A Noite Que Mudou Tudo
3 Sra. Wheeler
POV Narrador
A loira estacionou o carro próximo ao píer, não pôde deixar de notar como sua cidade natal havia mudado de forma considerável nesses últimos anos, seria como se ela agora fosse turista de sua cidade natal, e às vezes se sentia assim na própria história, uma coadjuvante.
Por mais que Samantha agora estivesse em um bom patamar da vida, no ápice perfeito coberto por uma linha tênue entre sucesso profissional e um bom casamento, ela ainda carregava consigo marcas de um passado não tão distante, passado esse, que agora estava em sua frente tomando um drink qualquer.
F:E então, quando você chegou? — perguntou desajeitado, era como se ele estivesse arrependido de ter recebido sua velha amiga e ex namorada assim, talvez Freddie tenha percebido que vomitar as palavras e contestar à ela respostas que talvez nem ele soubesse por onde começar, não fosse uma maneira agradável de reencontrar alguém que fora importante.
S: Umas 4 horas atrás... — respondeu Sam pensativa, ela ainda não tinha absorvido o fato de que Freddie realmente tinha ido até Carly dessa maneira... com um beijo.
Ela se perguntava se ela era tão insuficiente ao ponto de que merecia aquilo.
Freddie notou o semblante da loira, mas nada disse, ele também se sentia assim.
Talvez o que a Sam disse seja verdade, para ele, Carly era um prêmio, o troféu dizendo "Eu consegui", Freddie era seguro de que não amava Carly. Ele teve oportunidade de estar com ela, mas ele quem não optou por tal, o fato dele ser o "bacon" da vida dela o corroía, e pôs fim a todo aquele sentimento platônico, vendo na Carly a idealização de algo que ele buscava em sí mesmo.
Ele amava uma pessoa, e essa pessoa não era a Carly.
Freddie então quebrou o gelo que se instaurava na mesa 8 do The Nest Rooftop At Thompson Seattle.
Já eram 10h45, em 15 minutos o PUB fecharia.
F: Onde você vai ficar Sam?
S: Ficarei por perto daqui, pelo menos foi o que o Maps me indicou.
Você acredita que estou perdida onde eu cresci? — disse com um tom de indignação.
F: Acontece com a maioria. — respondeu em um tom brincalhão.
S: Inn at The Market... conhece?
F: Sim, é bem próximo. Eu te ajudo, vamos?
S: Droga, já vai fechar? Hoje eu queria aproveitar um pouco mais. — disse olhando fixamente para o copo de whisky á sua frente.
Samantha não falava com o marido sobre, mas nesses últimos anos se sentia muito sobrecarregada e há muito não pisava em Pub.
Aquele momento ali com Freddie, mesmo que carregado de sentimentos que ela não sabia definir, era de longe o mais descontraído que tinha em 2 anos.
{..}
Samantha procurava em seu celular o código de checkin do hotel, e Freddie notara como ela estava bufando e murmurando sozinha, no fundo, ainda era a mesma Sam.
F: Tudo bem Puckett? — perguntou franzindo o cenho.
S: Não encontro minha reserva, pedi para Tina fazer há duas semanas. Ás vezes sinto falta do Linch, ele era muito eficiente, puxa vida. — respondeu quase em um rosno, realmente estava irritada.
F: Calma, deixa eu ver.
Realmente, Tina havia esquecido de confirmar a reserva.
T: Perdão Sra. Wheeler, não foi minha intenção. — dizia quase chorando do outro lado da linha.
Freddie quando ouviu o sobrenome Wheeler direcionado á Sam, sentiu um frio no estomago, realmente Sam Puckett existira ainda só para ele.
Sam entendeu Tina, a tranquilizou e encerrou a chamada.
S: Coitada, ela também estava sobrecarregada. — disse em tom compreensivo.
Guardou o celular, passou as mãos pelo volante pensando onde iria para conseguir uma pernoite até conseguir as reservas para os demais dias.
Pensou em perguntar ao Freddie se ele conhecia um hotel onde ela conseguiria ficar sem reservas, mas nesse ponto, ele já havia ajudado demais e então só conduziu o carro para o caminho do velho e bom Bushwell Plaza.
S: Entregue moreno. — disse piscando.
F:Obrigada loira. — piscou de volta.
S: Vou nessa Freddie, preciso encontrar um hotel para poder descansar, estou exausta.
Freddie não respondeu, olhou para os lados, para baixo, estalou os dedos e por fim disse:
F: Você pode dormir em casa. — viu a loira arregalar os olhos. — Bom, pelo menos até você conseguir fazer uma reserva, já está tarde e acho perigoso você ficar rondando sozinha por aí Sam. — disse sério.
Sam não sabia o que responder, mas também não queria ter que acabar dormindo no carro, afinal, ela precisava descansar de fato.
Olhou diretamente para Freddie, pôde notar o moreno nervoso esperando sua resposta.
S: Okay Freddie, mas prometo que amanhã pelas primeiras horas já encontro novas reservas.
F: Fique tranquila Sam, eu moro sozinho.
S: Mas eu não. — respondeu firme. — Não sei o que pensaria Ryan ao saber que dormi na casa de um velho amigo com um passado como o nosso.
F: Bom, ele de certa maneira não iria descobrir, eu pelo menos não contaria. — disse colocando as mãos para cima indicando que se dependesse dele, jamais alguém descobriria.
S: Certo, será um segredo nosso. Até eu arrumar jeito de contar toda história ao Ryan. — disse um pouco pensativa.
F: Tudo bem, abre o bagageiro, vou tirar suas malas. — disse sorrindo de canto, aquele sorriso que fazia com que a Sam se derretesse e se sentisse culpada por estar assim.
[...]
S: Meu Deus Freddie, há quanto tempo você não recebe ninguém aqui? — perguntou olhando para o apartamento com algumas garrafas de cerveja sobre o balcão. — Se sua mãe estivesse vendo essa bagunça das cervejas, ela iria trazer um dedetizador aqui. — disse, e eles então riram.
F: Tem razão...
S: Onde posso me instalar, não sendo indelicada, mas quero muito um banho — disse fazendo bico.
Freddie riu, Sam estava linda.
F: Ali — mostrou a porta do quarto.
Sam ao sair do banho longo, voltou para a sala, Freddie estava lá, esperando a amiga com duas cervejas.
Passaram a noite conversando, o clima denso de algumas horas atrás já haviam se transformado em algo leve.
Eles tentaram resumir anos de vida em uma só noite.
Os corpos pareciam imãs, Sam se afastava, ela se sentia incomodada por obter essa necessidade de estar perto de Freddie, que não demonstrava arrependimento algum de se aproximar, ele compartilhava da mesma sensação, mas sabia que Sam não era mais só Sam, ela era a Sra. Wheeler e tinha alguém há alguns km's de distancia esperando por ela.
Freddie sentia seu perfume doce, o que o fazia encarar a loira com o cachos perfeitamente caídos sobre os ombros, os olhos em uma imensidão azul, Sam tinha o oceano nos olhos, estava tão linda.
Quando seus olhos se encontraram, a conversa cessou, o silêncio se instaurou em um absoluto e eles puderam ouvir o coração um do outro batendo acelerado em um compasso uníssono, Freddie passou as mãos pela perna da Sam "tão macia", ele pensou.
Sam quis recuar, mas não teve forças, ela estava sentindo vontade desse toque "quanto tempo".
Freddie puxou Sam em um perfeito carrossel, fazendo com que a loira caísse sentada em seu colo.
Sam usava um pijama curto de seda, o que com esse movimento fez com que sua alça caísse sobre seu ombro.
Freddie colocou os cabelos de Sam para trás, passando sua mão na nunca fazendo com que a loira se arrepiasse, e isso fez com que ela apertasse suas pernas no colo de Freddie que por um um impulso a apertou as coxas, fazendo com que ela soltasse um pequeno gemido.
O rosto de Sam já estava consumido pelo desejo de prontamente se beijarem, mas ela ainda em cima do colo do moreno hesitou quando o mesmo tentou.
S: Freddie, eu não posso, é que..- respondeu sem encara-lo.
Freddie sabia que era errado ele desejar a Sra. Wheeler, mas passou sua mão pelas costas da Sam lentamente, fazendo com que ela se prostrasse para trás.
F: Merecemos encerrar esse ciclo de forma digna. — disse malicioso.
Freddie então tirou Sam de seu colo e colocou deitada no sofá ficando por cima dela, distribuiu beijos por seu pescoço, o que fazia a loira se contorcer.
Freddie foi descendo os beijos até chegar na barriga de Sam, ela gemeu baixo, puxou seu cabelo desfazendo seu topete e quando Freddie pensou em tirar a única coisa que os impedia de estar mais conectados naquele momento, fora interrompido pelo celular de Sam que não parava de vibrar insistentemente.
S: RYAN — Sam exclamou com um grito assustada.
Freddie então sentou no sofá revirando os olhos
"E porquê esse maldito foi ligar justo agora? Sam está fora há horas, e só agora ele liga para saber se está bem?" - se perguntou enquanto assistia a loira atendendo o telefone.
Se levantou e se trancou no quarto, ele não sabia lidar com a situação, preferiu se recolher, mesmo sabendo que era algo covarde.
"Ela não merece.." pensou.
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