A Nova Guardiã
19 Pura Loucura
Notas iniciais
Hoje eu estava super preocupada... O natal já se aproximava e também a noite em que nós viajaríamos o mundo inteiro atrás das crianças que esperavam ansiosamente por um presente de natal – ou nesse caso, por uma visitinha de natal. É óbvio que eu estava muito apreensiva, mas estava tentando manter a calma e espantar todo e qualquer pensamento negativo, afinal os pensamentos negativos atrapalham e fazem com que qualquer um fique com medo de avançar, o que jamais pode tomar conta de alguém.
De repente o Jack Frost apareceu e disse:
_Olá, Roberta! Eu... Eu queria te dar um presentinho de natal...
_Mas o natal ainda não chegou, Jack Frost!
_Ah... Digamos que esse presente seja... Hum... Bom... Adiantado!
E me mostrou um belo embrulho laranja metalizado com um lacinho branco brilhante. Eu sorri, feliz com a surpresa e peguei o embrulho:
_Hum, o que será, hein? – perguntei, curiosa.
_Só abrindo para descobrir! Eu que não vou estragar a surpresa!
Eu, então, puxei o belo lacinho branco, abrindo assim aquele lindo embrulho, revelando o mais belo dos anéis que eu já havia visto! Ele tinha dois aros brancos com uma pedra azul no meio, rodeada de várias pedrinhas vermelhas.
_Nossa, mas que lindo! Oh, espera um pouco! Onde você conseguiu isso?
_Calma, eu não roubei nada, está bem, Roberta? É que eu conheço um espírito que fabrica joias e é um grande amigo meu! O nome dele é Robin. E como eu sou muito amigo dele, o Robin resolveu me dar essa bela joia. Bastava que eu decorasse o lar dele com algumas flores de gelo, já que ele adorava o que eu fazia. Assim, após essa troca justa, eu consegui esse lindo anel. Os dois aros são feitos de ouro branco, a pedra maior é um lápis lazuli, uma pedra que eu acho muito bonita. E, por fim, as pedrinhas menores são pequenos rubis. Sabe, esse anel tem um grande significado para mim, porque a pedra azul representa o gelo e as pedras vermelhas representam o fogo, ou seja, nós sempre estaremos unidos, assim como essas pedras que estão juntinhas e nunca se separarão!
_Esse significado é lindo! – falei, colocando o anel no dedo médio — Eu nem acredito que você está me dando algo tão incrível assim... Eu adorei! Mas... Eu ainda não te dei nada... E eu nem sei o que eu posso te dar... Contudo, eu prometo que até o natal eu te dou algo, eu prometo mesmo!
_Não precisa, Roberta... Eu já fico feliz pelo simples fato de você estar aqui comigo...
_Ah não... Mas seria muito injusto você me dar algo tão lindo e eu não te dar nada...
_Tudo bem, se você quiser me dar algo, eu aceito de muito bom grado, mas não precisa me dar nada muito excepcional... Eu me contento com as coisas simples...
_É, eu sei... Você nunca foi de gostar de coisas muito luxuosas, certo?
_Isso é verdade... Eu gosto é de neve!
_É, isso é óbvio, senão você não seria o Jack Frost, bestão!
_Ah, está bem, o que eu falei foi mesmo muito óbvio...
_Óbvio até demais! – falei, rindo.
_Ah, também não precisa me zoar! – disse, jogando uma bola de neve na minha cara.
_Ei! Por que você fez isso? – indaguei.
_Ora essa, eu disse que eu gosto de neve, Roberta!
_Hum, pois você gosta é de importunar, seu garotinho levado! – falei, dando uma risada idiota.
_Ah, é? E o seu garotinho levado não merece um beijo depois do anel que ele te deu?
_Hum, eu acho que não... – falei, em tom de brincadeira, para provocá-lo.
_Ah não, comigo não tem essa, senhorita!
E em uma fração de segundo ele me agarrou assim como um louco e me beijou profundamente. Eu adorava os beijos dele, pois eles sempre me faziam viajar sem tirar os pés do lugar. Eu simplesmente pensava que aqueles beijos gelados me envolviam de uma forma que realmente não havia como explicar. Quem sabe fosse possível resumir aquele beijo que ele havia acabado de me dar em apenas duas palavras: Pura loucura.
_Eu só queria saber... Onde você aprendeu a beijar desse jeito? – perguntei.
_Ciúmes? – disse ele, fazendo uma careta.
_Seu convencido! – falei, em tom de brincadeira.
_Ah, eu aprendi a beijar desse jeito porque eu andei praticando com muitas outras garotas por aí! É que eu sempre pego todas, Roberta!
_O quê?
_Mentira, linda! Na verdade, quando eu ainda era um ser humano normal, eu era o famoso “pega ninguém” porque eu achava as garotas chatas! Eu era meio infantil, você entende? Eu gostava de pregar peças nas meninas, bagunçar os materiais escolares delas, enfim, zoar com a cara delas... É que eu achava as garotas nojentas! Elas só pensavam em moda, em maquiagem... E elas eram tão fúteis que eu resolvia sacanear as pobres coitadas! Porém, hoje em dia, eu estou um pouco mais maduro e por isso eu vejo que nem todas as garotas são assim! Você é diferente! Bom, é claro que eu já tive uns lances com outras garotas, mas com você, a coisa é mais séria e não apenas uma diversão!
_Hum, ainda bem... Eu odeio homem galinha que cada hora está com uma!
_Ah, você pode ficar tranquila, porque eu nunca fui disso...
_E eu fico feliz por isso, senão eu ia te dar um puxão de orelha!
_Ciumenta! Ciumenta! Ciumenta! – disse, rindo feito uma criança.
_Há, há! E se eu te disser que eu já tive vários outros namorados antes de te conhecer, hein, seu besta?
_O quê? Quantos namorados você já teve?
_Ah, brincadeira, eu não tive muitos... Só uns dois ou três... Mas nenhum deu certo... Houve mesmo até um que me traiu!
_Ah não, mas que miserável é esse? Agora deu até vontade de socar a cara dele! Mas vem cá... Esses seus outros namorados... Você já não sente mais nada por eles, certo?
_Ciumento! Ciumento! Ciumento! – falei, rindo.
_Está bem, está bem... Eu merecia essa, Roberta!
_Não se preocupe, seu bobo... Eu só estou apaixonada por uma pessoa nesse mundo inteiro...
_Por mim, certo?
_Não, bobo... Pela Fada do Dente... É claro que é por você, seu besta!
_Ufa... Por um segundo eu pensei que você gostasse de outro!
_Isso é matematicamente impossível, cara!
_Ah não... Nem me fale em matemática, Roberta!
_Você já não gosta de português e também não gosta de matemática? Afinal, do que você gostava quando estudava, hein?
_Da aula de educação física! – disse, fazendo uma careta.
_Pois eu vou te ensinar a escrever uma redação!
_Ah não, por favor! Poupe-me desse inferno!
_Ah, nada disso! É hoje que você vai escrever uma dissertação coesa e coerente sobre a globalização!
_Sobre o quê? Groba... Globa... Globalização é o que, Roberta? É tipo assim, viajar pelo globo? Ah, eu já sei! A globalização é o que o Norte faz todos os anos, acertei, não acertei?
_Não! Você passou longe!
_Aff, que saco!
_Olha, toda boa dissertação tem começo, meio e fim... Nós começamos pela introdução, usando um parágrafo, depois vem o desenvolvimento, onde você usa um parágrafo ou dois. E por fim vem a conclusão... Simples assim!
Quando eu vi, o Jack Frost já estava dormindo assim como um bebê no sofá.
_Ah, esquece! Esse aí não tem jeito mesmo!
Eu então resolvi acordá-lo de um jeito diferente. Deitei-me sobre ele e comecei a beijar o seu pescoço. Num piscar de olhos ele acordou.
_Nossa, eu ainda estou sonhando? – disse ele.
_Você gostou? – falei, com o olhar travesso.
_Eu adorei! Continua, por favor!
Eu, então, continuei beijando o seu pescoço. Ele gemia baixinho e parecia se contrair de prazer. Eu estava adorando provoca-lo daquela forma e eu sentia que eu estava ficando, digamos, excitada. Ele me apertava contra o seu corpo e eu fazia o mesmo com ele. Parecia que nós nunca estávamos próximos o suficiente. O nosso calor aumentava cada vez mais e mais... Uma corrente elétrica parecia invadir o meu corpo e anestesiar cada uma das minhas terminações nervosas... Eu sentia que ele também estava excitado e que só queria mais e mais. Os gemidos dele só ficavam cada vez mais e mais altos. Eu não queria parar. Aquilo estava ficando cada vez melhor.
Porém, de repente, alguém nos interrompeu. Era o Norte.
_Então gente, é hora de... – ele, vendo a cena, ficou perplexo e gritou de tanto susto – Pelas balas de bengala! Desculpa, desculpa... Eu... Eu interrompi alguma coisa, gente?
Eu saí de cima do Jack Frost. Ele e eu estávamos muito, muito vermelhos mesmo! Que vergonha!
_É... É, Norte... É... Não... Claro que você não interrompeu nada... Nós só estávamos... É... – disse o Jack Frost.
O Coelhão também apareceu e disse:
_Pois é, o casalzinho nota mil já está a fim de fazer sexo... Eu só tenho uma dica: Não se esqueçam da camisinha!
O Norte ficou tão envergonhado que deu um tapa na cara do Coelhão:
_Cala a boca, deixa os jovens terem privacidade!
Naquele momento eu tive vontade de morrer! O Jack Frost e eu nos olhamos. Nós estávamos mais vermelhos do que nunca! Ele estava tão vermelho que parecia que estava com falta de ar. Eu acho que eu também estava daquele jeito, ou ainda pior.
Após o tapa que levou, o Coelhão começou a discutir com o Norte:
_Ora essa, Norte! Eu não tenho culpa se a rapaziada de hoje em dia quer transar em qualquer lugar! Eu só acho que a sua fábrica não é nenhum bordel pra eles ficarem com essa falta de respeito!
_Cala a boca, Coelhão! Você está constrangendo os dois! – disse o Norte.
_Eu não calo não! Agora só falta os dois quererem transar na minha toca também! Ah, mas essa molecada de hoje em dia tem um fogo no rabo que eu vou te contar...
_CALA A BOCA! – gritei – Você já passou dos limites!
_Ah, está bem, está bem... Eu já calei, eu já calei... Mas eu só tenho um aviso: Se eu pegar os dois fazendo sexo na minha toca, eu juro que eu mato os dois!
_Ok, ok... Agora cala a boca! – disse o Jack Frost, furioso – Mas, então... Norte... O que você ia falar quando você chegou?
_Eu só ia falar que já é a hora de vocês se prepararem, pois o natal está bem próximo! Vocês sabem, nós vamos rodar o mundo inteiro atrás de toda a criançada! Então, façam as suas malas, pois depois de amanhã, nós já vamos embarcar no meu trenó, está bem?
_Está bem! – falei.
O Norte e o Coelhão, então, deixaram a sala, ainda discutindo sobre nós dois. O Jack Frost e eu ainda estávamos um pouco envergonhados.
_Desculpa... – falei – Isso é tudo culpa minha... Nós passamos o maior vexame...
_Não se preocupe – disse ele, enquanto beijava a minha testa – Não se importe com o Coelhão, ele não respeita ninguém!
_Obrigada por estar comigo... Eu adoro o seu apoio! – falei, sorrindo.
_De nada, lembre-se apenas que eu sempre estarei com você, não importa o que aconteça, ok?
_Ok!
E naquele momento eu percebi que, com ele, eu era muito mais forte. Realmente gelo e fogo era uma combinação promissora. E eu pedia todos os dias que aquela combinação fantástica continuasse trazendo bons frutos. Sempre!
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