agora corra até o Austin e entregue o celular para ele, é urgente.

– Não vai me dizer?

Depois, Jack, chego à Espanha no começo da noite.

– Estou levando. – Jack correu pelos corredores, passando rapidamente por um Padre Digory raivoso e deixando o velho para trás com inúmeras desculpas. Encontrou Austin em seu escritório escrevendo algo nos incontáveis papéis que tinha em sua mesa de madeira. – É Denny... Ela disse que é urgente.

– Passe aqui. – disse ele levantando e pegando o aparelho – O que foi? – Austin fez uma feição surpresa – Oh não, isso acaba com tudo. Ele disse? Ótimo! – Austin começou a andar em círculos pelo aposento e parou subitamente depois de um tempo – Ele o que? – gritou – Você se machucou? – Jack se alarmou, o que tinha acontecido? Por que Denny teria se machucado? – Aquele desgraçado! Você quer que eu vá até ai e acabe com ele? Eu não me importo com meu cargo! – Austin passou a mão no rosto e bufou – Denny, você é mais importante. – Austin se jogou no sofá de baixo da janela e suspirou derrotado. – Estou esperando você. Tem certeza que está bem? – depois de um tempo Austin esticou o telefone para Jack. – Ela quer falar com você.

Jack? – disse Denny com uma voz rouca.

– Sim.

Por favor, não deixe Austin fazer nada de idiota.

– Acho que ele é bem grandinho. – Austin olhou para ele e colocou o rosto entre as mãos.

Por favor, Jack. – implorou.

– Tudo bem – disse derrotado – O que aconteceu? Você está bem?

Estou bem. Quando eu chegar nós conversamos.

Jack desligou o telefone e se jogou no sofá ao lado de Austin que suspirava incessantemente com uma raiva controlada. Jack bateu nas costas do ruivo e ele sorriu para o loiro agradecendo.

– O que aconteceu? – perguntou Jack.

– Souverain morreu e seu filho, Theodore, ameaçou Denny. – Austin arrumou a coluna e deu um soco na própria perna. – Aquele desgraçado! E agora ele vai ser nosso rei e disse que a primeira coisa que fará é tirar Denny do cargo, e já sabemos quem ficará com ele. Ela não está nada bem, Jack, eu sei como ela pode ficar quando algo assim acontece. Denny estava começando a se recuperar da última vez...

Olhando para o ruivo, Jack percebeu o quanto ele era preocupado com a amiga, ele certamente a amava e faria de tudo para protegê-la. O loiro não sabia como eles se conheceram, mas teria que ser algo bem drástico para que Austin sentisse essa proteção pela pequena. Não era como o ciúme que sentia toda vez que ouvia o nome de Scott, ele ficou feliz por ver que alguém se importava verdadeiramente com Denny e que ficara tão abalado com que poderia fazê-la infeliz. Talvez esse sentimento protecionista derivasse da paixão que outrora sentira por ela, mas que agora se transformara em uma amizade que Jack ficou muito feliz em presenciar.

– Ela é forte.

– Eu sei que é. – disse ainda com raiva – Não duvido de sua força para a guerra, eu duvido de como ela sairá dela.

– Então vamos cuidar para que isso não aconteça. – declarou Jack com confiança.

*

Theodore

*

Theodore colocava o gelo no nariz com cuidado para que a dor não piorasse, aquela menina tinha acabado com ele tão rápido que ele não percebeu o que tinha acontecido até que estava no chão. Os guardas o tiraram e o levaram para enfermaria perguntando quem fizera aquela atrocidade. Theo tinha seu orgulho, disse que havia sido um vampiro muito raivoso que o atacara e ele tentara o possível, mas o luto por seu pai não deixou que tivesse forças.

Mentir sempre fora fácil para ele, afinal, fazia isso desde que era criança, não ligava para o que dizia, só se importava se ia se sair bem com o que falava. Ainda se lembrava de sua primeira mentira, tinha cinco anos e quebrara o jarro preferido de seu tio Ernest, colocou a culpa e Bri, seu primo. Se sentiu tão bem que não parou depois disso.

Theodore nunca foi um menino bonito ou forte, nem inteligente o bastante para arquitetar grandes coisas, mas tinha uma ambição fora do normal, algo que nem a morte tiraria dele. Sim, tinha matado o seu pai, mas ele pensou no bem que estaria fazendo para os Caçadores. Seu pai já estava velho e não sabia o que era bom para os outros, tinha aceitado aquele Contrato ridículo com os monstros! Quem faria tal atrocidade? Theo estava fazendo um bem maior, mesmo tendo que sacrificar seu próprio e nada querido pai.

Desde a morte de sua esposa, o Souverain nunca tinha sido um bom pai, esquecia do filho inúmeras vezes e nunca lhe dava os parabéns. Depois de um tempo Theo decidiu que não faria nada mais por merecer, faria por ele e somente para ele. Quando conheceu Gerard ele se sentiu como se encontrasse sua alma gêmea – não no sentido de relacionamento. Gerard pensava exatamente como ele e era tão ambicioso quanto o príncipe. Juntos poderiam finalmente fazer algo de bom para os Caçadores, algo que ficaria para história.

Dentro de algumas horas ele seria o novo Souverain, todos adorariam a ele, Theo seria um deus, poderoso e onipotente, nada poderia ser mais forte que ele, nem uma pequena Caçadora de olhos azul-violeta. Ele fuzilou a coroa que logo, logo estaria em sua cabeça para sempre, ela estava protegida um vidro transparente dentro da sala das joias reias. O enterro de seu pai seria amanhã e logo depois sua grandiosa coroação.

Ele pegou o telefone no bolso e discou o número de Gerard, depois de três toques ele ouviu a voz de seu fiel escudeiro.

Alteza.

– Gerard. – disse ansioso – Meu pai finalmente está morto.

Isso é uma notícia maravilhosa! Quando será a coroação?

– Amanhã, logo após o enterro do velho.

Irei pegar um avião agora mesmo, temos que começar nosso plano! Tudo está realmente acontecendo.

– Será como nós imaginamos. Poder, Gerard, seremos invencíveis!

Sim... Mas, senhor, quero que se lembre do nosso acordo, quero que Jennyfer Salvatore morra.

– Não.

Desculpe? – falou tossindo.

– Você pediu em nossos termos que eu desse um jeito nela e eu darei, sou um homem de palavra. – Theo arrumou a gravata mesmo que Gerard não tivesse vendo seu nervosismo – Quero-a inteiramente para mim. Tenho planos para aquela caçadorazinha.

Como quiser... Souverain. – disse Gerard com uma raiva nítida.

– É tão bom ouvir isto. Serei um deus, Gerard! Um deus.

Claro que será, meu senhor. Vemos-nos amanhã.

– Antes de desligar, quero que você bote a primeira faze do plano em ação.

Está cedo, alteza.

– Preciso que ela esteja desolada e fora do meu caminho a partir de amanhã, você ouviu bem? – ele quase gritou as palavras, ele sentia uma terrível atração por aquela menina ridícula e isso o deixava com raiva, ele queria que ela sofresse e ele iria usar daquele sofrimento.

Sim – bufou – senhor.

*

Denny

*

Quando Denny chegou à Sede o crepúsculo já terminava, ela estava cansada e abalada, seu único pensamento era sua banheira cheia de água quente. Surpreendentemente imaginou Jack com ela na banheira, mas logo tirou o essa imagem e desceu do carro, um Gol novo branco e pagou o motorista.

Ela entrou com cuidado para não chamar atenção e correu até o quarto, May estava trocando os lençóis e se assustou com a aparição repentina de sua senhora. Denny lembrou que não havia feito um pedido de desculpas para sua criada e a abraçou com mais força do que deveria. May se assustou e a abraçou de volta.

– Desculpa por ser uma completa idiota, May.

– Eu não deveria ter feito aquilo, desculpe! – May começou a chorar e Denny começou a falar que estava tudo bem contanto que ela preparasse um banho quente para ela. May foi feliz para o banheiro e Denny começou a se despir.

*

Jack

*

Jack sabia que Denny tinha chegado, pegou-a entrando furtivamente na Sede, ele profetizou que ela estivesse cansada, mas ele tinha que vê-la, saber o que aconteceu e o que Theodore tinha feito com ela. Ele não se preocupou de colocar a blusa e saiu apressado pelos corredores, rezando para não encontrar um padre furioso pelo caminho, ainda não tinha se redimido pela primeira vez.

Quando chegou ao quarto de Denny a porta estava fechada, ele bateu, mas não houve resposta. Então abriu uma fresta, não havia ninguém no quarto.

– Denny? – chamou.

– No banheiro. Pode vir.

Ele não sabia ao certo se deveria ir, mas Denny tinha dito que podia então ele foi. Seguiu até onde ficava a cama dela e viu que tinha uma porta branca que deveria dar no banheiro, ele seguiu quieto até a porta e a abriu com um rangido. Denny estava na banheira, com espuma transbordando, seu cabelo estava preso em um coque mal feito e seus pés estavam cruzados na borda da banheira. Jack levou um susto e tentou se virar como um verdadeiro cavalheiro. Porém, incrivelmente, ele se lembrou das palavras de Thomas: “Vocês podem passar para mais do que duas pessoas abobadamente apaixonadas se olhando como prêmios se você ir para cima, mostre que não é uma criança!”. Não que Jack achasse que Denny estivesse abobadamente apaixonada por ele, mas valeria apena tentar, afinal ela o chamara.

Jack andou timidamente até a banheira e sentou perto dos pés dela, ele sorriu tentando não transpassar nervosismo e nem imaginar ele dentro da banheira. Denny sorriu preguiçosamente e passou a mão na água.

– Hey.

– E aí? Como estava a França.

– Bem francesa. – Denny mexeu os pés e pousou a cabeça na mão direita – Desculpe não passar no seu quarto primeiro, é porque eu precisava disso.

– Tudo bem. – subitamente Jack pegou o pé direito de Denny e começou a massageá-lo, agradeceu as inúmeras aulas de massagem que foi junto com seu pai. A Caçadora gemeu com satisfação e sorriu.

– Você é muito bom nisso. Não para. – avisou.

– Aulas – Jack tossiu – Então... Está tudo bem com você?

– Sim... Você sabe, adoro guerras. – disse desanimada – Sim, está tudo bem, por enquanto, temos um plano.

– Temos? – Jack terminou o trabalho no pé direito e foi para o esquerdo, Denny sorriu novamente e jogou a cabeça para trás.

– Austin tem e você está incluído nele.

– Posso saber qual é esse plano?

– Conselho de Guerra amanhã, já mandei Austin chamar os membros mais fies, vamos aproveitar que Gerard vai estar fora para a coroação do pupilo.

– Theodore... Falando nele, o que ele fez com você?

– Ameaças infantis, mas de quer saber com as palavras do príncipe, ele disse: “Saiba que a primeira coisa que farei quando tiver a coroa em minha cabeça é tirar você de seu cargo e trazê-la para cá, você se ajoelhará perante mim e fará tudo o que eu mandar. Como a cachorra obediente que você é.” Enfatizando o chamamento cachorra. – Jack terminou a massagem nos pés e Denny pediu que fizesse no pescoço, ele se ajoelhou atrás dela e começou a massagear com sutileza – Você é muito bom nisso!

– Presumo que você não deixou isso barato...

– Até parece! Aquele filho-da-mãe teve um nariz quebrado e uma humilhação terrível. –Denny sorriu e olhou para Jack de soslaio.

– Ele com certeza merecia mais. – Jack parou a massagem e prendeu um fio que se soltava atrás da orelha da menina, Jack se lembrou de Thomas novamente e decidiu que não seria uma criança com medo e deixou a mão dele no rosto dela. – Eu adorei a carta... Bem a última parte para ser exato. – Jack sorriu nervoso.

– Desculpa. – ela se virou, a espuma ainda cobria seu corpo, Jack continuou com a mão em seu rosto, ela colocou as mãos na borda da banheira e o encarou com seus olhos grandes. – Eu devia...

– Shhiiu – Jack pousou o dedão em sua boca impedindo-a de falar, Thomas estaria orgulhoso, ele mostraria aos dois que não era uma criança – Eu entendo, sério, você não tinha a obrigação de salvá-la. Porém, você está mudando, pequena, e isso me deixa muito feliz. – Denny sorriu – O que foi?

– Pequena?

– Não gostou?

– Gostei de como soa quando você fala.

– Pequena – ele repetiu e tentou chegar mais perto da boca dela, mas uma batida na porta o fez levantar e encarar Denny.

– Pode ver quem é?

– Sim, claro. – Jack saiu triste de perto dela e foi até a porta, abriu e viu um Austin muito preocupado do outro lado, ele colocou as mãos na cintura e suspirou.

– Que bom que está ai, você vai dar a notícia para ela. – ele olhou para o quarto e fez uma careta – Cadê a Denny?

– No banheiro. – disse Jack rapidamente.

– Hum... Espero não ter interrompido nada. – Jack tossiu e negou com a cabeça.

– Que isso!

– Bom então você fala para ela, não pretendo morrer hoje.

– O que está acontecendo, Austin? – perguntou Jack saindo do quarto e fechando a porta atrás de si.

– Tem um garoto aqui e ele diz ser o Henry.

– O nosso Henry? – perguntou Jack sem poder acreditar.

– O nosso Henry.

Notas finais
Comentários! HUMPFT!! Love you