A Nova Seleção
9 Capítulo 9 - Uma nova rotina
Notas iniciais

Capítulo 9
SCARLETT’S POV
Acordei e percebi que meus cortes estão limpos e enfaixados. Eu estou limpa com um top branco que deixa amostra minha barriga enfaixada e uma calça jeans também branca. Levando em conta que as pessoas que vi neste lugar usavam tanto preto, fiquei um pouco impressionada com roupas brancas. Minha barriga dói, mas não tanto quanto antes.
Estou num quarto totalmente diferente; não estou acorrentada, não estou algemada, apenas presa. O quarto é parecido com o último, todo branco apenas com uma porta, a diferença agora é que ao invés de estar sentada numa cadeira, estou em uma cama confortável. Tudo isso é estranho para mim; primeiro me torturam e depois me colocam numa cama quentinha? Nada disso parece fazer sentido.
Fico deitada olhando para o teto segurando o pingente de rosa que Noah me deu. O que ele deve estar fazendo? Será que ele está me procurando? Será que ele acha que estou morta? E qual a causa de eu estar aqui? É tudo o que eu tenho agora; perguntas sem respostas. Não sei por quantos minutos estou afundada em meus pensamentos quando a porta se abre e a mesma mulher que foi tratar de meus ferimentos entra.
“Que bom que acordou, estava ficando preocupada.” – diz. Prestando mais atenção percebo que dizer mulher é um pouco exagerado, ela deve ser mais nova que eu. Seu cabelo preto cortado em V até um pouco abaixo de seus ombros, sua pele clara, mas não igual à palidez da minha, muito magra e alta, também como os outros ela usa roupas pretas, uma blusa regata e uma calça jeans e uma bota também preta. Se eu não estivesse com ódio mortal dessa garota eu até acharia ela bonita, não, ela é mesmo bonita. Seus olhos castanhos chegam quase a serem pretos, seu rosto redondo e bem desenhado, seu nariz fino e sua boca tão perfeitamente desenhada que chega a quase doer. Ela é mesmo linda, mesmo que nesse momento eu a odeie; ela provavelmente cuidou dos meus ferimentos, pelo que estou grata, mas mesmo assim ela esta neste lugar, ela faz parte disto tudo. Mesmo eu não sabendo o que é isto tudo.
“Quem é você?” – pergunto me sentando. Ela chega mais perto e eu me afasto para o canto da parede, ela para.
“Sou Clarice, vamos dizer sua quase médica” – eu a olho incrédula.
“Médica?”
“Sim, nós temos vários médicos aqui, pois precisamos sempre para quando alguém é, bem...” – ela faz uma pausa e eu não quero ouvir as suas próximas palavras – “...torturado.” – ela dá de ombros. Como se torturar pessoas fosse comum.
“E por que estou aqui? Já terminaram sua sessão de tortura?” – digo ríspida. Estou com muita raiva e medo. Ela sorri.
“Sim, sim. Qualquer um que soubesse de informações diria após o segundo corte, você foi bem longe.” – não sei o que dizer minha voz não quer sair, então fico apenas a olhando.
“Além do mais, nós não queríamos informações de você” – não sei o que isso quer dizer, então espero ela continuar – “Nós estamos usando você para obter as informações.”
“Como assim?” – pergunto.
“Não posso dizer. Eu vim aqui para lhe dizer que você ira permanecer em regime fechado. Você não verá mais ninguém, seu café da manhã, almoço e jantar serão servidos obrigatoriamente ás 06h00min, 12h00min e 19h00min respectivamente. Seu banho será realizado ás 17h00min e ás 22h00min você irá treinar com Adam.” – ela termina de dizer sem ao menos respirar e sai da sala. Treinar com Adam? O que isso quer dizer?
Mais perguntas sem respostas. Não sei que horas são então deito para tentar dormir, fecho os olhos e instantaneamente apago.
Acordei com alguém me jogando para fora da cama. A dor de cair fez com que um pequeno gemido saísse pela minha boca. Olhei para cima e vi o cabelo loiro de Adam e aquele olhar mortal.
“Levante-se.” – diz. Eu me levanto sem ao menos pensar. Os cortes ardem com o movimento.
“Preparada?” – ele pergunta empurrando-me para fora do pequeno quarto. É nesse que percebo que tudo ao meu redor é muito branco, tão branco que dói as vistas. Ele coloca uma venda em meus olhos e não vejo mais nada até que ele retira a venda.
Estamos numa floresta e ao fundo consigo ver um prédio cinza quase em ruínas. Adam me olha com o mesmo olhar mortal do dia em que fez cortes em mim; quando penso neles os cortes ardem numa intensidade quase insana. Ele usa suas mesmas roupas pretas que faz com que ele pareça mais assustador.
“O que estou fazendo aqui?” — Pergunto
“Eu vou te treinar.” – ele diz simplesmente. Não entendo.
“Pra quê? Por quê?” – estou gritando e andando de um lado para o outro. Isso é alguma brincadeira sem graça?
“Eu percebi que você pode nos ser util. Eu e Dimitri percebemos que você é forte e pode se tornar uma aliada forte dentro do Palácio.” – Uma aliada? Dimitri? Não consigo pensar direito. Sinto tontura e encosto-me em uma grande árvore.
“Eu não entendo.” – digo mais para mim do que para ele.
“Por hora você não precisa entender, eu sei que você é forte, tanto emocionalmente quanto fisicamente, Angel disse para que eu a treinasse e é o que eu vou fazer.” – Ele termina de falar e vem correndo em minha direção com o punho fechado mirado em meu rosto; o golpe veio tão rápido que não consigo desviar e o golpe me acerta violentamente. Minha vista fica embaçada e minha cabeça começa a latejar. Solto um grito de dor.
“Fique ereta, mãos para cima, proteja o rosto.” – eu obedeço e em uma fração de segundo ele está vindo em minha direção novamente; dessa vez consigo desviar, mas tropeço e caio. Os cortes doem e me lembram de que ainda estão aqui. Adam me ensina a dar golpes e me ajuda a esquivar; não confio nele, não confio em ninguém.
Depois de algumas horas meu corpo inteiro dói, meu rosto está sangrando e estou cheia de hematomas.
“Sente.” – diz Adam. Ele olha para mim com seus olhos tenebrosos; sento-me na grama.
“Houve algumas pequenas mudanças em sua rotina” – diz andando de um lado para o outro.
“Quando a trouxemos aqui, tínhamos um objetivo, ainda o temos, mas agora você é quem irá descobrir para nós o que queremos. Você ficará conosco durante dois meses; ensinaremos como lutar, como se portar quando voltar, como agir, como falar, como respirar. Você vai fazer tudo o que quisermos e se não o fizer, sofrerá as consequências.” – quando ele diz consequências para e olha diretamente em meus olhos.
“Eu não tenho medo de machucá-la, como deve ter percebido, eu irei machucar todos os que você ama se não obedecer. Lembra-se de Emma?” – começo a tremer, meu coração acelera, o que ele tem haver com Emma?
“O pequeno acidente fomos nós, escolhemos você desde antes de ser uma selecionada. Angel a viu e soube que seria a certa, nós não tínhamos certeza, mas quando Angel percebeu sua aproximação com o Príncipe soubemos que era a hora de agir.” – minha vontade é de levantar-me e ataca-lo, mas sei que não seria capaz de vencê-lo.
“E Scarlett, nós sabemos onde seu pai mora, o Príncipe não irá morrer...” – ele sorri – “...pelo menos não antes de você cumprir sua tarefa, faça tudo corretamente e ninguém sairá ferido.”
Depois dessa ameaça, ele coloca a venda novamente e meus pensamentos me invadem. Eles mataram Emma, ameaçaram a vida daqueles que eu amo; tenho que fazer o que eles quiserem, isso me causa repulsa.
“Dimitri ficará com você todos os dias, sem perguntas.” – Quem é Dimitri? Por que ele ficará comigo todos os dias? Perguntas sem respostas se formam em minha mente.
Estou num pequeno banheiro para que eu possa tomar banho. Lentamente tiro minhas roupas e desenrolo a faixa para que ela não molhe; Vou até o espelho próximo a pia para ver a situação dos cortes. Eles estão vermelhos, os cortes são feios e grandes, há muitos pontos e percebo que alguns abriram e agora saem sangue deles.
“As cicatrizes vão ficar horríveis.” – digo para mim mesma tocando com a ponta de um dos cortes. A água toca minha pele e desfruto de como ela é quente e por um momento imagino estar em minha casa, fecho os olhos lembro-me da sensação de estar protegida, abro os olhos e encaro o azulejo branco e sei que não estou segura. Os cortes ardem ao serem limpos e lagrimas escorrem de meus olhos e descem pelo meu rosto inchado por causa dos vários golpes que Adam o atingiu. Tento não pensar na dor e penso em Noah, em como ele está. O que está fazendo. Se ainda está me procurando. Isso traz dor ao meu coração, não posso pensar nessas coisas agora, não posso pensar em nada.
Deram-me roupas limpas, top, calça jeans branca e roupas intimas. Uma garota me avisa que os cortes serão tratados novamente quando voltar para o quarto; ela coloca a venda em mim e em menos de três minutos estou sem a venda, sentada numa cama.
Faz alguns minutos que estou esperando que alguém venha tratar dos cortes e de tudo mais no meu corpo. Creio que seja a mesma garota que cuidou de mim naquele dia. Engano-me, pois nesse momento alguém entra e me surpreendo.
“Olá, eu sou Dimitri e serei o responsável por você.” – encaro olhos castanhos escuros quase pretos, seu cabelo também castanho é cortado curto aos lados e usa um pequeno topete na parte da frente. Ele sorri alegremente, o que faz com que eu o estranhe. Por que esta sorrindo? O que tem de tão alegre?
“Scarlett.” – digo apenas. Ele vem em minha direção segurando uma maleta branca com um mais vermelho. Primeiros Socorros. Estou buscando pontos fracos, alguma coisa que possa usar contra ele caso venha me atacar. Calculo que deva ter 1,75 metros mais ou menos, apesar de ser magro, parece ser muito mais forte que eu. Seu rosto é muito bonito. Por que eu observei isso? Seu corpo inteiro exala morte, mas seus olhos parecem meigos.
“Eu vou cuidar de seus ferimentos, deite.” – deito o mais rápido que posso com toda a dor que estou sentindo. Ele coloca os Primeiros Socorros sobre a cama e o abre; fico olhando para o teto.
“Isso vai doer um pouco.” – ele diz segurando um frasco com algum líquido transparente.
“Não pode doer mais, eu aguento.” – digo rapidamente. Ele sorri com o canto direito dos lábios, abre o frasco e joga sobre a minha barriga. Eu estava errada, pode doer mais sim, muito mais; solto um grito de dor e me contorço.
“Fique parada, eu preciso limpar.” – diz gentilmente.
“Eu já tomei banho, está limpo o suficiente.” – digo entredentes, raiva se apossa de mim.
“Eu preciso esterilizar.” – ele diz jogando mais um pouco do líquido; aperto minhas unhas no colchão tão forte que sinto alguma quebrar.
Fecho os olhos cerrando os dentes.
“Faça logo.” – é a única coisa que digo. Fico com os olhos fechados até que ele termina; parece que duraram horas, a dor foi quase insuportável, mas agora todos os ferimentos estão devidamente tratados.
Estou deitada em outra cama que foi colocada no quarto.
“A dor passou?” – escuto alguém perguntar.
“Está passando.” – respondo sem olhar. Não preciso olhar para saber que olhos castanhos me observam.
“Fiz o melhor que pude.” – Dimitri diz.
“Obrigado.” – eu não quero conversar com ninguém, muito menos com ele, se puder evitar abrir minha boca eu o farei.
“Seu jantar será servido em dois minutos, me siga.” – ele diz com autoridade. Eu tento levantar, mas minhas forças vacilam. Dimitri observa de longe esperando que eu o siga; Eu o olho e tento me sentar apoiando o braço direito na cama, com muito esforço consigo.
“Você está demorando demais, temos horário.” — diz. Eu o olho incrédula. Será que ele não vê a minha situação? Eu não fui feita para ser saco de pancadas de ninguém.
“Se me ajudasse iria mais rápido.” – digo ríspida. Dimitri pensa por um segundo e dá de ombros. Reviro os olhos e o sigo lentamente.
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