A Nova Geração
5 Apreciadores de Musica.
Notas iniciais

– Eu deixei o leite na geladeira, e tem papinha na prateleira... ah, você sabe, não deixa o Ryan colocar alguma coisa na boca sem ser o mordedor dele e a Kiyoko, ela precisa comer daqui a duas horas, não dá porcaria pra ela... – disse Maka, saindo apressada pela porta.
– Eu sei Maka... eu sei, você já me explicou trilhões de vezes e anotou tudo em um papel colado na porta da geladeira... pode ir meu amor, vai ficar tudo bem. – disse Soul, segurando a porta.
– Você tem certeza? — disse ela, espiando pela porta para o chiqueirinho na sala, onde os gêmeos dormiam.
– Absoluta, vá Maka, e divirta-se.
– Tudo bem, estou indo, se cuida – ela disse dando um rápido beijos nos lábios de Soul antes de sair.
Soul fechou a porta atrás de si e virou-se para encarar a situação. Não parecia tão ruim, Maka já havia deixado tudo pronto e Soul ajudara-a a cuidar deles dês do primeiro dia... o problema era que eles nunca haviam ficados sozinhos com Soul. Sem a Maka para socorrer qualquer crise de choro a qual Soul não conseguisse controlar.
Ele olhou para dentro do cercadinho, onde os dois bebês de seis meses estavam deitados dormindo pacificamente. De olhos fechados e com os cabelos soltos e bagunçados, a única coisa que distinguia as crianças era que Kiyoko usava um vestidinho azul marinho de bolinhas brancas e Ryan um macacão de um tecido que imitava o jeans.
Soul sentou-se no sofá com um livro. Um dos livros da escola, os quais ele teria que saber para repassar a matéria para os alunos depois das férias. Ele lia e repassava para o papel a matéria selecionada que seria passada em classe. Era um trabalho cansativo e repetitivo, por isso, depois de uma hora fazendo isso, Soul apoiou a cabeça nos braços para descansar um pouco as mãos, ou quem sabe os olhos...
Ele deu por si acordando assustado com um grito de choro agudo, seguido por outro, tão auto como o primeiro. Os gêmeos.
Ele foi até o cercadinho, onde os bebes estavam sentados com os rostos vermelhos. Quando viram o pai, o choro parou e eles limitaram-se a encara-lo. Soul pegou a garotinha no colo e com o outro braço segurou o garoto.
–Meus filhos, aporto que vocês estão com fome – disse ele carregando-os até a cozinha. Ele colocou o garoto no cadeirão e a abriu a geladeira para pegar as mamadeiras. Depois ele colocou a garotinha sentada no outro cadeirão e foi esquentar o leite. As crianças observavam-no curiosas. Soul fez tudo como sempre, esquentou o leite e puxou a cadeirinha com rodas das crianças. Depois deitou o garotinho em seu colo, apoiado em sua perna um pouco levantada, e segurando a mamadeira dele com a mão, ele fez o mesmo com a garotinha. Os dois estavam virados de frente para ele. O garotinho terminou a mamadeira inteira, e Soul, depois de fazer o garoto arrotar, o colocou ao lado no sofá. A garotinha deixou um pouco do leite, e depois de repetir o processo com ela.
Ele deitou no tapete da sala com as crianças, e brincou com elas durante horas. Os bebes escalavam o corpo de seu pai e ele as rodava, as atirava para o alto fazia-lhes cócegas. O trabalho de Soul esperava na mesa enquanto ele deitava, rolava e ria com seus filhos de seis meses. Depois de ter brincado e trocado a frauda das crianças, o sol já se punha e elas pareciam exaustar. O garotinho encarou o pai e começou a chora, acompanhado pela Irma. Soul pegou as crianças no colo e tentou nina-las, mas isso parecia não adiantar. Nem isso, nem nenhum dos outros métodos que ele tentou.
– Aaahrg – disse Soul ele segurava os dois bebes que não paravam de chorar – Maka saberia o que fazer, e ainda vai demorar pra ela chegar, e mesmo assim, não quero que ela pense que eu não sei cuidar das crianças – ele disse a si mesmo.
Enquanto ele andava de um lado para o outro ele se lembrou.
– Cantar! Ela canta para eles dormirem! – Soul sentou-se no sofá com os bebes aninhados nele e repetiu a canção que ele havia aprendido de tanto ouvir Maka canta-la. Ele não tinha uma voz ruim, mas não foi o suficiente para adormecer as crianças, só para fazê-las parar de chorar.
– Ah, então vocês gostam de musica monstrinhos? — ele disse alisando o cabelo da garotinha. Eu já sei o que fazer com vocês.
Ele colocou os bebês no tapete e eles imediatamente recomeçaram a chorar. Soul então caminhou até o piano.
Ele sentou-se e fechou os olhos. Deixou seus dedos dançarem por entre as teclas, e a sinfonia trasbordar pela sala. Uma musica macia, suave, que ia até o ouvido dos bebes. Soul tocou se esquecendo de tudo a sua volta, como o que sempre acontecia quando ele raramente tocava o piano. Quando a musica acabou Soul abriu os olhos e a casa estava em silêncio. Os bebes estavam adormecidos no tapete felpudo da sala de estar. Soul deitou ao lado deles, e logo caiu no sono.
Quando Maka entrou pela porta, ela encontrou seu marido e seus filhos deitados no tapete, Soul roncava e os bebes ressonavam baixinho. Maka pegou as crianças no colo e as levou uma de cada vez para o quarto delas, em seus berços. Depois de apagar as luzes dos bebes, ela pegou uma coberta no armário e levou até Soul. Ele dormia com a mão na barriga e a cabeça apoiada no outro braço. Ele estava com a boca aberta e roncava sonoramente. Maka sabia que ele só dormia desse jeito quando estava realmente exausto. Na maioria das vezes ele se aninhava com as pernas dobradas de lado, e quase nunca fazia um som.
Maka estendeu a coberta sobre ele e caminhou até seu quarto. Ela estava visivelmente com pena de acorda-lo. Quando ele acordou no meio da noite percebeu onde estava, então, sonolento, ele caminhou até a cama onde Maka dormia. Quando ele se deitou ao seu lado ela perguntou.
– Eles deram muito trabalho?
– Quase nenhum. Eu descobri que eles gostam do piano. – e foi a ultima coisa que ele disse antes de virar de lado outra vez.
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