A Nova Guardiã

12 Sinceras Lágrimas


Notas iniciais
Esse capítulo está simplesmente indescritível! Triste, emocionante, sincero... Enfim, leia-o e descreva-o da forma que você achar melhor :-).

O Breu parecia estar ficando cada vez mais forte. As luzes do globo terrestre estavam se apagando à medida que os dias se passavam. Se o natal fosse arruinado por ele, com certeza os guardiões estariam ferrados. Nenhuma criança no mundo seria capaz de acreditar em nós depois que percebessem que não receberam nenhuma lembrancinha sequer no natal. Isso com certeza deixaria o Papai Noel arrasado.

Aquele parecia o pior problemão que alguém poderia ter. Mas eu, incrivelmente, era capaz de ter um problema ainda pior: O Breu e a sua paixão por mim. Cara, porque ele tinha que se apaixonar justamente por mim? Seria tudo isso apenas inveja do Jack Frost ou saudades da sua namorada que já está morta? Ou será que ele realmente me amava? Mas será que pessoas como ele são mesmo capazes de amar? Pelo visto sim. Contudo, não da forma que as pessoas normais estão acostumadas a amar. Ele me amava de maneira doentia e possessiva, como um verdadeiro psicopata em potencial. Eu acho que me conquistar não era uma questão de amor para ele e sim de orgulho. Ele não suportava perder, ainda mais para o Jack Frost, o seu maior rival em todos os aspectos.

Mas afinal, por que esses malditos seres como o Breu são dignos da existência? Por que os meus pais morreram tão cedo e o Breu existe há eras e eras? Eu não aguento mais esse mundo cheio de injustiças. Eu, como a fada do fogo, deveria fazer algo mais do que produzir estúpidas bolas de fogo. Eu queria combater as injustiças, como aquela que aconteceu quando eu tinha apenas quatro anos. Ser uma advogada, talvez? É, isso seria legal, se eu ainda fosse uma humana, obviamente. Então como fazer justiça? Eu gostaria de vingar a morte dos meus pais, mas como? Eu queria acabar com o Breu, mas de que modo? Só se fosse arruinando o plano maligno dele, porém não tinha jeito, já que eu mal sabia o que ele planejava. Que droga!

_Pensando consigo mesma, Bebetinha? – perguntou o Jack Frost – Ficar esquentando a cabeça demais faz mal... Você já é esquentada por causa do seu poder e quer se esquentar ainda mais? Desse jeito você vai acabar explodindo... Falando nisso... O que será que acontece se eu despejar um pouco de gasolina em você? Será que você explode? Isso ia ser muito louco, você sabia?

_Ah, você e as suas piadinhas... – disse, com raiva, sem nem olhar na cara dele.

_Nossa! Caramba, hoje você está tão azeda! Não vai me dizer que você andou aprendendo com o Coelhão!

_Cara, larga do meu pé!

_O que houve, hein?

_Ah, perdoe-me pelo meu mau humor insuportável. Hoje eu não estou para ninguém!

_Ahá! Essa é simples! Você está de TPM!

_Ah, vai tomar no seu...

_Ei, não termina essa frase! – disse ele, rindo como sempre.

_Muito bem, perdoe-me mais uma vez. Hoje eu estou uma pilha de nervos... Sabe, às vezes essa vida como guardiã estressa um pouco. Diz aí, o que você faz para se divertir quando o mundo inteiro está conspirando contra você?

_Hum, você está perguntando para a pessoa certa, afinal eu sou um verdadeiro perito em diversão!

_Você tem que ser mesmo muito bom para me alegrar num momento desses!

_Sempre quando eu estou esquentado, tipo assim, não querendo ver ninguém e super mal humorado do jeitinho que você está agora, a melhor forma de esfriar a cabeça é viajar!

_Viajar? Como assim?

_Vamos voar pelo mundo! Veja só: Você tem asas e eu sei flutuar no ar! Nós podemos ir para qualquer lugar, seja Tóquio, México ou Rio de Janeiro!

_Eu gosto é de Nova Iorque! A cidade onde eu morei por anos e anos, até que eu me enfiei nessa vida sem noção de ser guardiã...

_Hum, então o que você acha de visitar essa bela cidade?

Eu cheguei bem perto dele e disse:

_Essa é uma ótima ideia! Você sabe mesmo o que é diversão!

_E eu já te decepcionei alguma vez, minha capetinha?

Eu fiz uma careta e depois ri. Ele era mesmo incrível.

Nós então voamos de mãos dadas até a minha cidade natal. E de novo nós reclamamos da temperatura da mão de cada um:

_Por que você tem a mão tão gelada assim? – perguntei.

_Dã! Eu sou o Jack Frost, o menino da neve, sua boba! E eu posso saber por que a sua mão é tão quente assim?

_Dã! Eu sou a Roberta Franco, a fada do fogo, seu besta!

Assim, nós rimos como duas crianças tolas e inocentes.

Chegando a Nova Iorque, fiquei muito feliz ao ver aquela bela cidade. Eu então me lembrei de todos os momentos bons que eu passei lá, ao lado dos meus avós. Que lugar maravilhoso!

_E se alguém nos vir? – perguntei.

_Os adultos não podem nos ver. Só algumas crianças... E se elas nos virem, não haverá qualquer problema, afinal nenhum adulto vai acreditar nelas mesmo...

_Ufa, então eu acho que nós estamos seguros!

_É isso aí! Hora de esquecer os nossos problemas! Vamos nos divertir!

E viajamos por todos os quatro cantos de uma das melhores cidades do mundo. Porém, algo veio à minha mente: E os meus avós? Como eles estariam? Eu precisava vê-los!

_Jack Frost... Eu... Eu gostaria de ver os meus avós! – comentei.

_Você tem certeza disso? Isso pode te fazer mal!

_Não, eu sou forte o bastante para isso! Eu preciso ver se eles estão bem!

_Ok, eu te entendo... Eu vou com você!

Então nós fomos em direção à minha antiga casa. Eu entrei e vi o meu avô, todo cabisbaixo. A árvore de natal não estava montada. Que estranho, afinal ele sempre montava a árvore de natal em novembro, bem antes do natal, pois ele adorava essa data festiva. De repente, ele disse algumas palavras:

_Roberta... Onde você está? Sinceramente, esse ano eu nem quis montar a minha árvore de natal, porque sem você o natal simplesmente não existe!

_Eu... Eu estou aqui... – falei.

Mas ele não conseguia me ver. Que droga, eu tinha me esquecido de que eu já não era mais uma humana. Apesar de ainda não ser uma guardiã oficialmente, eu já havia me tornado um ser fantástico. Eu não era mais uma pessoa comum.

O meu avô simplesmente não parava de chorar. E continuou falando, entre uma lágrima e outra:

_Por que você teve que sumir, minha Roberta? Agora eu estou sozinho nesse mundo, já que, depois que você se foi, a minha esposa não aguentou e partiu também ao seu lado! Ela morreu... Ela morreu de tristeza... Por que, Roberta, por quê?

Naquele momento o meu coração quase parou. A minha avó estava morta. Ela morreu por minha causa! Só havia restado o meu avô que já estava tão velhinho... Em pouco tempo ele também partiria... E eu nem teria a chance de dizer adeus... Não, não... Eu comecei a chorar. A chorar como aquela criança de quatro anos que perdeu os seus pais. A chorar ardentemente, de um jeito que eu nunca havia chorado antes.

_Desculpa! Desculpa... Eu... Eu não queria partir... Eu não queria... – Eu falava insistentemente, como se por um segundo, ao menos, o meu avô pudesse me ouvir... Mas ele não me ouvia, por mais que eu tentasse falar com ele. Os meus esforços não valiam nada, porque quando eu tentava abraça-lo ou segurar a sua mão, ele me atravessava, como se eu fosse apenas um fantasma.

_Roberta – disse o Jack Frost – Eu sinto muito mesmo pela morte da sua avó e pela tristeza do seu avô, mas você sabe que a culpa não é sua! O Homem da Lua escolheu esse destino para você! Não se condene, por favor!

_Então ele é o culpado por todo o meu sofrimento? – falei – Pois eu quero que esse Homem da Lua deixe de ser sádico desse jeito! Ele me separou das pessoas que eu mais amava para me colocar em uma batalha sem qualquer nexo! Eu não queria ser uma guardiã! Eu nunca quis isso na minha vida! Então por que ele me meteu nessa? Por quê?

_Porque você é a escolhida, Roberta! – disse o Jack Frost – Ele te julgou forte o bastante para cumprir esta missão! Se esse problema fosse pesado demais para que você pudesse carregar, o Homem da Lua teria escolhido outra pessoa! Mas não! Ele escolheu você! Porque você é especial! Isso está no seu cerne!

_Eu já cansei de te ouvir falando em cerne. Sabe, eu acho que eu não tenho um cerne...

_Mas é claro que você tem! Todos nós temos, Roberta! Mas olha... Essa história de ver os seus avós já te fez mal demais por hoje. Vamos embora... Você precisa descansar um pouco para digerir essa história!

_É... Você tem razão... Eu não posso ficar aqui, divagando.

Nós então voamos para o Polo Norte, onde continuamos a nossa conversa:

_Essa história de ser a nova guardiã já era o meu destino desde que eu nasci. E eu... Eu não posso desistir agora, certo? – falei.

_Ah, agora sim apareceu a Roberta que eu conheço!

_É, mais ou menos... É que às vezes nós precisamos ser corajosos, senão nada dá certo em nossas vidas. Mas em situações como a minha, é difícil ser corajosa... – disse, chorando um pouco.

_Isso é verdade, porém, você é uma pessoa forte e por isso não vai se deixar abater. Eu te admiro muito pela sua coragem. Eu nunca conheci uma garota tão batalhadora, com tanta garra, quanto você! E você sabe muito bem que a força e a coragem são os alicerces de todo vencedor! Ou no seu caso... De toda vencedora... – falou, enquanto limpava as minhas lágrimas.

_Obrigada... – disse, abraçando-o bem forte.

Ele retribuiu o abraço. Nós ficamos abraçados por longos minutos, enquanto eu chorava mais um pouco, contudo, dessa vez não de tristeza, mas de emoção, por ter uma pessoa tão leal quanto o Jack Frost com quem contar. Ele era realmente um ser extraordinário.

E eu sentia que, ao lado dele, eu também era extraordinária.

Nós éramos seres extraordinários.

Notas finais
Isso dá vontade de chorar, certo? Melancólico demais, ou eu acertei na medida? Comentem e recomendem, por favor XD.