A Nova Cinderela
8 A Madrasta
P.O.V. Detetive Decker.
O garoto que salvou a menina, Charlotte Panova veio á delegacia. Disse que precisava falar comigo.
—Derek. O que houve?
—Eu estou preocupado com a Charlotte. E não sabia mais pra onde ir. A quem recorrer.
—Porque? O que houve?
—Acho que como resultado dos anos de maus tratos e abusos que Charlotte sofreu nas mãos de minha mãe e irmãs, ela desenvolveu uma dupla personalidade.
—Dupla personalidade? O que te faz ter tanta certeza disso?
—Ás vezes, ela é cruel, egoísta, manipuladora, mentirosa. E ás vezes é como uma garotinha assustada.
—Isso não prova nada.
—E quanto ás mudanças físicas?
—Mudanças físicas?
—Quando ela é cruel, egoísta, etc... usa o cabelo cacheado e o cabelo parece mais cheio, as roupas são mais apertadas, ousadas, chegam a ser vulgares. Salto alto, jaqueta de couro. Mas, quando ela é boa, amorosa, caridosa... o cabelo está liso chapinado, usa calça jeans, tênis, roupas discretas. Como posso encontrar alguém que a diagnostique? Alguém que a ajude?
—Conheço uma pessoa. Uma psiquiatra. Doutora Leslie Thompkins.
P.O.V. Doutora Thompkins.
Minha amiga que trabalha no departamento de Polícia de Los Angeles me pediu para ver uma menina. Uma que testemunhou contra a Madrasta, a Senhora Dorinda Johnson, uma ex-cantora de sucesso. E pelo que soube a mulher está envolvida até o pescoço com ilegalidades. Golpes, todos os homens com quem ela se casou ficaram doentes logo após a lua de mel e em questão de meses eram enterrados.
Hoje é a primeira consulta de Charlotte. Quando ela chegou vi uma jovem mulher cheia de si, fria e vazia.
—Olá Doutora.
—Oi Charlotte. Eu sou a Doutora Leslie Thompkins.
—E? Oh, deixa eu adivinhar você está aqui para me ajudar. Não vai me julgar, vai ser minha amiga.
—Eu estou aqui para te ajudar.
—Já ouvi isso uma vez. Tudo isso.
—De Dorinda Johnson?
—E de quem mais? Mas, eu fiz ela pagar. Ela subestimou meu poder, minha inteligência. E olha só onde acabou?
—Charlotte...
—Oh, não. Desculpe, não fomos formalmente apresentadas. Meu nome é Katherine.
—Katherine.
Com certeza Transtorno de Dupla Personalidade. Mas, preciso saber de onde Charlotte tirou esta persona.
—Então, Katherine. Quando você nasceu?
—Nove de janeiro de mil novecentos e noventa e dois.
—Onde você nasceu?
—Sofia, Bulgária.
Baseado nos dados que "Katherine" me forneceu e nos dados que eu tenho sobre Charlotte, ela criou a persona baseada em sua mãe. Katerina Panova.
—Qual é o seu sobrenome?
—Panova.
—O nome da sua mãe?
—Eu não tenho uma. Ou um pai. Eles estão mortos. Uma vadia os matou, na verdade, meu pai matou a minha mãe e depois ele morreu nas mãos de uma vagabunda.
—Seu pai matou a sua mãe?
—Matou.
—Como?
—Qual é? Não achou ia ser tão fácil achou? E acabou o tempo. Foi um prazer.
—O prazer foi meu.
Ela saiu da sala como se fosse a Dona do Mundo.
—Bom, acho melhor ligar para a Chloe.
P.O.V. Chloe.
Meu telefone tocou. Era Lee. A psiquiatra que trata da Charlotte.
—Decker.
—Acho que temos um sério problema em nossas mãos. Charlotte tem sim dupla personalidade e acho que foi testemunha de um homicídio.
—Um homicídio?
—Sim. Acho que Katerina Panova foi assassinada.
—E Charlotte viu.
—Sim. Ainda não sei se é verdade ou uma fantasia da cabeça dela, mas é uma possibilidade. A outra personalidade de Charlotte pelo o que pude perceber foi baseada na mãe.
—A mãe matou alguém?
—Não. Temo que mãe tenha sido a vítima.
—Acha que ela pode prestar depoimento?
—Não. Se nós cutucarmos demais ela pode perder a sanidade. Essa menina sofreu abusos toda a sua vida. Se apertarmos ela, Charlotte pode deixar de existir.
—Tudo bem. Obrigado por ligar.
—Disponha.
Desliguei.
—O que foi Detetive?
—Nunca pensei que diria isso, mas Lúcifer... preciso de um favor.
—Oh, diga.
—Eu preciso que faça justiça por uma pessoa.
—Quem?
—Charlotte Panova.
—A garota Cinderela. Adorável.
—Lúcifer acho que a menina viu a mãe ser assassinada. E a Madrasta dela, Dorinda Johnson... Lúcifer a mulher é... quanto mais procuramos mais encontramos. Assassinatos, o total descaso e mal tratos para com a menor em questão. Dorinda estava metida com mafiosos, agiotas, assassinos de aluguel. A mulher é do mal Lúcifer. E ela merece algo muito pior do que a cadeia, pior do que o inferno.
Muito pior.
—Muito pior.
—Oh, Detetive... não sabia que tinha em você.
—Ninguém é perfeito. E eu sou mãe. A todo momento, a cada segundo desde que encontramos essa menina, fico pensando que poderia ser a minha filha.
P.O.V. Lúcifer.
A devoção dela a sua família é admirável. Se minha família tivesse metade da lealdade que ela tem, seríamos mais felizes.
—Não pode simplesmente aparecer na penitenciária e interrogá-la com seu dom dado pelo seu pai que por acaso, é Deus. Ainda não acredito. Acredito, só... não acredito.
—É o choque. Mas, tem razão não posso simplesmente aparecer e castigar a mulher. Vamos precisar de um intermediário.
P.O.V. Chloe.
A intermediária é claro seria Maze.

Fale com o autor