Notas iniciais
capítulo final

A Ninfa da Cascata

Capítulo 18 – Nova Vida

Colocou uma mão sobre o vidro…o vidro enorme que o separava dela mas que lhe permitia vê-la, mesmo que fosse à distância, via-a a mexer-se um pouco enquanto dormia pacificamente. Um sorriso apareceu nos seus lábios, não conseguia evitar…ela era simplesmente tão inocente…tão adorável…tão frágil…

Os seus olhos não conseguiam tirar-se de cima dela, nem mesmo para olhar para os outros, também frágeis, inocentes e adoráveis…mas ela…ela era especial…era parte dele! Queria tanto poder entrar ali e olhar para ela mais de perto e tocá-la…

E só de pensar que estava apenas aqui há umas horas…

Tinham passado 8 anos, 8 anos desde que vivera todas aquelas aventuras, desde que descobrira todas aquelas coisas magníficas, desde que aprendera a acreditar na magia e no destino mas principalmente…desde que a reencontrara…a sua Raf…a sua Ninfa…

Ambos tinham agora 25 anos, dado ao facto que Raf recuperara todas as suas memórias e também a fala, os dois dedicaram-se aos estudos e agora eram ambos directores de um abrigo para animais cuja espécie era ameaçada, também acolhiam animais feridos e disponibilizavam-se para tratar deles e mantê-los em segurança até estarem curados e prontos para voltar ao seu habitat. Quanto à sua vida pessoal, tal como prometera à amada, Sulfus encontrara a solução perfeita para que ela não se afastasse dos lobos que a haviam criado, e essa solução foi apresentada à jovem quando os dois completaram 20 anos, depois de terminarem a faculdade…escusado foi dizer que Raf ficara encantada com a ideia.

“Va lá deixa-me abrir os olhos!” reclamou a jovem enquanto continuava a caminhar à frente do seu parceiro que estava atrás de si a cobrir-lhe os olhos

“Já estamos quase” disse ele

“Disseste isso à 5 minutos atrás!”

“Deixa de reclamar e anda” os dois continuaram a caminhar até que finalmente Sulfus disse a Raf que podia parar de andar. Ela assim o fez e pouco a pouco sentiu as mãos do rapaz a serem tiradas de cima da sua vista…ouviu-o dizer que já podia abrir os olhos, assim que o fez, Raf ficou boquiaberta com a visão que estava a ter. Diante dos seus olhos encontrava-se uma enorme casa, branca e azul, com rés-do-chão e primeiro andar, logo um jardim decorado com todo o tipo de flores e uma piscina.

“S-Sulfus….” Murmurou a jovem, sem ter tempo de se virar pois o rapaz abraçou-a por trás, beijando-lhe a cabeça

“É a nossa casa de agora em diante” sussurrou ele “Como vês, não é muito longe da cidade e também não é muito longe da floresta, podes visitar os lobos quando quiseres”

“O-Oh meu Deus…tu…mandaste construir isto…?”

“Sim, demorou quase três anos a ser feita mas aqui está finalmente…e é toda nossa” a rapariga literalmente saltou-lhe para os braços, feliz por esta surpresa que ele lhe havia feito.

Sim…desde então que viviam naquela casa, ou seja há 5 anos…e cerca de um ano depois de se terem mudado para a nova casa…Sulfus não tardou a fazer-lhe mais uma surpresa…

“Raf…” murmurou o jovem enquanto segurava a mão da amada, era já de noite e os dois passeavam pelos jardins da casa, tinham regressado de um jantar romântico.

“Sim?”

Ele parou de caminhar, colocou-se à frente dela e segurou ambas as suas mãos “Tu sabes…que eu te amo mais do que tudo…e…que quero passar o resto da minha vida contigo…”

A jovem corou perante a declaração, Sulfus sorriu ao ver a parceira a corar mas então ainda a segurar as mãos da jovem, ele agachou-se apoiado apenas num joelho, logo tirou do bolso do casaco uma pequena caixa azul-escura quadrada, abriu-a e Raf arregalou os olhos ao ver o que se encontrava ali dentro: um lindo anel dourado decorado com duas pequenas jóias, uma vermelha e uma azul, as cores preferidas dos dois.

“S-Sulfus…”

O rapaz sorriu “Raf Eryn…dás-me a honra de seres minha esposa?”

A rapariga não se conteve mais e saltou para os braços do amado, gritando vezes sem conta ‘Sim’

O casamento foi simples e pequeno, conseguiram realiza-lo sem atrair muitos paparazzi, reunindo apenas amigos e familiares mais próximos. Fora um dia inesquecível para ambos mas também um dos melhores, sim…um dos melhores…porque quatro anos depois, foi Raf a surpreender Sulfus…

Raf caminhava de um lado para o outro no quarto, estava nervosa…não sabia como lhe dizer…e se reagisse mal? E se não aceitasse? Inspirou bem fundo, tentando ganhar coragem. De repente ouviu bater à porta e o seu marido entrou no quarto.

“Raf, estás bem? Há quase uma hora que estás aqui em cima” disse Sulfus, Raf mexeu no cabelo, ajeitou a saia, clareou a voz e sentou-se na cama, mexendo de novo na saia, Sulfus soube de imediato que aquilo eram sinais de nervosismo portanto entrou por completo no quarto e fechou a porta, não que fosse necessário já que eram eles os únicos lá em casa. Caminhou até ela e sentou-se a seu lado na cama, metendo uma mão sobre a sua “Raf?”

“Sim eu…hum…bem…estou bem” murmurou a mulher, no entanto Sulfus não acreditou lá muito nas palavras da esposa, sabia perfeitamente que ela estava longe de estar bem. Colocou uma mão sobre o seu queixo e forçou-a a olhá-lo.

“Raf…tu sabes que podes dizer-me tudo o que se passa, não sabes?” ela assentiu “Então diz-me o que tens, estás muito nervosa, nunca te vi assim antes”

“Eu bem….” mexeu a mão para algo que se encontrava debaixo da almofada, tirou o objecto e colocou-o na mão do marido, olhando então para ele, olhos nos olhos. O homem ao perceber do que se tratava o objecto, ergueu o olhar, boquiaberto, a mulher assentiu “Estou…estou grávida”

De facto a notícia tinha-o apanhado de surpresa mas depois de ter recuperado da surpresa e choque inicial, Sulfus abraçara a esposa mais feliz do que nunca! Logo de seguida colocara a mão sobre a barriga ainda pequena da mulher, já ansioso por sentir o seu bebé a mexer-se. A felicidade do casal continuou ao longo dos 9 meses de gravidez mas Sulfus ficava sempre amuado pelo facto de que cada que ia com Raf fazer uma ecografia, ela recusava-se a querer saber o sexo do bebé pois queria que fosse surpresa, no entanto Sulfus queria muito saber se iam ter um menino ou uma menina. Raf apesar de não querer saber, parecia muito segura de si quando dizia que iam ter uma menina.

Passaram os 9 meses de gravidez e estava mais que na altura de o casal de dirigir para a maternidade pois segundo a médica que havia acompanhado a gravidez de Raf, o bebé estaria ali muito em breve…no entanto as coisas não correram como planeado…

“Raf, o que é que estamos aqui a fazer? Já devíamos estar na maternidade” disse Sulfus, de novo, à mulher pois em vez de andarem para a maternidade, ela havia insistido em ir primeiro à cascata mesmo sabendo que as águas lhe podiam rebentar a qualquer momento…

“Sulfus, calma, tenho tudo controlado” disse Raf enquanto continuava a caminhar por entre a erva, entrando então dentro de água “É estranho…”

“O quê?”

“Por alguma razão…eu…perdi os poderes que tinha…” murmurou a mulher

“Perdeste? Mas ainda no ano passado os tinhas…” disse Sulfus

“Eu…eu perdi-os…desde que…engravidei”

“Isso é muito estranho…por que razão a gravidez te iria anular os poderes?”

Raf abanou a cabeça “Não sei…não consigo entender”

“Raf vamos embora, já devíamos estar na maternidade” voltou a insistir Sulfus, Raf saiu de dentro de água com uma mão sobre a sua grande barriga

“Sulfus acalma-te, está tudo bem eu-“ de repente ficou sem conseguir falar, até o ar lhe faltou, segurou-se a uma árvore enquanto a sua mão se mantinha sobre a barriga, Sulfus vendo isto não hesitou em correr logo para junto dela

“Raf? O que se passa?!”

“Nada…foi só um pontapé…”

“Só um pontapé? Tens a certeza?” disse o homem num tom irónico quando mais uma vez a esposa se contorceu com dores

“Prontos não tenho assim tanta certeza…” murmurou ela

“Vamos para a maternidade e é já, sem mas nem meio mas” disse Sulfus pegando na esposa ao colo, no entanto uma voz parou-os de continuar o caminho…o Espírito do Lago…

“Sulfus, ainda não percebeste pois não?”

“O quê?”

“Tudo isto estava destinado a acontecer, a Raf perdeu os seus poderes desde que engravidou porque esses poderes foram passados para o vosso filho que está agora para nascer, essa criança está destinada a nascer aqui”

“Como?! Ela não pode dar à luz aqui! É perigoso!” exclamou o homem de cabelos negros “Se alguma coisa corre mal no parto não está cá ninguém para a ajudar!” O espírito aproximou-se do casal

“Nada de mal vai acontecer, eu já previ isto e tudo vai correr bem mas tens de ser tu a ajudá-la” Sulfus não sabia o que fazer, temia que seja lá o que o espírito tivesse previsto fosse falso e que alguma coisa corresse mal…mas de todas as visões que ela já tinha tido até agora, todas elas se concretizaram…logo…esta não seria excepção…certo…?

“Está bem…está bem eu faço-o…” não tinha outra escolha, apenas queria que a sua esposa e filho ou filha saíssem bem de toda esta história. Encostou a esposa contra o tronco de uma árvore.

O parto fora duro e longo, Raf tentara não gritar muito mas era difícil pois as dores eram muitas, cada grito que ela dava, era uma facada no coração do marido pois detestava vê-la sofrer daquela maneira sem poder fazer nada para o parar…mas no final…

O choro ecoou por todo o local enquanto Sulfus tirava o seu casaco e enrolava o recém-nascido ali dentro, limpando-lhe o sangue e o líquido que o cobria. Um sorriso apareceu no rosto do homem…

“Tinhas razão Raf…é uma menina” murmurou ele, aproximando-se da esposa que ainda tentava recuperar o fôlego depois de todo aquele esforço, ajudou-a a segurar a pequenina, algumas lágrimas escaparam dos olhos azuis de Raf quando viu a filha pela primeira vez…

“É linda” murmurou ela, olhando depois para o marido “É parecida contigo” Sulfus sorriu, sim a sua pequenina era de facto parecida com ele, já se notava que o seu cabelo ia ser negro como o do pai e a sua pele era uma mistura da pele pálida do pai com a pele bronzeada da mãe mas virava-se mais para o tom pálido do pai. As mãozinhas da bebé mexiam-se um pouco e fecharam-se quando Sulfus colocou um dedo sobre a sua pequena palma.

Logo de seguida beijou a cabeça da esposa “Vamos, vou levar-vos à maternidade”

E assim foi, Sulfus levou a sua esposa e filha à maternidade onde foram de imediato acolhidos e no qual Sulfus inventou uma história na qual disse que as águas rebentaram mais cedo do que o previsto e que mal tiveram tempo de se dirigirem para a maternidade pois Raf entrara logo de seguida em trabalho de parto. Logo havia sido ele a fazer o parto. A médica havia-lhe chamado de herói pois quase nenhum homem teria sido capaz de fazer o que ele fez.

“Senhor Zolfanello?” chamou uma enfermeira, despertando o homem dos seus pensamentos, este desviou o olhar do berçário onde se encontrava a sua filha e muitos outros bebés e olhou para a mulher diante de si “A sua esposa está desperta, vamos levar agora a menina para junto dela. Quer ser você a levá-la?” Sulfus sorriu e assentiu. Os dois entraram no berçário e a enfermeira ajudou o recém-papá a segurar na bebé de modo a conseguir transportá-la. Logo de seguida dirigiram-se para o quarto onde se encontrava Raf.

A enfermeira abriu a porta “Senhora Zolfanello” chamou ela, Raf ergueu logo a cabeça, a enfermeira desviou-se e deixou Sulfus entrar com a menina nos braços, um sorriso ergueu-se nos lábios da mulher ao vê-los, sentou-se o melhor que podia na cama.

“Eu vou buscar os papéis para registar a pequena” disse a enfermeira, saindo do quarto, deixando os recém-papás a sós com a sua bebé

“Olha a mamã, fofinha” murmurou Sulfus para a bebé, pousando-a nos braços de Raf que beijou logo a testa da sua filhota, esta por sua vez mexeu os bracinhos pequenos, fitando os pais com os seus olhos grandes azuis e inocentes.

“Minha pequenina…” murmurou a mulher de cabelos loiros, logo fitou o marido que ainda continuava a fitar maravilhado a nova adição da família “Sulfus”

“Sim?”

“Dá-lhe tu o nome” disse ela, apanhando o homem de surpresa

“E-Eu?!”

“Claro, sempre tiveste mais jeito para nomes do que eu” disse ela, rindo

“B-Bem eu…”

“Vá lá, deves ter algum nome em mente, não?”

“Bem na verdade tenho vários…” disse ele, coçando a cabeça envergonhado

“Algum que gostes em particular?”

“Mmmm…” pôs-se a pensar na lista de nomes que tinha pensado para a filha, tentando descobrir o que mais lhe gostava…”Bem…é um nome talvez estranho mas…o que achas de Luna?”

“Luna?”

“Sim…a pele dela faz-me lembrar um pouco a cor da lua, e a carinha é redonda como a lua, os cabelos dela por sua vez são escuros como o céu da noite”

Raf sorriu “É perfeito”

“A sério?”

“Sim…é a nossa pequena lua…a nossa Luna…a nossa Luna Eryn Zolfanello”

~*.*~*.*~

5 anos mais tarde…

Sulfus estava sentado na cama, o lençol cobria-o e a almofada servia-lhe de apoio para as costas, estava a ler qualquer coisa. Raf já dormia profundamente ao seu lado há já muito tempo.

Foi então que de repente e pouco a pouco a porta do quarto abriu-se, Sulfus ergueu o olhar e deu de caras com Luna, agarrada ao seu ursinho de peluche mas também a chorar. O homem não hesitou mais nenhum segundo em fechar o livro, levantar-se da cama e dirigir-se até à filha.

“Luna, o que se passa querida?” disse ele ajoelhando-se

“E-Eu…tive um…um pesadelo…” disse ela entre soluços, atirando-se então para os braços do seu papá, Sulfus pegou nela ao colo e acariciou-lhe os cabelos ondulados azuis, tentando consolá-la. Para não acordar a esposa, dirigiu-se até ao quarto da filha, onde a sentou sobre a borda da cama.

“Pronto querida, foi só um sonho” disse ele, limpando as lágrimas dos olhos da filha que continuava a soluçar “Não queres dizer ao papá o que sonhaste?” a pequenina abanou a cabeça, Sulfus sentou-se na cama e colocou a filha no seu colo para a acalmar, demorou a acontecer mas finalmente ela acalmou-se.

“Papá…?”

“Sim, querida?”

“Podes…podes ficar comigo esta noite…?” Sulfus sorriu e beijou a cabeça da filha

“Sim, claro que posso minha princesa” a cama de Luna era pequena, feita apenas para uma pessoa mas com um pouco de esforço Sulfus conseguiu enfiar-se lá dentro, sabia que no dia a seguir iria acordar com o corpo dorido mas isso não lhe importava, só queria que a sua filha se sentisse em segurança.

Continuou a acariciar os cabelos da sua filha até ela adormecer e logo também ele adormeceu…

FIM

Notas finais
obrigada a todos o que seguiram esta história desde o ínicio até ao fim
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!