Capítulo II

Rin não tornou a encontrar Sesshoumaru aquele dia. Na manhã seguinte, porém, ele passou por sua mesa e lhe endereçou um olhar frio que chegou a arrepiada. Ela fez questão de retribuir. Se Sesshoumaru Taishou a desprezava, esse sentimento era recíproco.

O homem era intrigante. Aliás, todos, no escritório, eram da mesma opinião. Ele fora apresentado como ministro de gabinete da república Árabe de Saudi Mahara. Mas sua arrogância e temperamento eram de um rei. O fato de Kouga estar sempre por perto dele também era algo digno de nota. Para a CIA estar envolvida em seu esquema de proteção, o caso era significativo.

Ele estivera no escritório no dia anterior. Por que voltara?
Não era arriscado expor-se tanto, apesar dos numerosos guardas de segurança que o cercavam?
Rin sorriu consigo própria. Pó ela, os homens poderiam prendê-lo em alcatraz como medida de precaução. Ali ninguém o encontraria. Seria bem feito!

- Não tem nada para fazer, Rin? Perguntou Mirok, às suas costas.

- Certamente que tenho, sr. Mirok — ela respondeu, corada. — Estava apenas...

- Procure disfarçar, por favor. Está olhando para nosso visitante como se quisesse fulminá-lo. Ele também não gosta de você, mas não dá tanta demonstração.

- Como não? Ele me insultou! Ele me fez chorar!

- Foi um mal-entendido. Afinal, cá entre nós, quase provocou um incidente internacional — o presidente da empresa lembrou com um sorriso.
Rin ajeitou os cabelos escuros e curtos e sorriu, também.

- Você é um caso sem esperança – Mirok caçoou. — Veja se para de encará-lo. Sesshoumaru é um de nossos melhores clientes.

- Ele está comprando aviões bélicos.

- O governo dele é que está — Mirokcorrigiu.

- Dá no mesmo. Mas, porque ele voltou aqui, hoje?

- É confidencial — Mirok respondeu. — Você sabia que explodiram o jatinho em que ele deveria ter viajado, ontem a noite?

- Quem? — Rin indagou, os olhos arregalados.

- Não sabemos. Por sorte não havia ninguém a bordo. O piloto estava atravessando a pista para embarcar, quando aconteceu. Nosso governo decidiu mate-lo aqui para protegê-lo.

Rin cerrou os dentes. A situação estava se agravando mais e mais. Teria sido horrível se os conspiradores houvessem atingido seu alvo. Da primeira vez, Sango, Mirok e Ayame poderiam ter morrido com ele.

- Ainda bem que os terroristas não sabem exatamente como é Sesshoumaru. Aqueles que poderiam reconhecê-lo encontram-se em Saudi Mahara, sob custódia.

- A CIA pretende leva-lo para Washington?

- Por que razões fariam isso? — perguntou uma voz divertida.
Rin e Mirok se voltaram para o recém-chegado. Era Kouga. O agente secreto havia salvado Sango, certa vez, das garras de uma quadrilha de seqüestradores, mas Mirok ainda se ressentia da forma como ele a salvara. Para Mirok, Kouga não passava de um conquistador barato no eu dizia respeito às mulheres.

- Olá, Kouga. Como vai o espião mais impertinente do mundo?

- Bem — respondeu o outro, com um sorriso malicioso.

- Oi, Rin, que acha de almoçarmos juntos? Ou prefere ir direto ao assunto e se casar comigo?

- Você se aplicaria uma tinta invisível, como nos filmes, se eu aceitasse.

- Provavelmente. Por que não tenta?

- Não, obrigada. Tenho muito trabalho para fazer.

- Pare um pouco e venha comigo. Você, também Mirok.

- O agente os conduziu à sala de reuniões, detendo-se por um instante antes de abrir a porta. — Encontramos o lugar perfeito para esconder Sesshoumaru. É seguro e fantástico. O último lugar no mundo, onde alguém poderia pensar em procurá-lo.

- Onde? Eu posso saber? Rin indagou.

- Junto da sua maior inimiga, é claro — Kouga a fitou significativamente.
Rin sentiu que corava. O agente não poderia estar se referindo a ela, podia?
- entrem. E eu explicarei.

Sesshoumaru estava de pé, junto a janela, as mãos cruzadas nas costas. As feições aristocráticas se contraíam ao depararem com Mirok e Rin. Os olhos negros pareceram se incendiar ao vê-la.

Sesshoumaru, veja quem eu trouxe: a prima com qual passará a morar em seu disfarce de imigrante pobre.
Rin se beliscou para se certificar de que estava acordada.
Sesshoumaru olhou estupefato para o agente.Mirok sufocou o riso.

- Eu não vou morar com essa cobra! Prefiro mil vezes se levado para o zoológico!

- Concordo plenamente com a decisão — afirmou Rin, olhando para Kouga. — Moro sozinha. Sou solteira. Não quero um homem em minha casa. Além disso, não gosto dele.

- Todos estão cientes disso. È por esse motivo que não pensarão em procurá-lo em seu apartamento. Para completar, nós lhe daremos as credenciais de um trabalhador itinerante mexicano. Sesshoumaru será um primo seu, de Chihuahua, que perdeu seu emprego no Texas e precisa de um lugar para ficar até arrumar uma nova colocação.

- Eu não tenho nenhum primo em Chihuahua!

- Acabou de ganhar um — Kouga declarou.
Rin apertou os punhos.

- Eu nunca recebo visitantes do sexo masculino. Minha reputação ficará abalada.

- Um parente não pode ser considerado uma mácula na reputação de ninguém. Além disso, vocês estarão sob vigilância constante.

- Não!

Kouga se aproximou com gesto conciliador.

- Você tem um irmão de doze anos que precisa de tratamentos médicos intensivos. Seu seguro hospitalar está para vencer. Caso não consiga renova-lo, o menino terá de ser removido da casa de saúde em que se encontra.
Rin sentiu um aperto no peito.

- Como você descobriu?

- Sou um agente secreto, lembra-se?

- O que está tentando me dizer?

- Se você no ajudar, nós a ajudaremos. O governo de Sesshoumaru está disposto a arcar com todas as despesas do tratamento até a eventual reabilitação do seu irmão.

O mundo parecia ter desabado sobre Rin tal a fraqueza que se apoderou de suas pernas, obrigando-a a sentar. Tad era o único membro da família que lhe restara, após o acidente automobilístico que levara seus pais. Adorava-o. Por ele faria qualquer sacrifício, até mesmo suportar a presença de Sesshoumaru em seu apartamento.

-Pense — Kouga aconselhou — Tem um dia para se decidir.
Não podemos esperar mais. Caso recuse nossa oferta, precisaremos encontrar um outro esconderijo para nosso hóspede.
Quanto tempo ele ficaria morando comigo, caso eu concorde? — Rin indagou com um fio de voz.

- O tempo seria relativo. Um dia, dois, uma semana, quem sabe? Só poderemos respirar tranqüilos depois que os elementos forem capturados. Em nossa opinião, isso não deve demorar a acontecer. Temos certeza de que , em breve, os assassinos voltarão a Wichita.

Isso se já não estiverem por aqui. Eles haviam sido presos em Saudi Mahara, mas escaparam. Estamos só esperando que dêem um sinal de vida, para atacarmos.

- E se eles desistiram da perseguição?

- Nesse caso poderá se livrar de seu hóspede mais cedo embora as despesas hospitalares do seu irmão continuem a serem pagas.

Rin baixou os olhos. Tinha certeza de que se arrependeria de sua decisão. Viver com um homem como Sesshoumaru seria uma tortura.

- Amanhã virei saber a resposta. Até lá, pense bastante.

- Kouga observou.

- Não preciso pensar — Rin retorquiu, os olhos fixos no agente. — Não posso recusar sua oferta. Você sabia que eu aceitaria desde o princípio.

- O brigado pelo elogio. Fico satisfeito. Sua resposta significa que fiz bem o meu trabalho.

- Não me submeterei aos caprichos dele. Não serei sua escrava — Rin acrescentou.

- Não se preocupe — Sesshoumaru respondeu imediatamente.

- Minhas exigências para a contratação de serviços são muito elevadas.

- Eu digo o mesmo com relação aos meus hóspedes. — ela retrucou, furiosa. — Não tente me dar ordens. Minha rotina não será interrompida ou mudada por sua causa.
O árabe deu de ombros.

- Minhas necessidades são poucas.

A resposta deveria tê-la tranqüilizado, mas não foi o que ocorreu. Algo naquele tom de voz, algo que estava por trás da expressão impassível, a fez sentir-se perturbada.
Não se enganou. Sesshoumaru se mudou naquele mesmo dia, juntamente com uma enormidade de malas, baús e alguns móveis.
Em sua companhia apresentaram-se Kouga e mais dois homens.

- Excelente — Rin zombou, colocando-se de lado, na porta do apartamento, para que os carregares passassem. A movimentação havia despertado a curiosidade dos moradores do prédio, que abriam suas portas para verificar o que estava acontecendo — Simplesmente excelente. Por que não pregaram um anúncio luminoso na entrada informando o número do apartamento que estava recebendo as ilustres figuras?

Kouga sorriu.

- Somos pobres vaqueiros. Não reparou em nossas roupas?
Como poderíamos ter dinheiro para gastar com anúncios?

Rin examinou-os da cabeça aos pés. Bem, eles realmente se pareciam com trabalhadores humildes. Nenhum deles se apresentava como costumeiro paletó e gravata, inclusive Kouga, que vestia o jeans mais desbotado que ela já vira, e botas gastas. Ninguém poderia adivinhar que era uma gente secreto.
Kouga interceptou seu olhar de aprovação e sorriu.

- É o último lançamento em disfarce para espiões. Nesta manga — ele ergueu o braço -, está instalada uma câmara de TV. Na outra, um teleguiado em miniatura.

- O que mais me admira é que você ainda não tenha perdido esse emprego – Rin comentou.

- Eles não podem me dispensar — Kouga informou baixinho.
O tenho uma tia no Congresso e um tio no gabinete da presidência.

- Estou impressionada.

- Eu também. Tenho tento orgulho de minha família que vivo falando deles aos meus chefes em Washington.

- Era de se esperar.
Conforme ele riu, Sesshoumaru surgiu de trás dos carregadores e olhou para ela com desdém, as mãos apoiadas nos quadris.

- Imaginem o que terei de me ajustar. Poe Alá, uma renda no meio do deserto seria mais confortável.

Rin sentiu vontade de mandar o árabe voltar de onde viera, mas Kouga percebendo essa intenção, a puxou de lado.

- Calma. Ele apenas não está acostumado ao padrão dos apartamentos americanos. Dê-lhe um pouco de tempo para se ajustar.

- Pois eu nunca conseguirei me ajustar a ele. Sete dias na companhia desse homem representará a exploração máxima de minha paciência.

- Haverá compensações, lembre-se. Todas as contas do seu irmão serão pagas. Acho que o sacrifício não será tão grande, se você pensar nesse fato.

- Tem razão — Rin foi obrigada a concordar. — Você não pode calcular o quanto eu estava preocupada. Tad é muito especial para mim.

- O nome dele é Tad?

- Timothy edward, mas eu sempre preferi chamá-lo pelo apelido.

- Ele tem doze anos, não?

Rin fez um gesto afirmativo com a cabeça.

- Era era tão pequeno quando nossos pais morreram...

- Nunca perca a esperança — Kouga murmurou, sinceramente penalizado. — Já presenciei muitos milagres. Até os médicos acreditam que eles acontecem.

- Acho que sim. Mas após três anos, as esperanças começam a enfraquecer.
Kouga lhe deu um tapinha no ombro.

- Acabará sendo bom para você ter alguém que lhe faça companhia por uns tempos. Quando conhecer Sesshoumaru melhor, verá que não é tão mau quanto pensa.
Rin o encarou com firmeza.

- Ou menos lhe dê uma chance — Kouga contemporizou.
Subitamente, um dos homens entrou na sala com um equipamento eletrônico.

- O lugar está completamente limpo.
Rin se aproveitou do momento de distração do agente para espiar em sua manga.

- Eu estava brincando sobre a câmara de TV. — Kouga riu. — E talvez tenha exagerado um pouco sobre o míssil.

- Assisti um filme onde havia um aparelho de fibra ótica semelhante a esse — Rin explicou. — Fiquei impressionada.

- Terei um da próxima vez que a visitar.

- a propósito -Rin indicou o árabe — , Como deverei chamar o homem?

Kouga tirou do bolso uma carteira de identidade novinha, uma carta de motorista, um passaporte e uma autorização temporária de permanência no país, todos destinados a agraciar os bolsos de seu hóspede. — Pedro Rivera, idade 36 anos, nativo de Chihuahua, México, profissão agricultor.

- Ele irá trabalhar realmente como agricultor sob esse disfarce? — Rin indagou, maliciosa.

Kouga riu como se ela tivesse dito uma grande piada.

- Sesshoumaru? Não, ele acaba de perder o emprego, e precisa de outro com urgência. Enquanto não consegue uma nova colocação, terá de contar com sua ajuda e abrigo. Nós providenciaremos para que ele trabalhe duro. Seu nome constará de todas as listas de candidatos em todas as empresas do ramo.

- Você poderia lhe arrumar um emprego de tradutor — Rin sugeriu.

-Não.

- Por que não? — Os olhos azuis assumiram uma expressão de surpresa.

- Bem é que Sesshoumaru não fala espanhol.

- Nem uma palavra? Que interessante! Um agricultor mexicano que não fala espanhol.

- Ele afirma que seu sotaque é horrível e se recusa a falar nessa língua. Mas seu francês é muito bom.

- Então por que não lhe arrumou essa cidadania?

- É uma história muito comprida. Confie em mim. O plano dará certo. É quase perfeito.

- Assim como o Titanic era um navio mais seguro do mundo e afundou.

- Você é uma pessimista — Kouga acusou. – Por que não pensa no bem que está fazendo a seu país?

- Abrigando um oficial de gabinete de um país árabe em meu apartamento? Em que isso poderia ajudar minha pátria?

- O país de Sesshoumaru conta com uma localização estratégica de grade valor para nós

- Kouga explicou. — O Oriente Médio é como uma carga de dinamite pronta para explodir a qualquer minuto. Todas as facções lutam por seu controle. Todo o mundo depende do petróleo existente lá.

- Isso não deveria acontecer — ela observou.

- Eu sei, mas o fato permanece. A verdade e que dependemos do petróleo estrangeiro se quisermos continuar investindo no progresso da nossa tecnologia. Dessa forma, precisamos cuidar muito bem desse povo para garantir a continuidade do fornecimento. Sesshoumaru é uma das pessoas que precisamos satisfazer.

- Eu sempre pensei que houvesse um rei naquele país. Por que você não se preocupa mais com ele do que com Sesshoumaru?

- Se Sesshoumaru se sentir feliz, o rei estará feliz.
Rin deu de ombros.

- No meu caso, só interessa o dinheiro que ele me proporcionará. De outro modo, poderiam frita-lo e servi-lo sobre um leito de alface.

- Que idéia! Em pensar que eu a considerava um doce de criatura!

- Eu era , até você e aquele árabe arrogante invadiram minha vida!
Kouga precisou morder o lábio. Em outra ocasião teria rido, mas Sesshoumaru ouvira o comentário e não deixara por menos.

- O que foi que disse?

- Que esperava que se sentisse confortável aqui. Farei um jantar especial esta noite.

- Nada de churrascos e assados, por favor — O agente sussurrou.

- Na verdade, estava cogitando em algo mais apropriado.
Um prato mexicano típico. Chili, por exemplo. Feijão frito, pimentão...
Sesshoumaru sorriu pela primeira vez.

- Você gosta de comidas condimentadas?

- Muito — o árabe respondeu.
Rin hesitou. Da próxima vez precisaria se lembrar de cozinhar um macarrão sem sal.

- Acabaram? –Kouga perguntou aos colegas.

- Sim. Está tudo em ordem.

- Vocês instalaram microfones e câmaras ocultas em meu apartamento, por acaso? — ela indagou, desconfiada. — Pretendem nos espionar?

Sesshoumaru a fitou de um modo apreciativo.

- Está com medo de que eles tenham “algo” muito interessante para ver?
Ela não teve alternativa a não ser cerrar os punhos e tentar visualizar as contas médicas em sua mente.

- Preferia roer minhas unhas.

- Não duvido. Com uma boca como a sua...
Kouga achou melhor intervir.

- Ele é seu primo querido. Você o adora. Cuidará bem dele porque é isso que seu país pede que faça.

- Não entendo por que você não pode abrigá-lo.

- Eu o faria com prazer, acredite. — Mas preciso ir ao Texas, neste fim de semana, visitar meu irmão e sua família.

- Por que não o leva consigo? Há muito mais mexicanos no Texas do que em Wichita.

- Oh, mas eu detestaria priva-los da oportunidade de se conhecerem melhor. Além disso, meus planos para o final de semana da poderão mudar.

- O par se encarou com hostilidade. Kouga se afastou rapidamente da linha de fogo.

- Vou deixá-los. Tenho certeza de que você será bem cuidado, Sesshoumaru.

- E quanto aos meus seguranças?

- Eles estarão por perto, assim como nosso pessoal. Lembre-se de não se expor desnecessariamente. Procure sair o mínimo possível do apartamento. Mantenha-se aqui enquanto Rin for trabalhar. Caso resolva ir a algum lugar, diga em voz alta o nome, que será seguido.

- Isso é ultrajante — Sesshoumaru protestou. — Não vejo por que tenha de abrir mão de toda a minha privacidade, se tenho meus próprios seguranças.

- Encontra-se em solo americano — Kouga declarou. — Neste país, nos sentimos responsáveis pelo bem-estar dos representantes estrangeiros. Assim sendo, por favor, colabore conosco e permita que façamos nosso trabalho.

- Sesshoumaru respirou fundo. Em seguida se dirigiu a janela e ali permaneceu, olhando para fora, como se já tivesse se sentindo confinado.

- E não passe muito tempo na janela — Kouga observou.

- Torna-se um alvo excelente. Não temos condições de vigiar cada janela em cada prédio ao redor.

- Sesshoumaru se afastou e fez sinal de concordância. Kouga se encaminhou para a porta. Quando estava se despedindo, Sesshoumaru o interrompeu.

- Quem desfará as malas? E quanto aos meus criados?

Kouga hesitou. O olhar de Rin não deixava dúvidas.

- Veremos esse detalhe mais tarde, esta bem? Tenham um bom dia.

- Fui apunhalada nas costas pelo me próprio governo — Rin se queixou assim que o agente se foi. — Não espere que o deixe cravar a faca mais fundo. Não sou sua escrava. Não desfarei suas malas. Você tem duas mãos perfeitas. Pode muito bem fazer esse trabalho sozinho.

Ele cruzou as mãos atrás das costas, como de costume e não respondeu. A intensidade de seu olhar a deixou tensa.

- Vou preparar alguma coisa para comermos.

- Quero coquetel de camarão como entrada. Para acompanhar a refeição mexicana, um vinho de Bordeaux.

- Escute aqui. Não tenho uma farta despesa e muito menos uma adega no apartamento. Bebo ocasionalmente um licor ou um copo de vinho branco. Não entendo de vinhos.

- Uma falha pequena. Poderá aprender a respeito.

- Não me interessa esse tipo de conhecimento. Prefiro me poupar o trabalho de colocar um árabe embriagado na cama.
Quanto ao coquetel de camarão, meu orçamento não permite extravagâncias. Ganho bem, mas as contas são muitas.
No final, quase não sobra nada para supérfluos. Você terá de se contentar com o que posso lhe servir.
Sesshoumaru suspirou e balançou a cabeça.

- Do caviar aos queijos suíços a isto! Que decadência!
Rin se encaminhou para a cozinha, preguejando.