A Nova Guardiã

13 Rompendo as Barreiras


Notas iniciais
Olá, gente! Eu acho que esse capítulo ficou muito bom :-) Leiam por favor ^.^

Eu estava triste, mas procurava pensar que onde a minha avó estivesse, ela estaria muito orgulhosa de mim. O Jack Frost foi fazer nevar na Inglaterra e todos os outros guardiões estavam ocupados com os seus inadiáveis afazeres. Eu estava sozinha, deitada num monte de neve, olhando para a lua, enquanto esfriava um pouco a minha cabeça. Eu desejava com todas as minhas forças que eu pudesse ver a minha avó ao menos mais uma vez. Apesar das rugas que apareceram devido ao tempo bem vivido, a minha avó tinha o rosto lindo. Com certeza quando ela era mais jovem, devia ser muito linda. Tão linda quanto a minha mãe. Eu, então, lembrei-me de quando a minha mãe tocava violino para mim. Ela sabia tocar violino como ninguém e dizia que aprendeu com a minha avó. Sempre quando eu ouvia as belas melodias que a minha mãe compunha ao lado do seu inseparável violino, eu perguntava se um dia também poderia tocar. Ela, então, dizia que quando eu ficasse mais velha, aprenderia tudo com ela.

_Então, mãe... Eu nunca aprendi a tocar violino... – disse, enquanto suspirava – Se não fosse o Breu, você teria me ensinado... Pois é, eu nem acredito que eu me lembro das suas melodias... Isso já faz muito tempo... Mas, para mim, é como se tudo isso tivesse acontecido ontem... Eu acho que eu não te esqueço, porque, simplesmente... Existem lembranças que o tempo não apaga... E laços que não podem ser rompidos...

Eu acho que eu nunca me esqueceria do rosto da minha mãe, porque a minha avó era realmente muito parecida com ela. Ah, a minha avó. Como ela era alegre... Tinha uma vitrola e adorava ouvir os seus disquinhos de vinil, toda sexta a feira à noite, enquanto dançava, ainda que um pouco desengonçada. Eu ria dela, mas a alegria dela era tão contagiante que eu acabava entrando na dança... Aquele sorriso dela se enveredava pela casa toda, sempre nos lembrando de que quando a esperança se faz presente, a tristeza sempre desaparece. Por que ela teve que ir embora? Eu sempre pensava que com aquela energia toda ela viveria mais de cem anos, quem sabe... Será que era eu que a deixava sorridente daquele jeito? E quando eu parti, ela se sentiu vazia? Oh, vovó, não se preocupe, eu estou bem e sinto que estou no caminho certo, por favor, volte a sorrir, não fique triste jamais, pois você ainda terá muito orgulho de mim, sim, você pode ter certeza disso!

_Mas... – falei, enquanto chorava um pouco – Eu queria ver-te sorrindo novamente, vovó, só mais uma vez!

De repente eu percebi uma imagem se formando lá no céu, em meio à lua. No início eu via apenas um borrão e percebia que ele estava perdendo a altitude e se aproximando lentamente de mim. Quando o borrão tocou o chão, um clarão invadiu os meus olhos. Quando eu pude abrir os olhos, vi um... Um espírito! Eu tinha que admitir que estava com muito medo. E o espírito se aproximava lentamente de mim, deixando-me um pouco assustada, mas eu sentia que não podia recuar.

Quando eu me dei conta, aquele não era um espírito qualquer. Vovó! Aquela era ela mesma!

_Neta, você... Você está linda! – Aquela foi a única coisa que ela conseguiu dizer antes de me abraçar e chorar assim como um bebê.

Ela também estava linda. De vestido longo e branco, sem qualquer máscara ou maquiagem. Ela continuava a mesma de sempre, com aquele sorriso que todo o mundo conhecia...

_Como você conseguiu aparecer, vovó? – falei.

_Você agora é uma guardiã... E os guardiões e os espíritos possuem a mesma essência, portanto, em casos especiais como esse, há como ambos se verem... A Lua me contou sobre o seu paradeiro e sobre como você estava... Ele explicou que você havia se tornado a fada do fogo e que você havia descoberto que eu estava morta... Percebendo que você estava muito abalada pela minha morte, eu pedi permissão à Lua para aparecer para você. Ela concedeu. E aqui estou eu. Mas eu não vim aqui só para te ver... Você e eu temos algo a cumprir! O seu avô está muito triste e nós precisamos avisar a ele que as coisas estão bem!

_Mas como, vovó, se ele não nos vê? O que fazer?

_Você já ouviu falar que a fé move montanhas, Roberta?

_Sim, você sempre me falou isso, afinal essa é a sua frase favorita, certo?

_Certo! Pelo jeito você não se esqueceu de mim, querida!

_E há como se esquecer de você, vovó?

_É, eu também nunca te esqueci, jamais! Mas, voltando ao assunto principal... A Lua me contou que ele pode nos ver, basta que nós nos esforcemos um pouquinho! Nós temos que dar um bom motivo para que ele acredite em nós, você entende isso?

_Sim! Esse é o mesmo esquema de um guardião que tenta fazer com que uma criança acredite nele!

_Isso é verdade, mas... Para que um adulto acredite, é bem mais difícil, pois as crianças são conquistadas com maior facilidade, já os adultos precisam de demonstrações muito profundas para acreditar em algo como guardiões ou espíritos.

_Mesmo assim! Ele é o meu avô e o seu marido! Com certeza ele não se negará a nos enxergar, já que ele nos ama e no fundo sabe que nós existimos, mesmo que eu tenha desaparecido e que você tenha morrido! Ele, mesmo estando corrompido por toda aquela tristeza, ainda sente que nós estamos presentes, então chegou a hora de mostrar a ele que nós estaremos ao seu lado, independente do que aconteça!

_Parabéns, Roberta, você sempre fala tão bonito...

_Eu aprendi com você... Muito bem, próxima parada...

_Nova Iorque! – gritamos, em coro.

E fomos voando para lá. Sim, a minha avó, como um espírito, também sabia voar. Nós chegamos rapidamente à minha antiga casa. E lá estava o meu avô, ainda mais cabisbaixo do que antes...

_Roberta... Então, neta... Onde você está? – perguntou ele.

A minha avó pediu que eu tentasse algo.

_Mas o quê eu devo fazer? – indaguei.

_O que o seu coração mandar! – respondeu ela.

Eu, então, escrevi no ar, algumas palavras feitas de fogo, que juntas formaram a frase:

“Vovô, eu estou bem”.

Ele se assustou:

_Roberta, você está aqui?

Vendo que os resultados estavam aparecendo, continuei escrevendo mais algumas palavras de fogo, formando as seguintes frases:

“Sim, eu estou aqui. E a vovó também está. Se você acreditar que nós estamos aqui, você nos verá”.

_Roberta – respondeu ele – Você sabe que eu sempre tive fé, não em preceitos religiosos, mas na vida, nas pessoas... Se você diz que está aqui, ao lado da sua avó, eu acredito em você! Eu juro que eu acredito em tudo o que você está escrevendo, porque essa grafia é a sua! Eu reconheceria a sua grafia em qualquer lugar! Você está aqui!

Eu fiquei tão emocionada com o que ele disse que toquei a mão dele. Mas, dessa vez, eu não o atravessei. Ele me viu e ficou um pouco assustado:

_Roberta! Você está... Diferente! Você é uma fada?

_Sim... Eu fui convocada como a nova guardiã da infância. Eu sou a fada do fogo, você entende?

_Eu entendo sim, minha neta! Você agora faz parte de outro plano e eu me sinto abençoado por te ver!

_A sua esposa também está aqui – falei, mostrando a minha avó.

_Oh, você continua linda! – disse ele.

_Você também! – respondeu ela, sorrindo.

Nós três, então, nos envolvemos num grande abraço coletivo, enquanto chorávamos abundantemente.

_Eu amo todos vocês – falei – Eu nunca vou esquecer o que vocês fizeram por mim, não importa onde eu estiver!

_Nós também nunca te esqueceremos, Roberta! – disseram os meus avós.

Nós conversamos por um bom tempo, enquanto sorríamos, chorávamos e nos expressávamos da maneira que nos era possível. Porém, eu percebi que deveria ir, pois já estava muito tarde mesmo.

_É... Agora, eu tenho que ir... Os outros guardiões já devem estar preocupados – falei, enquanto cruzava a janela.

_Eu também tenho que ir – disse a minha avó – Os espíritos não podem ficar muito tempo no mundo dos vivos...

_Mas já? – perguntou o meu avô – E se a gente não puder se ver nunca mais?

_Não se preocupe! – falei – Nós sempre estaremos no seu coração!

_E quando você sentir saudade de nós... Lembre-se sempre de que nós estaremos ao seu lado o tempo todo, mesmo que nós estejamos distantes! – completou a minha avó, sorridente.

_Obrigado... Agora eu vou fazer algo que eu nunca pensei que faria esse ano...

_O quê, vovô? – perguntei.

_Eu vou montar a minha árvore de natal!

_É assim que se fala! Feliz natal! – falei, indo em direção à saída, de mãos dadas com a minha avó.

_Pra você também! – respondeu ele, enquanto acenava para nós. Nós acenamos de volta e fomos embora, emocionadas.

Sentamo-nos no meio fio de uma das calçadas de Nova Iorque, sorrindo. A minha avó disse que teria que ir. Eu me despedi dela, enquanto a abraçava. Ela, então, seguiu o seu caminho, voando em direção à lua, até desaparecer completamente naquele belo céu.

Assim, eu fiquei olhando fixamente para a lua, agradecendo ao Homem da Lua por ter me dado a oportunidade de conversar com os meus avós novamente. Aquilo foi simplesmente uma graça divina. De repente, um floco de neve caiu no meu nariz. Eu olhei para cima e vi o meu Jack Frost, todo alegre, descendo dos céus para me cumprimentar, enquanto sorria:

_Eu vi tudo isso o que se passou agora, Roberta! A Lua me contou que você estaria aqui, ao lado da sua avó, para que pudessem falar com o seu avô e acalmá-lo daquele imenso sofrimento. Eu, então, fiquei próximo à janela, escutando o ocorrido, para ver como vocês se sairiam. Eu resolvi não me intrometer, afinal esse momento era de vocês, não meu. E você foi simplesmente brilhante! Você conseguiu romper a barreira entre um guardião e uma pessoa comum, como ninguém! Aparecer para as crianças é bem mais simples, mas para os adultos, isso é, digamos, praticamente impossível! Você conseguiu fazer algo que quase ninguém conseguiu fazer até hoje. Um adulto te viu!

_É, talvez eu seja mesmo especial... Ou então isso tudo não passou de uma bela obra do acaso...

_Eu não acredito nessa história de obra do acaso, sabe? Tudo isso foi obra sua! Você conseguiu! É isso aí, você é mesmo alguém especial, muito especial mesmo!

_Não, eu não sou nem um pouquinho especial... Eu sou apenas uma guardiã normal, assim como você, o Papai Noel, o Coelhão, o Sandman, a Fada do Dente...

_Tudo bem, mas... – disse, enquanto fazia carinho nos meus cabelos – Você é muito especial, ao menos para mim, e eu digo que é isso o que realmente importa...

_Eu não sou especial... Você que é...

Ele então me abraçou bem forte e disse:

_Eu estou muito feliz ao ver que você acertou as contas com o seu passado, pois, só assim você terá a oportunidade de dar continuidade ao seu futuro, sem sentir a mínima culpa.

_Você sempre fala tão bonito, sabe? – comentei, enquanto correspondia ao abraço que ele me dava.

_Eu aprendi com você!

E rimos assim como duas criancinhas inocentes...

Notas finais
O reencontro ficou emocionante? Digam nos comentários ^.^ Ah, e é claro: Recomendem a história, por favor :-D