A Nova Geração
17 Brigas de Familia.

– por favor, digam que vão se comportar- disse Maka na porta.
–relaxa mãe, já temos 17 anos, ja estamos bem grandinhos, grandes o suficiente pra você deixar a gente em casa. — disse Ryan.
– tem certeza? — ela perguntou mais uma vez.
–Mãe! -exclamou Kiyoko.
–tudo bem, tudo bem. estou indo — e com isso a artesã fechou a porta atras de si, deixando os gémeos sozinhos.
Kiyoko voltou-se para Ryan, ja aninhado com um livro no sofá.
–então..o que faremos hoje?
– eu não sei você, mas eu pretendo ficar aqui lendo meu livro em paz. — disse o garoto virando uma página.
– ah, qual é Ryan! — a garota exclamou batendo com o pé no chão. — estamos sozinhos em casa por alguns dias e tudo o que você pretende fazer é sentar e ler?
–é. -ele respondeu sem emoção.
– bom, dane-se você, mas eu pretendo chamar os nossos amigos e fazer uma festinha particular.
– eu não entendi a parte do dane-se você. — ele disse fechando o livro e encarando a garota com seus grandes olhos verdes. — até onde eu saiba, eu tenho tanto direito a ficar em paz quanto voce tem de dar sua "festinha". essa casa também é minha Kiyoko.
– Pega leve Ryan-disse a garota- eu pretendo chamar a Bridget também, então....
– Kiyoko, não mude de assunto, eu estou falando que quero ficar em paz. pelo menos dessa vez. então voce pode colaborar comigo?
– Para de ser velho Ryan, são só por algumas horas.
– Prefiro ser um velho do que ser assanhado que nem você. — ele disse se levantando.
– isso não é verdade! — Kiyoko exclamou. — eu não sou assanhada! de onde você tirou essa ideia?
– ah não, como se você não ficasse que nem louca atrás do Takumi e de qualquer outro par de calças que aparece... eles mal aparecem e você ja fica toda caidinha de amores. — ele disse levantando a voz.
– Você está com ciumes! — ela concluiu.
–Não eu não estou. — ele disse, depois ele esfregou as mãos no rosto — Kiyoko é melhor você sair daqui, eu estou começando a ficar muito irritado com essa sua insistência e infantilidade.
– Não! — ela exclamou, se aproximando dele, ficando somente a alguns centímetros de distancia. — você é quem tem quem parar de ser mandão!...
– Kiyoko... -ele aletou mais uma vez.
– Você não é o papai! você não manda em mim! -ela disse ignorando o aviso — pare de tentar controlar cada movimento da minha vida! eu sou sua irmã, não sua propriedade!
– Eu disse para você se afastar! — ele exclamou pegando a garota pelos ombros e a empurrando no chão de madeira. Kiyoko deu uma exclamação de dor quando suas mãos rasparam na beirada da mesinha de centro.
Ele observou os olhos de Kiyoko se encherem de lágrimas, antes dela sair correndo em direção ao quarto e trancar a porta atrás de si.
–oh não... -ele disse olhando para as próprias mãos, incrédulo com o que ele havia acabado de fazer. — eu... eu a machuquei, eu a fiz chorar.
" e tudo o que eu estava tentando fazer era protege-lá " ele terminou em pensamento.
ele podia ouvir os soluços de Kiyoko vindos do quanto, enquanto ele mal podia acreditar no que tinha acabado de fazer. a culpa o invadiu como uma onda, e tudo o que ele conseguia pensar era no rosto de sua irmã, em seus olhos se enchendo de lágrimas. o emocional da garota estava com toda certeza mais machucado que seu corpo em si. ela nunca, em hipótese alguma, pensara que seu irmão fosse capaz de machuca-lá. nem que fosse da maneira mas leve possível, aquele não era o Ryan que ela conhecia.
Kiyoko se aninhou com um travesseiro. as palmas de suas mãos doíam por terem sido cortadas na mesinha de vidro, mas isso era o que menos importava. ela podia ver os olhos de Ryan cheio de raiva um momento antes de empurra-la. KIyoko sempre soube que seu irmão era explosivo e odiava ser contrariado, mas ela nunca pensara que ele seria capaz de machuca-la. Ela, sua própria irmã gêmea, que dividira não só um útero, mas uma vida inteira com ele.
"ele não fez por querer " ela pensou "eu estava importunando ele, ele me avisou para ficar longe... mas eu o ignorei... eu vi a culpa e o arrependimento estampado em seu rosto um momento antes de sair correndo.... mas meu orgulho está ferido demais para encará-lo agora.
Ryan, cansado de andar de um lado para o outro na sala de estar, decidiu colocar o violão que ele havia trazido da casa de praia, nas costas e sair pela porta da frente. Ele caminhou sem rumo até a praça central, onde ele sentou-se e descontou sua raiva nos acordes. um ótimo jeito para re acalmar e colocar a cabeça no lugar.
Kiyoko ouviu a porta da frente se fechar, ela saiu do quarto e caminhou em direção do banheiro, onde ela lavou os cortes da palma da mão e os enfaixou. Depois disso a garota sentou-se no sofá e ligo a tv. com esse clima, a festinha estava obviamente cancelada.
Ryan chegou em casa tarde da noite e se deparou com sua irmã dormindo no sofá da sala. ela tinha as mãos enfaixadas, o que o atingiu como uma facada na boca do estômago. Ele se aproximou dela a passos lentos e silenciosos. Ele estava com pena de tira-la de seu doce sono para aquela conversa, mas e
e tinha que falar com ela... se não fosse agora, então quando seria?
–Kiyoko -disse Ryan chacoalhando levemente um dos ombros da garota-Kiyoko...
A garota abriu seus grandes olhos vermelhos, confusos por um primeiro momento, até focar no rosto de Ryan, foi quando sua expressão mudou.
– Ryan — ela disse sentando no sofá.
–Kiyoko... m-me desculpa por ter te empurrado- ele desabafou — eu não pretendia fazer isso... eu não pretendia te machucar... d-de forma nenhuma.
– não ha porque se desculpar.- ela disse- no primeiro momento eu estava com raiva de você, mas dai eu percebi que se eu não fosse tão insistente você nunca teria ... feito isso.
–mesmo assim, não importa o quanto você me irrite, eu não tenho o direito de te machucar... e nem de controlar a sua vida... — Ryan pegou as mãos enfaixadas de Kiyoko, e uma lágrima escorreu de seus olhos antes de dizer — me perdoa.
–Ryan? voce está chorando? — disse Kiyoko encarando o rapaz.
– só um pouquinho — ele disse — olha o que você faz comigo baixinha.
Kiyoko o abraçou.
–Eu te amo -ela disse pendurada no pescoço do rapaz.
– Eu também te amo — ele disse retribuindo o abraço.
– Eu prometo começar a te ouvir quando você me criticar... assim não chegaremos a esse ponto nunca mais. — ela disse com a cabeça enterrada na nuca de seu irmão.
– Ainda bem -ele disse sorrindo- e aquela historia de você ser assanhada... eu só disse pra você ficar brava.
– E porque você tem ciumes.... — ela disse sorrindo para ele.
– So um pouquinho — ele disse.
Kiyoko olhou para as suas mãos.
–Parece que ja sabemos quem vai cozinhar enquanto a mãe e o pai estiverem fora.
–Falando neles, o que diremos sobre os cortes?
–Diremos que eu tropecei no tapete dobrado e cortei as mãos na mesinha. mamãe adora falar que qualquer dia alguem iria se machucar ali.
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