A Novata da Escola
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O ruidoso despertador martelava uma música horrível e frenética na cabeça de Shikamaru. Ele abriu os olhos com expressão irritada e tentou desligar o aparelho, mas acabou derrubando-o com a mão no chão.
— Tsc... de novo?... Fala sério...
Ainda deitado, tentava alcançar só com a mão o relógio, mas não conseguia. O som do despertador ainda o torturava. Decidiu então fazer algo que realmente detesta: levantar da cama. Então ele bocejou e se espreguiçou finalmente se abaixando. Pegou o relógio em baixo da cama e o jogou forte no chão. O relógio quebrou imediatamente, fazendo um som cômico de música se extinguindo. Após cumprimentar os pais e tomar o café da manhã. O rapaz foi caminhar para ir para a escola, bocejando bastante ainda. Alguns metros de sua casa, um vizinho já estava o aguardando para irem juntos.
— Opa. Bom dia, Chouji.
— Ei, Shikamaru! Bom dia! Não fez as pazes com o despertador hoje também, né? Deu pra ouvir lá de casa. Você anda bem estressado ultimamente!
— Bah, não enche, Chouji... – respondeu Shikamaru — Não dormi muito bem esses dias, e só consigo acordar se for com uma música muito ruim mesmo, que torture a minha alma.
— Hehehe. – O amigo deu risada enquanto comia os salgadinhos de um pacote que segurava – Hoje é o grande dia, hein? As coisas mudaram bastante lá na escola desde a chegada daqueles três irmãos.
— Temos mesmo que falar disso? Mas que preguiça...
Enquanto caminhavam para a escola, Shikamaru começou a recordar os acontecimentos.
=== DUAS SEMANAS ATRÁS ===
Escola Ginasial Konoha Gakuen. Era uma quinta feira. Vários ônibus e carros chegavam, carregados de alunos. De um dos carros desciam três jovens: Um rapaz de cabelo castanho, parecendo bem desinteressado; uma moça loira, com o cabelo preso em quatro partes; e por último um rapaz ruivo, menor que os outros e com olhar sem vida. Eles se dirigiam com suas mochilas para a entrada da escola. Uma loira alta e muito atraente os aguardava na entrada.
— Pela descrição que recebi vocês são os três irmãos que vieram de Suna Gakuen certo?
— Correto. – respondeu o ruivo.
— Ótimo, eu os aguardava. – sorriu a mulher – Meu nome é Senju Tsunade, e sou a diretora de Konoha Gakuen. Sejam muito bem vindos à escola.
Nenhuns dos três sorriram e Tsunade ficou meio sem jeito. Ela tosse um pouco e depois continua:
— Seus nomes, por favor.
— Kankurou. – respondeu o rapaz mais alto.
— Temari. – disse a irmã loira.
— Gaara. – respondeu o ruivo.
— Kankurou, Temari e Gaara. Peço que esperem alguns momentos sentados aqui na entrada, eu vou chamar o aluno escolhido como guia para lhes mostrar a escola. Fiquem à vontade, há um bebedouro logo ali. – apontou Tsunade que logo depois discava um número no celular.
Os irmãos se sentaram e nada conversaram. Kankurou estava sem a menor vontade de fazer coisa alguma e nitidamente não queria estar em uma escola nova. Temari cruzou as pernas e continuou séria. Gaara não demonstrava qualquer expressão no rosto. Tsunade já estava ao telefone com um dos professores.
— Como é??? O que quer dizer com isso?? Ele ainda não chegou?? Isso é um absurdo, ele mora apenas a duas quadras daqui!! TRAGA-O AGORA!!
E desligou. Embaraçosa, Tsunade se desculpava com os três irmãos, que não estavam dando a mínima. Depois de meia hora de espera, acontece: o professor Ibiki empurra Shikamaru sala adentro de maneira violenta. Os irmãos, sem alterar a expressão, somente olham.
— Seu vagabundo!! Como ousa se atrasar justo hoje?? É bom fazer um excelente trabalho para compensar isso ou vai perder pontos de participação, entendeu?? – vociferou o professor Ibiki espumando.
— Certo, certo... – respondeu Shikamaru totalmente emburrado arrumando a camisa que se amarrotou quando foi empurrado pelo professor Ibiki. Em seguida se voltou para o trio.
Ele deu de cara com as pernas cruzadas de Temari. Era uma visão bem sexy, graças a saia do uniforme escolar. “Que coxas imensas... Nunca vi nada igual nessa escola!”, pensou Shikamaru. Depois ele sacudiu a cabeça e olhou pros olhos verdes dela. Estavam tranquilos, embora ela não sorrisse. Alguma coisa no olhar dela fez Shikamaru concluir que ela praticamente leu os pensamentos dele...
— Tá olhando o quê? – encarou Kankurou – Quer levar um soco?
— Desculpe, mas você relinchou alguma coisa? – provocou Shikamaru, olhando emburrado pra ele.
Kankurou se levantou de uma vez com os punhos fechados. Mas uma voz calma disse:
— Pare, Kankurou.
Kankurou parou imediatamente, assustando até mesmo Shikamaru. A ordem de Gaara parecia absoluta para ele. Tsunade perde a paciência com a cena.
— Nara Shikamaru!! – vociferou ela – Além de se atrasar para o seu dever ainda causa confusão com os novos alunos?? Você vai agora mesmo para a sala de detenção!!
— O quê?? Fala sério! – disse o Nara olhando para a diretora – Que saco, é a quinta detenção esse mês...
— Cale a boca e vá! A Sakura cuidará dessa tarefa!! Não importa que suas notas sejam perfeitas, você não passa de um vagabundo!!
Shikamaru pôs as mãos nos bolsos e olhou para os irmãos antes de sair. Temari fechou os olhos e deu um sorriso que mostrou bem os seus dentes. É claro que ela estava caçoando.
— Tchau, tchau! – disse a loira sorrindo.
Shikamaru arregalou os olhos e depois ficou totalmente sem paciência.
— Tsc... Mulheres... Sempre problemáticas. – sussurrou o rapaz antes de sair.
Após algum tempo, os três irmãos estão finalizando o seu tour pela escola, guiados por Sakura, uma garota de cabelos cor-de-rosa e representante de classe. E é exatamente para lá que ela os leva.
— Gaara e Temari são da mesma sala, certo? – comentou enquanto passavam pelas janelas da sala de aula – Seremos colegas então! – sorriu a garota.
— Que tipo de pessoal tem lá? – perguntou Kankurou, olhando pela janela. Uma loira dá uma piscadinha pra ele lá de dentro.
— Esta vendo aquela loira ali? É a Ino. Ô menina insuportável!! Estava namorando o Shikamaru só porque ele ficou popular por um tempo, pois ganhou o torneio de matemática da cidade e vocês sabem como são essas líderes de torcida, né? – disse Sakura venenosa.
— Falando dos outros pelas costas... – comentou Kankurou impaciente.
— Shikamaru? Quer dizer o Nara Shikamaru? O que ia ser o nosso guia? – perguntou Gaara.
— Sim. Ele é tão preguiçoso! – respondeu Sakura – Não se pode contar com ele para nada! Eu me pergunto por que será que ele vem para a escola! Só pode ser porque os integrantes da banda dele estão aqui! Ele tem ótimas notas, mas a participação...
— Banda? Que interessante... – comentou Temari – Ele não se parece do tipo agitado. Se bem que agora que está na detenção ele vai ter um longo tempo para compor.
— Hahahahaha... – riu Sakura – Quem disse que ele fica na detenção? Ele não suportaria. É o tédio supremo para ele!
— E para onde ele foi? – perguntou Temari surpresa.
— Campeão de Matemática... – comentou Gaara para si mesmo.
Três andares acima, no terraço da escola, lá estava Shikamaru sentado no chão e encostado numa parede. Olhava as nuvens fixamente com uma cara de “viajando”. Seus pensamentos se perdem no breve encontro com a problemática novata. “Saco... agora vou ficar com isso na cabeça!”, pensou. O celular no bolso fez um som, mensagem de Whatsapp. Ele confere.
KIBA: “Detencao de novo?? Kkkkkkkkkkk, vc é mesmo um azarado!! Kra, tem uma novata loira aki q é de tirar o folego, mermao! Cada pernona que nossinhora!!! E ela tem 18 anos, maluco!! XD”
— Tsc... Kiba. Eu achando que era algo sobre a banda...
Mais um som. Shikamaru lê uma nova mensagem.
KIBA: “Tu olhou o face hj né?? A Ino continua comentando o quanto foi idiota vc chutar ela kkkkkkk! :P”
Shikamaru manda mensagem como resposta.
SHIKAMARU: “Meo, num enche falando da Ino, mas q saco. To aki no terraço olhando nuvens, passaki no intervalo. ¬¬”
Os horários vão passando. Shikamaru fica tranquilamente olhando as nuvens. Kiba nem apareceu no intervalo, mas isso não tinha muita importância. De repente escuta um barulho vindo da única porta que dá acesso ao terraço. “Ê, cacete, se for algum professor vai ser uma merda...”, lamentou o garoto. Mas surpreendentemente, duas pernas femininas se colocam à frente dele. Era Temari, que olhava de pé para Shikamaru.
— A Sakura não nos mostrou esse lugar. Disse que está sempre trancado.
— Pff... Algumas pessoas sabem abrir fechaduras. – disse Shikamaru. – Não era para você estar na sala de aula?
— E você? Não era para estar numa detenção escrevendo coisas como: “nunca mais vou me atrasar para nada”? – disse Temari com um sorriso debochado.
— Se vai me encher o saco...
— O que tem de tão interessante aqui em cima? – interrompeu Temari, que se sentava ao lado de Shikamaru, encostando-se à parede.
— Eu olho nuvens. – respondeu o garoto meio desconcertado.
— Que excitante. – ironizou Temari.
— É claro que nenhuma tem o formato dessas suas pernonas... – Shikamaru disse isso tarde demais para perceber que disse ao invés de só pensar.
Temari o olha séria e abraça as duas pernas de um jeito MUITO sexy — mesmo não tendo sido a intenção. Shikamaru engoliu em seco enquanto sentia o rosto ficando corado.
— Seu depravado. Você sempre começa a conhecer todas as garotas pelas pernas, é? – disse a loira.
— Não me enche o saco... foi só um comentário. Já está aí se achando...
— Idiota.
— Vai me dizer o que você quer?
— A Sakura falou de você para a gente...
— Que surpresa... Ela adora cuidar da vida alheia. – disse Shikamaru impaciente.
— E o meu irmão se interessou por você. E eu vou te dizer, é raro ele se interessar por alguma coisa...
— Diz pra ele que meu negócio é mulher!
Temari riu.
— Seu preguiçoso, não é esse tipo de interesse. Você venceu um torneio de Matemática, certo?
— Só porque eu tava bêbado numa balada e apostei com o professor Asuma que conseguiria... – explicou Shikamaru emburrado – Senão nem ia participar de uma estupidez dessa...
— Mas foi bem fácil não é? Meu irmão joga xadrez comigo, mas ele está cansado de eu ser a única oponente que consegue jogar com ele. Ele quer jogar com você.
— Não brinca... – disse o rapaz entediado.
Temari se aproxima bastante de Shikamaru. Ele a olha meio sem jeito. Mas ela olhava tranquilamente, sem sorrir. Ele não consegue evitar e fica corado novamente.
— Moramos nos limites da cidade... perto da praia. Estamos convidando o pessoal da turma para uma confraternização lá. E você... vai jogar com o Gaara. Daqui a dois dias, no sábado à noite nesse endereço.
Ela entrega um papel com todas as informações sobre o local.
— É? Você não parece do tipo que gosta de festas...
— Não gosto mesmo, mas também fiquei sabendo que você tem uma banda de rock. Eu gostaria de ver se vocês sabem mesmo tocar alguma coisa. Kankurou adora rock, Gaara adora xadrez e eu adoro ver meus irmãos felizes.
Shikamaru pensou um pouco. Era uma boa chance de tocar, já que não estava tendo eventos pra promover a banda. Temari olhava o rapaz imaginando se ele realmente era bom de xadrez ou se não estava só perdendo o seu tempo.
— Beleza, eu vou. – Disse o rapaz. – Vou dar ideia nos caras da banda. Depois te dou notícia por whatsapp.
— Não se esqueça de que vai jogar com o meu irmão.
Enquanto Shikamaru pegava o número de celular da loira, Kiba terminava de subir as escadas que davam no terraço.
— Aposto que ele tá emburrado até agora aqui em cima, e... Opa...
Ele visualizou os dois sem que eles o vissem. “Mas esse malandrão não pode ver uma loira!”, pensou. Depois fugiu antes que eles o pegassem espiando.
— Não me decepcione, Nara Shikamaru. – comentou Temari debochando um pouco – Não gosto de perder meu tempo com apostas ruins.
— Isso partiu meu coração. – disse o rapaz ironizando e sorrindo.
Temari sorriu de volta, mostrando bem os dentes como antes. Depois se levantou e partiu.
No dia seguinte, Shikamaru chegava em sua sala de aula bocejando como sempre. Ele estranhou bastante quase todos da sala já estarem lá e muitos pareciam estar esperando por ele, com sorrisos no rosto. Assim que ele terminou de entrar, eles começaram a rir sem controle. Shikamaru ficou sem entender a princípio, mas viu que vários apontavam para o quadro negro. Ele olhou para o quadro, e viu o motivo das risadas. O quadro estava lotado de desenhos de coração e caricaturas de Shikamaru e Temari se beijando. Também havia vários corações, e estava escrito “Shika Tema” em um deles. Shikamaru ficou totalmente sem jeito e olhou imediatamente para Gaara, que estava chegando e se sentando ao fundo da sala. Ficou com receio do jovem estar furioso com aquilo, mas curiosamente ele não estava dando a mínima. O barulho das risadas podia ser ouvido no corredor da escola e vários alunos se esgueiraram até as portas para tentar entender do que se tratava. Segundos depois, Temari apareceu na sala e ficou terrivelmente corada quando viu aqueles desenhos no quadro negro.
— O QUE SIGNIFICA ISSO, SHIKAMARU?! – vociferou Temari furiosa.
— Não fui eu, se liga! – respondeu o rapaz, muito impaciente.
— Ah, qual é, Shikamaru!! Vai dizer que não tava com a novata lá no terraço ontem! – gritou Kiba rindo bastante.
Naruto, Lee, Chouji e outros rapazes gargalhavam alto. Sakura, Tenten, e outras meninas também estavam rindo, adorando a brincadeira. Neji, Sasuke, Shino e Gaara eram os únicos que estavam ignorando o ocorrido, estudando alguma coisa em seus livros. Ino fazia uma careta de reprovação.
— Hein, hein?? Já tamos sabendo de tudo, viu? Hahaha! – Naruto era o que fazia o maior alvoroço.
— Aposto que isso foi coisa sua, Kiba, seu maldito! – comentou Shikamaru espumando enquanto a maior parte da sala gargalhava – Já vou apagar isso, Temari...
— Acho bom mesmo! – disse a loira já nervosa.

Minutos depois, a cômica cena era de Shikamaru apagando o quadro enquanto Temari estava de guarda montada, segurando uma vassourinha. Ela simplesmente mataria quem tentasse se aproximar do quadro pra escrever alguma outra “calúnia”. Shikamaru preferia ter mofado em sua cama naquele dia do que ter que passar por aquilo. A professora de literatura Kurenai apareceu na classe naquele momento, e Shikamaru não tinha apagado nem metade das brincadeiras.
— Ora, ora... Espero não estar atrapalhando nada. – disse a professora dando uma pequena risada.
— Não é nada disso que você tá pensando, professora!! – disse Temari corando novamente. A turma começou a rir e a gritar palavras pra constranger de novo a dupla.
Shikamaru começou a se desesperar e apagar como um louco o quadro. Kurenai riu bastante da cena, e depois fez com que todos se sentassem.
— Então, meus queridos alunos. Eu adorei essa cena inusitada de hoje. Na verdade me deu uma excelente ideia para o trabalho valendo ponto desse mês. Quero que formem duplas. Cada dupla será de um homem com uma mulher.
Então todos pararam de rir e ficaram um pouco preocupados. Começaram a se olhar e tentar escolher com quem ficariam. Shikamaru fez um “facepalm” por não acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.
— É pra hoje, pessoal. – comentou Kurenai com um sorrisinho homicida.
Então um alvoroço de cadeiras e mesas se juntando começou a acontecer. Ino até tentou, mas Sakura praticamente voou com sua mesa até a de Sasuke, que nem mesmo alterou sua expressão despreocupada.
— SHANAROOO!! Cheguei primeiro, oxigenada!! – comemorou Sakura.
— Testuda miserável! Ah, não tem jeito!! Junta aqui comigo, Chouji. Não quero nem ver a cara do Shikamaru!
Chouji sorriu sem jeito e se juntou com Ino. Naruto viu que Sakura já tinha par e convidou Hinata. Ela se emocionou e, mesmo tropeçando duas vezes, se juntou a Naruto. Tenten se juntou a Neji a pedido dele. Os outros da classe foram se arranjando do jeito que podiam. Shikamaru estava emburrado, não queria chamar ninguém. Estava achando tudo aquilo, no mínimo, estúpido. Mas se surpreendeu quando Temari se juntou ao lado dele.
— Já tem uma moça com o Gaara. – disse ela meio sem jeito. – Não fique olhando assim pra mim!
— Peraí, você não é mais velha? Por que tá na mesma sala que a gente? – perguntou o rapaz.
— Não é da sua conta! – respondeu Temari se zangando na mesma hora.
Shikamaru se assustou com a reação. Devia ser algum tipo de assunto muito delicado pra moça.
— Estou feliz que todos se juntaram com alguém do outro sexo. – disse Kurenai – Agora quero que cada dupla pegue um papel que está nessa vasilha. Não abram até que eu entregue para todos.
Ela andou com a vasilha pela classe e cada dupla pegou um dos papeis dobrados. Shikamaru ficou preocupado com o que ia sair, e deixou Temari pegar o deles. Assim que Kurenai terminou, ela foi até a frente da classe e começou a falar.
— Muito bem, cada dupla pegou o nome de um livro ou peça teatral. Vocês terão de encenar algum momento da obra para a classe, após me entregar uma resenha muito bem escrita sobre a obra e o autor, claro! Eu quero que vocês sejam criativos e façam versões únicas da cena que escolherem. Já podem abrir os papéis!
A turma começou a desembrulhar. Alguns riram dos livros que pegaram; outros nem conheciam os livros que tiraram. Temari abriu o papel que pegou e arregalou os olhos, se levantando de uma só vez da sua cadeira, assustando toda a sala.
— ROMEU E JULIETA DE WILLIAM SHAKESPEARE?? – gritou a loira.
A turma começou a rir novamente. Temari estava realmente corada e Shikamaru pegou o papel das mãos dela, não acreditando que tinham tirado justo aquele texto. Mas a verdade era nua e crua.
— Vou adorar ver o que vão fazer, Shikamaru, Temari! – comentou Kurenai rindo um pouco. – Vocês todos tem duas semanas para me entregar a resenha e apresentar a cena, ok?
— Cê tinha mesmo que tirar esse? – olhou o rapaz para a loira. – Que problemático...
— Você demorou demais pra pegar um papel, então eu peguei! A culpa não foi minha!!
— Eu que não ia pegar! Não gosto desse tipo de trabalho! Eu devia pular fora...
— Idiota! Não quero perder ponto! Vamos ter que fazer isso, você querendo ou não!! Vamos logo escolher uma cena e marcar os ensaios!! Deixa de ser covarde, vamos tirar isso de letra!
Shikamaru soltou uma baforada de desgosto e desistiu de “desistir”.
Na noite daquele mesmo dia, Shikamaru conversava com sua banda pelo whatsapp.
SHIKAMARU: “Entao, cambada? Td mundo animado pra tocar amanha na casa do Gaara?”
CHOUJI: “Tomara q tenha mta comida lá neh!! Adoro tocar em festa!! E vc, Kiba?”
Três minutos depois.
KIBA: “Discupa a demorae, é q tava mostrando um site de cadelas aki pro Akamaru... Pô, lógico q já to lá, né mané! Sempre rola treta nessas festinhas de sítio *¬*/”
Shikamaru solta uma baforada de desaprovação ao ler o comentário.
SHIKAMARU: “¬¬’ Q problemático, kra... vc tem q parar de ver American Pie. Ces vão de balaio amanhã, neh? Lugar longe da porra...”
KIBA: “Lógico neh, queria q eu chegasse montado no Akamaru? Ia ser o mico neh? Bora pegar amanhã o mesmo onibus, dmr? A gente encontra nakela estação perto da casa do Neji.”
NEJI: “Meu pai vai me levar de carro com a Hinata amanhã. Ela está querendo ir, e eu fico feliz de ela sair um pouco de casa. A bateria e as caixas de som virão junto, é claro.”
CHOUJI: “A guitarra tá mole de levar tbm.”
SHIKAMARU: “Cuida dessa garganta aí, Kiba. To querendo q a gente mande a ‘Killing Me’ amanhã.”
CHOUJI: “D:”
KIBA: “PQP! Ce ta nervoso hein! Kkkkkk aposto q é por causa do trabalho da Kurenai lá! Kkkkkk!”
SHIKAMARU: “Vai se lascar, fdp! Quem mandou começar com akela merda lá na sala? Eu num to saindo com a Temari. ¬¬”
NEJI: “E aquele trabalho? Eu e a Tenten vamos ter que encenar ‘Jornada ao Oeste’ de Wu Chengen! Ela quer que eu seja o Son Wukong e ela será uma versão feminina do Monge que ele protege...”
SHIKAMARU: “Nem me lembrem dessa bosta! Vai ser ‘Killing Me’ mesmo! Flow ae.”
Shikamaru jogou o celular longe e deitou em sua cama. Claro que ele e Temari já haviam marcado os ensaios, ainda tinham duas semanas para preparar o trabalho. Olhou para o baixo que tocava na banda e ficou pensando no que poderia acontecer no dia seguinte. Mas o celular do garoto vibrava de novo, e quando ele foi conferir era Temari. Ela o perturbava o tempo inteiro sobre o trabalho de literatura. Ao passo que tentavam discutir sobre aquilo, eles acabavam se perdendo em diversos assuntos diferentes. Tinham alguns gostos em comum.
No sábado que se seguiu, Chouji e Kiba encontraram Shikamaru no ponto de ônibus marcado. Chouji com a guitarra nas costas e Shikamaru com o baixo. Após uma longa viagem, eles chegaram na rua que dava para a casa da família de Temari perto da praia. Temari recebeu os rapazes, e Shikamaru ficou meio corado ao ver como ela estava linda – numa saia xadrez, bota, blusa roxa e uma jaqueta de couro. Chegaram mais cedo que os outros convidados para montar a aparelhagem de som. Neji já estava lá com Hinata e boa parte dos equipamentos já havia sido montada por ele. Hinata também já estava lá e Shikamaru sabia que ela estava ansiosa para ver Naruto, mas não se meteu nisso.
Pouco depois, o pessoal da classe foi chegando e enchendo a casa. Kankurou fez amizade com alunos de outras turmas e também apareceram. A banda terminou de instalar tudo e afinar os instrumentos. Kiba agarrou o microfone e começou a falar.
— Fala, galera!! Quem tá afim de ouvir um sonzaço?? Chega mais aí, é isso mesmo!! Bem vindos a mais um concerto da banda MAD SHINOBI!!
A turma se animou e foi se aproximando do palco. Temari deu risada do nome da banda, cena que Shikamaru conseguiu ver. “Eu sei, odeio esse nome”, pensou Shikamaru.
— E aí, vocês sabem tocar alguma coisa? Só não vale Raul! – gritou Kankurou rindo.
— Sabemos sim, cara! – disse Kiba ao microfone visivelmente irritado. Mas logo deu um sorriso desafiador. – Nossa primeira música vai ser a KILLING ME da banda SiM!! Escolha do nosso baixista Shikamaru!!
Shikamaru se emburrou e pensou que foi desnecessário Kiba informar aquilo. Neji deu quatro batidas com as baquetas uma na outra e a música começou.
(Música aqui: https://www.youtube.com/watch?v=vyUMYYc8lxU)
Temari ficou impressionada com a qualidade da banda enquanto escutava. A turma começou a curtir bastante e alguns que não conheciam ficavam admirados com o vocal agressivo de Kiba. Neji, na bateria, estava arrancando suspiros das garotas, enquanto Chouji tocava muito bem sua guitarra, batendo seu longo cabelo freneticamente. Quando Temari se deu conta, não tirava os olhos de Shikamaru, que tocava o baixo com categoria. Ficou meio corada por pensar que talvez estivesse achando o rapaz cada vez mais interessante. Foi então que ela prestou atenção na letra e deu risada. “Seria uma indireta?”, pensou a loira, que dominava um nível decente de inglês.
A banda continuou e ainda mandou mais umas quatro músicas depois daquela. Foram músicas bem mais calmas com estilos mais refinados. Depois a banda encerrou a apresentação e começou a recolher os instrumentos. Temari caminhou até Shikamaru, que estava meio suado.
— Já terminaram? Então está na hora do jogo de xadrez. Você suou um pouco... – comentou a loira, olhando o pescoço e um pouco do peito do rapaz que estava à mostra, pois não abotoou a camisa até o topo.
— Ah... – Shikamaru ficou um pouco sem jeito por ela reparar. Aproveitou que os outros não estavam dando atenção e falou também. – Você tá uma gata hoje.
Ela sorriu bem sem jeito. Não estava mesmo esperando que ele dissesse aquilo. Shikamaru viu o quanto ela ficou corada e decidiu desconversar logo.
— Não vi o Gaara até agora nessa festa. Cadê ele?
— Ele não gosta dessas coisas. Está numa sala do segundo andar da casa, esperando você.
— Não brinca...
— Vem, eu te levo.
Temari pegou o pulso do braço direito de Shikamaru e foi andando com ele pela festa. O rapaz ficou com receio de todo mundo fazer comentários constrangedores, mas ele percebeu que ninguém estava olhando. Estavam ou em grupos conversando e rindo muito, ou em casais, andando por aí e eventualmente trocando beijos. Temari tinha feito essa leitura primeiro e aproveitou pra agir daquela forma com ele? Não teve tempo de descobrir, pois ele chegou ao andar onde Gaara o esperava. Ele estava sentado de frente a uma mesa com todas as peças de xadez já preparadas.
— Vamos jogar, Nara Shikamaru. – disse Gaara.
Temari foi a única que permaneceu na sala para assistir. Shikamaru, a princípio, estava intimidado com a seriedade que Gaara estava tendo naquele momento. Mas assim que o jogo começou, ele começou a se envolver também. E chegou um momento que, para Shikamaru, só havia ele, Gaara e o tabuleiro. Temari ficou totalmente chocada com o nível de concentração que o jovem Nara estava mostrando e dando um trabalho enorme para Gaara na partida. O jeito que Shikamaru tratava as peças com respeito — diferindo de Gaara que fazia sacrifícios sem pestanejar — também chamava a atenção da loira. Ele não sabia, mas o jogo estava mostrando a ela que tipo de homem ele era na verdade.
Após aquele dia, Shikamaru e Temari começaram a se encontrar constantemente para escolher e ensaiar alguma cena de Romeu e Julieta. Alguns colegas ainda faziam gracinhas com os dois, mas Temari já estava se acostumando. Shikamaru vivia perdendo a paciência com a cobrança constante dela de levarem a sério, deixar de preguiça, focar. Mas ao mesmo tempo, ele seguia o que ela dizia. Inclusive, ficou vários dias sem pegar detenção ou se encrencar de qualquer forma, para não arruinar o cronograma. Quando percebeu, já estava ensaiando sozinho suas falas em casa. Ele deixava para dormir bem tarde por conta dos ensaios solo e começou a se aborrecer mais do que o normal com o despertador todos os dias – chegando a quebrar alguns que ele jogava acidentalmente no chão. Sentia-se um idiota por estar se esforçando tanto por algo tão trivial e nem ao menos sabia o motivo. Ou não sabia, ou não queria admitir que talvez estivesse se interessando profundamente em Temari. Na noite de quinta feira que se seguiu, eles trocavam mensagem pelo whatsapp.
TEMARI: “Eu já fiz a resenha. Se fosse esperar por vc fazer, não sairia nunca. Nunca vi uma pessoa tão preguiçosa... ¬¬”
SHIKAMARU: “Num enche. É sua punição por ter tirado essa peça.”
TEMARI: “Como se atreve seu chorão patético! Eu devia te trocar por alguém mais compromissado!”
SHIKAMARU: “Me trocar? E vai pegar quem??”
TEMARI: “Kkkkk... Isso td foi ciúmes?”
SHIKAMARU: “Nd a ver... Eu to é louco de achar q vai dar certo uma Julieta ‘Maria-João’.”
TEMARI: “Sei. Pq não vai atrás daquela Ino, ou seja lá como ela se chama? Vão adorar uma Julieta patricinha.”
SHIKAMARU: “Morrendo de ciumes aí neh. Fique feliz, a Ino já tá com o Chouji.”
TEMARI: “Sonha q tenho ciúmes de vc, garoto! Kkkkkk...”
Shikamaru deu risada em sua cama ao ler o último comentário. Segundos depois Temari mandou mais.
TEMARI: “Obrigada por ter jogado com o Gaara. Nunca vi ele ficar tão feliz antes.”
SHIKAMARU: “Depois de me esmagar é pra ele tar feliz mesmo.”
TEMARI: “Você q desistiu. Se tivesse feito umas jogadas mais agressivas ele não teria dominado tanto... Mas eu... Acho q gosto do jeito q vc comanda o seu exército. Se levar esse jeito de agir pra sua vida, vai se tornar um grande homem.”
Shikamaru ficou meio sem jeito quando leu. Temari, em sua residência, olhava o celular e ficou corada ao ver como o elogiou. Mas ela sorria abertamente. Não havia ninguém olhando para ela e não tinha necessidade de esconder o sorriso. O Nara respondeu:
SHIKAMARU: “Ce analisa bem as jogadas, hein. É mais inteligente q eu pensava. E tbm tava show de bola nakela roupa.”
TEMARI: “Tarado! Kkkkk... Vc fala isso, mas nem me reparou mto enquanto jogava com o Gaara.”
SHIKAMARU: “Pó deixá q na próxima vez eu não tiro os olhos de vc.”
Era uma sorte eles não poderem olhar um para o outro naquele momento, pois estavam mesmo corados, e o pior, não importa o quanto olhassem a conversa, estavam praticamente flertando.
TEMARI: “Idiota...”
Na semana restante que antecedia a apresentação, Shikamaru e Temari começaram a se ver mais para os ensaios. Eles estavam usando principalmente o terraço da escola para ensaiar, já que todos achavam que o local estava totalmente trancado. Às vezes davam risada das coisas que estavam falando um para o outro durante o ensaio das falas. À noite, Temari mandava gravações de áudio no whatsapp dela recitando falas, e Shikamaru retribuía. O papo deles sempre ficava mais descontraído pelo celular.
TEMARI: “Cê tá parecendo o Sidney Magal com câncer de garganta falando isso kkkkkkkkkk”
SHIKAMARU: “Mas que problemática. Não ensaio mais! ¬¬”
TEMARI: “E pára de fazer birra td dia... Lógico q vc vai.”
Na quarta feira que antecedia o dia da apresentação – que seria na sexta – Eles estavam efetuando mais um ensaio. Temari já estava se divertindo e dizendo as falas naturalmente. Shikamaru ainda errava algumas e isso estava deixando ele estressado.
— Shikamaru, você é tão idiota assim? Já errou essa fala nove vezes! Não quero perder ponto depois de amanhã, entendeu?
— Ah, que saco, cara!! – disse Shikamaru, ficando irritado – Nunca curti esses lances de livros de amor e essas coisas mela-cuecas. Coisa chata, meu...
— Você reclama da mesma coisa todo dia!! Não cansa de ser imaturo não? Precisa de foco! Quer perder nossos preciosos pontos?? Seu chorão! – comentou Temari meio irritada também.
— Não venha falar de foco comigo, sua chata! – esbravejou Shikamaru – Pelo menos eu não tô três anos atrasado nos estudos! Fala sério...
Temari fez uma cara horrível quando Shikamaru disse aquilo. Ela ficou vários segundos olhando pra ele, com uma expressão totalmente ofendida. Shikamaru ficou sem entender, olhando fixamente para ela.
— Tema...
— Quer saber? Dane-se. Eu não passo nem mais um minuto com você.
Temari se virou e saiu andando, lívida de raiva. Shikamaru tentou segui-la.
— Temari?? Ei!! Peraí!! Peraí, volta aqui! Eu não queria...
— Nem chega perto, cara. É sério. Não manda mais mensagem, não olha pra mim. Eu não quero mais saber de você.
— Ei, isso não é justo!!...
Mas Temari ignorou e deixou Shikamaru sozinho no terraço da escola. Ele ficou lá, ainda sem entender o que aconteceu. Com certeza tinha falado o que não devia, mas eles sempre conversaram desse jeito com o outro. Ele não conseguia entender e sentou-se no chão, encostando-se à parede para olhar as nuvens.
Então, ele se agachou e fez uma posição peculiar com as mãos. Fechou os olhos e começou a lembrar de tudo que aconteceu entre eles. Lembrou-se da vez que perguntou como ela poderia ser da mesma classe que ele — e ela se tinha se zangado da mesma forma. Fez um “facepalm”.
— Shikamaru, você é um gênio. Só que não.
O rapaz fez algo que pensou que jamais faria por conta própria: foi até a sala da Diretora Tsunade.
— Shikamaru? Algum professor o mandou até aqui? – perguntou a loira.
— Eu... queria conversar um assunto, Diretora Tsunade.
No dia seguinte, Temari não quis ir à escola. Ela inventou uma moléstia qualquer que estava sentindo pra não deixar Kankurou e Gaara descobrirem o motivo. Mais à tarde, a moça estava sentada em sua cama olhando para o celular. “Podia ter falado com o garoto porque se irritou tanto”, pensou consigo mesma. Mas naquela altura, ela nunca conseguiria dar o braço a torcer por rapaz algum. “Quem ele pensa que é?”, pensou Temari. “Não estou morrendo de amores por ele...”. Depois, ela atirou longe o celular quando quase cedeu em procurar por ele no whatsapp. “Postura, garota. Não fique desesperada por um cara daqueles.”.
De repente, Temari começou a escutar o som de uma guitarra. O som parecia estar vindo da rua. Logo, um som de teclado se misturou ao da guitarra, e uma bateria leve começou a acompanhar. Temari foi até a janela de seu quarto e ficou incrédula. Lá estava Shikamaru junto aos “Mad Shinobi”. Mas Kiba estava ao teclado, enquanto Shikamaru se posicionava a frente, sem seu baixo, cantando ao microfone.
(Música aqui: https://www.youtube.com/watch?v=NtmorUXAwiI)
Temari mal podia acreditar. Era uma serenata para ela. E a música ainda por cima se chamava “Romeu and Juliet”. Shikamaru havia engolido o seu orgulho, confessado aos amigos que sentia mesmo algo pela moça e os levou até a casa dela cantar aquela letra para ela. A loira estava com uma expressão chocada, com o rosto muito corado e o corpo todo tremendo, enquanto se apoiava na janela. Shikamaru sorriu quando viu que ela estava assistindo e continuava cantando. Neji, Chouji e Kiba olharam uns para os outros sorrindo também. As pessoas da vizinhança foram aparecendo pelas janelas ou portões para verem o que estava acontecendo.
“I can't do the talks, like they talk on the TV
And I can't do a love song, like the way it's meant to be
I can't do everything, but I'll do anything for you
I can't do anything 'cept be in love with you
And all I do is miss you and the way we used to be
And all I do is keep the beat, 'n the band company
And all I do is kiss you, through the bars of a rhyme
Juliet, I'd do the stars with you, anytime”
Essa parte da música fez Temari sorrir como jamais fez antes na vida. Ela saiu correndo da janela e desceu as escadas com muita pressa. Depois, saiu pelo portão da frente e nem ligou para o fato de não estar bem vestida. Ela sorria assistindo Shikamaru terminar de fazer sua serenata. Ao final da música, ele começou a falar pelo microfone.
— Temari, fiquei sabendo pela Tsunade o que aconteceu. Você abriu mão de três anos da sua vida escolar para apoiar o seu irmão Gaara, que estava em tratamento de leucemia. Felizmente ele venceu a doença e se curou, mas você pensa tanto nos seus irmãos mais novos, que não queria comentar com ninguém essa triste fase da vida dele. Eu... – e ele coçava a nuca. Os rapazes atrás assistiam, torcendo pelo amigo. — ... eu queria pedir desculpa. E... queria pedir pra você voltar pra minha vida.
Temari correu até o rapaz e o abraçou. Tão forte quanto jamais abraçou ninguém na sua vida. Ela derramou lágrimas com o rosto enterrado no peito dele. Os outros da banda fizeram um “sim” com a cabeça e começaram a tocar um Cover de “Wind” do artista Akeboshi, com Kiba no teclado e cantando.
(Música aqui: https://www.youtube.com/watch?v=SaaRwKlcNaA)
Enquanto os outros tocavam, Shikamaru puxou o queixo de Temari até que ela o olhasse nos olhos. E depois a beijou suavemente. Ela retribuiu o beijo, ainda abraçada ao rapaz e ao som da música suave que a banda tocava.
=== FIM DO FLASHBACK. MOMENTO ATUAL ===
Shikamaru e Chouji chegavam à escola. Ino foi logo buscar Chouji para conversarem sobre sua apresentação da aula de literatura. Ela sorriu de leve para Shikamaru, orgulhosa do que ele fez. A escola inteira já estava sabendo da serenata para Temari no dia anterior. Quando ele chegou na sala de aula, o quadro negro estava novamente repleto de desenhos e frases de amor envolvendo Shikamaru e Temari. Ele deu risada e uma baforada de desaprovação. A maioria da turma estava eufórica com o que o rapaz havia feito. Muitos vieram parabenizar, e Shikamaru viu Temari junto a Gaara no fundo da sala. Naquela altura, ela nem estava mais ligando pras brincadeiras do pessoal. Ela sorriu para Shikamaru quando ele se aproximou.
— Oi, idiota. Meu irmão quer falar com você um instante.
— Sério?... Tsc... lá vem... – comentou Shikamaru.
Ele foi até Gaara, que começou a conversar tranquilamente com o jovem Nara.
— Obrigado, Nara Shikamaru. Eu jamais vi minha irmã tão feliz antes. Foi uma época difícil para todos nós, a que eu vivi. Mas se não fosse pelo apoio dela, teria sido muito pior. Se for com você que ela fica feliz dessa forma, então eu também fico feliz.
Shikamaru nem soube o que responder. Ele apertou a mão de Gaara e o assunto ficou definido. Quando chegou a aula de literatura, as apresentações começaram. A de Shikamaru e Temari foi uma versão bem humorada da cena do jardim dos Capuletos. O pessoal e a professora davam risada das frases, que mantinham o contexto, mas usavam uma construção gráfica totalmente diferente:
— Gata, eu juro pela lua...
— Meu, jura pela lua não. Fala sério. Aquela coisa vive mudando de forma durante o mês. Tá mesmo afim de jurar por algo tão inconstante?
— Que problemático... Eu juro pelo quê então?
— Ué, pode ser por você mesmo, já que é em você que eu to ligadona. Ou então larga mão e não jura por nada não. Pensa bem, a gente mal se conhece. Eu tô curtindo você vir aqui disposto a fazer as juras e tal, mas acho que rola da gente dar um tempo pro sentimento ficar mais forte, sabe. Então a gente se fala mais outro dia, pode ser?
— Vai me deixar na “Friendzone”? Que saco...
— Cê tava esperando mais o quê, Romeu chorão?
— Sei lá, que você admitisse que me ama.
— Antes que me pedisse eu já tava na sua. – e Temari deu aquele sorriso cheio de dentes que só ela sabia dar.
A cena foi fiel a da peça, e terminou quando Romeu e Julieta se despediram. Shikamaru sorriu orgulhoso por não ter errado nenhuma das falas. A professora Kurenai e a turma cobriram ele e Temari de aplausos. Eles se curvaram em agradecimento e depois de todas as apresentações que se seguiram o dia terminou de um modo incrível. Shikamaru olhou para o quadro negro, que ainda estava repleto de desenhos e brincadeiras sobre ele e Temari e sorriu. Aquela vida problemática nunca mais seria a mesma.
FIM
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