A nave seguiu por fora da atmosfera de Ardroye, rumo à imensidão do espaço sideral. Após captar as áreas de dois ou três saltos intradimensionais, em cinco minutos de viagem, ela chegou até o interior da área do mundo de Zyllia. Sobrevoou, por poucos segundos, diversas construções divididas por bacias hidrográficas naturais, conduzidas quase que de uma maneira artificial por dentre as áreas de solo construídas por mãos móveis. Ted, tendo aquela bela vista por de dentro da nave, percebeu-se no distrito de Choko, a capital central de Zyllia.

Um prédio, entre os demais, era claramente o mais alto, trazendo consigo, numa das laterais, a letra inicial da União numa inscrição metálica. Toda a área ao redor do edifício formava-se numa construção de proporções quilométricas, feita para abrigar todo e qualquer membro já formado ou ainda em treinamento pela União, numa das maiores academias de todos os mundos.

A nave, após rodear uma vez ou duas aquela maior das construções, pousou-se numa área circular à sua lateral, em direção oposta à maior parte da construção da academia. Os motores da maquinaria desligaram-se agilmente e, pelo lado direito dela, abriu-se uma plataforma que trazia, consigo, uma série de degraus. O primeiro a surgir-se por eles foi Ted, trazendo em si um semblante sério, cheio de determinação. Logo após ele, desceu-se também da nave uma segunda figura; uma mulher, cuja pele era como o couro de um leopardo, com um rosto também figurado como tal, e seus olhos eram de cor turquesa, num tom bem cristalino. Vestia-se numa regata branca, feita de tecido grosso, bem como calças e coturno militares. Tinha cabelos longos, que nasciam-se no início da testa e formavam corpo até próximo às costas, e, naquela ocasião, ela os tinha presos por um elástico. Sua espécie seria conhecida à todo ser-irmão morador de Zyllia como Liau.

Juntos, o gaiano e a liau atravessaram aquela área circular, construída num diâmetro de quarenta metros, até chegarem ao início da construção daquele prédio monumental. Logo à lateral já havia uma porta com um painel ao lado, como se fosse o controlador das entradas de um elevador — e era isso mesmo, de fato. Já familiarizado com o processo, Ted meteu a mão direita aberta naquele painel, que brilhou em azul após alguns segundos. O Gaiano tirou a mão dali e digitou alguma coisa em botões que não apareciam visualmente na tela. Em dois segundos, as portas do elevador abriram-se.

— Por favor. — disse ele, estendendo os braços, em gesto para que a liau entrasse primeiro. Era claro como ela estava em mau humor, mas, apesar disso, cedeu. Foi-se à frente e somente então Ted entrou também.

Os dois puseram-se em pé na área do elevador enquanto as portas se fechavam. Havia, assim como do lado de fora, um painel ali dentro, de uso até então desnecessário aos dois. Eles posicionaram-se de costas à direção pela qual haviam entrado.

Sejam bem vindos. — disse uma terceira voz, ecoando pela área do interior. Era uma voz já gravada, com a qual os dois ali presentes também já estavam familiarizados. Seu tom não era nem tão grosso e nem tão fino, de forma que não se podia dizer se vinha de um homem ou de uma mulher. — Ted Imura... Vizir Irenzo.

Vizir pigarreou, incomodada com algo. A plataforma pôs-se a subir, enquanto Ted, achando certa graça, deu um riso.

— É difícil ver você assim... arisca. — disse ele. — Que é que ta rolando?

— Eu não gosto de brincar de babá. — respondeu ela, respirando fundo. Sua voz era potente, mas não grossa.

— Ah, tá. É, eu entendo... eu também não gosto de brincar de guardião florestal, mas pelo jeito, é assim que as coisas andam, não é isso?

Vizir não respondeu e permaneceu com o olhar fixo às portas do elevador, numa postura de total disciplina. Ted sorriu e baixou o olhar. Era claro que não teria conversa com sua colega de trabalho. Por sorte, não era com ela que a conversa realmente precisava ocorrer.

O elevador permaneceu erguendo-se por quase trinta segundos até que parou, indicando que haviam chegado.

— Por favor, aproveitem sua estadia na União. — disse novamente aquela terceira voz, enquanto portas abriam-se de frente aos dois, na direção contrária de onde haviam entrado no elevador.

Ted meteu o olhar por dentre o ambiente, admirando-se, como sempre lhe acontecia; aquele parecia o interior de uma mansão, no formato de um corredor extenso e largo, munido de um tapete vermelho por quase toda sua área central, cheio de detalhes dourados. Havia diversas portas pelas laterais, indicando a entrada de outras salas. Era possível ver uma ou outra mesa pequena, pelo corredor, próximas à essas portas.

— Vai ficar ai? — rugiu a liau. Somente então é que Ted percebeu-se atrasado. Disparou-se à frente, enquanto as portas do elevador fechavam-se.

Os dois partiram então em caminhada, atravessando o corredor, rumo ao final dele, onde havia a maior das portas, cheia de detalhes esculpidos numa madeira de alta qualidade. Em seu centro havia um batedor, feito em pedra, que foi utilizado pela liau justamente para bater à porta. O som ecoou grave pelo corredor.

Podem entrar. — disse uma voz, masculina e poderosa, vinda de dentro do salão que aquelas enormes portas cobriam.

Usando de bastante força, a liau abriu entrada, estendendo o braço, sinalizando para que o gaiano passasse primeiro. Ele assim o fez e, logo, viu-se no interior de um enorme salão. Já ao centro havia uma mesa gigante, cheia de cadeiras, apropriada para reuniões em larga escala. Havia mais duas mesas ali dentro; uma à lateral esquerda, trazendo consigo diversas garrafas de bebidas, feitas em vidro e pedra, e uma outra ao fundo, onde estava o próprio Comandante da União. Era um Siriano, vestido num uniforme de couro, trazendo um metro e oitenta e três de altura consigo. Seu corpo era humanoide, porém sua pele era toda marrom, num tom escuro, em texturas similares à de pedra, com divisões milimétricas por toda sua extensão. Poucos fios de cabelo nasciam-se por dentre as pequenas rachaduras de sua cabeça, num visual que, para qualquer um desacostumado com a imagem de um siriano, acabaria sendo considerada feia. Com as duas mãos cruzadas por detrás do corpo, ele encarava o lado de fora do prédio, por meio do vidro transparente que formava o fundo do salão, indo até a metade da parede lateral direita.

Comandante Aeron. — saudou Ted, prestando continência. Tal gesto também foi seguido pela liau.

— Muito obrigado, Vizir, você está dispensada. — afirmou o Siriano. Sem dizer nada, Vizir virou-se, saindo do salão e fechando a porta.

Aeron respirou fundo, sem perder vista daquela belíssima paisagem que não se cansava de ver. Choko era, talvez, o lugar mais lindo do universo; por isso mesmo era a capital de Zyllia. A maior parte do trabalho e da riqueza do mundo concentrava-se ali.

— Seja bem vindo de volta, coronel azul. — disse Aeron, sem muito ânimo.

— Muito obrigado, Comandante.

— Por favor fique à vontade, quer beber alguma coisa?

— Não senhor, muito obrigado.

— Venha aqui então. Vamos conversar um pouco.

Ted obedeceu em prontidão. Rumou, por meio da enorme mesa central e das bebidas à esquerda, pela lateral, até chegar mais próximo ao pequeno escritório do comandante.

— Sabe que... já deve fazer vinte anos desde que deixei Sirius e vim para cá... para Zyllia. — continuou, enquanto Ted punha-se parado em pé a cerca de cinco metros de distância da mesa do comandante, também cruzando as mãos por trás do corpo. Ao ouvir aquelas palavras, ele não pôde deixar de lembrar-se das diferenças de passagem de tempo entre os diferentes planetas e mundos. Devido à órbita mais longa de seu planeta-natal, em comparação com Zyllia, um ano ali seria correspondente à cerca de nove ou dez meses em Gaia. — Poderia passar mais vinte, sem problema nenhum, admirando a vista desse lugar. Talvez seja alguma bobagem minha.

— Eu também acho Choko o lugar mais lindo dos mundos, senhor.

— É... então talvez não seja tanta bobagem minha, afinal, não?

— Com certeza.

— Ahm... pode se sentar, fique à vontade. — concluiu o siriano, virando-se pela primeira vez de frente à Ted. Os dois sentaram-se à mesa, então.

— Obrigado.

— Bom... então vamos lá, eu queria contar uma história pra você.

— Sim senhor.

— Três dias atrás, eu recebi uma informação da equipe de engenharia de que uma das nossas naves, de acesso totalmente restrito, tinha sumido.

— Sim.

— Quem pegou a nave orquestrou bem o plano. Sei disso porque o sistema de alerta de segurança da máquina não foi disparado, ou seja, a equipe de engenharia estima que a nave tenha sido pega cerca de duas ou três horas antes do sumiço dela ter sido percebido.

— ... Certo...

— Aí, por coincidência, alguns segundos depois do rastreamento ter sido concluído, pra gente descobrir onde é que essa nave estava, ela simplesmente some do mapa... a gente perde o sinal. Só que a nossa engenharia é a melhor do Quadrante, talvez você esteja ciente desse detalhe.

— É, eu já ouvi dizer isso.

— Então demorou um pouco, mas a gente conseguiu recuperar o sinal daquela nave. Eu pedi pessoalmente para a nossa colega tenente Vizir ir lá em Ardroye ver, pra gente, o que é que estava acontecendo. Ardroye é um pouco longe daqui, não é?

— ... É um pouco sim, senhor.

— Vizir chega em Ardroye... e a primeira coisa que ela vê é um colega dela, sob a farda azul de energia do Exército da União, mostrando publicamente os poderes pra quatro ardroyanos, incapacitando um deles na base da força.

— ... Entendi.

— Então eu queria entender, Ted, o porquê é que o Coronel Azul pegou, furtivamente, uma nave nossa, destruiu essa nave, dominou covardemente um ser-irmão e demonstrou, publicamente, a energia da farda do Exército da União. Por que é que a gente está tendo essa conversa aqui agora?

— Senhor, faz quase quatro meses que a União vem recebendo, incessantemente, relatos de abuso animal em Ardroye.

— Sim, eu estou ciente dessa situação.

— Eu tenho um problema sério com relação à maus-tratos contra animais, inclusive era do meu interesse me formar como um Guardião Florestal e não como um tenente do exército, como o senhor provavelmente se lembra.

— Sim, eu me lembro, quem te chamou para a divisão militar fui eu mesmo, não?

— O que eu quero dizer com tudo isso é que eu não tenho capacidade mental pra ver aqueles relatórios chegando, dia após dia, e ver a divisão florestal parada, sem tomar uma atitude que seja com relação à isso!

— Entendi, mas deixa eu te fazer uma pergunta, Ted, você, em algum momento, chegou a conversar com o comandante da divisão florestal sobre isso?

— Sim, foi uma das minhas primeiras atitudes. Ele me disse que não ia passar informações sobre esse caso pra mim.

— Então, esse é um direito deles, não é? Você que já estudou o regulamento interno da União com certeza sabe que nenhuma divisão tem obrigação de passar informações sobre casos específicos pra outras divisões.

— Sim, eu sei... só que ele me tinha dito que estava já agindo pra resolver isso.

— Certo, então eles estão agindo.

— Isso foi há dois meses, Comandante! — retrucou, colocando a mão direita sobre a mesa.

— E se eles estiverem coletando informação, Ted? Imagine que todos esses casos que estejam aparecendo de Ardroye não sejam casos isolados, mas sim a ação de algum grupo bem estruturado e formado, que precise de uma atenção especial. Eu sei que você salvou um bigoto, e tenho certeza que ele vai ser grato à você por toda a vida, mas você pode ter atrapalhado um serviço sério de investigação da divisão florestal.

— Ainda que seja esse o caso, pra mim, é inaceitável deixar animais sendo torturados só pra concluir um serviço de investigação. Se for algo maior, que seja, a divisão florestal tem treinamento pra combate assim como todo o resto da academia, eles podem enfrentar esse grupo sem problemas, se for preciso ainda matar esses vermes que...

— Matar? — interrompeu o comandante, mudando seriamente a expressão em seu rosto. — Você desaprendeu a diferença entre um animal e um ser-irmão, Ted?

— Não é assim que funciona. Eu sei que eles são racionais, eles se comunicam comigo.

— ... O fato de você ter uma aptidão pra ler nas entrelinhas os impulsos e instintos dos animais não os torna seres-irmão, nós já conversamos isso ao menos umas três ou quatro vezes, tenho certeza de que você se lembra.

— ... Não é assim. — repetiu, baixando a cabeça e tirando a mão direita de cima da mesa, recolhendo-a e apoiando-a sobre a perna.

— Sim, os animais são seres criados por Deus, merecem amor e respeito de todo ser-irmão. Só que eles não são como nós. Não há condições de você realmente cogitar condenar um ser-irmão à morte porque ele cometeu um erro de acreditar que um animal não merece o devido respeito. Isso é desproporcional em muitos sentidos, Ted, e tudo isso que você me disse, aqui nessa conversa, me assusta.

Ted balançou a cabeça em gesto negativo, ainda olhando para baixo, sem dizer mais nada. Pouco a pouco, ele passava a acreditar que estava no lugar errado.

— Depois de tudo isso eu... eu simplesmente não tenho escolha a não ser te mandar pra reciclagem. — continuou o comandante. Ted ergueu a cabeça, demonstrando um semblante incrédulo pela primeira vez na conversa.

— Reciclagem, senhor?

— É. Você vai refazer todo o curso e os treinamentos pra poder voltar como um tenente ano que vem. Me dói muito fazer isso, porque eu sei o potencial que você tem dentro de si. — disse, com sinceridade nas palavras, justamente porque aquilo era verdade; Ted era um dos maiores talentos já vistos nos últimos tempos entre os membros da União.

— Senhor, eu... não vou fazer a reciclagem.

Ted disse aquelas palavras encarando Aeron nos olhos.

— Como assim você não vai fazer?

— Se eu não tenho a escolha de permanecer aqui, ou mesmo ser realocado pra divisão florestal, que seja, eu vou pedir a minha inadmissão como membro da União.

Aeron permaneceu, por alguns segundos, encarando Ted, totalmente incrédulo no que estava ouvindo. Ele queria acreditar que o gaiano não tinha realmente a intenção de sair ou mesmo de dizer aquelas coisas, mas não tinha escolha; tomaria sua decisão inteiramente baseado no que o coronel lhe dizia.

— Você entende o quê é que está dizendo, Ted? Tem certeza disso?

— Eu não tenho condições de continuar como um soldado da União se os meus valores morais não batem com o que é defendido aqui. Se eu não posso defender os animais com as minhas próprias mãos, usar o poder que eu consegui pra proteger todos eles, realmente não dá pra eu continuar aqui.

— ... Entendi. — disse Aeron, respirando fundo. Para ele, aquelas palavras pareciam-se mais com uma brincadeira sem graça. — E ai, nesse caso, o que é que você faria?

— Eu... vou voltar pra Gaia. Trabalhar como um gaiano comum, quem sabe abrir alguma ONG de defesa aos animais, alguma coisa assim.

— Entendi... mas você nunca mais vai ser um gaiano comum, coronel, sabe disso, não é?

Ted baixou o olhar, encarando a palma da própria mão direita. Fechou-a num punho apertado, contemplando, em pensamento, os próprios poderes, dados à ele pela União.

— Sei — respondeu o gaiano.

— Entendi. — repetiu o comandante, franzindo a testa. Pôs a mão direita por cima da mesa, estendendo-a em direção ao coronel, com a palma da mao virada para cima. — O distintivo, Ted.

O gaiano respirou fundo. Por um momento, pareceu-se como se toda sua determinação em realmente sair da União tivesse sido um blefe. Fosse esse o caso ou não, ele não recuoou; ergueu o braço direito, materializando, em sua mão, o mesmo dispositivo que havia mostrando anteriormente aos ardroyanos, formando-se sob um manto de energia azul. Ted estendeu o braço em seguida, entregando aquele dispositivo às mãos de Aeron. Os dois permaneceram se encarando, por mais três ou quatro segundos, sem dizer nada.

— As portas da União vão ficar sempre abertas pra você, Ted. — retomou o Comandante. Abriu uma das gavetas que tinha do seu lado da mesa e guardou ali o dispositivo distintivo do Coronel Azul. Os dois, então, levantaram-se de suas cadeiras. — Talvez eu não precisasse te dizer isso, mas a demonstração pública da farda e da energia do Exército da União permanecem proibidas.

— Sim, eu entendo as consequências. — respondeu. Levou a mão direita à testa, em seu ultimo gesto de continência. — Agradeço imensamente a oportunidade, Comandante Aeron.

— Dispensado. — concluiu o siriano, balançando levemente a cabeça em gesto positivo.

Ted virou-se e passou a caminhar até a porta de saída. Entraria, em seguida, numa outra sala, numa das laterais do grande corredor, onde acertaria todos os papéis e documentos sobre sua retirada. Enquanto caminhava, era observado pelo Comandante que, mesmo até aquele momento, sentia-se praticamente estupefado. Em toda sua história como o regente maior da União, aquela era a primeira vez que um Coronel pedia pela própria inadmissão. Algo no coração do siriano lhe dizia que aquilo era somente uma fase; ele retornaria, em breve, haja visto que a União era, verdadeiramente, seu lar — quer ele soubesse disso ou não.

Zyllia, assim como qualquer mundo minimamente desenvolvido, também tinha seus próprios veículos de mídia. Não seria de surpresa à ninguém que praticamente todo e qualquer acontecimento seria noticiado — com mais ou menos poder, dependendo de sua importância. As companhias midiáticas de maior influência tinham até mesmo telões presos à laterais de prédios e construções, bem como postes, instalados em praças e locais abertos, munidos de caixas de som, feitos para servir entretenimento e notícias em tempo real à todo Zylliano que tivesse o mínimo interesse nisso. A saída de Ted da União foi a notícia mais influente dos último tempos. Praticamente todo e qualquer zylliano — seres de aparência idêntica aos humanos gaianos — que se encontrasse estudando, trabalhando ou se divertindo próximo à uma zona aberta, parque ou qualquer área similar que fosse, fora trovoado por aquela informação. Por um telão instalado à lateral de um prédio bem próximo à sede da União, era possível ver a última entrevista do Coronel.

— ... Mas chegou a acontecer algum problema com o senhor dentro da academia? — perguntava uma repórter. Numa calçada, à beira da rua, diversas figuras assistiam à entrevista, banhados por uma luz branda vinda do sol da tarde. Ted não parecia feliz nem confortável naquela conversa.

— Não, isso foi uma decisão minha. Como eu disse para o Comandante, estou voltando pra Gaia, meu mundo-natal, redescobrir o meu caminho.

Praticamente todo e qualquer zylliano que assistia à entrevista sentia-se num misto de sentimentos. A União era a instituição mais respeitada e poderosa de toda Zyllia. Era sonho de quase todo cidadão, principalmente em Choko, prestar as provas na academia para se tornar membro da União, como um soldado em qualquer divisão que fosse — se possível, na divisão mais alta e respeitada: o Exército Militar.

— O cara pediu pra sair? — retrucava algum zylliano, incrédulo.

— É burro demais! — rugia algum outro.

— Me coloca no lugar dele!

Dentre tantas figuras que assistiam à entrevista, em diversos lugares por Zyllia, uma delas, em específico, não era uma zylliana, mas sim uma gaiana, assim como o próprio Ted. Era uma adolescente, quase adulta, de cabelos longos de cor azul-escura, praticamente preta. Ela era uma cadete em treinamento da academia da União, então vestia-se com o uniforme padrão: uma farda branca, com um código de identificação demarcado pouco abaixo do ombro esquerdo, à frente do peito, bem como calças brancas de tecido grosso e coturno marrom. Seus olhos eram bem negros, seu nariz era um pouco largo e seu rosto era munido de sardas bem discretas. Enquanto ouvia aqueles desaforos lançados pelos zyllianos com direção ao até então Coronel Azul, ela sentia, pela primeira vez em seu coração, alguma determinação verdadeira em algo. Ter sua experiência de vida em Zyllia por tantos anos, depois de ir embora de Gaia, a fez ter uma curiosidade tão grande sobre a divisão do Exército quanto a de um zylliano, ou, talvez, até maior. Independentemente de sua vontade de ser alguém melhor, ou construir algo para si mesma, naquele momento ela percebeu que precisava se tornar uma tenente do Exército da União somente para entender: por que é que algum deles, conscientemente, tomaria a decisão de sair e, ainda por cima, voltar para Gaia?

A garota havia caminhado por cerca de quinze minutos, de seu condomínio até o Parque Central — local onde se instalavam os prédios da sede da União, dentre outras companhias de alta importância no país e no mundo — pelo simples objetivo de perder-se algum tempo numa caminhada saudável. Bastaram-se mais quinze minutos até que ela, após atravessar calçadas, cruzar-se por um bosque e ver cerca de cinco dezenas de zyllianos seguindo as próprias vidas, chegasse novamente à entrada de seu condomínio. Não seria difícil para ela encontrar o próprio caminho pela sua área de residência em Choko, fosse naquela data ou mesmo anos atrás, quando pela primeira vez pisara em solo zylliano, pois todo esquema predial e social daquele gigantesco mundo era de semelhança tamanha com seu mundo-natal, Gaia. Ela atravessou-se pela calçada, acenando para alguma amiga conhecida que passava pelo outro lado da rua; entrou pelo portão de aço, tendo vista agora de uma construção interna em formato retangular, de fundo comprido, dividindo-se em vinte casas por todas as laterais. Mirou-se bem à terceira casa da direita, alguns metros mais à frente da entrada do condomínio, e desatou a caminhar até ela, enquanto que o portão, até aquele momento aberto, fechava-se sozinho. Sua casa, assim como as dezenove outras, tinha dois andares. Via-se uma porta preta de madeira no térreo, bem como uma janela redonda no andar de cima.

A porta não tinha maçaneta; somente um pequeno painel tecnológico à beira da lateral esquerda. A moça meteu, sobre ele, o dedo polegar direito e o manteve ali até que o painel acendeu em verde e a porta abriu-se. Era um sistema simples de segurança; cada casa tinha, registradas nesse sistema, as digitais permitidas à abrirem, sozinhas, a porta de entrada.

Uma vez do lado de dentro, a garota percebeu-se frente à um corredor estreito, com uma porta marrom de madeira para cada lado, um pouco mais à frente. Ao fundo, um cômodo aberto, que funcionava como uma sala de estar e, ainda após a sala, havia a cozinha.

Loreley ? — perguntou-se uma voz, vinda de algum lugar por detrás da porta esquerda. Alguns passos apressados fizeram-se em som e logo aquela mesma porta abriu-se para o lado de dentro. Saiu, dali, um rapaz zylliano de tom mais bronzeado de pele, cabelos negros bem curtos e roupas comuns de moletom. Loreley não se espantou em ouvir a voz daquele rapaz ou mesmo vê-lo se apresentando ali; os dois amigos moravam juntos, na mesma casa, para dividir os custos da moradia. Apesar de não ter se espantado com a cena, achou graça e deu um sorriso.

— Tá assustado, é isso? — perguntou ela, demonstrando, então, sua voz; não era grave, nem tampouco aguda, num timbre bonito de se ouvir.

— Eu estranhei, você normalmente fica uma hora caminhando, né? — retrucou, em tom de brincadeira, sorrindo de volta.

— ... É. Hoje é diferente.

Ela caminhou até chegar à porta lateral direita, abrindo-a e vendo-se, uma vez mais, em seu quarto. Era um cômodo pequeno, no qual havia somente uma cama ao fundo, um guarda-roupas também pequeno à direita e uma mesa de escritório, bem próxima à entrada do quarto, que Loreley utilizaria com certa frequência para estudar. O canto particular de seu amigo seria exatamente o mesmo; talvez um pouco mais bagunçado.

— A minha prova é amanhã. — disse o zylliano, quase que aleatoriamente. Loreley sorriu novamente, mirando com precisão o canto mais distante da sua mesa de escritório. Havia ali, junto à dois livros e um lápis, um aparelho MP3 antigo, unido ao seu fiel escudeiro fone de ouvido.

— Então você tinha que passar o dia inteiro estudando hoje, Zephyr... — respondeu ela, esticando o corpo e alcançando o aparelho MP3, trazendo-o para si. — Quer ajuda?

— Com certeza!

— Uma coisa que você tem que entender... — disse, saindo do quarto e metendo-se novamente pelo corredor, rumo à sala ao fundo. — é que eles gostam muito de detalhes, principalmente no básico.

Zephyr saiu também de seu quarto, seguindo Loreley, portando um livro didático à mão direita. Ele era cerca de dois centímetros maior que sua amiga, talvez nem isso.

— Eu não sou muito fã de detalhes — retrucou o rapaz. Ele, naquela situação, se via em dúvidas entre continuar lendo o livro aberto em sua mão ou então manter seu olhar firme aos cabelos da mulher à sua frente.

— Começa pelo começo. Por exemplo... defina a União.

— Ahmm... — resmungou, fechando os olhos, tentando lembrar-se de tudo o que poderia. — “A União é uma instituição didática e beneficente, criada para defender a vida e a justiça mundana em todo local alcançável no Universo observável”.

Toda aquela palestra ocorreu enquanto os dois atravessavam a sala dos fundos — cômodo quase vazio, que trazia consigo somente uma mesa pequena ao centro. Havia, na parede oposta à entrada, uma porta que os levaria à uma escadaria estreita, rumo ao andar de cima da casa. Permaneceram caminhando em direção à cozinha.

— Decorou muito bem... — atestou Loreley, sorrindo e colocando um dos fones de seu MP3 no ouvido direito. Apertou o botão de “ligar” do aparelho, mas ele era lento; demoraria bastante até que pudesse colocar alguma música para tocar.

— Bom, quem não souber isso não precisa nem pedir pra fazer a prova, eu acho. — concluiu Zephyr. A garota não disse mais nada.

A cozinha era ligada diretamente com a sala, num cômodo menor, sem nenhum tipo de parede como divisão. Havia um fogão estreito ao canto, à esquerda, similar à um fogão industrial, bem como uma mesa ao centro e uma geladeira à lateral esquerda. Zephyr permaneceu em pé, deixando o livro aberto sobre a mesa, enquanto Loreley atacou a geladeira.

— O que é que tem de gostoso aqui? — perguntou ela, na esperança de ter ocorrido, quem sabe, alguma magia, própria para reestocar toda a geladeira. O resultado disso seria bem diferente do que a moça de fato viu; havia algumas frutas mais à parte de baixo, três ou quatro potes com azeitonas no centro, bem como um pequeno saco plástico com cinco nozes mais à parte de cima, ao fundo. Enquanto ela baixava o corpo para alcançar uma das frutas, Zephyr lhe observava, sem dizer nada.

A geladeira fechou-se e Loreley virou-se, trazendo, em mãos, uma orquia; fruta similar à uma maçã gaiana, porém de cor mais escura, quase marrom, sem o talo e mais esguia. Naturalmente, qualquer gaiano — ou cidadão zylliano, que fosse — ao ver aquela geladeira quase vazia, trazendo em si somente algumas frutas, azeitonas e nozes, acharia ruim. Não seria esse o caso de cadetes da União, onde a dieta era controlada e regulada. Alimentação não-saudável era dispensada e até mesmo sujeita à punição.

— Então vamos continuar... — retomou a garota, depois de dar uma mordida na orquia. — Qual a diferença entre “mundo” e “planeta”, me diz aí.

— Tá... planeta é todo corpo rochoso celeste... que orbite ou não um sol... e que tenha força magnética para gerar gravidade. Já um mundo é um planeta habitado, seja por seres-irmão, fauna ou flora. É isso?

— Legal. — disse, ainda comendo. — Então agora me explica, o que é um “ser-irmão”?

— Ahmm... ser-irmão é todo ser vivo que tenha capacidade de raciocínio e de argumentação... e de comunicação.

— Não. — retrucou ela, dando mais uma mordida e erguendo as sobrancelhas, num tom de desafio.

— ... Não? — indagou o rapaz, surpreso.

— O ser-irmão não precisa ter essa capacidade, ele só precisa pertencer à uma espécie que tenha...

— Ah, é... pro caso de deficientes, coisas assim, né... — disse, levando as duas mãos até o rosto e esfregando. — É esse tipo de detalhe que eu acho dificil de lembrar.

— Você só não pode ficar nervoso com isso. Vai te atrapalhar em aprender.

— ... Como é que você conseguiu isso tão fácil, hein, Lorie ? — retrucou, sorrindo. Loreley sorriu de volta e somente então é que lembrou-se; seu MP3 já estava ligado.

— Ah, cada um tem um segredo, eu acho. O meu é ouvir musica. Dançar um pouco, também, ajuda. — disse, sem a menor intenção séria em suas palavras, deixando a orquia sobre a mesa. Segurou seu aparelho MP3 com a mão direita, enquanto estendeu a mão esquerda para Zephyr. — Quer ver? Vem comigo.

— ... Eu não sou bom disso não... — desculpou-se o rapaz, de antemão, sendo levado até a área da sala.

— Não precisa ser essas tonteiras que vocês ouvem aqui não. — explicou a moça, depois de alguns passos seguida pelo rapaz. Virou-se de frente à ele e levou o outro fone, que ainda estava solto, até o ouvido esquerdo dele. Sua fala não foi leviana; não só a música, mas todo tipo de arte em Zyllia era construída sobre uma base muito mais abstrata. As músicas não mais tinham letras cantadas, sequer os quadros mostravam-se em formas de fácil análise ou compreensão. Pouco a pouco, os significados de cada obra de arte tornavam-se mais pessoais e íntimos à cada um que as resolvesse consumir.

O aparelho MP3 tinha um pequeno visor, que possibilitaria, à qualquer um, navegar por suas funções com o mínimo de entendimento. Os caracteres que apareciam-se nele eram de significado desconhecido quase que por completo por qualquer zylliano. Loreley pressionou o botão “play” do aparelho, somente para perceber iniciando-se a reprodução de um arquivo de nome “iris — goo goo dolls.mp3”.

— ... Eu não sou nenhum especialista nem nada... — murmurou Zephyr, chamando a atenção da garota. — mas eu acho que não tem como dançar com isso aí.

— É como eu disse, não precisa ser essas tonteiras que vocês ouvem aqui — repetiu ela, com um sorriso no rosto. Guardou o MP3 no bolso direito de sua calça e levou os dois braços por cima dos ombros de Zephyr, envolvendo-o num abraço. O rapaz, à princípio, estranhou levemente aquele gesto, mas não precisou pensar duas vezes para entrar na brincadeira; abraçou a garota de volta, envolvendo-a pela região do quadril.

— Não sei como é que vocês conseguem gostar de música tão crua desse jeito. — disse ele, num deboche proposital. Passou a mover o próprio corpo para os lados, num passo lento de dança, respeitando o ritmo daquela música que ouvia; Loreley fez o mesmo.

— Mas é bonito.

— ... É, é sim.

Os dois permaneceram olhando nos olhos um do outro e dançando por cerca de trinta segundos, sem dizer nada.

— ... Por que é que voltou tão rápido hoje? — perguntou Zephyr.

— Ahm... eu decidi que vou prestar o exame assim que... assim que der. — respondeu ela, desviando o olhar enquanto pensava. — Eu quero entrar pro Exército.

— Sério?

— Sim...

Já fazia um bom tempo desde que os dois se conheciam. Pela primeira vez, naquele dia, Zephyr sentiu-se orgulhoso por Loreley, no mais honesto e profundo sentido da palavra. Aquele sentimento, unido à outros em sua mente, lhe faria agir, a partir daquele momento, de forma que não agiria normalmente.

— Então eu vou tentar também.

— Ah é?

— É. Eu tava tentando tomar uma decisão esses dias... demorei um pouco, mas me decidi agora.

— Tava em dúvida entre ir pro Exército ou pra alguma outra divisão, é isso?

— Não. A União não me interessa tanto assim, na realidade. É você que me interessa.

— ... Hm?

— Eu decidi que vou sempre te seguir como eu puder.

— ... É?

— É. Porque eu amo você.

Era um fato científico e biológico plenamente conhecido à todo zylliano; os sentimentos de paixão formavam-se exclusivamente nos homens, enquanto as mulheres, por alguma imunidade natural, não conheceriam jamais esse sentimento. Se soubessem disso, alguns gaianos diriam que isso é ruim; outros diriam que isso é um poder inédito de liberdade para a mulher zylliana. Sem as amarras de sentimentos e emoções muitas vezes desprovidas de qualquer lógica e sensatez, elas poderiam escolher com muito mais clareza a pessoa com quem passariam o resto de suas vidas. Mesmo não sendo zylliana, Loreley, conforme os dias, semanas e meses se passavam, parecia modelar-se à natureza daquele mundo. Fosse por isso ou por qualquer outro motivo, ela não se espantou ao ouvir Zephyr lhe dizer aquelas palavras. Era como se ela, na realidade, quisesse ouvi-lo dizendo aquilo.

— Eu amo você — repetiu o rapaz. Ele não parecia nervoso, mas estava. — ... Desde o primeiro dia que te vi.

— ... Entendi... — murmurou Loreley, sem desviar seu olhar dos olhos de Zephyr.

— Então... eu queria passar o resto da minha vida com você... se você também quiser.

— ... Ta bom. — concluiu, balançando levemente a cabeça num gesto positivo.

Sentindo-se mais confiante, Zephyr abraçou sua amada com mais firmeza, trazendo-a bem grudada ao seu corpo. Loreley, por sua vez, num ato quase que impensado, apoiou a mão direita à nuca do rapaz; levou o rosto mais próximo ao dele e, de imediato, beijou-lhe a boca, fechando os dois olhos.

Ao mesmo tempo em que o zylliano e a gaiana demonstravam, fisicamente, o carinho e os sentimentos que tinham um pelo outro, num outro mundo, à diversos saltos intradimensionais dali, uma figura solitária punha-se em meditação. Seu corpo tinha forma humanoide, porém tinha a cabeça e o rosto de um lobo negro, com cabelos bem longos, que formavam-se similares ao formato de uma crina de um cavalo gaiano. Ele vestia-se num uniforme negro de couro e tinha luvas também de couro às mãos. Com os olhos fechados, ele sentava-se sobre uma rocha natural de formato retangular, em meditação. Se abrisse os olhos, poderia ver um solo também rochoso, quase sem cor, que seguiria incessantemente até a linha do horizonte em trezentos e sessenta graus, sem mais nada à vista. Se erguesse o rosto, veria a luz vinda de um enorme outro planeta amarelo, quase duas vezes maior que o Sol da via láctea, bem como um outro planeta mais ao fundo à frente, todo vermelho e de tamanho bem menor. As únicas luzes que banhavam aquele lobo lunar vinham do planeta vermelho e de uma estrela solar, pelo lado esquerdo, bem distante, que chegava ali já quase sem iluminação alguma.

O ser-irmão fardado abriu os olhos assim que seus sentidos perceberam algo de diferente; por trás, bem ao longe, aproximava-se uma nave compacta de guerra. Pelo ínfimo barulho produzido por ela, o lobo sequer precisava virar-se e vê-la para reconhecê-la, então permaneceu ali, parado, na mesma posição.

A nave pousou a cerca de cinquenta metros de distância dali. Os motores se desligaram e desceu-se dela, pela plataforma lateral, uma segunda figura, também toda fardada em negro, assim como o lobo. Seu rosto, entretanto, era o de um leopardo, indicando que era uma liau, assim como Vizir — apesar de ser mais baixa e não tão bonita.

— Senhor Nagma’Or. — rugiu a liau assim que aproximou-se do lobo lunar.

Nagma'Or respirou fundo e olhou para cima. Por um momento, à qualquer um que o observasse, pareceria que ele agradecia, aos céus e à tudo o mais que lhe pudesse causar circunstâncias. Algo iria começar; algo que o lobo, por tanto tempo, aguardou irremediavelmente.

— Hora de começar a Justiça, enfim, suponho. — uivou o ser negro, numa voz de trevas, digna de qualquer monstro ou raça indesejada. A liau, em resposta imediata, baixou a cabeça.

— Já está tudo pronto.

Nagma’Or, num salto, foi-se à direita e desceu daquela pedra retangular, que contava com uma altura de quase um metro. Assim que seus pés chegaram ao solo, o lobo ainda precisou de mais algum tempo para acreditar no que estava acontecendo. Ergueu as duas mãos e as encarou; pensou, por um momento, que precisava garantir-se de que ainda era o mesmo. Virou o rosto, encarando a pedra, enquanto estendeu à ela o braço direito e apoiou, numa parte dela qualquer, a palma da mão. Dos pés à cabeça, uma energia de cor negra emergiu-se, numa onda que focou-se principalmente em seu punho. O resultado de toda aquela ação foi o despedaçar da enorme rocha, que dividiu-se em incontáveis fragmentos arrebentados, arremessados numa potência absurda. Vendo todo aquele estrago, Nagma’Or ergueu novamente a mão direita, encarando-a; claramente feliz com o que havia acabado de acontecer.

— Você já acionou todo mundo? — uivou novamente.

— Sim senhor.

— Excelente. — disse, virando-se de frente à liau e caminhando em direção à ela. Parou assim que chegou de frente à ela. Encarou-a bem fundo nos olhos, como se quisesse dizer algo somente com aquele gesto. — Obrigado.

A liau balançou a cabeça, sem dizer mais nada. Nagma’Or continuou, então, a caminhar, seguido pela amiga, em direção à nave. A cada novo passo, o lobo lunar sentia seu senso de responsabilidade crescendo à um nível em que excedia à si próprio. Seus desejos de justiça e de vingança eram tudo o que importava — e, para ele, só havia uma maneira de os suprir. “Eu vou destruir a União”, pensava ele. “Custe o que custar”.

Inspirado nas obras:

"Power Rangers", por Haim Saban e Shuki Levy;

"Black Mirror", por Charlie Brooker;

"Final Fantasy", por Hironobu Sakaguchi.

A Odisseia da União

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.