A Nova Proposta
30 Capítulo 29 – Acerto de contas
Notas iniciais
Damon
Coloquei os gêmeos para assistirem desenho no meu quarto e disse que Jane poderia tirar o reto do dia de folga depois de dar a mamadeira de Alec. Queria estar sozinho no momento em que Elena chegasse em casa, tinha impressão de que aquela seria uma longa conversa.
Tinha acabado de contar a ela que já sabia tudo e Lena me olhava há vário segundos sem saber exatamente o que iria fazer agora. Apostava qualquer coisa que iria tentar mentir novamente, nas dessa vez eu não iria acreditar.
– E então, Elena? — perguntei, mas uma vez – Vai me dizer ou não porque você escondeu de mim que o Alec é meu filho.
– Não sei de onde você tirou isso, Damon – sua voz saiu como um sussurro e ela também não estava me encarando, dois sinais claros de que estava insegura – Já te expliquei a história sobre o pai do Alec. E, por favor, por mais que eu me faça de forte,isso ainda é muito doloroso para mim.
– Não se faça de vítima dessa vez, eu ei muito bem que não é verdade – continuei – O Alec é meu filho e não tem mais como negar isso.
– Por que você está insistindo nessa história de novo? – revirou os olhos – Pensei que eu tivesse deixado tudo bem claro e que você tinha entendido.
– A Katherine, sua irmã, me ligou enquanto você não estava – falei, por fim – Ela já me contou, toda a verdade.
Elena abriu a fechou a boca várias vezes, mas não saiu som algum. Agora não tinha mais jeito, ela não tinha mais com o que argumentar.
– Damon... — não conseguiu falar nada, as lágrimas começaram a rolar pelos seus olhos – Não acredito que a Kath fez isso, ela sabia que eu não queria que você soubesse e também o porquê.
– Por que? — é claro que eu sabia os motivos, mas queria ouvi-la – Por que você não queria que eu soubesse a verdade?
– Cheguei aqui e vi você com a Hermione e os gêmeos, pensei que vocês estivessem juntos – começou a explicar, ela ainda estava chorando – Não podia simplesmente chegar e contar que eu estava grávida.
– Claro que poderia! – aumentei um pouco o tom da minha voz, queria me manter calmo nesse momento, mas era impossível – Mesmo que eu estivesse com a Hermione, não teria nenhum impedimento ter um filho com você. Eu iria amá-lo da mesma maneira que amo os gêmeos e como eu amo agora.
– Eu já tinha estragado a sua vida o suficiente, não podia fazer isso novamente, tinha condições financeiras e psicológicas de criar essa criança sozinha – garantiu – Estava apenas querendo o seu bem.
– Você estava querendo o meu bem? – comecei a rir, ironicamente – Se você queria o meu bem, Elena, teria me contado a verdade, não importa a circunstância. Ou então, pelo menos, teria dito quando eu cheguei ao seu apartamento e vi o Alec pela primeira vez.
– Acha que só você está sofrendo? — cruzou os braços e ficou me encarando – Passei nove meses me segurando para não te ligar e contar que íamos ter outro bebê, não sabe o quanto isso isso foi difícil para mim.
– Só estou te ouvindo dar desculpas, mas nenhuma delas está me convencendo – avisei – Você poderia ter contado a verdade quando soube que eu não estava mais com a Hermione.
– Eu já tinha mentido, não poderia, simplesmente, virar para você e contar que o Alec é seu filho – deu um longo suspiro – Fiquei com medo de que ficaria com raiva de mim, como você está agora.
– Estou com raiva porque fiquei sabendo de tudo por outra pessoa que não fosse você – o que era verdade, talvez eu ficasse chateado pela mentira, mas não com raiva – Queria que você tivesse explicado tudo, não a sua irmã.
– Certo, então agora eu vou contar exatamente tudo – gritou enquanto se jogava no sofá – Descobri que estava grávida e decidi voltar para Atlanta e te contar toda a verdade, mas quando cheguei aqui te encontrei com a Hermione, então decidi criar o meu bebê sozinha. Caso queira saber, a Sutton sabe que o Alec é seu filho, ela não queria que eu escondesse de você, mas sabia que eu não ia mudar de ideia e acabou de apoiando.
– A Sutton sabia...? — fiquei totalmente chocado agora, por essa eu não esperava – Mas espera, se você ficou em contato com a Sutton todos esses meses, por que ela não te contou que eu e a Mione terminamos e ela voltou para a Inglaterra? Até os gêmeos poderiam ter comentado alguma coisa.
– Disse para a Sutton que não queria saber nada ao seu respeito e qualquer coisa que ela pensasse em dizer eu pararia de dar notícias – explicou – E eu também não perguntava aos gêmeos sobre você.
Passei os dedos pelo meu cabelo, nervosamente. Aquela história ainda estava muito confusa, uma sucessão de erros e maus entendidos, se qualquer um dos dois tivesse pensado em ser sincero em qualquer momento, a situação poderia ser outra completamente diferente.
– E esse cara que você disse que era o pai do Alec? — decidi perguntar – Ele, pelo menos, existe?
– Sim! — balançou a cabeça afirmativamente – Ele realmente é um turista que eu conheci em um restaurante em Toronto, ficamos juntos uma vez, mas nada mais do que isso. Acredite em mim, eu sempre me protegi, com você foi a única vez em que não.
Eu me sentei em uma poltrona em frente a ela e fiquei encarando o chão. Não queria falar nada com medo de tomar qualquer tipo de atitude precipitada.
– Damon, você não vai falar mais nada? — foi a vez de Elena querer saber – Sei que você tem todos os motivos do mundo para estar com raiva de mim, mas, por favor, falar alguma coisa.
– Preciso de um tempo para pensar – falei, por fim – É muita informação para a minha cabeça e eu preciso colocar as ideias no lugar.
– Certo – concordou com a cabeça – Mas quanto a nós dois? Como vamos ficar?
– Talvez tenha sido precipitado termos voltado a namorar – respondi – Quem sabe a gente não fique melhor separado.
– Entendo – foi nesse momento em que ela e levantou – Bom, acho que é melhor eu ir ver como está o Alec.
Então saiu apressada em direção ao corredor, provavelmente não queria olhar na minha cara. Assim que eu ouvi a porta do quarto de hospedes, eu me levantei e fui até o meu, que ficava no final do corredor.
Chad e Gwen tinha dormido no meio do desenho que assistiam, agora estavam ali dormindo esparramados nos milhares de travesseiros em cima da cama; foi inevitável não pensar em Alec nesse momento, não tinha perdido tanto assim da vida dele, mas haveriam coisas que tive com os gêmeos que não terei com ele. Eu me aproximei e dei um beijo na testa de cada um, foi nesse momento que minha filha despertou.
– Pai? — disse, piscando algumas vezes enquanto se adaptava a claridade – Que horas são?
– Ainda está cedo, princesinha – garanti – Pode dormir mais um pouquinho, vou fazer um sanduíche para você e para o Chad antes de irem para as suas camas, está bem?
– Sim – concordou – Aonde é que está a mamãe? Ela já chegou do passeio com a tia Gaby?
– Já chegou sim, está lá dentro com o Alec – expliquei – Bom, eu preciso dar um telefonema, mas depois eu volto aqui.
Fechei a porta do quarto e me dirigi até o meu escritório. Peguei o meu celular e procurei o número de Alaric antes de apertar o botão de discar.
– Damon!– ouvi a voz do meu amigo do outro lado da linha – Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa desde a última vez em que nos vimos?
– Sim, aconteceu – não tinha porque eu enrolar, Ric me conhecia muito bem, deve ter percebido que tinha alguma coisa errada – Acabei de descobrir que o Alec é, realmente, meu filho.
– Como é?– ficou tão chocado quanto eu tinha ficado antes – Você estava totalmente certo de que ele não era. Explica essa história direitinho.
Então eu contei tudo para ele. Desde o telefonema de Katherine até a conversa que tive com Elena há alguns minutos, reviver tudo era ainda mais doloroso.
– Uau, Damon, não sei nem o que dizer – completou, quando eu terminei a minha história – É tudo muito chocante.
– Parece que no fim você tinha razão – comentei – Eu disse que a Elena não tinha motivos para me enganar, mas ela tinha.
– Preferia não estar certo – riu – Não queria que você estivese sofrendo, amigo.
– Obrigado, Ric – esse era o bom de se conhecer alguém praticamente a vida inteira, sempre tinha um amigo com quem contar, principalmente em uma hora como essa – Mas o que eu faço agora a respeito da Elena? Deixo ela ir embora com o meu filho e estipulamos visitas da mesma maneira que já íamos fazer com os gêmeos?
– Eu pensei que vocês dois tivessem voltado a namorar – lembrou – O que aconteceu com aquela paixão e felicidade toda que você estava sentindo.
– Ainda estão aqui, acredite em mim – garanti, não tinha deixado de amar Elena Gilbert quando ela me deixou, não iria fazer isso agora – Mas ela mentiu para mim, não sei se vou ser capaz de confiar nela novamente.
– Quando a gente ama, a gente confia – Ric comentou, casualmente.
– Desde quando você virou um filosofo do amor – não pude deixar de rir – Está parecendo aquelas videntes concelheiras da televisão.
– Engraçadinho – tinha certeza de que ele estava fazendo uma careta ou revirando os olhos – Mas eu estou falando sério, vocês já se perderam um do outro uma vez e seguiram caminhos diferentes, não devia deixar isso acontecer mais uma vez. Se a ama de verdade, não deveria deixá-la escapar.
Meu amigo tinha razão, acho que não consigo pensar em um mundo sem ter Elena Gilbert por perto, por mais que eu esteja com raiva.
– Eu sei de tudo isso, Ric – garanti – Mas depois dessa mentira, acho que preciso de um tempo para repensar a respeito de todo esse relacionamento.
– Se você precisa de um tempo diga isso a ela, não a mim – completou – Tenho certeza de que ela está esperando por isso.
Fiquei encarando a porta fechada, ela estava bem ali em frente, era só eu sair e caminhar em direção ao quarto de hospedes.
– Tem razão – concordei – Vou até lá.
Sem esperar que meu amigo se despedisse eu desliguei o telefone, precisa ir antes que eu perdesse a coragem. A porta estava meio encostada e pude ver que Elena andava de um lado para o outro do aposento com Alec no colo, estava de costas, por isso não tinha me visto.
– As coisas mudaram um pouco agora, meu amorzinho – sussurrou para ele – Mas eu prometo que a mamãe sempre estará aqui para te proteger, de qualquer coisa.
– Lena – disse, fazendo com que se virasse na minha direção.
– Oi, Damon – deu um sorriso sem graça – Confesso que não esperava por você aqui, ainda mais depois da nossa última conversa.
– Eu pensei um pouco nesses poucos minutos – expliquei – E comecei a tomar as minhas decisões.
– Espera, deixa eu falar primeiro – pediu – Por mais que esteja com raiva, por favor, não tenta tomar o Alec de mim. Já não basta eu não morar com Gwen e Chad, não quero ficar longe dele também.
– Não vou tomá-lo de você, jamais faria isso – garanti, sinceramente, isso nem tinha passado pela minha cabeça, em momento algum – Mas eu quero registrá-lo, quero que Alec tenha o meu nome, assim como os irmãos. É um direito dele e não irei abrir mão.
– Claro que você pode registrá-lo – deu um sorriso bobo – Alec Salvatore, até que combina.
– Com certeza – concordei – Sabe, eu gostaria de saber mais sobre a vida do meu filho.
– Damon, ele tem quatro meses de vida – lembrou, revirando os olhos – Tenho certeza de que não tem nada de interessante que valha a pena te contar.
– Quero saber de antes dele nascer – expliquei – Por exemplo, como você descobriu que estava grávida? Tenho certeza de que não foi aqui em Atlanta, já que você foi embora no dia seguinte de tudo acontecer entre nós.
– Descobri quando estava em Paris – respondeu — No inicio eu fiquei assustada, mas logo eu fui me acalmando, já tinha passado por isso uma vez e podia passar novamente.
– E a gravidez foi tranquila? Teve muitos enjoos? Desejos estranhos? — perguntei, mas uma vez – Desculpe questionar tanto, mas eu preciso saber.
– A gravidez foi bem tranquila, tomei todas as precauções que meu pai prescreveu e só tive enjoos no começo – disse, sem nem ao menos questionar – Não tive nenhum desejo estranho, na verdade a única coisa que tive vontade de comer foi a torta de nozes que a minha mãe faz.
– E no parto, correu tudo bem? — sei que Alec está ali, são e salvo, mas me deu medo só de saber que meu filho pode ter passado por algum tipo de problema.
– Tive que fazer uma cesariana de emergência – ai estava o que eu não queria ouvir, teve um problema – Esse rapazinho decidiu ficar sentado e não pode nascer de parto normal, mas ocorreu tudo bem, saímos do hospital três dias depois.
– Isso é um alívio – concordei – Mesmo assim, eu queria estar presente no nascimento do nosso filho.
– Sinto muito por isso – ajeitou Alec no seu colo, ele soltou um pequeno sonzinho – Você quer segurá-lo?
– Claro! — afirmei.
Então ela passou o bebê para mim com todo o cuidado. Já tinha segurado Alec várias vezes, mas saber que ele era, realmente, o o meu filho, mudava tudo, não pude deixar que perceber pequenos detalhes meus em seu rostinho, não apenas os olhos. Era a mesma sensação de orgulho de quando segurei o gêmeos pela primeira vez.
– Sei que perdi o parto do Alec, mas eu assisti ao do Chad e da Gwen – comentei, depois de alguns segundos apenas admirando o meu filho – E tenho certeza de que teremos outros filhos e que vou ver a todos eles nascerem.
– Com certeza – concordou com a cabeça, só depois ela percebeu o que eu tinha acabado de falar – Espera, você disse que nós dois teremos outros filhos? Pensei que tivesse decidido que não estávamos mais juntos.
– Nunca disse isso, e sim que precisava pensar em tudo – apenas dei de ombros – Só acho que precisamos ir com um pouco mais de calma agora.
– Claro – afirmou – Qualquer coisa, desde que você não fique com raiva de mim.
– De maneira nenhuma – dei um beijo no seu rosto antes de devolver o Alec para ela – Vou deixar você descansar, foi um dia bem cheio.
Sai do quarto e me encostei na parede ao lado. Muitos segredos foram revelados naquele dia, mas pelo menos agora eu sabia que eu e Elena não temos mais nada entre nós dois e, com um tempo, podemos ser felizes como éramos antes dos gêmeos nascerem, nem que isso leve muito tempo, valei a pena esperar...
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