A Nova Princesa do Reino Voltare?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era uma manhã fria, me levantei lentamente para não fazer barulhos que acordassem meus irmãos que dormiam abraçados para esquentarem um e o outro. Tirei minha coberta e coloquei em cima deles, fui andando descalça até o armário velho da minha tataravó e tirei umas mantas que eu tinha, coloquei também sobre eles.
– Assim você irá sentir frio Emilly. — Ouvi uma voz feminina atrás de mim e percebi ser da minha mãe. — Você pode pegar uma gripe, venha vou fazer um pouco de chá.
– Obrigada. — Respondi me virando para ela enquanto meus olhos saíam de cima dos meus irmãos. — Mãe, esse frio... É estranho sendo que estamos no verão. — Comentei a seguindo até a cozinha, depois que eu ouvi seu suspiro ela se virou para mim me olhando nos olhos.
– É só mais um friozinho, irei costurar hoje roupas quentinhas para vocês, Ronald o padeiro, me deu alguns tecidos já que sua mulher faleceu e ela trabalhava com costuras. — Ela disse enquanto tentava sorrir, porém eu sabia que ela estava triste devido as mortes em Voltare estarem aumentando.
Percebi as rugas nos cantos dos seus olhos verdes — enquanto eles perdiam a esperança -, seus cabelos que antes eram um castanho-mel ondulado se transformou em uma cor mista com o branco. — Mãe, vai ficar tudo bem. — Cheguei perto dela e coloquei a mão em seu rosto o levantando para tentar lhe passar segurança. — Vai ficar tudo bem. — Abraçei-a e senti pingos de lágrimas em meu pescoço descoberto pela blusa de manga.
– Está tudo desmoronando, mesmo eu tentando fazer de tudo para conseguir dar o melhor para vocês três eu não consigo, desde que seu pai morreu... — Ela disse agarrando meus ombros enquanto falava com desespero.
– Calma, se passaram 21 anos.. Sei que ele morreu depois de eu nascer, porém mesmo que eu e meus irmãos não o conhecemos ele ainda está conosco, ta bem? — Falei sorrindo e levando minhas mãos a sua e as apertei.
Depois disso ela apenas acenou e mandou eu acordar meus irmãos, eu sem querer pisei em uma madeira quebrada e reclamei mentalmente sobre a casa — é só imaginar uma casa normal com dois quartos e uma cozinha, sala e banheiro, e não, não somos tão pobres -, ela é bem quente apesar do meu quarto ter uma janela quebrada depois dos meus irmãos atacarem uma bolinha de barro.
– Ei, acordem tem sopa hoje. — Falei enquanto me dirigia para o meio dos dois e cochichava em suas orelhas. — Uma sopa quentinha está esperando na cozinha. — Sussurrei um pouco mais alto.
– O que? Sopa? — Pedro saiu correndo para fora do quarto enquanto Lucas resmungava.
– Sopa? O que é sop.. Sopa? — Ele se levantou me dando um susto enquanto saía igual um desesperado a procura da porta e bateu com o rosto na barra.
– O que eu fiz? Meu Deus.. — Comentei já sentindo falta de ar de tanto rir enquanto arrumava a cama debaixo deles, era uma beliche, se a parte de cima que eu durmo quebrasse eu não ficaria surpresa. Quando terminei fui e tomei uma ducha rápida, coloquei um vestido velho e segui para a cozinha que se aproximava com aquele cheirinho bom de sopa.
– Humm, de quem eu vou roubar um pouco de sopa? — Sentei em uma cadeira que ficava entre meus irmãos, fui olhando para um prato e outro enquanto minha mãe ria e colocava um prato e talher na minha frente. Peguei meu garfo e roubei uma batata doce de cada um deles. — Vitória!
– Ah Emilly, não vale! — Pedro e Lucas gritaram juntos. — Devolve!
– Espera. — Peguei o garfo e dei minhas carnes para eles. — Pronto, satisfeitos?
– Não precisava, você vai sentir fome. — Pedro comentou se sentindo mal.
– Verdade, você vai ficar desnutrida irmã. — Lucas falou enquanto tomava o caldo da sopa com a colher.
– Podem ficar, eu não estou com muita fome mesmo. E se vocês me pertubarem eu vou pegar tudo do prato de vocês. — Apontei o garfo para cada um dos dois enquanto fingia ameaçá-los.
Ficamos rindo até um instante minha mãe que estava costurando na sua cadeira de balanço cantarolando, ela tinha uma voz linda e eu consegui pegar esse dom dela. Sempre fazia os meninos dormir quando cantava, cheguei a ficar rouca um dia.
– Mamãe, você está parecendo uma velha nessa cadeira sendo que só tem 40 anos. — Lucas respondeu enquanto colocava o prato dentro da pia.
– E você tem parece que tem 7 anos para um menino que tem 10. — Pedro riu com essa resposta. — Você também Pedro, esqueceu que são gêmeos? — Mamãe comentou dando gargalhada, não sabia o motivo da felicidade mas gostei. Sim, os garotos eram gêmeos mas os cabelos eram de cores diferentes — Pedro era loiro e pálido igual a mim apesar de ter algumas sardas no pescoço, já no meu caso era no rosto. Lucas é moreno e pelo o que minha mãe disse, ele tem a mesma cor de pele do nosso pai, o pior é que eu fui a sortuda e caí nos olhos azuis do Pai e eles nos olhos verdes da nossa Mãe.
Tentei não rir até Pedro vim e pegar meu prato para colocar na pia para lavar.
– Obrigada... Loirinho. — Comentei rindo de seu rosto que ficou vermelho.
– De nada, albina. — Ele disse enquanto apontava para mim.
– Haha, engraçadinho, todos nós aqui somos pálidos. — Por um breve instante me dei conta que errei. — Na verdade, Lucas é o único não-pálido daqui.
– Obrigada. — Ele disse olhando uma foto embaçada que tinha na janela em frente a pia, era nosso pai, porém estava em preto e branco.. Não dava para ver muitos detalhes.
Minha mãe parou de costurar e do nada começou a catar as roupas dentro de um armário da sala — era onde ela guardava roupas especiais -. Chegou com uma sacola grande na mão e botou no chão em cima do carpete.
– Peguem uma roupa daqui, pode não ser muito boa, mas todas estão em perfeitos estados. A Família Real convocou uma reunião na praça com todos, e quero vocês bem arrumados. — Ela disse enquanto apontava para o banheiro e os meninos entenderam o recado.
Quando eles se retiraram eu perguntei a ela o porquê e como sabia.
– Eu não sei o motivo, mas Fabiana da loja de frutas me avisou... Parece que o recado se espalhou e se não me engano... — Ela parou e olhou o relógio. — É daqui uma hora.
– Hum, estranho. Irei me arrumar, já tomei um banho antes. — Peguei a sacola e fui para o meu quarto, meus irmãos com certeza demorarão no banho, então não vou me preocupar..
Fui procurando os vestidos que tinham, um me chamou atenção, era branco até acima dos joelhos, continha um espartilho bege que parecia mais um cinto, só que grande. Decidi me vestir, e percebi que ficou ótimo, fui mexer na sacola e percebi que tinha uma bota bege e com o símbolo do palácio — um leão com uma espada na boca -. Coloquei e ficou ótimo, não sei como era possível, porém acho que era da minha mãe quando ela era jovem. Peguei uma presilha de flores e prendi a parte de cima do meu cabelo com ela, fiz alguns cachos apesar de eu já ter bastante nas pontas..
Fiquei me apreciando no espelho e percebi que não estava tão mal, passei a mão por cima das minha sardas que fazia uma trilha de uma bochecha para a outra, depois segui para o canto dos meus olhos e percebi que eles pareciam um lago congelado de tão claro. Coloquei meus dedos na minha boca de tão rosa claro que era, puxei meu cabelo para a frente do ombo e percebi que a última vez que o cortei foi quando eu tinha uns 7 anos, eles já estavam acima da cintura com seus grandes cachos cor de mel caindo, os joguei para trás de novo e fui para a cozinha.
– Mãe? — A vi fazendo um coque de tranças no espelho enquanto colocava uma borboleta dourada para prender, seu vestido era azul claro e ia até os pés. — Você está linda.
– Você... Está maravilhosa, a última vez que o usei foi na sua idade e quando conheci seu pai no campo. — Ela riu e veio até mim me dando um abraço. Logo em seguida vi os meninos virem correndo até mim e ficarem na minha frente.
– Como estamos? — Pedro e Lucas falaram animados enquanto levantavam o braço para eu poder analisar.
– Estão lindos, vão arrasar. — Eles estavam iguais, os ternos idênticos porém havia uma rosa vermelha no bolso do paletó de Pedro, e uma branca no de Lucas. — Onde conseguiu eles mãe?
– Uma empregada do palácio me entregou, não sei o motivo, mas pelo menos valeu a pena. — Ela disse rindo. — Vamos?
Nós saímos da casa e fomos em rumo a praça, a família real já estava lá observando todos chegarem, nos aproximamos e percebi a Rainha Catarine e o Rei Clark, olhei para um homem entre eles e vi seus par de olhos cinzas me encarar.
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