A Nova Proposta
33 Bônus - O futuro
Notas iniciais
Los Angeles, 12 anos depois
Gwen
Parecia que eu tinha dormido apenas há poucos minutos quando senti um par de lábios na minha nuca. Soltei um gemido de reclamação sem abrir os olhos.
– Está na hora de acordar, Gwen – sussurrou no meu ouvido – Já são dez horas da manhã.
– Ah não! — falei, totalmente manhosa – Deixa eu dormir só mais um pouquinho.
– De maneira nenhuma – começou a fazer cosquinha, ele sabia muito bem que aquele era o meu ponto fraco – Lembra que hoje é o dia que vamos para Atlanta? Começo a pensar que você não quer que eu conheço os seus pais.
– Tudo bem! — virei de frente e cruzei os braços – Você venceu.
– Ora, amor, eu pensei que você estivese ansiosa para conhecer os seus pais – lembrou.
– É claro que eu estou ansiosa – respondi – Mas, como eu já te disse, meu pai é muito ciumento em relação a mim e a minha irmã, não sei o que ele vai dizer ao te conhecer, Dimitri.
Eu já tive outros namorados na época da escola, todos amigos do meu irmão que queriam sair comigo, mas nada muito sério. Dimitri seria o primeiro cara que eu iria apresentar para a minha família.
Nós nos conhecemos na minha primeira semana em Los Angeles, decidi ir a uma boate juntamente com a minha colega de quarto e ele estava lá. Dançamos a noite toda e ficamos pela primeira vez, menos de duas semanas estávamos namorando, posso dizer que nunca estive tão feliz.
– Já que é assim, o nosso voo está marcado para as duas horas da tarde – lembrou – Vou preparar o café da manhã para nós dois enquanto você toma um banho, o que acha?
– É uma ótima ideia! — concordei antes de dar um selinho nele – Estou indo até lá.
Então eu me levantei e corri até o banheiro, passo mais tempo aqui do que no meu apartamento, por isso eu tenho sempre o meu shampoo, condicionador, hidratante, escova de dente e até algumas roupas. Tomei um longo banho e aproveitei para relaxar um pouco debaixo do chuveiro, água era algo que sempre me relaxava.
Já de volta ao quarto pude sentir um cheiro muito bom vindo da cozinha. O prato as panquecas já estava em cima da mesa e Dimitri estava encostado na pia com o meu telefone no ouvido.
– Espera, ela está bem aqui – disse, enquanto levantava o olhar na minha direção – Gwen, é a Rae.
– A Rae? — achei estranho, minha prima não costumava ligar, sempre que nos falávamos, era pela internet – Oi, Rae! — disse depois de pegar o aparelho.
– Prima!– ela gritou – Essa daí é o seu namorado? A voz dele é bem sexy, fico imaginando ele pessoalmente.
– Rae! — a reprimi – Mas não vou mentir para você, ele é bem gato mesmo – Dimitri ficou me encarando com o canto de olho.
– Hey! — reclamou – Espero que você esteja falando de mim.
– Claro, que sim, meu amor, é sempre sobre você – brinquei, tapando a boca do telefone para respondê-lo – Mas, Rae, eu também quero conhecer o seu novo namorado – lembrei, minha prima também estava namorando um cara da faculdade dela.
– Você vai conhecê-lo – garantiu – Quando é que vocês chegam aqui em Atlanta?
– Hoje a noite! — respondi – O nosso voo sai daqui há algumas horas, confesso que estou ansiosa para chegar logo em casa, ficar na faculdade é bom, mas eu sinto saudades da minha família. Você tem sorte quanto a isso.
Rae decidiu cursar a universidade da Georgia, apesar de estar morando no dormitório da faculdade, vai todos os finais de semana para casa. Meu pai queria que eu e Chad fizéssemos a mesma coisa, mas eu vim para a UCLA e meu irmão foi para a Brown.
– Não é tão bom assim, as vezes eu gostaria de ter mais privacidade, mas não posso – deu um longo suspiro – Mas mudando de assunto, fomos jantar na sua casa ontem e eu conheci a namorada do Chad, ela é uma fofa!
– O Chad já está ai? — estranhei – Pensei que ele fosse chegar hoje também.
– E ele ia, mas acabou adiantando o voo – explicou – Mas não vou te atrapalhar mais do que isso, você vai viajar hoje e se eu te conheço bem, ainda deve ter um monte de coisa para fazer.
– E você tem razão – revirei os olhos – Nós combinamos alguma coisa quando eu estiver ai.
Quando eu desliguei a ligação eu me sentei em frente ao meu namorado.
– Eu fiz panquecas e tem geleia de morango, calda de chocolate e mel, além do suco de laranja e do café com leite – foi apontando para cada coisa enquanto falava – É só você escolher.
– Parece tudo uma delícia! — disse.
Acabei comendo um pouco mais do que devia, uma panqueca com cada cobertura e ainda tomei uma caneca de café com leite. Por isso decidi ir a pé para o meu dormitório, já que ele não ficava muito longe.
– Finalmente você decidiu aparecer – minha colega de quarto estava de costas para mim, mexendo em alguma coisa na geladeira, mas provavelmente me ouviu chegando – Lembrou que mora aqui, foi isso?
Como eu passava maior parte do tempo com o Dimitri ela costumava ficar com nosso dormitório só para si. Não que achasse ruim, é claro.
– Bom dia para você também, Emma – disse – Na verdade eu só vim pegar a minha mala. Estou indo para a casa dos meus pais hoje.
– Ah sim! — lembrou – Divirta-se em Atlanta, eu vou passar o meu natal aqui estudando e vendo só especiais pela televisão.
Os pais da Emma são grande estrelas de cinema, por isso estão sempre ocupados durante o ano todo. Ela costumava passar o natal em casa sozinha com uma babá ou com a governanta da casa, mas esse ano decidiu que iria ficar aqui na faculdade.
– Eu disse que você podia vir conosco, meus pais adorariam te receber lá – já tinha dito isso várias vezes e ela rejeitou, então estava insistindo mais uma vez – Os natais lá em casa são muito animados e sempre cabe mais um.
– Não quero dar trabalho – explicou – Mas divirta-se.
– Certo – dei ombros, Emma era tão teimosa quanto eu, o que significa que não adiantava discutir com ela – Acho que a gente e vê em janeiro.
Eu já tinha deixado a minhas malas prontas somente para pegar hoje, além disso eu também troquei de roupa e logo Dimitri chegou com o táxi e interfonou dizendo que estava me esperando. O transito estava bom e chegamos ao aeroporto em vinte minutos, fizemos o Check-in, despachamos as nossas malas e ficamos esperando o nosso voo ser anunciado.
– Já estou me preparando para escutar o meu par reclamando por eu ter vindo em um voo normal – comentei, quando já estávamos dentro do avião – Ele passou uma semana tentando me convencer de vir no avião da família.
– Sério, ainda não me acostumei pela sua família ter um avião – disse – Acho que seria muito estranho viajar no avião no avião da sua família.
– Foi exatamente o que pensei – apesar de não parecer, Dimitri é muito simples, ele veio de uma família muito humilde da Rússia e veio fazer faculdade nos Estado Unidos graças a uma bolsa – E, acredite, minha mãe disse pensou a mesma coisa quando viajou com o meu pai pela primeira vez, mas hoje ela não tem problema nenhum.
– Me conte mais sobre os seus pais – pediu, colocando a mão sob a minha.
– Eu já te contei sobre os meus pais – dei de ombros – Meu pai é dono de uma editora famosa em Atlanta e minha mãe é escritora.
– Sim, quanto a isso eu sei – continuou – Mas eu quero saber mais coisas sobre os seus pais, como eles são em família e tudo mais.
– Não sei exatamente o que falar – respondi, depois de pensar um pouco – Você vai entender quando chegar lá em casa.
É claro que contei, nesses meses em que estamos juntos, várias coisas sobre a minha infância, como, por exemplo, o fato de eu e Chad termos sido criados sem a nossa mãe até os quatro anos de idade. A maioria das pessoas poderiam pensar que eu seria complexada, mas é totalmente ao contrário, até porque hoje em dia somos uma grande e feliz família.
– Seu pai sabe que eu estou indo junto com você? — a pergunta dele me pegou totalmente de surpresa.
– O que faz você pensar uma coisa dessas? — me virei na sua direção, franzindo a testa – Por que eu não falaria para os meus pais que você estava vindo comigo?
– Você mesma disse que seu pai é um pouco ciumento – lembrou – Além disso, eu já te vi falando sobre mim com a sua mãe e até mesmo com o seu irmão, mas nunca com o seu pai. Fico imaginando se ele sabe que você está namorando.
– Tudo bem, você venceu, a minha mãe sabe, mas meu pai não – dei um logo suspiro antes de responder – Ela ia contar, aos poucos, mas como você ia passar o natal conosco achou melhor ele ficar sabendo assim.
– Será que eu devo me preocupar? — sua expressão era séria – Não estou afim de ser assassinado pelo seu pai em plena férias de fim de ano.
– Relaxa, não vai acontecer nada você – não pude deixar de rir – Meu pai e ciumento, não violento.
– Senhores passageiros, dentro de instantes estaremos decolando com destino a Atlanta – a voz do piloto saiu pelo alto falante do avião.
O voo até Atlanta foi bem tranquilo, sem nenhum tipo de incidente. Quando pousamos no aeroporto já tinha escurecido.
– Por que você não vai procurar os seus pais enquanto eu pego as nossas malas? — Dimitri sugeriu para mim quando chegamos a área de desembarque – Encontro vocês em alguns minutos.
– Tudo bem – o beijei antes de caminhar em direção a área aonde as pessoas esperavam os amigos e parentes.
Não foi muito difícil achar meus pais e meus irmãos, eles estavam em um cantinho. Corri e abracei a minha mãe e depois o meu pai.
– Que saudades eu estava de vocês – disse depois de me afastar – É muito bom estar aqui.
– Estávamos com saudades de você também, meu bebê – minha mãe me deu um beijo no topo da cabeça, não importa quantos ano tivéssemos, ela não perdia a mania de nos chamar de bebê.
– Gwen! — minha irmãzinha esticou os braços na minha direção.
– Oi, Lin! — a segurei no colo e beijei o seu rosto – Estava com saudades de você, irmãzinha.
Como eu era a única menina da casa, vivia pedindo uma irmãzinha para os meus pais, mas eles diziam que não estavam planejando ter outro bebê e que estavam muito felizes tendo apenas eu, o Chad e o Alec, mas depois de uma viagem dos dois para Paris anunciaram que a nossa família iria aumentar. Quando Aline nasceu eu já tinha 12 anos e ajudei bastante com ela, hoje está com seis anos.
– E quanto a mim? — foi Alec quem perguntou.
– É claro que eu também senti sua falta, pirralho – baguncei o cabelo dele – O que você andou aprontando enquanto eu estive fora?
– Nada de mais – deu de ombros – Eu entrei no time de basquete da escola.
– E ele está namorando com a Lucy – foi a vez de Aline falar, ela estava com um sorriso malicioso nos lábios – Eu vi os dois se beijando na frente da escola no último dia de aula.
– A Lucy Mikaelson, filha da tia Car? — virei-me, novamente, para o meu irmão – Ah, até que vocês são fofos juntos.
– Nós não estamos namorando – cruzou os braços, emburrado – Somos apenas amigos, é isso.
– Eu aprovo esse namoro – meu pai disse – Só tome cuidado com o Gabriel, a Lucy não é filha dele, mas ele é tão ciumento como se fosse e ainda tem o Taylor que é um irmão caçula muito ciumento.
– Filha, aonde estão as suas malas? — minha mãe decidiu mudar de assunto já que o rosto de Alec estava totalmente vermelho – Não vai me dizer que você não trouxe nada de Los Angeles.
– É claro que eu trouxe – garanti – É que o …
Antes que eu pudesse terminar a minha frase, Dimitri apareceu, trazendo um carrinho com as nossas malas. Se aproximou de nós e me deu um selinho, já pude perceber o olhar do meu pai na nossa direção.
– Mãe! Pai! Quero que vocês conheçam meu namorado, Dimitri Belikov – comecei a fazer as apresentações – Dimitri, esses são meus pais e meus irmão mais novos: Alec e Aline. Tem também o Chad, mas ele não veio.
– O Chad preferiu ficar em casa, ainda está cansado por causa da viagem – foi minha mãe quem explicou – Mas você vai vê-lo daqui a pouco.
– É um prazer conhecê-los, senhor e senhora Salvatore – meu namorado respondeu — E vocês também, Alec e Aline.
– Namorado, você não me falou que tinha um namorado – foi a vez do meu pai comentar.
– Ora, Damon, não vai começar o ciúmes, não é mesmo – mamãe revirou os olhos – Você acabou de dizer que aprova o namoro do Alec e da Lucy, mas com a Gwen é diferente.
– Claro, é a minha garotinha! — lembrou – Ainda sinto falta da época que ela dizia que era o única cara da vida dela.
– Eu vou ser sempre a sua garotinha papai – intervi – Mas acontece que tem um outro cara na minha vida, o Dimitri.
– Eu nunca vou namorar, papai – Lin avisou – Você vai ser sempre o único cara da minha vida.
– É assim que eu gosto minha princesinha – ele não pode deixar de sorrir – Amanhã mesmo vamos começar a procurar um colégio feminino para você e deveria começar a pensar a possibilidade de virar freira.
– O que é uma freira? — minha irmã perguntou toda confusa.
– Algo que você não precisa ser se não quiser – minha mãe retirou a Lin do meu colo — Não deixa o bobo do seu pai de influenciar.
– Certo, acho melhor irmos embora logo – ele continuou – Tenho certeza que a Gwen não veio para a Atlanta para passar o tempo todo no aeroporto.
Se não fosse pela Lin tagarelando o tempo todo sobre as coisas que aconteceram na sua escola, o caminho teria feito todo em silêncio. Não pude deixar de suspirar aliviada, o ambiente estava ficando tenso.
Meus pais tinham vendido o apartamento em que morávamos um pouco antes da minha irmã nascer, então viemos para essa casa, que era bem maior e cabia toda a família. No começo eu, Chad e Alec estranhamos um pouco, mas era um lugar lindo e logo estávamos totalmente adaptados.
– Lar doce lar – dei um longo suspiro enquanto olhava para a casa, não tinha mudado nada desde que eu fui embora, é claro, só fazia seis meses – É bom estar de volta.
– Deve ter sido legal crescer aqui – Dimitri me abraçou pela cintura e apoiou o ombro no meu queixo.
– Não cresci exatamente aqui, já que nos mudamos para cá quando eu tinha 12 anos – expliquei – Mas foi legal morar aqui sim.
A primeira coisa que eu vi foi falar com o meu irmão e conheci a namorada dele, Rae tinha razão, ela era uma fofa. Depois do jantar eu disse que iria para o meu quarto pois a viagem foi muito cansativa e eu precisava dormir, apesar disso, fiquei mais de meia hora virando de um lado para o outro da cama.
– Gwen, será que dá para parar com isso? — Dimitri reclamou – Eu estou tentando dormir.
– Desculpa, Dimitri – passeia a mão pelo cabelo – Acho que eu acabei perdendo o sono. Vou lá embaixo tomar uma caneca de leite.
– Vai lá, então – virou-se na cama, ficando de costas para mim.
Desci as escadas com todo cuidado para não acordar ninguém. Quando cheguei a cozinha despejei o leite em uma caneca e coloquei no micro-ondas para esquentar.
– Gwen! — quando me virei encontrei meu pai apoiado no batente da porta – Você também perdeu o sono?
– Sim! — balancei a cabeça afirmativamente – Por que não se junta a mim no clube da insônia da família Salvatore.
Sorriu para mim enquanto se sentava em frente a mim em uma das cadeiras da mesa da cozinha.
– Você parece estar gostando desse tempo na faculdade, não é mesmo? — perguntou depois de alguns segundo em silêncio – Pelo menos você parece bem feliz.
– Sim, eu estou adorando – afirmei – Toda essa sensação de liberdade, é simplesmente incrível.
– Sei disso, senti a mesma coisa quando me mudei para Duke para fazer faculdade – sorriu – Acho que a faculdade é um momento importante na vida de qualquer jovem.
– Pode ter certeza – fiquei encarando a caneca na minha frente.
– Esse seu namorado parece ser bem legal – continuou – Ele esta cuidando direitinho de você?
– Sim, pai, ele está – revirei os olhos – Não precisa se preocupar com isso, Dimitri é um amor. Você vai gostar dele se se permitir conhecê-lo melhor.
– Você tem que entender, Gwen, você é minha filha mais e ainda me lembro do dia em que você nasceu e que eu te peguei no colo pela primeira vez – revirei os olhos enquanto ele falava, sempre me lembrava disso – É normal eu sentir ciúmes da minha garotinha.
– Sei disso pai, acredite, eu acho isso muito fofo – garanti – Mas você tem que entender que a sua garotinha crescer, que agora esta na faculdade e quer namorar, casar e construir uma família.
– Espera ai, uma coisa de cada vez – pediu – Sei que conheci sua mãe e ela teve você e o Chad quando ainda estava na faculdade, mesmo assim ela era mais velha do que você é agora.
– Tudo bem, não vou pensar em casamento até completar 21, tudo bem? — brinquei – Eu te amo, pai!
– Eu também te amo, Gwen! — deu um beijo na minha testa – Você e seus irmãos são as pessoas mais importantes da minha vida.
– Eu sei! — concordei antes de soltar um pequeno bocejo – Bom, acho melhor eu ir dormir, o sono está voltando.
– Boa noite, minha filha – disse – E eu prometo que vou tentar conhecer melhor o seu namorado amanhã.
– Faz isso mesmo – concordei – Prometo que você não vai se arrepender.
Quando cheguei ao meu quarto, dormi no momento em que fechei os olhos, acho que tudo que eu precisava era dessa conversa mesmo.
Fim
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