A Nova Era dos Heróis

15 Capítulo 15-Os Foragidos


Notas iniciais
Breno, Matheus e Marina terão de se acostumar com suas novas vidas por causa dos poderes que receberam.

Depois daquela louca briga com o Matheus, ficamos de boas e fomos roubar umas comidas e pá, já que o negócio do Matheus parecia digno. Marina com poderes? Nunca imaginaria isso. Pintando a Terra em explosão? Pintando o futuro? Menos ainda. Mas, parece que o Matheus também não acreditou quando contei o que aconteceu comigo e o Bromo. Nos unificamos e isso me deu poderes muito fodas.

Matheus também mudou muito. Essa barba de lenhador estuprador não me fez reconhecê-lo rapidamente. Demorou só uns segundos para saber com quem estava lutando, eu quase o matei pra falar a verdade. Ele diz que foi o contrário, mas seus olhos já estavam ferrados mesmo. Não ia aguentar muito tempo. Pelo menos eu não cheguei ao ponto de fazê-lo engolir o Bromo, felizmente.

– Então pra todos, você ta morto. – Perguntou o Matheus.

– Você também. Vida de gente com poderes não é fácil mesmo.

– Vamos voltar, to preocupado com a Marina. Você ta bem ou ta machucado?
– Eu é que pergunto! Mas falando sério, meu ombro dói um pouco, quando você puxou meu braço pra fora da nuvem de Bromo.

– Meus olhos estão ardendo muito, mas já peguei os remédios pra gente.

– Vamos nessa então, onde é?

– É só me seguir.

Ele voou e fui seguindo ele, estava bem de noite, fomos à um prédio grande e meio abandonado, parece que o abandonaram em época de construção. Fomos até um dos últimos andares com cortina preta. Entramos dentro do quarto quando vimos a Marina pintando as paredes.

As paredes eram cinza, e a Marina estava desenhando com carvão! Olhei pras mãos dela e elas estavam queimadas! Ela botou a mão no barril com fogo? O que levava ela à desenhar involuntariamente? Os desenhos eram maneiros e assustadores ao mesmo tempo. Num canto era uma pessoa completamente pintada de preto, na frente um cara com braço elástico.

Outro desenho, que cobria maior parte da parede era de um negão acorrentado e uns animais saindo de trás dele. Tigre, Gorila, Aranha, Cobra e Águia. Na outra parede, ela desenhou um cara pegando fogo. E o ultimo desenho, que era o mais assustador era um garoto esquartejado! E ela tinha pintado com sangue! Completamente com sangue! Que saia de sua barriga!

– Marina! Para com isso! Tá saindo sangue demais! – Matheus tentou afastar o braço dela e levou um tapa na cara, tentou de novo e ela deu um chutão nele. Ele a segurou com força e ela começou a se debater como um animal e mordeu o pulso dele!

– Argh! Droga! – Matheus resmungou.

– É muito sangue! Para ela! Nocauteia ela!

– Foi mal Marina, já perdeu sangue demais. – Matheus deu uma cotovelada na cabeça de Marina e ela caiu dura no chão. O desenho não estava terminado, mas já entendemos o recado. Espera... Era o Ernesto! Eu reconheceria esse cabelo em qualquer lugar já que é quase o meu!

Enfaixamos a Marina com o esparadrapo que o Matheus comprou. Não sabíamos se ia funcionar, mas não éramos médicos ou coisa assim. Analisamos os desenhos um por um. No desenho do cara das sombras e o braço elástico, a data era de ontem e ela escreveu “passado” nele. Será que ela desenha o passado agora? Nos outros era a data de hoje, pois já havia passado de meia-noite e escreveu “futuro”.

O desenho do negão era incrível e os animais eram bem realistas, ela desenha muito bem. Mas o negão parecia cansado e dolorido, essas correntes o deixavam preso. Esse cara pegando fogo era um desenho meio estranho, o cara parecia que estava com raiva ou algo assim, não sei quem era. O garoto esquartejado era com certeza o Ernesto, sem sombra de dúvida.

– Você sabe se isso são coisas que vão acontecer, ou tem algum jeito de impedir?

– Não sei cara, é a primeira vez que vejo uma previsão dela. – Respondeu Matheus.

– Ele é o Ernesto, você o reconhece né?

– Não... Faz tempo que não o vejo, mas olhando melhor, sim é bem parecido.

– É ele. Temos que proteger o Ernesto, isso pode acontecer com ele. Ele tem algum poder?

– Não que eu saiba. Temos que ajudá-lo.

– Sim, ele está correndo grave perigo.

– Vamos comer, a gente espera a Marina acordar pra...

– Ain... Sua cotovelada foi forte cara! Deve ter deixado um galo... – Marina acordou.

– Você podia nos ouvir? Enquanto pintava? – Eu perguntei.

– Já disse, eu só não vejo nada e não controlo minhas ações. Ouço tudo. Eu desenhei o Ernesto? Ele tem habilidades especiais sim. O que houve com ele?

– Tem? Como você sabe? – Matheus perguntou?
– Ele falou comigo, foi o primeiro a saber dos meus poderes, porque eu o havia desenhado usando os poderes.

– E que poderes ele tem? – Perguntei curioso.

– Ele tem visão raio-x e super audição. Ele veio me visitar pra ver as pinturas antes de eu ser perseguida pelo mascarado.

– Você fez alguma previsão do mascarado? – Matheus perguntou.

– Fiz, eu o desenhei me atacando, e tinha um símbolo no canto da pintura. Era mais ou menos assim. – A Marina pegou o pedaço de carvão e viu sua mão queimada. – Ah! Foi por isso que eu senti minha mão queimando! Droga! – Ela desenhou um cinco, um “s” estranho com uma linha ondulada atrás. Eu já tinha visto esse símbolo!

– Eu já vi esse símbolo! Estava no Bromo que me atacou no dia que me fundi com ele!

– Com Bromo?! Eu já te desenhei uma vez! Era você?! Você tem poderes!

Eu transformei minha mão em gás de Bromo para mostrar meu poder.

– Eu nunca vi esse símbolo antes – Disse Matheus. – Parece ser importante se está em quase todas suas pinturas.

– Sim, eu não sei o que é mas temos que descobrir. – Disse Marina

– Você já pensou no que vai escrever pros seus pais e seu irmão?

– Você tava falando sério? – Ela ficou bem triste com o que o Matheus disse, mas era a realidade.

– Marina, você não é uma pessoa qualquer, você está em perigo porque é valiosa pra esses mascarados. Sua vida nunca mais será a mesma, é triste, mas é a realidade.

– Mas... Tem razão! Droga... Vou sentir saudades do meu irmão... – Ela nos abraçou chorando e disse que ia pensar no que escrever, Matheus deu uma folha de caderno e caneta e ela foi se sentar na beirada do quarto de frente pra cidade à noite.

– Nossas vidas mudaram de repente né. – Falei com o Matheus.

– Eu às vezes duvido que isso seja algo natural. Quer dizer, pode ser que a maior evolução da espécie humana tenha se concentrado num só povo. Mas só os alunos do Pedro II estão com esses poderes. Eu sinceramente acho coincidência demais.

– Sabe... Coincidência ou não... Natural ou não... Nós recebemos esses poderes, e temos que usá-los de maneira heróica, é o que eu penso sobre nossos poderes.

– No fundo podemos até achar que é uma maldição. – Olhamos pra Marina. Ela estava arrasada de ter que mudar todos os seus planos de vida por pintar o futuro. – Mas se pensarmos bem, isso tudo tem que ter um propósito. Acho que a Marina vai ser mais do que útil para corrigir erros do futuro.

– Eu acredito que possamos impedir essa bomba. E se não somos os únicos a termos poderes, acho que qualquer um desejaria isso.

– Concordo.

Marina se levantou e ela ainda estava chorando. Ela veio até nós e nos deu o papel com um pequeno texto.

– Eu já... snif... escrevi.

– Eu realmente lamento que você tenha que passar por tudo isso. – Disse Matheus.

– A gente vai se dar bem Marina, relaxa. – Tentei animá-la um pouco.

– A gente podia chamar o Ernesto pra cá, ele também tem poderes.

– Ele precisa de proteção e é isso o que vamos fazer por ele. Eu... Já volto. – Matheus se jogou do quarto e foi voando até a casa de Marina.

– Visão Raio-X e super audição? – Perguntei de novo a fim de começar uma conversa.

– Aham, e suspeito que a Vanessa também possa ter algum poder, eu a desenhei, mas ela estava em péssimo estado, o Ernesto já se comprometeu a proteger a Vanessa.

– Hunf, que bom.

– Ah, haha, Breno e bromo combinam completamente.

– Pois é. Meu codinome vai ser Mr. Br. Porque é a inicial de Breno, Bromo e é a sigla do Brasil.

– Codinome? Eu só quero ser chamada por Marina mesmo.

– Sério? Haha, Matheus é o que, o Super Lenhador?

– Você também pensou nisso? Haha!

– Sim, mas ele está mesmo parecendo um!

Acho que essa vida nova com refugiados não vai ser tão ruim, acho que de refugiados, nós vamos pra uma espécie de Liga, Trio, ou Quarteto se contarmos com o Ernesto. Apesar de todas as falhas, eu estou começando a gostar de ter poderes. Agora é só esperar o momento de agir heroicamente.

Se a Terra vai explodir, nós vamos impedir. Aconteça o que acontecer.

Notas finais
Comente e compartilhe, divulgue com seus amigos! :) Estou muito animado com essa história, cada comentário que leio é um "turbo" pra minha vontade de escrever, que já é grande aliás XD! Muito obrigado aos que estão lendo!