A Nova Seleção
2 Capítulo 2
– E Gregory Illéa finalmente se tornou rei, fim – finalizou Mary, a tutora.
As selecionadas, Alyssa, em especial, suspiraram aliviadas.
– Deveeeeeer – cantarolou Mary.
Nããããããããão, pensou a maioria das selecionadas.
O tempo que se seguiu da aula cansativa de história foi entediante e quieto. Margo odiava lugares quietos. Catherine, uma ruiva da casta três, adorava lugares quietos.
– Ei – murmurou Jane para Tâmara – Em que ano Gregory Illéa assumiu o trono?
– Não sei – respondeu Tâmara.
Alyssa soltou uma risadinha e foi censurada por Mary. Que diabos aquilo tinha de importante?
– Acabei – anunciou Catherine, sorridente.
E, depois de quase uma hora, todas entregaram os deveres e se livraram de mais uma aula entediante.
***
Margo estava sentada na varanda de seu quarto. Tivera sorte de ter uma das melhores vistas do palácio; muita, muita sorte. A porta e todas as janelas estavam abertas, de um jeito que ela precisava de dois cachecóis para se aquecer.
– Hanna, pode, por favor, preparar meu banho – ela disse, virando-se para a criada baixinha que pintava as próprias unhas – Ah, com lavanda – lembrou Margo.
Pode não ser tão ruim, pensou, posso gostar; amodorar.
Amodorar. A famosa palavrinha de Margo.
A selecionada já estava ficando com náuseas. O Jornal Oficial de Illéa começaria daqui a quarenta minutos e ela tinha medo. Medo de não ser boa o suficiente.
Entreviiiiistas, pensou, Entrevistas, entrevistas
As vezes Margo era irracional. Tinha uma medo irracional; vergonha irracional; carisma irracional.
Insegura irracional.
***
– Aos seus lugares – anunciou um câmera – cinco, quarto, três, dois...
Uma luz vermelha se acendeu e cegou a todos por um segundo; em seguida, o rei anunciou mais um ataque rebelde. Aumentos na cesta básica, mais ataques, vandalismo. A seleção era a únicas coisa que dava um pouco de vida para aquele país triste que se tornara Illéa.
– E agora, a entrevista com as nossas selecionadas.
E então, a luz vermelha se apagou e ninguém entendeu. Gritos, luzes, alarmes. A confusão tomava conta do lugar.
Mais um ataque.
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