A Ninfa da Cascata
13 Desespero
Notas iniciais
A Ninfa da Cascata
Capítulo 13 – Desespero
O lugar…as árvores…as pedras…a cascata…o lago…
…
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…
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…
Estavam congelados…
“O que é que…aconteceu aqui…” murmurou o jovem de cabelos negros, ainda incrédulo, os seus olhos âmbar ainda estavam arregalados pelo choque…recordava-se que Ninfa lhe tinha explicado que aquele lugar estava protegido por magia e que por isso nunca sofria as alterações climáticas que o resto da floresta sofria…se aquele lugar começasse a sofrer as mesmas alterações que o resto…então queria dizer que estava a perder a sua magia…
“Não entendo…”
“Eu explico-te tudo” disse de repente uma voz, Sulfus olhou confuso e tentou descobrir de onde provinha aquela voz misteriosa, tinha sido uma voz suave, calma e serena…e também feminina…”Aqui em cima, rapaz” o jovem olhou por cima da sua cabeça e por pouco não gritou ou teve um ataque cardíaco quando viu que diante dos seus olhos estava uma mulher…mas não era uma mulher qualquer…ela…era…diferente…parecia…transparente? Um espírito?! Para não falar que para além de ser transparente, ela era azul! Completamente azul, desde os cabelos até à pele, desde os olhos até às roupas!
“Acalma-te rapaz, não preciso de mais ninguém doente aqui…” murmurou ela, mantendo o tom sereno sem sequer mostrar nenhuma vontade de rir perante a reacção do jovem.
“E…quem és tu…?”
“O meu nome não importa…só tens de saber que sou a pessoa ou melhor o espírito que possuí a magia que protege este lugar…ou se calhar devia dizer que protegia este lugar….” Fitou o jovem rapaz com os seus olhos azuis intensos mas ao mesmo tempo frios que de certa forma fizeram Sulfus estremecer
Ele permaneceu em silêncio “Isto tudo culpa minha não é…? Sou eu a causa de tudo isto estar assim…”
“De facto és…este lugar está conectado com ela e agora que ela está em coma, a magia está a desaparecer”
“Ela? Queres dizer a Ninfa?”
A mulher abanou a cabeça “Não é esse o seu verdadeiro nome mas não sou eu que te tenho de dizer quem ela é realmente, terás de ser tu a descobri-lo por ti mesmo” Sulfus ficou confuso…quem ela era realmente…? O que queria ela dizer com isto…”Quando ela veio para aqui, fui eu que lhe ensinei toda a magia que ela possui consigo, é ela que sabe controlar a água mágica deste lago e muito mais…tu prometeste que tomarias conta dela…”
Sulfus olhou para baixo “Eu sei…”
“E no entanto traíste a confiança que ela tinha em ti”
“Eu sei!”
“É por tua causa que ela está no estado em que está neste preciso momento”
“EU SEI!!” gritou ele “Eu sei disso tudo raios! Eu sei que prometi que tomaria conta dela, que não deixaria que nada de mal lhe acontecesse, que lhe virei as costas quando ela mais precisou de mim, que traí a confiança que ela tinha mim, EU SEI que é por minha causa que ela está em coma, eu sei que é por minha culpa que ela poderá nunca mais acordar!” continuou, o seu corpo tremia completamente “Eu sei disso tudo raios…mas foi por isso que eu quis tentar salvá-la…eu sabia que essa água era a única maneira de ela acordar, de ela recuperar…eu quis tentar remediar os meus erros mas…não sabia que os meus actos tinham sido ainda mais graves do que pareciam…”
“Ao menos tens a coragem de admitir que erraste…muitas pessoas não seriam capazes de tal…”
“Talvez…mas admitir que errei não vai fazer com que ela acorde, não a vai salvar…”
“Aí é que te enganas…” murmurou ela, fazendo o rapaz erguer o olhar de imediato para ela
“O quê…?”
A mulher fez algo aparecer na sua mão, de onde Sulfus estava ele não conseguia perceber muito bem o que era “Este frasco…é o último que resta da água mágica…consegui recolhe-la assim que me apercebi do que se estava a passar e de que o lago estava a congelar…é pouca…mas é o suficiente para a salvar” atirou o frasco na direcção do jovem, o qual ele apanhou de imediato
“No entanto…”
“No entanto o quê…?”
“Há uma condição que tens de cumprir, se quiseres que essa água funcione…”
~*.*~*.*~
Sulfus abriu a porta do hospital, parecia em baixo…mas porque estava assim? Tinha a cura para Ninfa…e no entanto não parecia feliz por isso…os seus pais e irmã ainda estavam na sala de espera, quando o viram entrar a mãe foi logo a primeira a dirigir-se a ele.
“Sulfus estava preocupada contigo, não percebi nada quando disseste que ias procurar a única coisa que podia salvar a Ninfa” disse ela colocando as suas mãos nos ombros
“Eu…” abanou a cabeça “Eu preciso de vê-la…sabes qual é o quarto dela?”
A mãe assentiu “Estive lá há pouco. Vem comigo, os médicos autorizaram que pelo menos uma pessoa ficasse com ela” explicou ela enquanto o conduzia pelo caminho, chegaram à porta do quarto onde Ninfa se encontrava, Seraph abriu-a e deixou o filho entrar, este ficou…chocado quando viu todas aquelas máquinas e tubos em volta da jovem. A sua mãe não disse mais nada e fechou a porta assim que ele entrou, sabia que ele precisava de estar a sós com ela.
Após alguns minutos sem se mexer do sítio onde estava…Sulfus ganhou coragem de finalmente se aproximar da cama onde ela estava deitada, agarrou numa cadeira que ali estava e sentou-se…fitou a jovem de cabelos loiros…um brilho de tristeza e preocupação preenchia os olhos âmbar do rapaz…não sabia o que dizer…
Olhou para baixo e viu o que estava na sua mão…o frasco que aquele espírito lhe tinha dado…ela tinha razão, a água era pouca mas se ela dizia que seria o suficiente para salvar a vida de Ninfa, quem era ele para contrariá-la? Afinal…ela sabia muito mais de Ninfa do que ele mesmo….Ninfa….ele sabia perfeitamente que esse não seria o seu verdadeiro nome porque devido ao facto de a jovem não poder falar, tinha sido ele a dar-lhe esse nome…mas as palavras da mulher continuavam a soar na sua cabeça…quem era ela na verdade? E o que é que ela quis dizer com que teria de ser ele a descobrir quem ela era? Não era só isso que estava na sua mente…mas também a condição imposta pelo espírito para que a água funcionasse…
“No entanto…”
“No entanto o quê…?”
“Há uma condição que tens de cumprir, se quiseres que essa água funcione…” Sulfus arregalou os olhos ao ouvir isto…uma condição…?
“E é qual…?”
“Os teus sentimentos”
“Os meus sentimentos?” repetiu
“Sim, exacto…se queres que essa água lhe salve a vida então tens de lhe revelar os teus verdadeiros sentimentos para com ela…”
“O q-quê…? Não entendo, porque tenho de fazer isso? Eu…eu não me lembro de a Ninfa ter feito isso quando curou os arranhões que tinha nos braços!”
“Aí é que te enganas, ela pode não falar mas dentro de si ela sempre revelou preocupação e a vontade de te curar. Foi por isso que a água curou as tuas feridas num instante…se quiseres que essa água a desperte do coma…então tens de lhe revelar o que sentes por ela”
Que grande embrulhada…tinha de fazer aquilo que nos últimos dias lhe tem dado mais problemas do que outra coisa…os seus sentimentos por ela…ele não sabia o que sentia por ela! Considerava-a apenas uma amiga? Considerava-a como uma segunda irmã? Ou amava-a? Não sabia! Não sabia o que sentia por ela…mas aquela água era a única maneira de Ninfa despertar do coma…por isso teria de passar as próximas horas…ou negativamente pensando, os próximos dias a tentar descobrir o que sentia por ela…
Os beeps da máquina que mostrava o batimento do coração da jovem, fazia o coração dele bater ainda mais depressa…temia…ele temia que de repente os vários beeps que ouvia soar naquele quarto se transformassem num só e longo beep e que as linhas da máquina se transformassem numa linha contínua…
Agarrou na mão da jovem e acariciou-a com as suas duas mãos “Ninfa…” começou “…por favor…eu…eu peço-te…que sejas forte por favor…” sentiu um nó na garganta e a voz a falhar-lhe, no entanto resistiu de novo à vontade de chorar, de deixar sair as lágrimas que manteve dentro de si durante 14 anos “…não me deixes tu também…eu não te quero perder…não te quero perder como perdi ela…”
Levantou-se da cadeira e debruçou-se sobre o corpo da jovem, pousando os seus lábios sobre a sua testa bastante quente, abriu os olhos e fitou-a, não disse mais nada, simplesmente acariciou-lhe o rosto e então os seus cabelos, afastando alguns de cima do seu rosto, metendo-os atrás da sua orelha…foi então que algo lhe chamou a atenção….algo…que estava seguro se já ter visto antes…
Desviou os cabelos que tapavam o pescoço da jovem e confirmou-se aquilo que viu…os seus olhos arregalaram-se e o seu queixo descaiu ao ver que era mesmo aquilo…
“Não…não poder ser…”
TBC…
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