A Noite
1 A noite
Notas iniciais
Lia resolveu que iria fugir, já não agüentava mais esconder tantos sentimentos. Era difícil esconder da mãe que apesar da magoa ela ainda a amava e sim sentia a falta dela. E o pior era esconder da melhor amiga que ela amava Dinho, sim ela amava ele e já não adiantava mais ficar negando.
“Eu preciso sair daqui, preciso pensar e colocar os sentimentos do lugar”
E sem pestanejar pegou a barraca, algumas roupas e se foi deixando apenas um bilhete.
“Pai
Preciso esfriar a cabeça, estou confusa.
Me de alguns dias pra pensar e tentar
Entender a confusão que virou a minha
Vida.
Lia “
Ao ler aquilo Lorenzo ficou desesperado, Lia não podia ter feito aquilo.
E se algo acontecesse a sua menininha. Num impulso pegou o telefone e discou para o único numero que poderia fazer Lia repensar e voltar para casa.
–Alo? Quem está falando? São três da manha. Dinho disse sonolento.
–Dinho me desculpe por ligar tão tarde, aqui é o Drº Lorenzo.
Dinho nesse instante despertou
–Drº Lorenzo aconteceu alguma coisa com a L..., quer dizer o que aconteceu?
–Sim Dinho aconteceu a lia fugiu, e você é o único que pode encontrá-la.
–Eu? Mas porque eu? Disse ele já preocupado com o que poderia ter acontecido com Lia.
–É intuição de pai, Dinho você precisa ajudá-la, por favor, precisa a encontra La.
–Eu o ajudarei vou começar a procurar agora. E seu encontrar ela ligo para o senhor.
–Ok farei o mesmo se eu encontra — lá.
–Dr º Lorenzo fique tranqüilo vamos encontra La.
Dinho se trocou em um minuto pegou as chaves e saiu para procura-lá. Sua mãe estava fora e não iria nem notar sua falta
–Por onde eu vou começar? Onde você está sua marrentinha teimosa?
Dinho não pestanejou, já que somos tão parecidos vou começar pelo lugar que eu iria se fugisse.
Lia havia montado a barraca e feito uma fogueira. Ali olhando para a imensidão do mar ela finalmente estava um pouco mais tranqüila relaxada e finalmente podia ser ela mesma.
E num impulso começou a tirar a roupa ficando apenas de lingerie preta, precisava purificar a mente e o corpo e nada melhor que um banho de mar para se renovar.
Dinho parou em frente à praia e logo notou o acampamento montado, reconheceu a barraca de longe, afinal fora ela um dos motivos para as milhares de implicâncias.
Ele resolveu ir até lá e não achou ninguém, até que percebeu as pegadas em direção ao mar, resolveu se sentar e esperar, ela realmente estava precisando daquilo.
Dez minutos se passaram e nada, Dinho começava a ficar preocupado, até que de repente um vulto saiu do mar, ou melhor, dizendo ma sereia sai
a do mar, Linda com os cabelos molhados e um olhar tão intenso que o hipnotizava cada vez mais.
Até que o ser encantado com há expressão um pouco assustada ou seria surpresa resolveu falar.
–Dinho, o que você esta fazendo aqui?
Lia não poderia acreditar aquilo era fruto da sua imaginação ou ele estava ali de verdade. Estava ficando maluca, só poderia ser ele não podia estar ali, ninguém sabia onde ela estava.
Ele então abriu um belo sorriso. E ela então achou definitivamente estar sonhando, aquilo não era real, ou será que um de seus desejos mais íntimos fora atendido, seria ela merecedora de tal sorte.
–Você tem noção do quão preocupado seu pai está? Disse ele tentando fazer cara seria, o que era quase impossível com ela vestida daquele jeito.
Lia já percebendo o olhar dele resolveu colocar uma blusa.
–Tenho toda noção do mundo, mas minha necessidade é maior do que a preocupação dele.
–E posso saber qual é essa necessidade que vai contra tudo e contra todos.
–Vem cá você não se enxerga mesmo né, quem você pensa que é pra falar desse jeito comigo? Alias eu não te devo satisfação nenhuma do que faço ou deixo de fazer. Disse ela já fazendo cara feia.
– A partir do momento que me tiram da cama as três da manha eu tenho o direito sim de uma satisfação. Disse ele com um sorriso irônico.
–Então vá pedi-la pra quem te tirou da cama. Ela disse sorrindo e retrucando.
Dinho pensou em varias maneiras de tirar aquele belo sorriso de sua cara, mas pensou que conversar seria a melhor maneira antes que acabasse mudando de idéia e apanhando
Ele a encarou serio.
–Eu só quero te ajudar, teu pai me ligou desesperado, vamos lia se abre comigo, eu quero te ajudar.
Lia então mordeu os lábios, poderia ela confiar naquele que era o motivo principal da fuga.
–Dinho...
E depois de uma longa pausa os olhares se encontraram, e Lia soube que poderia confiar em Dinho, talvez lhe contando uma parte de seus problemas ele iria embora e deixasse-a tentar entender o que faria com os sentimentos dela por ele.
–Dinho se eu te contar o que está acontecendo você me promete que vai me deixar em paz. Disse ela com os olhos marejados de água.
Dinho não teve outra opção a não ser responder ao impulso de abraçá-la. Abraçou e deixou-a chorar.
Mais de dez minutos se passaram e Lia finalmente estava se acalmando Dinho a abraçava forte e fazia carinho em seus cabelos, quando ela parou de chorar de vez ela o encarou.
–Obrigada, eu precisava realmente disto. Disse ela enquanto limpava as lagrimas do rosto.
–Não tem de que, mas eu acho que eu mereço uma explicação não. Disse ele a olhando carinhosamente.
Como ela poderia negar aquilo pra ele.
–Sim você merece e vou te contar. Aconteçe que eu estou cansada de fingir ser tão forte, eu não sou friamente assim, eu não sou feita de pedra.
–Eu sempre soube que ai batia um coração.
Eles se olharam e ambos começaram a gargalhar, mas logo a conversa voltou a ficar seria.
–Dinho eu não quero sentir isso mais eu me vejo obrigada a sentir raiva da Raquel, ela me e abandou quando pequena, deixou a minha família e foi cuidar do mundo. E eu? E a Tatá? Ela simplesmente se foi, não quis cuidar da gente. Ai ela volta de repente e eu ao mesmo tempo que sinto raiva, tenho uma enorme vontade de abraçá-la de que ela cuide de mim. Isso não é justo, eu não posso sentir isso, por ela. Eu deveria somente odia-la
–Eu entendo isso Lia, mais é a coisa mais normal do mundo você sentir afeto por ela, afinal apesar de tudo ela é sua mãe e nada vai mudar isso.
–Dinho mais eu não posso depois de tudo que Lea me fez, eu não posso simplesmente esquecer tudo e querer brincar de mamãe e filinha com ela.
–Lia não é questão de quere você não manda no seu coração, e não tem como você escolher se vai gostar ou não da pessoa que você ama.
É eu não posso mesmo, acho melhor você ir embora logo Dinho ou eu não respondo por mim — pensou ela.
–Sabe o que eu acho. Você hoje não deveria pensar em nada, deveria relaxar a cabeça e simplesmente aproveitar a vista.
–Aleluia, alguém realmente me entende.
Dinho sorriu
–Ué não dizem que a gente é parecido.
–Verdade.
–Preciso de outro banho de mar.
–Vai lá, você precisa esfriar a cabeça é melhor passar a noite aqui.
–Realmente você é minha alma gêmea. E falando isso lia sorriu e saiu correndo em direção ao mar.
Como ela ficava linda assim livre. Dinho poderia admirá-la a noite toda, mas antes que fazer uma coisa.
–Alo Dinho, você achou a Lia? Ela esta bem?
–A achei sim seu Lorenzo fique tranqüila ela está bem, só estava um pouco confusa.
–Graças Deus, então traga ela pra cá já.
–Bom Drº Lorenzo o Senhor confia em mim não.
–Claro que confio Dinho.
–Então me deixe ficar com a Lia aqui sozinho, ela precisa disso e eu prometo que vou cuidar muito bem dela.Amanhã cedo eu prometo que ela estará ai tomando café com o senhor.
–Não sabe o quão difícil é isso para mim, mas vou te dar um voto de confiança. Vejo vocês amanhã no café Combinado?
–combinadíssimo, até amanhã.
–Até.
Lia então saiu do mar e notou que Dinho ainda estava na areia.
–O que você ainda esta fazendo aqui?
–O que acha, vou passar a noite aqui com você.
Lia arregalou os olhos.
–Como assim, pensei que o nosso trato era você me escutar e ir embora.
–Você só pode estar maluca né, você acha que eu ia te deixar aqui sozinha?
Lia fez que sim com a cabeça, tentando absorver ela e Dinho numa praia sozinhos não ia prestar.
Fiz uma promessa ao seu pai, e vou avisando que pretendo cumpri-la. Pode confiar em mim.
Lia até confia-va nele, mas naquela noite não sabia se podia confiar nela.
Lia tentava a mais de uma hora pegar no sono, mas era quase impossível com Dinho ali do seu lado. Resolveu então tomar outro banho de mar pra tentar esfriar as idéias, entre outras coisas.
Ela entrou no mar novamente só de Lingerie preta.
Após algumas ondas só um pensamento estava em sua cabeça.
...Você não deveria pensar em mais nada... Simplesmente aproveitar.
Aquilo estava fazendo Lia ter algumas idéias bem picantes. Afinal ela já não conseguia mais esconder o que sentia e a oportunidade estava bem na sua frente e dessa vez ela não iria desperdiçá-la.
Dinho acordou na barraca e percebeu que estava sozinho.
Saiu da barraca desesperado achando que Lia o havia abandonado, só se acalmou quando a viu sair do mar, se bem que ela saiu com um olhar ainda mais obstinado o que fez seu coração acelerar ainda mais. Ela vinha em sua direção sem tirar os olhos deles e só parou quando se sentou e envolveu suas pernas na cintura dele e sem ele ter tempo de reagir Lia o beijou.
Passaram cinco, dez, quinze minutos Dinho não sabia exatamente o tempo certo, e não se importava em saber, mas tinha que parar, pois mais um pouco e ele não se responsabilizaria por seus atos, então com o ultimo resquício de sanidade ele se afastou daquela tentação de boca.
–Você... Você ficou maluca? Disse tremulo
–Eu estou em perfeita sanidade. Disse ela o olhando sensualmente.
–Não está não em perfeita sanidade você jamais faria isso. Disse enquanto com uma enorme tristeza tirava Lia de cima dele.
–Eu não te vi protestar em nenhum momento. Lia riu ainda mais sensual.
–Você deveria se ouvir agora. Ele riu nervoso.
Lia novamente passou a perna em volta da cintura de Dinho e disse.
–Eu me ouvi muito bem e tenho certeza do que eu quero.
Dinho já quase não tinha forças pra resistir.
–Lia... Isso é loucura e sem pensar beijou-a
Ele interrompeu o beijo apenas pra confirmar o que os corpos já respondiam.
–Tem certeza?
–Você não devia pensar em mais nada... Simplesmente aproveitar. Ela riu e ele aproveitou para roubar mais um beijo.
Em pouco tempo ela já estava sem sutiã e ele sem a blusa.
As caricias que no começo eram lentas agora mais pareciam de animais selvagens.
Eles necessitavam daquilo, precisavam mais do que tudo.
Mas Dinho ainda precisava de ma ultima resposta. Poderia se decepcionar com ela mais precisava.
–É isso o que você realmente quer.
Lia o encarou profundamente e sorrindo disse.
–Hoje a única coisa que eu quero é ser sua.
Em poucos minutos barreiras não existiam mais, eles estavam ali completamente entregues um ao outro, se amando ora como loucos, ora como apaixonados. Foram finalmente um só e no peito de cada um apenas um sentimento existia o de finalmente estarem completos.
E eles foram completos não só ali na areia da praia, como no mar, na barraca com direito até ao amanhecer do sol.
Lia já não conseguia sentir mais ódio seu coração emanava amor e Dinho já não queria mais tanto ir embora gostaria sim de cair no mundo, mas só se Lia estivesse com ele.
E foi naquele amanhecer do sol com a exaustão das caricias e dos atos de amor que eles admitiram pela primeira vez que se amavam.
Fim.
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