A Noiva do Rei
6 Capítulo 6
CAPÍTULO VI
Kouga realmente não veio jantar. Mais tarde, quando Sesshoumaru se ofereceu para acompanhá-la ao hospital, o agente ainda não havia aparecido. Rin achou melhor se preparar para o rosário de reclamações.
Assim que se sentiu espremido no carro minúsculo, conforme ela antecipara, ele não parou de se queixar enquanto não chegaram.
- Se detesta tanto meu carro, porque insiste em vir comigo?
- Ela indagou, zangada.
- Porque é perigoso uma mulher sair sozinha à noite em qualquer lugar do mundo.
Ele se preocupava com ela. A constatação a fez se sentir mimada, protegida. Fitou-o e sorriu. Sesshoumaru lhe fez um carinho.
Mas ao perceber que Rin procurava se inclinar para prolongar o contato, ele recuou.
- Você me perturba. Não posso me entregar a essa fraqueza.
Ele desceu do carro e esperou-a. Em seguida a soltou até a entrada do hospital. No primeiro trecho, segurou-a pelo cotovelo. Depois seus dedos forem descendo até se entrelaçarem aos dela.
Ela parou, incapaz de resistir às sensações explosivas que a engolfavam. Ele a fitou, as mandíbulas cerradas, deixando-se invadir pelas mesmas sensações. Seus dedos apertaram os dela e suas palmas se uniram. Por longos minutos, permaneceram na calçada, sob a luz da rua, simplesmente se devorando com os olhos.
- Não deveríamos — ele sussurrou, rouco. Mas se aproximou mais até encostar seu corpo ao dela.
- Não... — ela confirmou, apoiando o rosto no peito dele e sentindo seu perfume embriagador.
A mão a libertou. Os braços se ergueram lentamente e a envolveram. Então ele se inclinou e apoiou o queixo sobre o alto da cabeça. Embalou-a em um doce movimento cheio de paz. Quando a soltou, ela precisou segurar-lhe a mão para não cair. De mãos dadas, portanto, seguiram para o elevador.
Ele esperou na anti-sala. Seus olhos fixos no carpete não viam nada. Rin estava se tornando importante demais em sua vida. Temia não conseguir mais se separar dela e sabia que isso seria necessário. Era estranho que Rin pudesse ter despertado sentimentos tão fortes nele, quando todas as outras mulheres que conhecera haviam falhado nesse sentido. Sentia ternura por Rin. Um sentimento novo. Nunca sentira ternura por outro ser antes.
Quando ela voltou, sentiu-se ainda mais perturbado. Precisaria se vigiar e não se aproximar demais. Foi difícil mas conseguiu. No apartamento, alegou cansaço e se fechou no quarto de hóspedes.
Rin estranhou a súbita mudança de atitude. Sabia que Sesshoumaru era imprevisível, mas não a esse ponto. De repente, comportava-se como se não quisesse mais vê-la.
Na manhã seguinte, depois de se vestir e ir à cozinha para preparar o desjejum, ouviu-o falar com Kouga ao telefone. O que Sesshoumaru dizia a deixou paralisada.
- Estou dizendo, não posso mais ficar aqui! A situação está se tornando insuportável.
Você precisa arrumar um outro lugar. — silêncio. — Fale com eles, então. Eu espero uma solução e não um pedido de desculpa.
Quando Sesshoumaru bateu o telefone, Rin correu para o quarto, quase em lágrimas.
Não podia entender porque Sesshoumaru não queria mais ficar com ela. Teria medo de que fosse envergonhá-lo, atirando-se a seus pés e dizendo que o amava? Esse procedimento só poderia ter uma resposta. Ela demonstrara o que sentia, na noite anterior, quando o abraçara e se abandonara à sensação de paz e conforto. Como pudera ser tão fraca? Ele a atraía, lhe despertara sensações novas. Desejáva-o. Mais do que isso. Gostava dele.
Mirou o rosto pálido no espelho. Não podia se desesperar. Precisava preparar o café da manhã, ir para o escritório e não permitir que o fato destruísse sua vida. Tinha Shippo em quem pensar.
Com esse pensamento firme em mente, maquiou-se para disfarçar a palidez e saiu do quarto. Sesshoumaru estava sentado o sofá.
- Preparo alguma coisa em um minuto para comermos.
- Não é necessário. Não estou com fome.
- Sirva-se, quando quiser — ela ofereceu, enquanto vestia o casco e apanhava a bolsa.
- E você? Vai trabalhar sem comer ao menos uma torrada?
- Também não estou com fome — replicou sem fita-lo.
No topo da escada, ela se deteve. Sentia-se péssima. Agora a situação estava pior do que no início, quando discutiam a todo instante. Agira Sesshoumaru não podia sequer suportar ficar sob o mesmo teto que ela.
- Rin? — ele a chamou conforme descia o primeiro degrau.
- O que foi?
- Não é saudável sair de casa sem se alimentar, quando se tem o costume.
- Posso cuidar de mim mesma sozinha, obrigada.
Coma alguma coisa quando chegar no trabalho, então. Deve haver um café por perto.
- Comerei quando sentir vontade.
Os olhos escuros acariciaram-na como se fossem mãos ávidas. Ela corou. Em seguida ele entrou no apartamento e fechou a porta.
Kouga passou pela empresa por volta do meio-dia. Seu interesse era grande demais para um observador casual.
- Você andou chorando e não preciso de três chances para adivinhar o motivo.
- Ele que se livrar de mim — ela esbravejou — E eu também quero me livrar dele. Detesto que critiquem minha comida!
- Sesshoumaru está querendo protege-la — Kouga comentou.
Rin ergueu os olhos, sem entender.
- É algo inconsciente, mas Sesshoumaru está tentando afasta-la da linha de fogo. Acredita que você está em perigo por estar junto dele, mas nós não deixaremos que nada de mal lhes aconteça. Eu avisei-o de que a mudança repentina não resolveria o problema. Poderia até aumenta-lo.
- O que ele respondeu? — Rin indagou, tentando parecer desinteressada.
- Que você não pode ser prejudicada, custe o que custar.
- É um gesto bonito da parte dele — Rin murmurou.
- Quando o ouvi ao telefone, não foi essa a impressão que ele deu.
- Sesshoumaru está com muitos problemas na cabeça.
- Só pode estar. Espiões e assassinos o seguindo por toda a parte!
- Além de sua segurança pessoal.
- Exatamente.
- Mas você não está acreditando em mim, está? Acha que inventei essa desculpa para mantê-la em nossas boas graças.
- Os espiões são todos iguais. Suas missões estão acima de tudo.
- Bem, talvez eu tenha exagerado um pouco — Kouga confessou. — Mas não muito. Continuo acreditando que a principal preocupação de Sesshoumaru é seu bem-estar.
- Não foi isso que ele disse ao telefone.
- Você está certa.
- O que foi, então?
- Que acabaria subindo pelas paredes se eu não o tirasse de seu apartamento nos próximos dois dias.
- Ele não seria o único! — Rin retrucou, para se arrepender em seguida ao notar o olhar desconfiado do agente.
- Verei o que posso fazer — ele prometeu.
- Obrigada, Kouga.
- Até lá, lembre-se de usar pijamas à noite.
Rin arregalou os olhos.
-Calma! Ele contou apenas que você teve um pesadelo e que estava usando uma camisola desenhada especialmente para minar todas as boas intenções de um homem e sua moral.
- Imagine! Era apenas uma camisola comum e batida. E não pedi a ele que a tirasse de mim!
Kouga assoviou e olhou para os lados. Do rubor, Rin passou para a palidez.
- Não me admiro que ele esteja subindo pelas paredes.
- tire-o do meu apartamento! Hoje!
- O mais rápido possível, prometo. Até lá use pijama!
- Usarei uma armadura — ela sibilou.
Assim que Kouga se afastou, Rin sentiu vontade de gritar de raiva. Como Sesshoumaru pudera comentar com outra pessoa o que se passara ente eles? Com se atrevera?
Passou o dia praguejando e bufando. Até a hora de voltar para o apartamento estava em ponto de ebulição.
- Como pode? — gritou ao abrir a porta.
Sesshoumaru desligou a televisão e encarou-a.
- como pude o quê?
- Como se atreveu a contar àquele bisbilhoteiro que me viu de camisola?
- Eu não comentei. O que houve entre nós foi muito íntimo e ofenderia meu senso de honra divulga-lo a outros.
- Mas ele disse...
- Sim?
Sesshoumaru lhe parecia sincero. Agora perigoso. Ela hesitou.
- Kouga disse que você que sair daqui porque está subindo pelas paredes por minha causa.
- estou — ele confirmou com um sorriso que a deixou confusa. Depois se levantou do sofá, tirou a bolsa de suas mãos e o casaco. — Sente-se e tome um café. Fui eu que fiz.
Por ser a primeira vez, acho que ficou ótimo.
Ela não conseguia imaginar Sesshoumaru fazendo um café. Mas era verdade. Estava ótimo.
- eu só disse a Kouga que não estava gostando do risco de permanecer aqui.
- Por causa do problema com a compra das comidas?
- Porque você é desejável demais — ele declarou solene. — Não conhece os homens. Não sabe das artimanhas que um homem, mesmo honrado, pode empregar quando a paixão o sega. O que houve entre nós ontem, no hospital foi muito perigoso. Você está vulnerável a mim e eu a você.
- eu sei. Mas se não foi você quem contou a Kouga sobre a camisola, como foi que ele...As Câmeras?
- Não, não há câmeras no quarto. Eu mandei que meus próprios homens o examinassem para ter certeza. Não queria que alguém pudesse espioná-la enquanto dormia.
- Obrigada
- Onde guardou a camisola?
- Eu a lavei e pendurei perto da janela para secar. Oh...
- Um binóculo, sem dúvida. Kouga não permitiria nada, além disso. Seria uma violação à sua privacidade.
- Espero que esteja certo. Sinto-me enjoada só em pensar que alguém pudesse ter visto... ouvido...
- Você não sabe quase nada do mundo. Há homens que não pensam em outra coisa se não em mulheres. Mas é melhor esquecermos esse assunto. Beba o seu café.
- Suponho que você tenha muitas. Por causa de sua posição, é claro. Os diplomatas vivem entre os círculos sociais mais elevados, e você não é feio.
- Obrigado.
Ela tornou o último gole.
- Nunca tive muito tempo para encontros. Tinha de cuidar da casa e de Shippo. Além disso, os rapazes não se interessavam muito. Eu era muito magra. Depois aconteceu a cicatriz. Eu me achava horrível.
- E agora? — Sesshoumaru provocou.
- Acho que você foi muito delicado.
- Eu tinha muito mais em mente do que delicadeza, Rin. Você é extremamente desejável. Não paro de pensar em você, dia e noite. É por isso que pedi para me levarem para outro lugar. Um envolvimento entre nós poderia levar a conseqüências trágicas.
- Você deve conhecer muitas mulheres dispostas a lhe dar aquilo que quer.
- Talvez.
- Eu não pretendo me despir e ir para a sua cama, Sesshoumaru. Por que tem tanto medo?
- Porque só em pensar nessa possibilidade, minha cabeça está rodopiando. Não estou conseguindo mais resistir a você.
- Eu jamais me comportaria...
O toque do telefone os interrompeu. Ela atendeu, ouviu por um minuto e ficou mortalmente pálida.
- Rin o que houve?
- Shippo. Ele piorou. Preciso ir correndo para o hospital.
- Você não está em condições de dirigir. Pegue o casaco.
Ele chame um táxi. Como o telefone estava grampeado, assim que desceram, Kouga já estava a postos. Sem dizer uma palavra, abriu a porta e levou-os.
O corpo franzino de Shippo estava se debatendo. Rin tentou segurar-lhe as mãos por um momento, mas logo rompeu em pranto. Sesshoumaru abraçou-a e tentou conforta-la. Não a deixou nem depois do médico seda-la.
- Como ela está? — Kouga quis saber quando Sesshoumaru saiu finalmente do quarto.
- Nada bem. É forte e corajosa, mas não está conseguindo resistir. O estado do garoto é grave. Ele pode morrer.
- E se isso não acontecer?
- Poderá sair do coma — Sesshoumaru respondeu, esperançoso.
- Foi o médico que afirmou. Os movimentos desordenados são uma evidência de frenética atividade cerebral. Por Rin, rezo para que o menino se recupere.
- Quando saberemos a resposta?
- Logo, eu espero.
Foi o que aconteceu. Minutos depois. O médico ria e chorava quando chamou Sesshoumaru.
- Venha ver com seus próprios olhos. Depois poderá acordar Rin e lhe contar.
No quarto, o menino estava de olhos abertos, enquanto uma equipe de médicos o examinava. Sua expressão para Sesshoumaru era de curiosidade.
- Ele vai ficar bom? – Sesshoumaru indagou.
- com o tempo e os devidos tratamentos ficará perfeito!
Sesshoumaru correu para dar a notícia a Kouga. Em seguida foi até o quarto onde Rin dormia.
- Acorde, querida — sussurrou, sem se dar conta do modo como a chamara. — Acorde.
- Rin abriu os olhos com esforço.
- Shippo? Shippo já se foi?
- Não! Ele acordou! Ele vai ficar bem!
- Ela apertou as mãos que Sesshoumaru lhe estendia e se sentou.
- Graças a Deus!
Enquanto Rin chorava, Sesshoumaru a manteve junto ao peito, depois ajudou-a a se levantar.
- Devagar, querida. Apóie-se em mim.
Sustentada por Sesshoumaru, ela entrou no quarto de Shippo. Ao vê-la, o menino pestanejou e tentou sorrir.
- Irmã?
A voz do garoto estava estranha, mas o médico garantiu que voltaria ao normal.
- Shippo. Oh, Shippo, eu te amo tanto. Agora você poderá ir para casa. Nós ficaremos juntos outra vez. Faz tanto tempo.
- Eu vinha visitá-lo quase todas as noites.
- Eu sei. Eu ouvia sua voz.
Rin rio de felicidade.
- Ouviu, doutor? Eu disse!
- Quem é ele? — Shippo indicou Sesshoumaru.
- É Pedro, nosso primo de Chihuahua.
- Não temos primos em Chihuahua — o menino murmurou.
- esqueceu-se do tio Gonzáles casado com tia Margie?
Rin mentiu, os lábios apertados.
- Não me lembro muito bem.
- não faz mal. Com o tempo você se lembrará. Agora descanse.
O menino fechou imediatamente os olhos.
- Ele ficará bem. Não se preocupe — o médico garantiu.
- O senhor tem certeza?
- absoluta. — O médico se dirigiu a Sesshoumaru. — Leve-a para casa e lhe dê estes dois comprimidos. Ela precisa dormir.
No carro, Kouga e Sesshoumaru conversavam muito, mas Rin não prestou atenção. Estava exausta demais e tonta. Kouga os levou até a porta do apartamento. Dentro, Sesshoumaru a fez tomar imediatamente os comprimidos com um copo d’água.
- Obrigada — agradeceu.
- Por tudo que fez.
- Não fiz nada.
- É o que você pensa. Boa noite. Acho que vou dormir.
- Durma bem.
O efeito foi tão rápido que ela caiu na cama e dormiu vestida.
Três minutos depois, Sesshoumaru foi espiá-la. Sorriu. Parecia ser seu destino bancar o valete. Despiu-a e colocou a camisola. Pensou em lhe tirar a calcinha, também, mas acabou resolvendo não exagerar. Quando acordasse, Rin ficaria furiosa.
Adormecida, ela estava ainda mais vulnerável. Os lábios entreabertos, a respiração lenta e profunda. Era tão frágil. Ele precisava ser mais paciente, colaborar de alguma forma com ela e não criticá-la tanto.
Depois do que acontecera, a mudança para outro lugar estava fora de cogitação. Com Shippo em casa, ela precisaria ainda mais dele.
A sensação era nova e estranha. Nunca se sentira necessário a alguém antes, a nível pessoal.
De repente quando começou a se afastar do leito, Rin segurou-lhe a mão e a levou de encontro a seio.
- Fique. Não vá.
Ele tornou a sorrir. Rin certamente ficaria surpresa ao acordar.
Para não perturbar seu sono, afastou-se apenas o suficiente para se despir. Então deitou-se ao lado dela e aninhou-a entre seus braços. Ela encolheu-se por um momento ao sentir o contato de seu corpo quase nu. Algo a que não estava acostumada. Mas logo relaxou e se entregou, confiante, ao seu carinho.
A noite para ele não seria das mais confortáveis, Sesshoumaru pensou, mas, por outro lado, não se lembrava de outra ocasião em que sentira tanta paz.
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